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Resenha: The Dirt (2019)

Direção: Jeff Tremaine

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Celebrando a decadência!

Autor: Diogo Franco

17/02/2020

Quando anunciaram um filme sobre o Mötley Crüe, imediatamente os fãs ficaram eufóricos. Com certeza são uma banda que tem muita história pra contar. 

O filme já começa com uma cena comum, obviamente em se tratando de quem está na cena, o vocalista Vince Neil recebendo um "agrado" de uma fã. É inegável a veia cômica em algumas cenas, principalmente as de Mick Mars, interpretado brilhantemente por Iwan Rheon. Mick é mostrado aqui como uma espécia de irmão mais velho muito louco, enquanto Tommy Lee (Machine Gun Kelly) é o poser completo: Travesso, usando roupas femininas, doido, porém totalmente família e "do bem". Nikki Sixx (Douglas Booth) aqui aparece com um aura misteriosa, o homem de negócios da banda. Não que isso o torne responsável e decente, aliás a decência passa longe dessa banda há séculos. Quando entra em cena a escolha de Vince (Daniel Webber) para o posto de cantor, o diálogo é absolutamente hilário, refletindo bem o espírito da época. Tommy diz: "Hey, olhe como ele canta..." ao passo que é respondido por Nikki: " esqueça como ele canta, olha como ele rebola..." 

Algumas cenas são pesadas e vão chocar aos telespectadores comuns, porém se você já conhece a história deles vai perceber que pegaram leve até demais, como na cena da overdose de Nikki, aqui transformada em algo quase sublime com o paramédico emocionado tentando salvá-lo (todos sabem que o Motley era o inimigo público número um da sociedade americana na época). O ápice vem com a clássica (e bizarra) cena em que Ozzy Osbourne, interpretado por Tony Cavalero, lambe o chão onde estava sua própria urina. Se você duvida da veracidade desse fato saiba que o próprio Tommy Lee chegou a declarar que mesmo com todos os excessos do Motley, estar com Ozzy os fazia parecer criancinhas no jardim de infância, e ainda completou dizendo que no momento em que esse fato ocorreu ele pensou em largar tudo e voar de volta pra casa. 

O filme foi feito pra quem quer conhecer a história dos caras, mas quem viveu a época e acompanha a carreira deles, vai saber que o que foi mostrado ali é apenas a ponta do iceberg, visto que fatos importantes foram ignorados como a clássica troca de farpas com Axl Rose e a briga com Izzy. A morte do batera do Hanoi Rocks também é comovente, bem como a morte da filha de Vince, o que acaba dosando bem a carga dramática e chocante com a parte irônica e debochada da banda. Esse filme vale a pena por ser verdadeiro, e se você deseja saber como era o cenário rock dos anos 80, assista, divirta-se e Shout At The Devil!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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