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Resenha: Yes - Heaven & Earth (2014)

Por: Tiago Meneses

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Pobre, sem graça, inspiração e longe de soar progressivo.
1.5
04/10/2017

Sempre que uma banda clássica decide lançar um novo álbum, eu já tomo algumas doses de realidade. Ao menos o suficiente pra entender que é quase certo que eu não verei algo a nível dos discos que me fizeram virar um fã do grupo em questão. Ainda mais quando falamos do Yes, que ao mesmo tempo em que lançou verdadeiros petardos no anos 70, sendo seis deles seguidamente, também a partir de 1983, enfileirou os piores discos de toda a sua discografia até então. Aí você me pergunta: Porque até então? Porque depois de terem lançados 3 álbuns que podíamos chamar ao menos de dignos ou mesmo bons, em 2014 eles “quiseram” surpreender a todos com aquele que eu só não digo ser o pior álbum lançado pela banda até hoje, porque existe o Open “Your Eyes” de 1997 pra segurar em sua mão e juntos exercerem tal função.

Por algum motivo, antes de ouvir qualquer coisa que seja de Heaven & Earth, eu tinha uma boa expectativa, até mesmo pela sua capa. Tudo bem que assim como um livro não deve ser julgado pela capa, um álbum também não, mas no caso do Yes as piores capas é onde estão os piores trabalhos e eu acabei pegando isso como base. E já que era apresentada mais uma ao menos bonita arte de Roger Dean pra capa de um disco da banda, achei que a música seria ao menos a nível de um dos dois trabalhos anteriores, Magnification e Fly From Here. 

Mas a questão é: O álbum é ruim? Bom, se você não está procurando um disco de Rock Progressivo legítimo, mas uma música relaxante, que pode soar até mesmo agradável ao ouvido daqueles que só querem colocar os pés pra cima enquanto faixa a faixa vai passando em seus pouco mais de 50 minutos, aí não, pode ser até um bom disco. Agora se a procura que creio eu ser a mais normal, é por uma música complexa, intrincada, arranjos grandiosos, grandes passagens e solos tanto de guitarra quanto teclado, linhas de baixo com o selo Chris Squire de qualidade, enfim, tudo que pode se esperar quando o assunto é Yes, então nem perca o seu tempo. 

O disco abre com, “Believe Again”, um pop rock meloso em todos os seus sentidos, além de um refrão emotivamente chato. Se na época começasse a ser um novo hit a passar na Antena 1 não me surpreenderia muito, e acho que só não acontece algo do tipo, pois é uma música longa para esses padrões, possui oito  minutos. Com, “The Game”, a banda continua a mostrar qual será a cara de basicamente todo o álbum, ou seja, pop rock nada inspirado onde nem mesmo solos de guitarra executados por um músico do nível do Steve Howe consegue salvar a música de um resultado decepcionante. 

Ao começar, “Step Beyond”, juro que sou obrigado a me fazer uma pergunta do tipo, “eu estou realmente ouvindo a um álbum do Yes?”. Tem início com um teclado extremamente chato e que é repetido da mesma maneira por vários momentos da música. Um arranjo simples por completo, mas se é pra manter tudo no mesmo nível até o momento, o caminho está certinho. Já imaginou o Yes tocando em um barzinho? Pois bem, uma faixa como, “To Ascend” me faz imaginar exatamente isso. Um momento relativamente bom dentro do disco. Um vocal executado com bastante sentimento, e Howe no violão faz um bom trabalho. Tudo sobre uma cama melódica bem bonita. Por mais que não seja uma canção brilhante, nesse álbum é uma balada que sobra facilmente em termo de qualidade pra quem gosta desse tipo de música. 

Após um lapso de criatividade mais elevada, em “In A World Of Our Own” a banda volta a zona de conforto do pop rock que vinham apresentando até então. Canção longe do que se espera ao ouvir Yes. Confesso se a mesma música tivesse sido feita pelo Steely Dan, por exemplo, eu a acharia uma boa canção pop, me faz lembrar o grupo em alguns momentos, mas não é o caso. Acaba por ser somente mais uma entre tantas decepções de Heaven and Earth. Em "Light Of The Ages", se você é baixista ou ao menos é um grande admirador do instrumento, talvez irá curtir as linhas criadas por Squire pra essa música. Mas se não, não existe mais nada demais que a faça valer a pena. Nem mesmo os slides de Howe que costumam ser bastante inspirados, aqui não dizem muita coisa. 

"It Was All We Knew" é mais uma entre as infinitas músicas “AOR” com que o álbum é composto. Aqui nesse caso, nem mesmo o tamanho da faixa atrapalharia pra que logo se transformasse em um hit de rádios ouvidas por pessoas que sequer sabem a história do Yes dentro do Rock Progressivo. Mas pra não dizer que nem tudo está perdido, o álbum termina com a sua melhor faixa e a única que eu de fato posso dizer que gostei de verdade. Inclusive curioso que em um disco de um dinossauro do rock progressivo, só exista uma faixa de fato que soa como tal. “Subway Walls” já tem um início diferente das demais, faz criar enfim uma boa expectativa, uso de cordas, tímpanos e xilofone. Squire mostrando porque é uma referência do baixo dentro do estilo, cadenciando uma melodia extremamente saborosa de ser ouvida. Obviamente que exageros à parte, vai nos fazendo remeter ao Yes 70’s. A música também possui um belo final. Uma maneira de “pedir desculpa” por quase tudo que nos fizeram ouvir durante o disco. 

Então é isso, o problema não está na formação da banda, por exemplo, afinal, Steve Howe dispensa qualquer tipo de apresentação quando se fala em guitarristas, Chris Squire é um dos maiores baixistas em toda a história do rock progressivo e único membro de todos os discos de estúdio da banda, Geoff Downes é um tecladista criativo e com graduação musical pra tocar em qualquer banda que seja, Alan White tem uma ligação com o Yes de mais de 40 anos, então problemas com o som do grupo nunca teve e nunca terá, e por último e sempre a parte mais questionada por todos, os vocais, que aqui estão sobre os comandos de Jon Davison, que sinceramente, é a voz que mais encaixa com a banda, depois, claro, dos trabalhos feitos pelo Jon Anderson. Mas então, o que deu errado? Bom, acima de tudo querer usar o nome de Yes pra um som que passa longe do que é a banda. Creio que se ninguém quer parar de tocar, que façam os seus projetos solos, reinventem-se, mas deixem o grupo. Não sou contra sair um pouco da zona de conforto, da área de onde se é mais conhecido e atingiu o seu apogeu, inclusive acho bem interessante, mas o que eles apresentam aqui não é um novo caminho dentro do som que já fizeram durante a carreira, não é algo feito de maneira diferente, porém, sem descaracterizar ou perder as próprias raízes, mas é literalmente e somente um novo som de uma banda que de Yes só tem o nome. No mais, pobre, sem graça, inspiração e longe de soar progressivo. 

Pobre, sem graça, inspiração e longe de soar progressivo.
1.5
04/10/2017

Sempre que uma banda clássica decide lançar um novo álbum, eu já tomo algumas doses de realidade. Ao menos o suficiente pra entender que é quase certo que eu não verei algo a nível dos discos que me fizeram virar um fã do grupo em questão. Ainda mais quando falamos do Yes, que ao mesmo tempo em que lançou verdadeiros petardos no anos 70, sendo seis deles seguidamente, também a partir de 1983, enfileirou os piores discos de toda a sua discografia até então. Aí você me pergunta: Porque até então? Porque depois de terem lançados 3 álbuns que podíamos chamar ao menos de dignos ou mesmo bons, em 2014 eles “quiseram” surpreender a todos com aquele que eu só não digo ser o pior álbum lançado pela banda até hoje, porque existe o Open “Your Eyes” de 1997 pra segurar em sua mão e juntos exercerem tal função.

Por algum motivo, antes de ouvir qualquer coisa que seja de Heaven & Earth, eu tinha uma boa expectativa, até mesmo pela sua capa. Tudo bem que assim como um livro não deve ser julgado pela capa, um álbum também não, mas no caso do Yes as piores capas é onde estão os piores trabalhos e eu acabei pegando isso como base. E já que era apresentada mais uma ao menos bonita arte de Roger Dean pra capa de um disco da banda, achei que a música seria ao menos a nível de um dos dois trabalhos anteriores, Magnification e Fly From Here. 

Mas a questão é: O álbum é ruim? Bom, se você não está procurando um disco de Rock Progressivo legítimo, mas uma música relaxante, que pode soar até mesmo agradável ao ouvido daqueles que só querem colocar os pés pra cima enquanto faixa a faixa vai passando em seus pouco mais de 50 minutos, aí não, pode ser até um bom disco. Agora se a procura que creio eu ser a mais normal, é por uma música complexa, intrincada, arranjos grandiosos, grandes passagens e solos tanto de guitarra quanto teclado, linhas de baixo com o selo Chris Squire de qualidade, enfim, tudo que pode se esperar quando o assunto é Yes, então nem perca o seu tempo. 

O disco abre com, “Believe Again”, um pop rock meloso em todos os seus sentidos, além de um refrão emotivamente chato. Se na época começasse a ser um novo hit a passar na Antena 1 não me surpreenderia muito, e acho que só não acontece algo do tipo, pois é uma música longa para esses padrões, possui oito  minutos. Com, “The Game”, a banda continua a mostrar qual será a cara de basicamente todo o álbum, ou seja, pop rock nada inspirado onde nem mesmo solos de guitarra executados por um músico do nível do Steve Howe consegue salvar a música de um resultado decepcionante. 

Ao começar, “Step Beyond”, juro que sou obrigado a me fazer uma pergunta do tipo, “eu estou realmente ouvindo a um álbum do Yes?”. Tem início com um teclado extremamente chato e que é repetido da mesma maneira por vários momentos da música. Um arranjo simples por completo, mas se é pra manter tudo no mesmo nível até o momento, o caminho está certinho. Já imaginou o Yes tocando em um barzinho? Pois bem, uma faixa como, “To Ascend” me faz imaginar exatamente isso. Um momento relativamente bom dentro do disco. Um vocal executado com bastante sentimento, e Howe no violão faz um bom trabalho. Tudo sobre uma cama melódica bem bonita. Por mais que não seja uma canção brilhante, nesse álbum é uma balada que sobra facilmente em termo de qualidade pra quem gosta desse tipo de música. 

Após um lapso de criatividade mais elevada, em “In A World Of Our Own” a banda volta a zona de conforto do pop rock que vinham apresentando até então. Canção longe do que se espera ao ouvir Yes. Confesso se a mesma música tivesse sido feita pelo Steely Dan, por exemplo, eu a acharia uma boa canção pop, me faz lembrar o grupo em alguns momentos, mas não é o caso. Acaba por ser somente mais uma entre tantas decepções de Heaven and Earth. Em "Light Of The Ages", se você é baixista ou ao menos é um grande admirador do instrumento, talvez irá curtir as linhas criadas por Squire pra essa música. Mas se não, não existe mais nada demais que a faça valer a pena. Nem mesmo os slides de Howe que costumam ser bastante inspirados, aqui não dizem muita coisa. 

"It Was All We Knew" é mais uma entre as infinitas músicas “AOR” com que o álbum é composto. Aqui nesse caso, nem mesmo o tamanho da faixa atrapalharia pra que logo se transformasse em um hit de rádios ouvidas por pessoas que sequer sabem a história do Yes dentro do Rock Progressivo. Mas pra não dizer que nem tudo está perdido, o álbum termina com a sua melhor faixa e a única que eu de fato posso dizer que gostei de verdade. Inclusive curioso que em um disco de um dinossauro do rock progressivo, só exista uma faixa de fato que soa como tal. “Subway Walls” já tem um início diferente das demais, faz criar enfim uma boa expectativa, uso de cordas, tímpanos e xilofone. Squire mostrando porque é uma referência do baixo dentro do estilo, cadenciando uma melodia extremamente saborosa de ser ouvida. Obviamente que exageros à parte, vai nos fazendo remeter ao Yes 70’s. A música também possui um belo final. Uma maneira de “pedir desculpa” por quase tudo que nos fizeram ouvir durante o disco. 

Então é isso, o problema não está na formação da banda, por exemplo, afinal, Steve Howe dispensa qualquer tipo de apresentação quando se fala em guitarristas, Chris Squire é um dos maiores baixistas em toda a história do rock progressivo e único membro de todos os discos de estúdio da banda, Geoff Downes é um tecladista criativo e com graduação musical pra tocar em qualquer banda que seja, Alan White tem uma ligação com o Yes de mais de 40 anos, então problemas com o som do grupo nunca teve e nunca terá, e por último e sempre a parte mais questionada por todos, os vocais, que aqui estão sobre os comandos de Jon Davison, que sinceramente, é a voz que mais encaixa com a banda, depois, claro, dos trabalhos feitos pelo Jon Anderson. Mas então, o que deu errado? Bom, acima de tudo querer usar o nome de Yes pra um som que passa longe do que é a banda. Creio que se ninguém quer parar de tocar, que façam os seus projetos solos, reinventem-se, mas deixem o grupo. Não sou contra sair um pouco da zona de conforto, da área de onde se é mais conhecido e atingiu o seu apogeu, inclusive acho bem interessante, mas o que eles apresentam aqui não é um novo caminho dentro do som que já fizeram durante a carreira, não é algo feito de maneira diferente, porém, sem descaracterizar ou perder as próprias raízes, mas é literalmente e somente um novo som de uma banda que de Yes só tem o nome. No mais, pobre, sem graça, inspiração e longe de soar progressivo. 

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