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Resenha: The Gathering - Almost A Dance (1993)

Por: Vitor Sobreira

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Não dê muita atenção ao vocal...
4
11/04/2019

Após o debut ‘Always…’, os vocalistas Bart Smits e Marike Groot estavam fora do The Gathering. A mudança para Niels Duffhues e Martine van Loon, analisando de um certo ponto de vista, talvez não tenha sido uma escolha lá muito inteligente por parte da banda, já que o primeiro vocalista se enquadrava mais no inicial Death/Doom Metal – com teclados bastante expressivos. Mas, por outro lado, devemos levar em consideração que a sonoridade sofreu algumas modificações, mantendo certa distancia dos estilos mencionados e indo para um caminho mais experimental, trabalhado e não tão pesado, porém não menos interessante.

Não querendo desmerecer Niels (que também tocou violão), mas creio que ele teria se encaixado melhor em alguma banda emergente de Alternativo ou Grunge, com seu incompreendido vocal – que conseguiu soar irritante aqui e aceitável acolá – com certa paciência. Ah, e digo mais: Será um ponto que o ouvinte sempre questionará, mas o instrumental é tão bom, que acaba dando uma amenizada nesse deslize, e por fim você poderá até se acostumar a esse detalhe. Ainda em tempo, os vocais femininos aparecem apenas em algumas músicas, dando um ar refinadamente Gothic, mas sem o merecido destaque.

Apesar dos pesares, como disse acima, o instrumental é de muita qualidade, com diversos arranjos esbanjando criatividade e diversidade – certamente já demonstrando interesse no Atmosférico e no Progressivo. O tecladista Frank Boeijen desde sempre foi um caso a parte, inserindo muito feeling nas climatizações, com atmosferas sombrias e notas melodiosas. As guitarras também são muito “eloquentes”, seja nas bases ou nos solos, conservando o ar de peso, juntamente com a bateria muitíssimo bem executada. Até mesmo o baixo, quando tem licença, não fez feio.

Tendo em vista a época (1993) e a musicalidade, nos deparamos com uma qualidade de som considerável, mas os vocais ficaram discretamente mais altos – sem nenhuma necessidade –, e algumas partes mais pesadas, meio que emboladas. Em meio a isso, nota-se até hoje a determinação dos músicos em se re-inventar e em elaborar músicas diferenciadas, que a cada álbum apresentava-se renovada. Mas, após a entrada de Anneke van Giersbergen e o acréscimo de (outros) novos elementos, a banda de fato começariaa ganhar uma boa repercussão. Apenas como lembrete, neste ano ‘Almost a Dance’ completa seus 26 anos de lançamento.

“On a Wave” poderia ter sido em inserida em outra posição que não fosse a de primeira faixa, mas temos um bom início e uma noção do que aguarda o ouvinte em quase 01 hora. “The Blue Vessel” sim, seria a melhor candidata para o posto de honra, com boas melodias que não saem da cabeça. Na longa “Her Last Fright” os vocais soam menos irritantes, acompanhando a levada cadenciada que quase predomina o instrumental. “The Sky People” se equilibra entre passagens mais animadas com outras mais sentimentais, dignas do Doom/Gothic.

Em uma vibe bastante diferente (bota diferente nisso!), “Nobody Dares” segue com voz grave, violão e modestos teclados. Ainda que não tenha nada a ver com as demais, não ficou deslocada no track list. A forte “Like Fountains” se aproxima longinquamente do primeiro álbum, aqui e ali, com os vocais de Martine aparecendo um pouquinho mais. Mantendo o foco em alta, “Proof” sem dúvidas é uma das músicas que mais ouvi do álbum, que entre sussurros, uma suave levada hipnótica e momentos de peso, nos fazem lembrar/vivenciar os dias nublados do outono.

Quando se assusta, nos deparamos com as derradeiras “Heartbeat Amplifier” e “A Passage to Desire”. Respectivamente, uma chama a atenção pelo evidenciado trabalho de bateria e ritmo envolvente, compensando a falta de uma composição mais veloz. A outra, também no variado esquema de peso (na medida do possível, lógico) e momentâneas viagens “Prog”, coloca um ponto final nesta segunda fase do The Gathering, literalmente.

Não dê muita atenção ao vocal...
4
11/04/2019

Após o debut ‘Always…’, os vocalistas Bart Smits e Marike Groot estavam fora do The Gathering. A mudança para Niels Duffhues e Martine van Loon, analisando de um certo ponto de vista, talvez não tenha sido uma escolha lá muito inteligente por parte da banda, já que o primeiro vocalista se enquadrava mais no inicial Death/Doom Metal – com teclados bastante expressivos. Mas, por outro lado, devemos levar em consideração que a sonoridade sofreu algumas modificações, mantendo certa distancia dos estilos mencionados e indo para um caminho mais experimental, trabalhado e não tão pesado, porém não menos interessante.

Não querendo desmerecer Niels (que também tocou violão), mas creio que ele teria se encaixado melhor em alguma banda emergente de Alternativo ou Grunge, com seu incompreendido vocal – que conseguiu soar irritante aqui e aceitável acolá – com certa paciência. Ah, e digo mais: Será um ponto que o ouvinte sempre questionará, mas o instrumental é tão bom, que acaba dando uma amenizada nesse deslize, e por fim você poderá até se acostumar a esse detalhe. Ainda em tempo, os vocais femininos aparecem apenas em algumas músicas, dando um ar refinadamente Gothic, mas sem o merecido destaque.

Apesar dos pesares, como disse acima, o instrumental é de muita qualidade, com diversos arranjos esbanjando criatividade e diversidade – certamente já demonstrando interesse no Atmosférico e no Progressivo. O tecladista Frank Boeijen desde sempre foi um caso a parte, inserindo muito feeling nas climatizações, com atmosferas sombrias e notas melodiosas. As guitarras também são muito “eloquentes”, seja nas bases ou nos solos, conservando o ar de peso, juntamente com a bateria muitíssimo bem executada. Até mesmo o baixo, quando tem licença, não fez feio.

Tendo em vista a época (1993) e a musicalidade, nos deparamos com uma qualidade de som considerável, mas os vocais ficaram discretamente mais altos – sem nenhuma necessidade –, e algumas partes mais pesadas, meio que emboladas. Em meio a isso, nota-se até hoje a determinação dos músicos em se re-inventar e em elaborar músicas diferenciadas, que a cada álbum apresentava-se renovada. Mas, após a entrada de Anneke van Giersbergen e o acréscimo de (outros) novos elementos, a banda de fato começariaa ganhar uma boa repercussão. Apenas como lembrete, neste ano ‘Almost a Dance’ completa seus 26 anos de lançamento.

“On a Wave” poderia ter sido em inserida em outra posição que não fosse a de primeira faixa, mas temos um bom início e uma noção do que aguarda o ouvinte em quase 01 hora. “The Blue Vessel” sim, seria a melhor candidata para o posto de honra, com boas melodias que não saem da cabeça. Na longa “Her Last Fright” os vocais soam menos irritantes, acompanhando a levada cadenciada que quase predomina o instrumental. “The Sky People” se equilibra entre passagens mais animadas com outras mais sentimentais, dignas do Doom/Gothic.

Em uma vibe bastante diferente (bota diferente nisso!), “Nobody Dares” segue com voz grave, violão e modestos teclados. Ainda que não tenha nada a ver com as demais, não ficou deslocada no track list. A forte “Like Fountains” se aproxima longinquamente do primeiro álbum, aqui e ali, com os vocais de Martine aparecendo um pouquinho mais. Mantendo o foco em alta, “Proof” sem dúvidas é uma das músicas que mais ouvi do álbum, que entre sussurros, uma suave levada hipnótica e momentos de peso, nos fazem lembrar/vivenciar os dias nublados do outono.

Quando se assusta, nos deparamos com as derradeiras “Heartbeat Amplifier” e “A Passage to Desire”. Respectivamente, uma chama a atenção pelo evidenciado trabalho de bateria e ritmo envolvente, compensando a falta de uma composição mais veloz. A outra, também no variado esquema de peso (na medida do possível, lógico) e momentâneas viagens “Prog”, coloca um ponto final nesta segunda fase do The Gathering, literalmente.

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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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