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Resenha: Ed Motta - Perpetual Gateways (2016)

Por: Roberto Rillo Bíscaro

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Abrindo os portões da boa música
4
10/04/2019

Ed Motta começou novinho sob os holofotes, em 1988, quando estourou com o Conexão Japeri. Tinha menos de dezoito, quando o país cantou Manuel. Pode não ter sido fácil ser alcunhado “o sobrinho de Tim Maia”, mesmo tendo talento e vozeirão. Ainda lembro do dueto com Marisa Monte, no início dos anos 90. Na era do mimimi de rede social, controvérsia aqui, polêmica ali e sempre mais importante do que essa cosmética derretida, uma carreira internacional indo bastante bem pelo jeito. Perpetual Gateways, lançado dia 12 de fevereiro, de 2016, pelo selo gringo Must Have Jazz prova isso.

Motta organizou as 10 faixas como na época do vinil: um lado mais R’n’B, outro jazz. Na idade do mp3/streaming isso significa: as cinco primeiras faixas na primeira categoria, as demais jazzy. Perpetual Gateways é como crescente invasão do jazz. Nas primeiras canções, piano aqui, clarineta acolá, remetendo ao que Terri Lyne Carrington fez em The Mosaic Project: Love and Soul. A partir da sexta canção, jazz contemporâneo total, virtuoso e febril.

Captain’s Refusal abre sophistipop com clima de jazz e isso só se avoluma posteriormente, daí a “invasão”. Hyponcondriac’s Fun bebe da mesma fonte da qual Djavan se fartara: Steve Wonder. Deliciosa e com linhas vocais memoráveis; aliás, Perpetual Gateways está cheio de grandes melodias e linhas/versos grudentos. Não é só pop que pode ser chicletudo. Na segunda parte da canção, um dos grandes solos de piano inundam de jazz esse deslizante passeio soul. As teclas estão a cargo de Patrice Rushen. O time de músicos é fera; particularizo Rushen, porque ela é a dona do hit oitentista Forget Me Nots, do álbum Straight From the Heart (1982), onde já fundia pop, jazz e “R’n’B. E é mais ou menos assim em Perpetual Gateways, ainda que o pop esteja em segundo plano.

Ouça o começo de Good Intentions e pensará que vem funk; até tem clima, mas Rushen tasca um solo jazzístico de tirar fôlego. O solo de clarinete de Reader´s Choice além de jazzificá-la, deixa-a podre de chique. Heritage Déjà Vu seria chamada de acid jazz há uma década.

Daí começa oficialmente o domínio jazz, que se inicia com a esfumaçada Forgotten Nickname, com denso solo de flauta, para não cair na mesmice de só piano. Daquelas canções que trazem à cabeça imagens cinematográficas de fossa nalgum bar. As 4 faixas finais são exuberante amostra de jazz contemporâneo, com grande instrumentação floreada, alguma dissonância, bebopices, scat singing (Ed arrasa em Overblown Overweight). A elogiosa resenha do All Music Guide menciona o albino Hermeto como semelhança; eu acrescentaria João Donato se é para se referir a mais prata da casa.

Abrindo os portões da boa música
4
10/04/2019

Ed Motta começou novinho sob os holofotes, em 1988, quando estourou com o Conexão Japeri. Tinha menos de dezoito, quando o país cantou Manuel. Pode não ter sido fácil ser alcunhado “o sobrinho de Tim Maia”, mesmo tendo talento e vozeirão. Ainda lembro do dueto com Marisa Monte, no início dos anos 90. Na era do mimimi de rede social, controvérsia aqui, polêmica ali e sempre mais importante do que essa cosmética derretida, uma carreira internacional indo bastante bem pelo jeito. Perpetual Gateways, lançado dia 12 de fevereiro, de 2016, pelo selo gringo Must Have Jazz prova isso.

Motta organizou as 10 faixas como na época do vinil: um lado mais R’n’B, outro jazz. Na idade do mp3/streaming isso significa: as cinco primeiras faixas na primeira categoria, as demais jazzy. Perpetual Gateways é como crescente invasão do jazz. Nas primeiras canções, piano aqui, clarineta acolá, remetendo ao que Terri Lyne Carrington fez em The Mosaic Project: Love and Soul. A partir da sexta canção, jazz contemporâneo total, virtuoso e febril.

Captain’s Refusal abre sophistipop com clima de jazz e isso só se avoluma posteriormente, daí a “invasão”. Hyponcondriac’s Fun bebe da mesma fonte da qual Djavan se fartara: Steve Wonder. Deliciosa e com linhas vocais memoráveis; aliás, Perpetual Gateways está cheio de grandes melodias e linhas/versos grudentos. Não é só pop que pode ser chicletudo. Na segunda parte da canção, um dos grandes solos de piano inundam de jazz esse deslizante passeio soul. As teclas estão a cargo de Patrice Rushen. O time de músicos é fera; particularizo Rushen, porque ela é a dona do hit oitentista Forget Me Nots, do álbum Straight From the Heart (1982), onde já fundia pop, jazz e “R’n’B. E é mais ou menos assim em Perpetual Gateways, ainda que o pop esteja em segundo plano.

Ouça o começo de Good Intentions e pensará que vem funk; até tem clima, mas Rushen tasca um solo jazzístico de tirar fôlego. O solo de clarinete de Reader´s Choice além de jazzificá-la, deixa-a podre de chique. Heritage Déjà Vu seria chamada de acid jazz há uma década.

Daí começa oficialmente o domínio jazz, que se inicia com a esfumaçada Forgotten Nickname, com denso solo de flauta, para não cair na mesmice de só piano. Daquelas canções que trazem à cabeça imagens cinematográficas de fossa nalgum bar. As 4 faixas finais são exuberante amostra de jazz contemporâneo, com grande instrumentação floreada, alguma dissonância, bebopices, scat singing (Ed arrasa em Overblown Overweight). A elogiosa resenha do All Music Guide menciona o albino Hermeto como semelhança; eu acrescentaria João Donato se é para se referir a mais prata da casa.

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