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Resenha: Rush - Hold Your Fire (1987)

Por: Márcio Chagas

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Equilíbrio entre tecnologia e musicalidade!
4
03/05/2019

Em maio de 1986 o Rush encerra a turnê de “Power Windows” e voltam novamente aos estúdios para a gravação de um novo disco. O trabalho ao lado de Peter Collins havia funcionado anteriormente e os canadenses o recrutaram novamente para co-produzir o álbum. O Trio voa ao lado de Collins para a Inglaterra no inicio de 1987, dando inicio a gravação do trabalho, deixando a mixagem para ser realizada nos estúdios Guillaume em Paris

Uma parte importante no trabalho do grupo sempre foram as letras escritas por Peart, e durante a gravação elas apareceram  mais filosóficas que nos álbuns anteriores desta fase. O baterista utiliza o tempo como matéria prima para criar seus conceitos e ideias. Embora filosoficamente mais rebuscado, as letras não se tornaram soturnas ou sombrias, se alinhando com o instrumental criado pelos músicos.

De toda a fase hi-tech, é notório que em “Hold Your Fire” o grupo encontrou mais equilíbrio em todos os sentidos. Os sintetizadores continuam presentes, mas as guitarras ganharam um destaque maior que não se via desde ‘Moving Pictures”. O baixo foi um importante instrumento no disco, atuando como um fio condutor das canções e intermediando um maior equilíbrio entre os demais instrumentos.

Outra coisa muito interessante foi a mudança técnica e rítmica de Peart. Parece que o baterista entrou em estúdio com a intenção de imprimir uma ótica mais simplista em relação a seu instrumento. Claro que o músico faz um excelente trabalho, mas os fãs mais devotos com certeza se decepcionaram com a performance de Neil, que está mais contido,  com menos viradas mirabolantes e seguindo os ritmos mais linearmente, embora possa ter se destacado em poucos momentos.

O álbum abre com "Force Ten", música de trabalho do grupo para o dicos. Um pop com o baixo onipresente de Lee e um bom trabalho de guitarras de Lifeson, para alegria dos fãs antigos. Uma curiosidade: além de ser a última música a ser gravada pelo trio, ela conta ainda com a colaboração do poeta Pye Bubois que escreveu a letra ao lado de Neil;

"Time Stand Still" é bem acessível e oitentista, mas ao mesmo tempo extremamente melódica, que conta com a participação especial de Aimee Mann (‘Til Tuesday) nos vocais;

Seguindo temos "Open Secrets", com sua entrada grandiosa e varias camadas de teclados sobre a voz de Lee, que mais uma vez se destaca no baixo com suas linhas pungentes. O solo de Lifeson é curto, mas bem encaixado;

"Second Nature" tem uma entrada de piano que lembra as baladas do Queen. Até a voz de Geddy entra mais suave. É a balada do álbum, que vai crescendo aos poucos culminado com o solo de Lifeson;

A canção "Prime Mover" tem guitarras limpas sobre camadas de sintetizadores e mais uma vez o baixo em evidência. Atrevo-me a dizer que este é um dos discos onde Geddy usou um de seus melhores timbres no instrumento;

"Lock and Key"  se inicia como se fosse um tema progressivo grandiloquente, porém logo os teclados invadem a canção e o pop aparece. O refrão é forte e energético foi feito para funcionar bem ao vivo. Peart consegue brilhar no final, solando em cima do andamento como fazia em Tom Sawyer;

O tema "Mission" é um dos meus favoritos do disco. Uma canção melódica, com sintetizadores mudanças de andamento que nos remete aos tempos progressivos do grupo. Outra canção que funciona muito bem ao vivo;

"Turn the Page" é sincopada, comandada pelo baixo de Lee que consegue um contraponto perfeito com os sintetizadores e as guitarras de Alex que por vezes soam esquizofrênicas;

A obscura "Tai Shan" tem sua introdução calcada na flauta oriental e em sintetizadores com sons típicos orientais. É uma balada atípica composta pelo trio, com sua letra sobre o famoso monte chinês. Apesar de interessante e diferente é óbvio que a canção não empolga;

Fechando o álbum vem "High Water", uma canção calcada na batida dos tambores de Peart, que se mantém ao lado da voz de Geddy. Um tema dinâmico e com texturas bem desenvolvidas, que geralmente passa despercebido pelo ouvinte menos atento.

“Hold Your Fire”  é o álbum mais homogênio da fase hi-tech do grupo, que procurou equilibrar suas influências eletrônicas com a sonoridade utilizada no passado, culminando em um álbum musicalmente mais melódico, agradável e por vezes acessível em relação a outros trabalhos do trio. A capa projetada novamente por Hugh Syme, que demonstra três círculos completamente integrados de maneira simplista, consegue captar com perfeição a sonoridade do disco.

O álbum foi lançado em setembro de 1987, e durante sua turnê foram registrados áudio e vídeo para o lançamento do que viria a ser “A Show of Hands”, terceiro trabalho ao vivo do grupo. E o Rush entrava aclamado nos anos 90.

Equilíbrio entre tecnologia e musicalidade!
4
03/05/2019

Em maio de 1986 o Rush encerra a turnê de “Power Windows” e voltam novamente aos estúdios para a gravação de um novo disco. O trabalho ao lado de Peter Collins havia funcionado anteriormente e os canadenses o recrutaram novamente para co-produzir o álbum. O Trio voa ao lado de Collins para a Inglaterra no inicio de 1987, dando inicio a gravação do trabalho, deixando a mixagem para ser realizada nos estúdios Guillaume em Paris

Uma parte importante no trabalho do grupo sempre foram as letras escritas por Peart, e durante a gravação elas apareceram  mais filosóficas que nos álbuns anteriores desta fase. O baterista utiliza o tempo como matéria prima para criar seus conceitos e ideias. Embora filosoficamente mais rebuscado, as letras não se tornaram soturnas ou sombrias, se alinhando com o instrumental criado pelos músicos.

De toda a fase hi-tech, é notório que em “Hold Your Fire” o grupo encontrou mais equilíbrio em todos os sentidos. Os sintetizadores continuam presentes, mas as guitarras ganharam um destaque maior que não se via desde ‘Moving Pictures”. O baixo foi um importante instrumento no disco, atuando como um fio condutor das canções e intermediando um maior equilíbrio entre os demais instrumentos.

Outra coisa muito interessante foi a mudança técnica e rítmica de Peart. Parece que o baterista entrou em estúdio com a intenção de imprimir uma ótica mais simplista em relação a seu instrumento. Claro que o músico faz um excelente trabalho, mas os fãs mais devotos com certeza se decepcionaram com a performance de Neil, que está mais contido,  com menos viradas mirabolantes e seguindo os ritmos mais linearmente, embora possa ter se destacado em poucos momentos.

O álbum abre com "Force Ten", música de trabalho do grupo para o dicos. Um pop com o baixo onipresente de Lee e um bom trabalho de guitarras de Lifeson, para alegria dos fãs antigos. Uma curiosidade: além de ser a última música a ser gravada pelo trio, ela conta ainda com a colaboração do poeta Pye Bubois que escreveu a letra ao lado de Neil;

"Time Stand Still" é bem acessível e oitentista, mas ao mesmo tempo extremamente melódica, que conta com a participação especial de Aimee Mann (‘Til Tuesday) nos vocais;

Seguindo temos "Open Secrets", com sua entrada grandiosa e varias camadas de teclados sobre a voz de Lee, que mais uma vez se destaca no baixo com suas linhas pungentes. O solo de Lifeson é curto, mas bem encaixado;

"Second Nature" tem uma entrada de piano que lembra as baladas do Queen. Até a voz de Geddy entra mais suave. É a balada do álbum, que vai crescendo aos poucos culminado com o solo de Lifeson;

A canção "Prime Mover" tem guitarras limpas sobre camadas de sintetizadores e mais uma vez o baixo em evidência. Atrevo-me a dizer que este é um dos discos onde Geddy usou um de seus melhores timbres no instrumento;

"Lock and Key"  se inicia como se fosse um tema progressivo grandiloquente, porém logo os teclados invadem a canção e o pop aparece. O refrão é forte e energético foi feito para funcionar bem ao vivo. Peart consegue brilhar no final, solando em cima do andamento como fazia em Tom Sawyer;

O tema "Mission" é um dos meus favoritos do disco. Uma canção melódica, com sintetizadores mudanças de andamento que nos remete aos tempos progressivos do grupo. Outra canção que funciona muito bem ao vivo;

"Turn the Page" é sincopada, comandada pelo baixo de Lee que consegue um contraponto perfeito com os sintetizadores e as guitarras de Alex que por vezes soam esquizofrênicas;

A obscura "Tai Shan" tem sua introdução calcada na flauta oriental e em sintetizadores com sons típicos orientais. É uma balada atípica composta pelo trio, com sua letra sobre o famoso monte chinês. Apesar de interessante e diferente é óbvio que a canção não empolga;

Fechando o álbum vem "High Water", uma canção calcada na batida dos tambores de Peart, que se mantém ao lado da voz de Geddy. Um tema dinâmico e com texturas bem desenvolvidas, que geralmente passa despercebido pelo ouvinte menos atento.

“Hold Your Fire”  é o álbum mais homogênio da fase hi-tech do grupo, que procurou equilibrar suas influências eletrônicas com a sonoridade utilizada no passado, culminando em um álbum musicalmente mais melódico, agradável e por vezes acessível em relação a outros trabalhos do trio. A capa projetada novamente por Hugh Syme, que demonstra três círculos completamente integrados de maneira simplista, consegue captar com perfeição a sonoridade do disco.

O álbum foi lançado em setembro de 1987, e durante sua turnê foram registrados áudio e vídeo para o lançamento do que viria a ser “A Show of Hands”, terceiro trabalho ao vivo do grupo. E o Rush entrava aclamado nos anos 90.

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