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Resenha: Dream Theater - Black Clouds & Silver Linings (2009)

Por: Marcio Alexandre

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O testamento de Mike Portnoy com o Dream Theater
4
06/04/2019

Já se vai uma década do lançamento do último disco do Dream Theater (e por coincidência data que coincide exatamente com o aniversário deste que vos escreve, 23 de junho para ser mais exato) que conta com a participação do ex-chefe, Mike Portnoy. O ex-baterista deixou a banda no ano seguinte, após propor uma pausa nas atividades, o que causou certo estranhamento entre os integrantes e acabou culminando num fato jamais se pensado ao se tratar do DT. Portnoy afirmava não sentir mais o vigor de antes na produção da banda, que as coisas vinham se repetindo no automático e aliado a isso, o músico ainda havia aceito um convite dos garotos do Avenged Sevenfold para assumir o posto de The Rev, recém falecido naquele momento, na gravação e turnê do álbum “Nightmare“. Mas afinal, a proposta de Mike era cabida nesse ponto? “Black Clouds & Silver Linnings” responde a questão.

Antes de propriamente falar sobre o disco, há de se fazer um ressalte sobre a bela arte da capa que não é menos que uma das mais belas na discografia da banda que ficou a cargo do artista Hugh Syme.

O disco abre com “A Nightmare to Remember“, um grande épico cheia de atmosfera e peso nos seus longos quase 20 minutos. A abertura da canção é fantástica, nos remete à algo provindo de uma banda de metal sinfônico. É cheia de os teclados de Jordan Rudess são atmosféricos e a bateria cadenciada cheia de pedais duplos, aliadas a uma pegada de Petrucci um tanto pesada. Porém em seus versos quando LaBrie aparece cantando, a faixa da uma pequena caída de ritmo, mesmo com o instrumental fuzilando sem dó o ouvido do expectador. O refrão quebra completamente o ritmo que fica mais lento e melódico. Lá pela sua metade, após um longo solo divido entre guitarra e teclado como vinha sendo praxe do DT, a música cai de novo num climão atmosférico e aí temos uma parte bem interessante, Portnoy incorpora o cantor de metal e sem perder o ritmo frenético dos pedais canta versos num quase gutural, e ainda tem tempo pra finalizar a faixa com blast beats. É um começo bastante interessante.

A segunda faixa como de longo costume já, é a de mais fácil assimilação no trabalho. “A Rite of Passage” é até interessante, principalmente seu refrão que é bem grudento. Tem algumas nuances de guitarra, mas no geral se repete do início ao fim, com algumas quebras de tempo aqui e ali. Longe de ser ruim, mas é uma faixa que não cola muito e passa meio despercebida num geral. O vídeo da canção é bastante interessante.

“Wither” é a que acalma os ânimos sendo uma balada um tanto carregada, e se tem algo incontestável na carreira do DT é o fato deles saberem fazer muito bem uma balada. A faixa é densa, tem um clima extremamente carregado e trata de uma certa frustração que os membros passaram durante alguns processos de composição. A faixa é muito bonita, tem uma arranjo de bateria de Portnoy muito bem executado, trabalhada muito em chimbais e ritmo cadenciado. A ponte após o segundo refrão é maravilhosa e triste ao mesmo tempo. Também ganhou um vídeo e curioso notar como os membros realmente aparecem cansados ali, sua rotina de viagens, longos períodos dentro de um ônibus, toda a produção que envolve um show, tudo agora parece sobrecarregar os caras nesse tempo. Curioso também apontar uma cena de Portnoy se despedindo no vídeo como um prelúdio do que viria acontecer. Maravilhosa e irá se repetir algumas vezes no fone nas noites.

Agora trazendo a veia mais metal da banda, “The Shattered Fortress“começa com um groove pesado e arranjos de teclado dando seu tom. É a faixa responsável por encerrar a suite dos AA que Mike Portnoy iniciou lá atrás no “Six Degrees of Inner Turbulence” e lançando um capítulo a cada disco até então, completando cinco músicas que se interligam e contam sobre os problemas com ácool que o baterista passou. A faixa é rápida e cheia de dinâmica, com seu primeiro verso sendo cantado pelo próprio Portnoy. Os fãs iram reconhecer a similaridade com outras faixas, o que é proposital aqui. A quebra em sua metade é incrível num solo destruidor de teclado que atira notas em nossa direção a todo momento, sem tempo para respirar, e há uma passagem da bateria que Mike desce a mão e abusa dos pedais duplos numa explosão. Ainda há tempo para se repetir o refrão de “The Root of All Evil” do disco “Octavarium” e termina em tom épico.

A próxima canção traz uma carga emocional mais pesada e exatamente por isso se torna uma das coisas mais belas que o Dream Theater já fez em sua carreira, se não a mais. “The Best of Times” é simplesmente linda, do seu começo até o último minuto é um desfile de beleza em forma de música. Tudo isso se reflete pela doença e morte do pai de Portnoy durante o processo de gravação do disco. Tudo é pensado minimamente aqui, cada arranjo, cada nota é entoada com um porém maior. Tudo se encaixa perfeitamente, voz e instrumental se encontram num choque. A parte instrumental pós o segundo refrão é de tirar lágrimas dos olhos, o arranjado de Rudess é de se elevar o espírito a outro nível. O solo de Petrucci é simplesmente pra se ouvir e ouvir inúmeras vezes, sendo uma de suas criações de maior feeling. Numa edição bônus do disco há uma versão cantada inteira pelo próprio Mike e que da mais peso e drama à tudo. Howard Portnoy, pai do músico ainda pode ouvir a música finalizada antes de sua morte. Um tributo maravilhoso e a melhor canção do disco disparada.

O encerramento do disco (sim, são cinco faixas presentes na versão comum do álbum, porém sua maioria de longa duração que totalizam mais de uma hora de duração), fica por conta de “The Count of Tuscany“, um dos melhores encerramento de um disco da banda. Ela começa com um dedilhado que logo vai ganhando corpo, sendo acompanhado pelo restante da banda até explodir num ritmo cadenciado que lembra muito o Metallica em seus primórdios, aliás, a faixa toda lembra bastante a banda de Hetfield e até mesmo alguns traços do Megadeth vemos ali. O refrão é muito bom, pega fácil sem deixar as coisas caírem. O segundo verso consegue ser ainda mais pesado cheio de tempos intrincados da guitarras com uma base um tanto agressiva e passagens da bateria. Há uma passagem mais calma eu sei meio muito bela por sinal, e que da espaço à um violão que acompanha a voz de James num dos melhores momentos da canção. Dessa parte em diante vemos o porque da faixa ser escolhida para fechar o trabalho, é uma ode pela música e de alto nível se tornando a segunda melhor faixa daqui e tendo entrado como favorita nos shows da banda.

Mas ao final, temos a resposta da pergunta feito lá do início e ela é sim! Tirando as duas últimas canções, “BC&SL” acaba por não acrescentar muito a carreira do Dream Theater, se sai melhor que seu antecessor, “Systematic Chaos“, porém acaba ficando num patamar não de inovação ou frescor para a banda, vale mesmo em seus minutos finais. A renovação acabou por vir de uma forma drástica, e hoje banda e baterista seguem por caminhos diferentes. Este álbum aqui comentado acaba por se tornar o testamento de Mike Portnoy que poderia ter sido um pouco melhor executado em seu resultado final, mas é claro que ainda vale as várias revisitadas nem que por saudosismo à um ciclo que se encerrou na carreira dos deuses do Prog Metal.

O testamento de Mike Portnoy com o Dream Theater
4
06/04/2019

Já se vai uma década do lançamento do último disco do Dream Theater (e por coincidência data que coincide exatamente com o aniversário deste que vos escreve, 23 de junho para ser mais exato) que conta com a participação do ex-chefe, Mike Portnoy. O ex-baterista deixou a banda no ano seguinte, após propor uma pausa nas atividades, o que causou certo estranhamento entre os integrantes e acabou culminando num fato jamais se pensado ao se tratar do DT. Portnoy afirmava não sentir mais o vigor de antes na produção da banda, que as coisas vinham se repetindo no automático e aliado a isso, o músico ainda havia aceito um convite dos garotos do Avenged Sevenfold para assumir o posto de The Rev, recém falecido naquele momento, na gravação e turnê do álbum “Nightmare“. Mas afinal, a proposta de Mike era cabida nesse ponto? “Black Clouds & Silver Linnings” responde a questão.

Antes de propriamente falar sobre o disco, há de se fazer um ressalte sobre a bela arte da capa que não é menos que uma das mais belas na discografia da banda que ficou a cargo do artista Hugh Syme.

O disco abre com “A Nightmare to Remember“, um grande épico cheia de atmosfera e peso nos seus longos quase 20 minutos. A abertura da canção é fantástica, nos remete à algo provindo de uma banda de metal sinfônico. É cheia de os teclados de Jordan Rudess são atmosféricos e a bateria cadenciada cheia de pedais duplos, aliadas a uma pegada de Petrucci um tanto pesada. Porém em seus versos quando LaBrie aparece cantando, a faixa da uma pequena caída de ritmo, mesmo com o instrumental fuzilando sem dó o ouvido do expectador. O refrão quebra completamente o ritmo que fica mais lento e melódico. Lá pela sua metade, após um longo solo divido entre guitarra e teclado como vinha sendo praxe do DT, a música cai de novo num climão atmosférico e aí temos uma parte bem interessante, Portnoy incorpora o cantor de metal e sem perder o ritmo frenético dos pedais canta versos num quase gutural, e ainda tem tempo pra finalizar a faixa com blast beats. É um começo bastante interessante.

A segunda faixa como de longo costume já, é a de mais fácil assimilação no trabalho. “A Rite of Passage” é até interessante, principalmente seu refrão que é bem grudento. Tem algumas nuances de guitarra, mas no geral se repete do início ao fim, com algumas quebras de tempo aqui e ali. Longe de ser ruim, mas é uma faixa que não cola muito e passa meio despercebida num geral. O vídeo da canção é bastante interessante.

“Wither” é a que acalma os ânimos sendo uma balada um tanto carregada, e se tem algo incontestável na carreira do DT é o fato deles saberem fazer muito bem uma balada. A faixa é densa, tem um clima extremamente carregado e trata de uma certa frustração que os membros passaram durante alguns processos de composição. A faixa é muito bonita, tem uma arranjo de bateria de Portnoy muito bem executado, trabalhada muito em chimbais e ritmo cadenciado. A ponte após o segundo refrão é maravilhosa e triste ao mesmo tempo. Também ganhou um vídeo e curioso notar como os membros realmente aparecem cansados ali, sua rotina de viagens, longos períodos dentro de um ônibus, toda a produção que envolve um show, tudo agora parece sobrecarregar os caras nesse tempo. Curioso também apontar uma cena de Portnoy se despedindo no vídeo como um prelúdio do que viria acontecer. Maravilhosa e irá se repetir algumas vezes no fone nas noites.

Agora trazendo a veia mais metal da banda, “The Shattered Fortress“começa com um groove pesado e arranjos de teclado dando seu tom. É a faixa responsável por encerrar a suite dos AA que Mike Portnoy iniciou lá atrás no “Six Degrees of Inner Turbulence” e lançando um capítulo a cada disco até então, completando cinco músicas que se interligam e contam sobre os problemas com ácool que o baterista passou. A faixa é rápida e cheia de dinâmica, com seu primeiro verso sendo cantado pelo próprio Portnoy. Os fãs iram reconhecer a similaridade com outras faixas, o que é proposital aqui. A quebra em sua metade é incrível num solo destruidor de teclado que atira notas em nossa direção a todo momento, sem tempo para respirar, e há uma passagem da bateria que Mike desce a mão e abusa dos pedais duplos numa explosão. Ainda há tempo para se repetir o refrão de “The Root of All Evil” do disco “Octavarium” e termina em tom épico.

A próxima canção traz uma carga emocional mais pesada e exatamente por isso se torna uma das coisas mais belas que o Dream Theater já fez em sua carreira, se não a mais. “The Best of Times” é simplesmente linda, do seu começo até o último minuto é um desfile de beleza em forma de música. Tudo isso se reflete pela doença e morte do pai de Portnoy durante o processo de gravação do disco. Tudo é pensado minimamente aqui, cada arranjo, cada nota é entoada com um porém maior. Tudo se encaixa perfeitamente, voz e instrumental se encontram num choque. A parte instrumental pós o segundo refrão é de tirar lágrimas dos olhos, o arranjado de Rudess é de se elevar o espírito a outro nível. O solo de Petrucci é simplesmente pra se ouvir e ouvir inúmeras vezes, sendo uma de suas criações de maior feeling. Numa edição bônus do disco há uma versão cantada inteira pelo próprio Mike e que da mais peso e drama à tudo. Howard Portnoy, pai do músico ainda pode ouvir a música finalizada antes de sua morte. Um tributo maravilhoso e a melhor canção do disco disparada.

O encerramento do disco (sim, são cinco faixas presentes na versão comum do álbum, porém sua maioria de longa duração que totalizam mais de uma hora de duração), fica por conta de “The Count of Tuscany“, um dos melhores encerramento de um disco da banda. Ela começa com um dedilhado que logo vai ganhando corpo, sendo acompanhado pelo restante da banda até explodir num ritmo cadenciado que lembra muito o Metallica em seus primórdios, aliás, a faixa toda lembra bastante a banda de Hetfield e até mesmo alguns traços do Megadeth vemos ali. O refrão é muito bom, pega fácil sem deixar as coisas caírem. O segundo verso consegue ser ainda mais pesado cheio de tempos intrincados da guitarras com uma base um tanto agressiva e passagens da bateria. Há uma passagem mais calma eu sei meio muito bela por sinal, e que da espaço à um violão que acompanha a voz de James num dos melhores momentos da canção. Dessa parte em diante vemos o porque da faixa ser escolhida para fechar o trabalho, é uma ode pela música e de alto nível se tornando a segunda melhor faixa daqui e tendo entrado como favorita nos shows da banda.

Mas ao final, temos a resposta da pergunta feito lá do início e ela é sim! Tirando as duas últimas canções, “BC&SL” acaba por não acrescentar muito a carreira do Dream Theater, se sai melhor que seu antecessor, “Systematic Chaos“, porém acaba ficando num patamar não de inovação ou frescor para a banda, vale mesmo em seus minutos finais. A renovação acabou por vir de uma forma drástica, e hoje banda e baterista seguem por caminhos diferentes. Este álbum aqui comentado acaba por se tornar o testamento de Mike Portnoy que poderia ter sido um pouco melhor executado em seu resultado final, mas é claro que ainda vale as várias revisitadas nem que por saudosismo à um ciclo que se encerrou na carreira dos deuses do Prog Metal.

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