Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Prog Rock Britannia (2009)

Direção: Chris Rodley

Relacionado com: Elis Regina

Acessos: 68


Faltou pesquisa

Por: Roberto Rillo Bíscaro

04/06/2021

O rock progressivo é um dos subgêneros mais proscritos e amaldiçoados do rock’n’roll. Taxado como elitista, escapista, reacionário, megalomaníaco, autoindulgente, o Prog Rock tem certa culpa por ter permitido tal imagem, mas a imprensa e o ódio punk também têm seu quinhão de responsabilidade.

O documentário Prog Rock Britannia: an observation in three movements (BBC, 2009) tenta mostrar a importância do movimento, mas peca por omissões e por não enfatizar contribuições técnicas que as ambições musicais superlativas de muitas bandas prog legaram ao rock. Em Pawn Hearts, por exemplo, o Van Der Graaf Generator queria reproduzir o choque entre 2 navios; como reproduzir isso convincentemente no estúdio? Se a BBC tivesse se dado ao trabalho de mencionar o VDGG, poderia ter adicionado essa informação ao documentário.

O título pomposo parodia a complexidade de muitas composições de grupos progressivos, que encaravam suas canções como minissinfonias. Fusão de diversos estilos, perícia musical, meticulosidade instrumental, mudanças de tempo e ritmo, alusões místico-cripto-literárias nas letras, cuidado com as capas e arte-gráfica são as principais características do rock progressivo, que teve seu apogeu comercial entre 71 e 73.

A primeira parte enfoca a cena psicodélica de fins dos anos 1960 e coloca os Beatles como influência fundamental do prog rock, com o lançamento de Sgt. Peppers, em 67. Mais do que correto, mas como não mencionar o The Moody Blues e seu Days of Future Passed do mesmo ano, que trazia canções pop entremeadas por interlúdios orquestrais?

A segunda representa os anos dourados, de 1970-3. Genesis, Yes, King Crimson e, digno de louvor, a cena de Canterbury, muito menos conhecida pelo grande público, mas altamente respeitada por fãs do estilo. Dá para entender como bandas secundárias como o Renaissance sequer sejam citadas, mas deixar o Pink Floyd de fora? Será que a classificam como rock psicodélico. Há quem o faça.

O derradeiro “movimento” vai de 74 até o estouro dos 3 acordes punk em 77, que soterrou a complexidade e pretensão de muitas bandas prog, como o pobre Procul Harun. É certo que a extrema autoindulgência de álbuns como Tales from Topographic Ocean (1974), do Yes e Carl Palmer se mostrando em sua bateria de mais de 2 toneladas ou as letras mitológicas do Genesis (mas não todas porque o que fazemos com a denúncia social de Get’em Out by Friday?) realmente reforçam a alienação da cena progressiva com relação à Inglaterra das greves e apagões setentistas. Mas, se Prog Rock Britannia: an observation in three movements tivesse se dado ao trabalho de procurar grupos como Henry Cow e Gentle Giant como se deu para bolar título irônico, o público seria informado de que havia vida política no rock progressivo.

Importantes como Phil Collins, Steve Howe, Billl Brufford, Robert Wyatt, Mike Oldfield, Ian Anderson, Carl Palmer, Rick Wakeman e Peter Sinfield contribuem com impressões, análises e anedotas, tornando o documentário importante, mas longe de definitivo sobre esse gênero tão amaldiçoado, mas que continua a ser produzido até hoje, no underground. Mas, isso seria outra história.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.