Resenha

KISStory

2021

Direção: D.J. Viola

Por: André Luiz Paiz

Webmaster

02/09/2021



Sincero para com os fãs

Dividido em duas partes, o documentário Biography: KISStory traz um apanhado quase que completo da história da banda Kiss. Com depoimentos sinceros e até emocionantes de Gene e Paul, os setentões - Paul está quase lá - abriram o coração para falar sobre sua história, as dificuldades enfrentadas e o sucesso conquistado durante os seus 50 anos de carreira.

O primeiro detalhe a ser notado é algo que já foi antecipadamente divulgado: Ace e Peter não aceitaram participar do projeto pois, como sempre, fizeram demandas como se nunca tivessem virado as costas para o grupo. Mais dinheiro, direitos de edição de imagem, e muitas outras coisas ficaram mais uma vez no meio. Acabou que os dois acabaram sem chance de contar a sua respectiva versão da história e tudo que contém a participação deles é do passado. Vinnie Vincent é outro que acho que nem cogitaram entrevistar. Hoje praticamente um ex-músico e que naufragou em seus equívocos, principalmente o ego, vive tentando tirar dinheiro da banda, explorando os fãs e falando besteira. Do resto, muitos dos envolvidos durante toda a trajetória da banda estão aqui, contribuindo positivamente para o sucesso do material. Há também a participação de Dave Grohl, fã declarado da banda, assim como Tom Morello.

O documentário começa nos primórdios, com Gene saindo de Israel rumo aos EUA com a mãe após o pai abandonar o lar. E Paul crescendo no Queens, afetado pelo bullyng que seus colegas de escola faziam com ele por conta dos problemas com um dos ouvidos. Quando se conheceram pela primeira vez em Nova Iorque, tinham algo em comum: eram compositores iniciantes influenciados pelos Beatles e que queriam viver de música. Pouco depois montaram seu primeiro grupo: Wicked Lester, do qual até conseguiram um contrato, mas acabaram por dissolver a banda insatisfeitos com o que estavam produzindo. Depois veio Peter Criss e Ace Frehley em seguida, até que a banda começou aos poucos conquistar fãs e estes estabeleceram pouco depois o Kiss Army.

Mais adiante, a banda conseguiu um contrato e enfrentou dificuldade com os três primeiros álbuns que, segundo a banda, não representava o que eram sob os palcos. O quarto disco foi a virada de mesa: "Alive!", um disco cheio de overdubs - como Paul mesmo disse - mas que conseguiu trazer essa energia através da excelente e criativa produção de Eddie Kramer. A escolha de um disco ao vivo não foi estratégica e sim para gastar menos dinheiro, já que a banda estava desacreditada pelos seus investidores. Não só deu certo como conseguiram Bob Ezrin para explodir de vez em "Destroyer". O produtor inclusive fala abertamente sobre o disco e também, mais adiante, o fracasso de "The Elder". Pouco depois começaram os problemas com Peter e Ace, tendo o baterista saído primeiro com queda drástica de desempenho, problemas de indisciplina e abuso de substâncias químicas. E assim veio o saudoso Eric Carr, que lutou até o fim ao lado da banda e tem a sua passagem homenageada como merece. Ace deu lugar a Vinnie Vincent pouco depois e, depois de infernizar a vida de Paul Stanley por conta de seu ego inflado, deu lugar a Mark St. John, também merecidamente mencionado. Antes da saída dos dois, há inclusive a menção aos álbuns solo, que na verdade foi uma tentativa de evitar o desmembramento da banda, o que apenas postergou.

Sofrendo com a troca de guitarristas, Bruce Kulick depõe sobre a sua chegada e a ansiedade em ser membro de uma banda do qual era fã. Ficou um bom tempo ao lado do grupo, até dar novamente lugar a Ace na desastrosa turnê de reunião, fato abordado de maneira sincera e muito interessante. Antes disso, há também o desgaste e deslocamento de Gene em relação à fase hair metal e sem máscaras, já que seu potencial estava todo atrás do personagem Demon. Isso causou um afastamento temporário dele, fazendo com que Paul produzisse praticamente sozinho o álbum "Crazy Nights". Por fim, a trágica morte de Eric, que deu lugar a Eric Singer.

A única coisa que me deixou levemente decepcionado foi o esquecimento da fase pós-reunião. Simplesmente o documentário saiu do momento em que inventaram uma turnê de despedida para se livrarem de Ace e Peter direto para o momento presente, a turnê de despedida de fato. Adoraria saber como foram as sessões de "Sonic Boom" e "Monster", já que a banda conseguiu enfim estabilidade com Tommy Thayer - praticamente um braço direito da banda no período crítico da reunião - e Eric Singer que, mesmo decepcionado com o evento da formação clássica, regressou e está aí até hoje. Tudo bem que é de pouco interesse dos fãs que ignoram discos novos, mas teria sido bem legal se tivessem dedicado uns dez minutos para este período.

KISStory faz jus ao legado de 50 anos do Kiss. Os depoimentos dos seus líderes são sinceros, emocionantes e engrandecem a obra. A fidelidade entre eles e o respeito, mesmo sendo tão diferentes, é algo admirável. Esse é o Kiss, uma banda que sabe das suas limitações, mas que nunca deixou de tentar e conquistou seu lugar entre as maiores bandas de todos os tempos. Não deixe de conferir esse documentário de jeito nenhum.


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Sobre o filme

KISStory

Relacionado com: Kiss

Ano: 2021

Direção: D.J. Viola

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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