Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Whiplash (2014)

Direção Damien Chazelle

Acessos: 95


Que rufem os tambores!

Autor: Márcio Chagas

25/10/2019

Minha forma predileta de arte é indubitavelmente a música, que me toca de uma maneira singular desde a minha adolescência. Mas isso não quer dizer que eu não admire outras formas de arte. Sempre fui fascinado pela poesia de Maiakovski, pela literatura de Gabriel Garcia Marques, pela pintura de Salvador Dali e claro, pelo cinema. AH o cinema! 

A sétima arte onde podemos encontrar mestres como Akira Kurosawa, Ridley Scott e Federerico Fellini. Cada um destes diretores, ao seu modo, encantou e emocionou plateias do mundo inteiro. Mas o cinema é exatamente isso, ele nos faz rir, chorar ou mesmo querer sair em disparada pilotando uma motocicleta.

Quando encontramos em um mesmo pacote música e cinema, temos aí um outro nível de arte, e melhor ainda se a música retratada no filme for o jazz, meu estilo preferido. E é exatamente isso que que encontramos no filme Whiplash, em busca da perfeição. 

Este drama retrata a história do solitário Andrew Neyman (interpretado pela grande revelação Miles Teller), que sonha em se tornar um baterista tão bom quanto seu maior ídolo, o grande Buddy Rich. Para tanto, o jovem Neyman consegue com seu talento nato, uma vaga em um dos melhores conservatórios do país. Uma vez lá dentro, o músico tenta entrar na orquestra do professor Terence Fletcher (J.K. Simmons), um maestro linha dura e perfeccionista, que comanda sua orquestra com mão de ferro e é conhecido por revelar ao mundo da música os melhores jazzistas  da América. 

Dentro da orquestra, Andrew tem que se submeter aos abusos psicológicos e emocionais de seu professor, que leva sua autoridade as últimas consequências para conseguir a tão sonhada perfeição de sua orquestra, inclusive estimulando a competição entre seus alunos, ou humilhando-os com palavras cheias de racismo e homofobia. 

O jovem Neyman passa então a se dedicar a bateria de maneira obsessiva e autodestrutiva, chegando mesmo a arrancar sangue de suas mãos.

Um capitulo a parte é a interpretação poderosa de J.K. Simmons. O papel de professor parece ser feito sob medida para a sua personalidade carrancuda.  Simmons  deu um ar de divindade ao seu personagem, sempre pernóstico, com olhar superior, como se fizesse um favor as pessoas por elas estarem em sua presença.

Outro fator que contribui para o sucesso do filme é a integração entre o jovem diretor Damien Chazelle (de apenas 30 anos), com o montador Tom Cross, estabelecendo um ritmo diferenciado ao drama. Os cortes de cena muitas vezes acompanham a música, criando um balé de imagens fantástico, que dá ainda mais integração entre o espectador e a película. 

O final eletrizante só vem confirmar a genialidade do roteiro, pois o filme termina no auge, com toda adrenalina que um duelo entre mestre e discípulo é capaz de oferecer.
Toda essa qualidade do filme pode ser confirmada pelas suas quatro indicações ao Oscar: melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor ator coadjuvante (J.K. Simmons) e melhor mixagem de som.

Com toda certeza Whiplash, em Busca da Perfeição será mais um dos clássicos da sétima arte que ficaram para sempre, sendo visto e aplaudido por uma infinidade de gerações.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: