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Resenha: Live Forever (2003)

Direção: John Dower

Relacionado com: Tina Turner

Acessos: 61


Ascensão e queda do Britpop

Por: Roberto Rillo Bíscaro

13/07/2021

Passei boa parte dos anos 90 colecionando material do Genesis e seus (ex-)membros ou seguindo a carreira em declínio de ídolos oitentistas. Alguma coisa nova, tipo Cramberries e artistas dance passageiros, até registrei, mas a maior parte passou silente. Brit Pop nem de longe me interessou, porque quando ouvi o todo-poderoso Oasis me pareceu Beatles, que respeito demais da conta, mas nunca amei. 

Mas, quando achei o documentário Live Forever - The Rise and Fall of Brit Pop, vi, porque me interessa a história da música pop. 

Parte da geração crescida nos 80's não curtia o som sintetizado da década - daí o sucesso alternativo de bandas como Smiths, desconsiderada no documentário -, nem a americanização da Inglaterra, atribuída ao namoro sério entre os Tories e os Republicanos.

Os Stone Roses morrerem na praia do superestrelato não ajudou o rock britânico, que nos anos iniciais dos 90's se viu subjugado pelo ianque grunge, que ensurdeceu o planeta com Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e afins (também fiquei alheio por opção e não me arrependo).

A operária Oasis, a classe-média Blur, o teatral Pulp estouraram depois do suicídio de Cobain e vieram com guitarras estridentes e bandeiras inglesas por todo lado. Britpop foi nacionalismo britânico embalado ao som do norte-americano rock'n'roll.

Live Forever - The Rise and Fall of Britpop não sabe o que fazer com os eletrônicos Massive Attack e Portishead, influentes no cenário musical noventista, mas sem guitarras. A impressão que dá é que ficam à margem narrativa do documentário, que traz entrevistas com membros de diversas das bandas seminais do movimento. 

Aprendemos como o New Labour, de Tony Blair, capitalizou em cima de um movimento ocorrido basicamente durante o governo de John Majors; como alguns dos meninos fizeram precisamente aquilo que tanto criticavam e como a morte da Princesa Diana influenciou no declínio do Britpop. 

Não aprendemos a real razão para o feudo Oasis-Blur. Damon Albarn afirma que há babado forte, mas escolhe ocultar.

Pertinente citar Robbie Williams e as girl e boy bands que surrupiaram o cetro dos Gallagher & Cia, mas deixar de lado as Spice Girls foi erro. As meninas usaram bastante da iconografia nacionalista incentivada pelo Britpop.

Live Forever - The Rise and Fall of Britpop traz 90 minutos de entrevistas e trechos de clipes muito elucidativos sobre esse importante momento da música pop-rock britânica. Não me deu vontade de escutar Oasis, mas quiçá num momento de absoluta falta do que fazer, eu experimente o Pulp.

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