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Resenha: Iron Maiden - Killers (1981)

Por: Márcio Chagas

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Album Cover
A Donzela de Ferro encontra sua sonoridade!
4.5
10/04/2019

A história deste disco começa bem antes do grupo entrar em estúdio. Em meio a turnê do primeiro disco, Harris demite o Guitarrista Dennis Stratton por diferenças musicais. O músico era mais velho que o restante da banda e trazia influências mais leves como Eagles e outros grupos de soft rock.  Para a vaga de Straton, o grupo resolve chamar um jovem loiro e magricela que tocava no Urchin, chamado Adrian Smith.

A chegada de Adrian trouxe uma mudança na sonoridade da banda. Embora viesse da mesma escola pesada de Dave Murray, o recém chegado guitarrista possuía um estilo mais polido e melódico em  contrapartida ao estilo mais pungente e agressivo de Murray.  A sonoridade de ambos  se complementaram, formando uma das duplas mais dinâmicas e eficientes de todo o heavy metal;
Outro ponto positivo com a entrada de Smith, foi que sua veia melódica acabou  refletindo na performance de Paul, que conseguiu domar seu lado agressivo na medida certa. 
Mas o grande  diferencial em Killers  foi o fato de Harris e sua trupe terem recrutado o experiente Martin Birtch para a produção do álbum. Birtch  soube trabalhar o melhor de cada integrante, ajudando o grupo a idealizar um álbum mais homogêneo  em termos de sonoridade. A Influência punk e som cru foram abandonados, investindo em uma  direção mais pesada porém melódica. O produtor também ajudou a banda a alcançar a sonoridade desejada em termos de timbres, trabalhando com eficiência a cozinha formada por Harris e Burr, agora muito mais integrada. Na verdade neste álbum  você encontra uma das melhores -senão a melhor-  performance  do líder Harris. Seu baixo soa limpo, cortante e pungente, mas sem sobrepor as guitarras. Não é a toa que Martin seguiria produzindo o Maiden até o ano de 1992

O álbum se inicia com a  curta instrumental  "The Ides of March"  com boas guitarras da nova dupla e uma cadência   que nos remete  a Roma antiga.  É facilmente perceptível a  nova sonoridade do grupo;

“Wrathchild”  inicia com o baixão de Stevão pulsando no peito, seguido pelos vocais rasgados de Di' Anno. Smith se mostra bem integrado ao grupo. A canção conta a história de uma criança abandonada pelo pai que decide procura-lo em idade adulta. O refrão era cantado ao vivo a plenos pulmões pela plateia;

Seguindo o petardo temos “Murders in the rue Morgue”, que  é baseada em um conto homônimo de Edgar Allan Poe. Ao contrário de outras canções, este tema era novo e foi composto exclusivamente para o disco. Sua entrada soturna que vai crescendo paulatinamente é uma amostra do amadurecimento do grupo e do caminho que seguiriam no futuro. O baterista Burr  imprime um bom peso ao tema,

“Another Life” se inicia com Murray e Smith duelando, completamente integrados ao grupo. Lá atrás baixo e bateria seguram o peso com eficiência para os vocais agora mais melódicos de Paul ganharem destaque. O som do grupo começava a ganhar forma e conteúdo

Seguindo vem “Genghis Khan”,  uma instrumental vigorosa,  calcada no baixo da Harris que faz contraponto com a nova dupla de guitarras. O ouvinte mais atento percebe ecos do Whisbone Ash, uma das influências do líder;

“Innocent Exile” fecha o lado A do vinil de forma energética e cadenciada, com espaço para o baixo se destacar mais uma vez em meio as paredes de guitarra;

Iniciando o lado B temos a faixa título, composta por Di' Anno e Harris. Um tema urgente sincopado com ótimo trabalho de bateria. Paul brilha mais uma vez, bem à vontade ao interpretar o tema. O solo de guitarra dobrado é um diferencial. Uma das melhores do álbum;

“Prodigal Son”  é mais lenta e cadenciada, inclusive com uso de violões.  A letra obviamente é baseada na parábola bíblica do filho pródigo. A sonoridade destoa completamente do restante do álbum, mas o Maiden mostra que também se sai bem com baladas. Até o vocalista surpreende com boa performance em temas mais calmos. O solo de guitarra é quase progressivo, uma viagem melódica, cortesia do novato  Adrian; 

O peso retorna em “ Purgatory”, uma canção pesada em sua essência, com velocidade alta, baixo galopante e guitarras "na cara". Com certeza uma forte influência para o thrash metal que nasceria logo depois;

“Twilight Zone” tem um pé no hard rock e uma letra sombria, que fala da prisão da alma na zona do crepúsculo e não consegue se materializar para a amada; 

Encerrando o álbum vem  “Drifter”,  um heavy típico, com boas guitarras e o baixo onipresente. É uma canção dinâmica, com mudanças de andamento e um excelente trabalho de todo o grupo.

O álbum foi lançado em fevereiro de 1981 e chegou ao 12º lugar no Reino Unido com o grupo caindo na estrada com a Killer World Tour, que passaria por vários países inclusive o Japão com o grupo ovacionado, chegando a fazer dois shows em um mesmo dia.  Essa primeira turnê serviu de base para o EP Maiden Japan, que foi o canto do cisne para o vocalista Di' Anno, que deixaria o grupo para a entrada de Bruce Dickinson, iniciando um novo capitulo na história do grupo.

A Donzela de Ferro encontra sua sonoridade!
4.5
10/04/2019

A história deste disco começa bem antes do grupo entrar em estúdio. Em meio a turnê do primeiro disco, Harris demite o Guitarrista Dennis Stratton por diferenças musicais. O músico era mais velho que o restante da banda e trazia influências mais leves como Eagles e outros grupos de soft rock.  Para a vaga de Straton, o grupo resolve chamar um jovem loiro e magricela que tocava no Urchin, chamado Adrian Smith.

A chegada de Adrian trouxe uma mudança na sonoridade da banda. Embora viesse da mesma escola pesada de Dave Murray, o recém chegado guitarrista possuía um estilo mais polido e melódico em  contrapartida ao estilo mais pungente e agressivo de Murray.  A sonoridade de ambos  se complementaram, formando uma das duplas mais dinâmicas e eficientes de todo o heavy metal;
Outro ponto positivo com a entrada de Smith, foi que sua veia melódica acabou  refletindo na performance de Paul, que conseguiu domar seu lado agressivo na medida certa. 
Mas o grande  diferencial em Killers  foi o fato de Harris e sua trupe terem recrutado o experiente Martin Birtch para a produção do álbum. Birtch  soube trabalhar o melhor de cada integrante, ajudando o grupo a idealizar um álbum mais homogêneo  em termos de sonoridade. A Influência punk e som cru foram abandonados, investindo em uma  direção mais pesada porém melódica. O produtor também ajudou a banda a alcançar a sonoridade desejada em termos de timbres, trabalhando com eficiência a cozinha formada por Harris e Burr, agora muito mais integrada. Na verdade neste álbum  você encontra uma das melhores -senão a melhor-  performance  do líder Harris. Seu baixo soa limpo, cortante e pungente, mas sem sobrepor as guitarras. Não é a toa que Martin seguiria produzindo o Maiden até o ano de 1992

O álbum se inicia com a  curta instrumental  "The Ides of March"  com boas guitarras da nova dupla e uma cadência   que nos remete  a Roma antiga.  É facilmente perceptível a  nova sonoridade do grupo;

“Wrathchild”  inicia com o baixão de Stevão pulsando no peito, seguido pelos vocais rasgados de Di' Anno. Smith se mostra bem integrado ao grupo. A canção conta a história de uma criança abandonada pelo pai que decide procura-lo em idade adulta. O refrão era cantado ao vivo a plenos pulmões pela plateia;

Seguindo o petardo temos “Murders in the rue Morgue”, que  é baseada em um conto homônimo de Edgar Allan Poe. Ao contrário de outras canções, este tema era novo e foi composto exclusivamente para o disco. Sua entrada soturna que vai crescendo paulatinamente é uma amostra do amadurecimento do grupo e do caminho que seguiriam no futuro. O baterista Burr  imprime um bom peso ao tema,

“Another Life” se inicia com Murray e Smith duelando, completamente integrados ao grupo. Lá atrás baixo e bateria seguram o peso com eficiência para os vocais agora mais melódicos de Paul ganharem destaque. O som do grupo começava a ganhar forma e conteúdo

Seguindo vem “Genghis Khan”,  uma instrumental vigorosa,  calcada no baixo da Harris que faz contraponto com a nova dupla de guitarras. O ouvinte mais atento percebe ecos do Whisbone Ash, uma das influências do líder;

“Innocent Exile” fecha o lado A do vinil de forma energética e cadenciada, com espaço para o baixo se destacar mais uma vez em meio as paredes de guitarra;

Iniciando o lado B temos a faixa título, composta por Di' Anno e Harris. Um tema urgente sincopado com ótimo trabalho de bateria. Paul brilha mais uma vez, bem à vontade ao interpretar o tema. O solo de guitarra dobrado é um diferencial. Uma das melhores do álbum;

“Prodigal Son”  é mais lenta e cadenciada, inclusive com uso de violões.  A letra obviamente é baseada na parábola bíblica do filho pródigo. A sonoridade destoa completamente do restante do álbum, mas o Maiden mostra que também se sai bem com baladas. Até o vocalista surpreende com boa performance em temas mais calmos. O solo de guitarra é quase progressivo, uma viagem melódica, cortesia do novato  Adrian; 

O peso retorna em “ Purgatory”, uma canção pesada em sua essência, com velocidade alta, baixo galopante e guitarras "na cara". Com certeza uma forte influência para o thrash metal que nasceria logo depois;

“Twilight Zone” tem um pé no hard rock e uma letra sombria, que fala da prisão da alma na zona do crepúsculo e não consegue se materializar para a amada; 

Encerrando o álbum vem  “Drifter”,  um heavy típico, com boas guitarras e o baixo onipresente. É uma canção dinâmica, com mudanças de andamento e um excelente trabalho de todo o grupo.

O álbum foi lançado em fevereiro de 1981 e chegou ao 12º lugar no Reino Unido com o grupo caindo na estrada com a Killer World Tour, que passaria por vários países inclusive o Japão com o grupo ovacionado, chegando a fazer dois shows em um mesmo dia.  Essa primeira turnê serviu de base para o EP Maiden Japan, que foi o canto do cisne para o vocalista Di' Anno, que deixaria o grupo para a entrada de Bruce Dickinson, iniciando um novo capitulo na história do grupo.

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