Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Kiss Meets the Phantom of the Park (1978)

Direção: Gordon Hessler

Relacionado com: Elton John

Acessos: 528


Kiss contra o fantasma da tragédia

Autor: Marcio Alexandre

11/12/2019

O Kiss era uma das maiores bandas já nos anos 70, fosse pela sua musicalidade ou pela inventividade (nem tão inventiva assim) dos usos da maquiagem e todo o misticismo que envolvia aqueles quatro caras. no decorrer dessa década, lançaram praticamente um álbum por ano, entre ao vivos e trabalhos de estúdio. Em 77 lançaram "Destroyer" e no ano seguinte, algum produtor teve a ideia de repetir o feito que outros do meio já haviam feito antes, colocar o Kiss no cinema (não exatamente em um) em um filme. 

O longa criado diretamente para a TV, (hoje em dia, seria abraçado pela Netflix) traz uma história de ficção científica onde, Paul, Gene, Ace e Peter são seres com superpoderes e lutam para o bem das pessoas, ao mesmo tempo que fazem rock n' roll. Tudo vai bem, até um cientista doido ter a ideia de criar robôs sósias das pessoas para dominar o mundo, fazendo o mesmo com Gene Simmons (criativo né?!), e é daí em diante que a lambança tá feita e o circo de horrores se arma. 

 Nada faz sentido algum e a cafonice que em vários momentos rondou a banda se extrapola aqui e vemos uma confusão que nem o próprio Kiss entendia do que se tratava, conforme Paul Stanley afirma em "KISS: eXposed", um alguém levantava um cartaz com as falas, eles liam e isso era gravado, assim foi feito o filme inteiro. É também ao assistir que entendemos porque Ace Frehley gravou todas as cenas bêbado, pois somente assim para encarar tal tarefa. 

A premissa é um tanto vagabunda, e o seguimento não fica atrás. Não há uma montagem, uma direção ou qualquer rumo nisso aqui, tudo só vai acontecendo de susto e chega à ser difícil saber o que de fato se passa nesse tempo. Os poderes que os integrantes tem, não são de fatos expostos de onde vem, ou o que são, falam de sua fonte, mas não uma origem que convença ou faça algum sentido e por falar nesses poderes... Óbvio que há mais de 30 anos atrás não tínhamos a mesma tecnologia de hoje, os recursos eram menos, mas no ano em que este arremedo de filme foi lançado, já haviam deslumbrado dez anos antes "2001: Uma Odisseia no Espaço" de Stanley Kubrick, e mesmo que a diferença básica entre ambas produções, uma feita para a TV e outra para o cinema e com muito mais recursos, o Kiss tinha dinheiro, a ABC era um canal grande e Kubrick filmou sua obra com papelão e isopor, ao passo que aquele risco que sai do olho de Paul é no mínimo ridículo. 

Falar nas atuações é o mesmo que enxugar gelo. A banda é mais canastrona ainda "atuando" do que nas suas performances da época sem maquiagem, principalmente Ace que como já dito gravou as cenas alterado e parecendo estar em outro universo, a voz irritante que ele usa nas suas poucas falas não condiz com nada, e Gene, bem, Gene uge como um leão, WTF?? O resto do elenco não ajuda em nada e mais caricato possível, só elenco coadjuvante do Chaves. Aliás, o filme todo se assemelha muito à algum episódio do Chapolin Colorado. 

A cena final é um verdadeiro desfile de patifaria, a luta que se desencadeia do Kiss com seus clones é digna de figurar no episódio mais pobre dos Trapalhões e nem mesmo a curta apresentação da banda consegue salvar essa tragédia toda que se desenrola nessa uma hora e meia de duração. 

Esse trambique todo em forma de filme, acabou caindo no gosto de alguns fãs da banda e de alguns apreciadores do cinema mais B, porém, o que se vê aqui não serve nem para um nem para o outro. É uma tragédia por completo que serviu para mostrar a megalomania toda que era envolta ao Kiss e a máquina de dinheiro que girava ali. A partir daqui que as coisas foram repensadas e a banda começou a repensar suas ideias. Um verdadeiro parque dos horrores.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: