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Resenha: Mark Isham - Blue Sun (1995)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
Lírico, cadenciado e melódico!
5
13/04/2019

Você pode não ter ouvido falar de Mark Isham, mas com certeza já deve ter ouvido sua música. Isto porque este trompetista, tecladista arranjador e produtor americano compôs várias trilhas sonoras para as grandes produções Hollywoodianas.
Tanto trabalho deu a Isham certo prestígio no meio artístico, mas também atrapalhou exponencialmente sua carreira musical. O trompetista ensaiou uma obscura carreira solo nos anos 80, lançando álbuns para as gravadoras  Windham Hill e   a prestigiosa ECM, ao lado de músicos do porte de David Torn e Bill Bruford. Porém, seu trabalho com trilhas sonoras sempre foi prioridade.

Fora isso, embora gravasse discos de música instrumental influenciados por fusion, new age e música eletrônica, faltava a Mark Lançar um CD eminentemente de jazz, priorizando seu trompete  e demonstrando sua técnica e inventividade no estilo. 
Somente em 1994  Isham decidiu reunir uma equipe invejada de músicos na intenção de gravar um disco de jazz e exteriorizar suas influências de Miles Davis, Art Farmer e outros mestres.

Dois músicos recrutados por Mark tiveram essencial importância na harmonização musical do álbum: são eles Steve Tavaglione, que com o seu saxofone tenor ficou encarregado de fazer um contraponto com seu trompete, e  o pianista David Goldblatt, que traria uma maior enriquecimento musical as canções unindo os dois principais instrumentos de sopro

Doug Lunn e Kurt Wortman foram chamados para cuidar da cozinha e os guitarristas David Torn e Peter Manu ficaram responsáveis por eventuais, porém importantes participações.

Isham optou por trazer o estilo utilizado em trilhas sonoras para o álbum. Deste modo, a sonoridade lenta e cadenciada impera em boa parte do álbum, fazendo com que o disco tenha um ar mais soturno porém extremamente lírico e bem construído. 

“Barcelona” abre o álbum com ecos de música flamenca, com Isham colocando seu trompete a frente da canção. O sax de Tavaglione entra como coadjuvante, mas essencial para a construção do tema;

“That Beautiful Sadness”, é uma canção lenta, em que Mark privilegia o tema, solando pausadamente em duo com Tavaglione. O piano minimalista de Goldblatt enche o tema de harmonia;

Em “Trapeze” Mark traz a tona todas suas influências do mestre Miles Davis, onde se inicia solando de maneira esparsa, repetindo o tema central e sendo seguido por todo o grupo. Há espaço para improviso, onde todos os músicos se sobressaem evidenciando a unidade da banda. É um tema de quase sete minutos, com várias nuances e mudanças de andamento;

“Lazy Afternoon” é um tema curto e soturno, quase uma pequena balada, onde o trompete de Isham estabelece uma conexão com o lírico piano de Goldblatt, enchendo o ambiente de uma beleza quase lúgubre;

A faixa título é o tema mais longo do álbum. Começa soturna e vai crescendo à medida que se desenvolve, com os músicos aderindo aos poucos ao tema. O trabalho de Isham e Tavaglione mais uma vez merece aplausos efusivos pelo senso lírico e melódico impresso na canção. Aqui, ao invés de optarem por um contraponto, os músicos uniram seus instrumentos em uníssono, sendo amparados mais uma vez pelo onipresente Goldblatt. Destaque ainda para o baterista Wortman.

A seguir vem “In More Than Love”, outro tema em que Isham/Goldblatt se sobressaem. A canção tem uma atmosfera meio de cabaré, característica do cool jazz oriundo dos anos 50 e 60. Mais uma vez a influência de Miles vem à tona, principalmente no timbre do instrumento de Mark. Merece menção o solo de Goldblatt, que consegue se sobressair sem descaracterizar o estilo do álbum;

“And Miles to Go... Before He Sleeps”, é uma canção que se inicia  com uma base em ostinato evidenciado o trompete do líder. Tavaglione faz seu solo oportunamente após Isham, trazendo novos elementos líricos ao tema;

No final do disco temos o primeiro e único cover, “In a Sentimental Mood”, clássico de Duke Ellington gravado ao lado de John Coltrane. Isham deixou o tema ainda mais lento e cadenciado, subvertendo a canção de maneira positiva, e imprimindo frescor ao velho clássico;

Para encerrar vem “Tour The Chance”, onde novamente Mark e Steve Tocam em uníssono. É  uma canção de certo modo mais rápidae dinâmica que o restante do CD, mas que se encaixa perfeitamente na proposta musical apresentada.
“Blue Sun”, foi lançado em 1995, e embora o trompetista tenha participado de alguns festivais europeus, tal fato não foi suficiente para colocar o disco em evidência. O álbum continua sendo uma pérola perdida do estilo, mas não é exagero colocar o disco como um dos melhores de toda década de 90.

Lírico, cadenciado e melódico!
5
13/04/2019

Você pode não ter ouvido falar de Mark Isham, mas com certeza já deve ter ouvido sua música. Isto porque este trompetista, tecladista arranjador e produtor americano compôs várias trilhas sonoras para as grandes produções Hollywoodianas.
Tanto trabalho deu a Isham certo prestígio no meio artístico, mas também atrapalhou exponencialmente sua carreira musical. O trompetista ensaiou uma obscura carreira solo nos anos 80, lançando álbuns para as gravadoras  Windham Hill e   a prestigiosa ECM, ao lado de músicos do porte de David Torn e Bill Bruford. Porém, seu trabalho com trilhas sonoras sempre foi prioridade.

Fora isso, embora gravasse discos de música instrumental influenciados por fusion, new age e música eletrônica, faltava a Mark Lançar um CD eminentemente de jazz, priorizando seu trompete  e demonstrando sua técnica e inventividade no estilo. 
Somente em 1994  Isham decidiu reunir uma equipe invejada de músicos na intenção de gravar um disco de jazz e exteriorizar suas influências de Miles Davis, Art Farmer e outros mestres.

Dois músicos recrutados por Mark tiveram essencial importância na harmonização musical do álbum: são eles Steve Tavaglione, que com o seu saxofone tenor ficou encarregado de fazer um contraponto com seu trompete, e  o pianista David Goldblatt, que traria uma maior enriquecimento musical as canções unindo os dois principais instrumentos de sopro

Doug Lunn e Kurt Wortman foram chamados para cuidar da cozinha e os guitarristas David Torn e Peter Manu ficaram responsáveis por eventuais, porém importantes participações.

Isham optou por trazer o estilo utilizado em trilhas sonoras para o álbum. Deste modo, a sonoridade lenta e cadenciada impera em boa parte do álbum, fazendo com que o disco tenha um ar mais soturno porém extremamente lírico e bem construído. 

“Barcelona” abre o álbum com ecos de música flamenca, com Isham colocando seu trompete a frente da canção. O sax de Tavaglione entra como coadjuvante, mas essencial para a construção do tema;

“That Beautiful Sadness”, é uma canção lenta, em que Mark privilegia o tema, solando pausadamente em duo com Tavaglione. O piano minimalista de Goldblatt enche o tema de harmonia;

Em “Trapeze” Mark traz a tona todas suas influências do mestre Miles Davis, onde se inicia solando de maneira esparsa, repetindo o tema central e sendo seguido por todo o grupo. Há espaço para improviso, onde todos os músicos se sobressaem evidenciando a unidade da banda. É um tema de quase sete minutos, com várias nuances e mudanças de andamento;

“Lazy Afternoon” é um tema curto e soturno, quase uma pequena balada, onde o trompete de Isham estabelece uma conexão com o lírico piano de Goldblatt, enchendo o ambiente de uma beleza quase lúgubre;

A faixa título é o tema mais longo do álbum. Começa soturna e vai crescendo à medida que se desenvolve, com os músicos aderindo aos poucos ao tema. O trabalho de Isham e Tavaglione mais uma vez merece aplausos efusivos pelo senso lírico e melódico impresso na canção. Aqui, ao invés de optarem por um contraponto, os músicos uniram seus instrumentos em uníssono, sendo amparados mais uma vez pelo onipresente Goldblatt. Destaque ainda para o baterista Wortman.

A seguir vem “In More Than Love”, outro tema em que Isham/Goldblatt se sobressaem. A canção tem uma atmosfera meio de cabaré, característica do cool jazz oriundo dos anos 50 e 60. Mais uma vez a influência de Miles vem à tona, principalmente no timbre do instrumento de Mark. Merece menção o solo de Goldblatt, que consegue se sobressair sem descaracterizar o estilo do álbum;

“And Miles to Go... Before He Sleeps”, é uma canção que se inicia  com uma base em ostinato evidenciado o trompete do líder. Tavaglione faz seu solo oportunamente após Isham, trazendo novos elementos líricos ao tema;

No final do disco temos o primeiro e único cover, “In a Sentimental Mood”, clássico de Duke Ellington gravado ao lado de John Coltrane. Isham deixou o tema ainda mais lento e cadenciado, subvertendo a canção de maneira positiva, e imprimindo frescor ao velho clássico;

Para encerrar vem “Tour The Chance”, onde novamente Mark e Steve Tocam em uníssono. É  uma canção de certo modo mais rápidae dinâmica que o restante do CD, mas que se encaixa perfeitamente na proposta musical apresentada.
“Blue Sun”, foi lançado em 1995, e embora o trompetista tenha participado de alguns festivais europeus, tal fato não foi suficiente para colocar o disco em evidência. O álbum continua sendo uma pérola perdida do estilo, mas não é exagero colocar o disco como um dos melhores de toda década de 90.

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