Para os que respiram música assim como nós


Entrevista: Tony Dolan

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Por: Mário Pescada

27/04/2021

Tony “Demolition Man” Dolan é mundialmente conhecido na cena metal como baixista e vocalista das bandas de heavy metal Atomkraft e Venom. Atualmente, ele integra o Venom Inc., ao lado de Mantas e Abaddon, ex-membros do Venom. Também é membro do projeto SABBATONERO, um tributo ao Black Sabbath, feito ao lado de Francesco Conte (NEROMEGA/Spiritual Front) e que conta com várias participações ilustres.

Para adquirir a versão nacional do disco “Avé” (2017) do VENOM INC. lançado no Brasil pela Shinigami Records, acesse lojashinigamirecords.com.br ou envie um e-mail para loja@shinigamirecords.com.

Para adquirir uma cópia do tributo "L'Uomo Di Ferro" (2021), CD ou vinil, envie um email para gc@nightofthevinyldead.com ou compre no site da Time To Kill em timetokillrecords.bigcartel.com.

Para adquirir os livros citados em que o Tony Dolan participou, visite o site da Editora Denfire ou envie e-mail para editoradenfire@gmail.com

Divulgando o novo CD do projeto Sabbatonero, Tony gentilmente atendeu ao chamado do 80 Minutos para uma entrevista exclusiva e extremamente interessante.

Para aquecer, confira a elogiada versão de "Symptom Of The Universe" pelo Geezer Butler, com Rasmus Bom Andersen (DIAMOND HEAD, vocais), Marty Friedman (ex-MEGADETH, guitarra solo), Tony “Demolition Man” Dolan (VENOM INC., baixo), Francesco Conte (NERO OMEGA, DESECRATION, guitarra), Filippo Marcheggiani (BANCO DEL MUTUO SOCCORSO, guitarra, solo acústico) e Riccardo Spilli (bateria).


Olá Tony, bem-vindo ao 80 Minutos! Você deu um testemunho no livro “Relatos de Quarentena - Lidando com o novo normal” (Editora Denfire, 2020) no começo de maio do ano passado, menos de dois meses do decreto da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), contando o que estava fazendo, como via toda essa situação, suas expectativas, etc. O que mudou na sua vida/opinião de lá até hoje, quase um ano depois?

Fiz mesmo…é como se passasse uma vida inteira agora…(risos). Bem, ainda estar aqui quase que na mesma situação é meio maluco mesmo e ver lugares como o Brasil sofrendo mais também é…muito louco, depois de um ano…minha vida não mudou muito na verdade…nem minha opinião, exceto, talvez pela ampliação do que já pensava. 
Eu espero que muitas lições tenham realmente sido aprendidas e que as pessoas possam ver agora o valor nas coisas que nós talvez não valorizemos…Liberdade, amigos, atividades diárias….eu descobri (como muitos) novas formas de trabalhar e continuar sendo criativo…imagine se não tivéssemos internet…wow…então, de alguma forma, nós temos sorte que isso aconteceu agora quando nós, enquanto raça, usamos a tecnologia para comunicar e ainda criar e também desenvolver vacinas protetivas, etc. tão rápido. De todas as formas, humanos podem ser destruição e mal, eles também podem ser inventivos, criativos e seres incríveis…

Nesse mesmo relato, você deixou a impressão ao leitor de que, ao final, podemos todos aprender uma lição dessa confusão, que poderemos aprender a viver melhor nossas vidas sem a interferência pesada do dinheiro, religião, política, etc. Hoje, você acha que sairemos dessa piores, iguais ou melhores?

Bem, não é comum termos uma pausa gigante como essa nas nossas vidas. Tudo está se movendo tão rápido ultimamente e tantas, tantas coisas que experimentamos e fazemos são apenas parte do nosso dia-a-dia e nós aceitamos sem pensar. Agora, nós perdemos tantas liberdades e temos sido restringidos por qualquer coisa que eram usuais como shows ao vivo, amigos, simplesmente sair para jantar ou para um bar de muitas formas que temos percebido o quanto das nossas vidas damos valor.
Uma vez que voltarmos a alguma normalidade, eu espero que muitos tenham aprendido e que apreciem qualquer coisa muito mais do que temos e serem pessoas melhores com consideração pelos outros e respeito pelo mundo que criamos e todas as coisas que gostamos nesse mundo. As políticas, religião e dinheiro são só coisas adicionadas por nós a nossa existência, mas pergunte a muitos o que eles amariam em fazer nesse momento? Estar com amigos, abraçar um membro da família, algo como um show, etc. com outros…coisas simples…interagir com coisas humanas. Eu espero que a gente não apenas retorne para onde estávamos depois disso tudo, mas, de alguma forma, eu não consigo ver isso acontecendo, o impacto foi grande no mundo todo.

Em outro livro, “Blood, Guts & Beer - Celebrando álbuns matadores dos anos 80 e 90”, também da Editora Denfire (2021), você destrinchou o disco “Prime Evil” (1989) do VENOM. Você se juntou a eles para salvar a banda depois do fraco “Calm Before The Storm” (1987) e acabaram fazendo um disco muito bom. Musicalmente falando, esse foi seu momento de maior pressão?

Não para mim, nenhuma pressão. Nós nos conhecíamos desde o começo e erámos todos amigos, então eu imaginei que para mim seria uma experiência diferente do que as pessoas pensam ou pensavam. Para mim, eu estava apenas escrevendo músicas para tocar com meus amigos e ao mesmo tempo, enquanto Conrad (Cronos) partiu para fazer seu AOR solo, eu poderia continuar tocando mais coisas cada vez mais pesadas assim como as ótimas faixas do VENOM que eu amava também.
Eu nunca considerei que estava calçando o sapato de outra pessoa, de forma alguma. Eu sou quem eu sou, isso é tudo que tenho. O que eu fiz, fiz do meu jeito e sempre farei assim. Então eu não senti pressão, já que não estava tentando ser ninguém além de mim mesmo...eu acho que depois de “At War With Satan” (1984), as coisas ficaram mais fracas na banda mesmo...eu só queria capturar algo de antes que eu amava sobre aquilo tudo que estava já fazendo com minha outra banda, ATOMKRAFT desde 1979. De qualquer forma...eu só estava disponível para ter mais diversão ainda. Tocar rápido, tocar alto e agitar um pouco...
Meu nome, Homem Demolição (The Demolition Man) me foi dado há muito tempo antes de estar no VENOM também, então eu me levei para o caminho no qual eu era bom.

Eu fiquei muito impressionado com seu relato de que você teve até que pagar até pelas cordas usadas na gravação, sendo que esse disco praticamente salvou o VENOM e é tido como um dos melhores trabalhos do grupo.

Ah, obrigado. Sim, eu escrevi um bocado no disco, mas nunca fui pago nada de nada e gravado com um baixo emprestado, amplificadores e cabeçotes que eu não tinha e possuía dinheiro suficiente para dois jogos de cordas (de baixo). Um já estava no meu baixo e num dado momento, o produtor me perguntou sobe trocar as cordas, então eu troquei pelo jogo que eu tinha separado...
Quando ele me perguntou para fazer aquilo de novo e de novo, eu colocaria um pacote vazio então ele veria as cordas, as pegaria, então fingi que estava pegando elas do pacote novo e as coloquei de volta. Eu estava quebrado e como não poderia ficar trocando cordas e a banda não pagaria por nada para mim.

E essa “pegadinha” com o Mantas, que não sabia que a faixa “Megalomnaia” era uma música do BLACK SABBATH até o lançamento do disco? Ele ficou puto com você e o Abaddon quando descobriu?

Sim, isso (risos)…Eu não acho que ele ficou puto, já que ele não era tão fã de BLACK SABBATH assim, então não havia como ele conhecer aquela música, mas eu acho que ele se sentiu um pouco confuso do porquê nós não contarmos ou termos fingimos a ele que fosse uma das minhas composições.
Para ser honesto, eu continuo sem saber porque Abbadom sentiu que precisávamos fazer aquilo…Ele tinha dito para mim que se Mantas soubesse que era um cover, ele não toparia fazer, mas acho que ele estava enganado, entretanto, eu era o cara “novo”, acho que só disse “ok”.

Além do som mais moderno e mais voltado ao thrash metal, outra coisa que mudou em “Prime Evil” (1989) foi o visual da banda. Vocês pareciam um grupo de levantadores de peso! Você e Mantas ainda seguem esse estilo de vida, correto?

(Risos) Bem, sim, eu acho que era final dos anos 80 e bodybuilding era tipo, algo muito grande, e ambos acompanhávamos o esporte, então nós treinávamos duro, nos alimentávamos bem e gostávamos desse estilo de vida. Mantas tinha uma bagagem em artes marciais e eu fiz um pouco de boxe, então, acho que estávamos prontos fisicamente, logo, levantar peso era tipo uma extensão natural disso tudo para nós.
Mantas teve um ataque cardíaco há pouco tempo, mas continuava treinando e mesmo agora, recuperado, continua treinando, só que mais leve. Eu também faço academia e meu boxe há 5 minutos da minha casa, então, frequentemente, estou na academia de 6 da manhã e boxe das 6:30/7 horas em dias alternados…
Exceto esses dias, tudo é mais moderado e não tão intense como nos velhos tempos, mas eu acho que, uma vez que isso se torna parte de você, assim como a música, você não pode simplesmente NÃO fazer isso.

Em 2019, VENOM INC. fez apenas dois shows no Brasil, um na minha cidade natal, Belo Horizonte (a mesma do SEPULTURA - essa foto incrível foi tirada aqui). Daqui vocês seguiram para outros shows pela América Latina. O que você pode nos dizer da “Avé Latim America Tour”?

Sim, isso aí. Eu queria mais shows, mas a turnê era um pouco longa, então terminamos fazendo apenas os dois shows brasileiros. Eu já tinha levado a gente antes, aonde fizemos Rio, Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, mas sim, dessa vez foram apenas dois shows.
O resto da turnê foi incrível, Paraguai, Uruguai, Argentina, Peru, Chile, Bolívia, Colômbia, El Salvador, México… simplesmente IN CRÍ VEL. A diversidade, comida, idioma, pessoas…os fãs mais incríveis e momentos…foi verdadeiramente uma turnê e experiência incríveis.

Foto: Isabela Lopes, Belo Horizonte 02-02-19 @isabelaloh

Um fato que eu vi com meu olhos nesse show de Belo Horizonte e também li relatos de fãs em posts, foi a simpatia e boa vontade com que o VENOM INC. com os fãs para tirar fotos, assinar material e conversar. O quão isso é importante para vocês em ter esse tipo de relacionamento?

Essa É a razão de existirmos! Sem os fãs, não há nada. O amor deles pelo que você faz é tudo de importante e o porquê de você fazer isso. Parar, conversar e estar com eles, tirando fotos, compartilhando suas histórias, sinto, e sempre tem sido, algo muito importante do todo.
Sua música tem afetado eles e se torna parte deles e, por essa razão, que é mais deles do que sua e então, compartilhar tempo com eles é o mínimo que você pode fazer.
Muitas bandas mostram um desprezo para a maioria das pessoas que as apoiam e compram suas coisas…música, camisas, etc. Eu não entendo isso. Só toma um tempo pequeno em dizer “oi” e “obrigado” e um instante para tirar uma foto, então por que não? Às vezes você está muito cansado, com frio e faminto, mas é só um instante para você, mas para esse fã, talvez, seja seu ÚNICO momento em se aproximar de você ou ele esteve esperando por anos ou uma vida inteira em ter a chance de conversar com você…Eu acho que, a menos que sejam 10.000 fãs esperando em ter o momento ao mesmo tempo…não é tão difícil em dar a eles sua atenção.

Nesse show eu vi você fumando uns cinco cigarros durante o show! Você continua fumando? Esse hábito não te atrapalha na sua performance enquanto vocalista?

Oh (risos) cinco??? Woe…(risos). Bem, não é bom para você, como todos sabem, mas é parte de mim. Eu só fumo e muitas coisas na vida são ruins para você, mas você está aqui para viver, certo…E mesmo que eu não fumasse…Eu ainda morrerias, então…
Não, sou sortudo, minha voz é meio grossa de qualquer forma, então…Até aqui não tem feito nenhuma diferença…Talvez, de algumas formas, ajude no som já que afeta minhas cordas vocais…

O VENOM sempre teve um grande público na América do Sul. Há uma série de relatos de membros de bandas que se motivaram a ter suas próprias bandas depois da passagem da banda no começo dos anos 80. Afinal, por que você acha que o público sul americano gosta tanto do VENOM?

Eu acho que, talvez por ser basicamente uma sociedade cristã trazida ao continente da Europa. VENOM era blasfemo e como todo jovem gosta de ser...Eles (jovens) abraçaram essa rebelião natural do VENOM e continuam fazendo...Mas agora, você tem muitas (bandas) que fizeram seu próprio caminho com sua própria música.
Quando somos jovens, questionamos tudo e odiamos política, religião e qualquer tipo de autoridade. Ter uma banda como VENOM, que descaradamente vai contra as perfeições religiosas, causou uma grande impressão nos jovens, particularmente na América do Sul, então foi tipo uma anarquia e o que os jovens não amam (mais do que) um pouco de foda-se seu estilo anárquico...

“Avé” (2017) teve uma ótima recepção do público e mídia de metal/rock pelo mundo. Como está seu sucessor? Já tem nome, músicas, letras, algo que possa nos dizer?

Sim, houve um retorno incrível para Avé. O novo disco está quase completo, estou finalizando os vocais agora…Mas, não…Sem segredos, ainda…Na hora, prometo, mas temos em torno de 20 músicas gravadas e são muito boas, achamos…Então estamos fazendo de tudo que podemos para entregar a vocês da melhor forma que podemos.

E quanto aos shows, quais são suas expectativas de retorno aos palcos? Acha que em 2021 bandas e público poderão finalmente se encontrar novamente?

Eu acho que será talvez em 2022 para ser bem sincero, mas estou esperançoso para outubro/novembro/dezembro de 202… Creio e isso é tudo que podemos fazer.

Vamos falar sobre o super grupo, SABBATONERO! A ideia desse tributo ao BLACK SABBATH, "L'Uomo Di Ferro" (2021), já havia ou surgiu durante a pandemia? Essa parceria/amizade com Francesco Conte (NERO OMEGA, DESECRATION), como começou?

Francesco me contatou um ano atrás para tocar baixo em um cover (por diversão) de “Hole In The Sky”, do BLACK SABBATH...Eu disse “ok” e me diverti muito...Então disse que talvez a gente devesse fazer outra música e foi muito divertida também...Ele sugeriu mais uns sons e as fizemos, então eu olhei para elas e pensei...”Espere, porque não gravamos todas...ou um disco inteiro. Nós podíamos lança-las, talvez, e dar o dinheiro levantado para os trabalhadores da linha de frente (contra a Covid) na Itália”.
Mostrar ao governo italiano que nossa comunidade de artistas do metal/rock é boa e algo positivo também, não negativo, como eles são retratados pelo mainstream e termos algo divertido também e trazer esperança aos fãs durante o lockdown. Eu cresci com tudo isso.

Vocês convidaram um monte de gente para gravar, gente como Rasmus Bom Andersen (DIAMOND HEAD), John Gallagher (RAVEN), Marty Friedman (ex-MEGADETH, Terence Hobbs (SUFFOCATION), Ken Andrews (OBITUARY), Russ Tippins (SATAN), Wiley Arnett (SACRED REICH), Snowy Shaw (DREAM EVIL, MERCYFUL FATE, THERION), etc. Como você e Francesco escolheram os nomes e as faixas que cada convidado gravaria?

Bem, para que fosse um projeto verdadeiramente internacional, decidimos convidar pessoas do mundo todo para toda mostrar a nossa comunidade. Eu queria artistas de cada gênero, black, thrash, death metal e outros estilos…Então olhei para cada faixa e pensei quem seria ótimo para esse som dentro do seu próprio estilo e foi assim que escolhi. Francesco também fez sugestões para convidados e fizemos o mesmo, olhamos para quem seria o certo para cada música e, felizmente, quase todo mundo que foi convidado, disse que poderia e concordou de graça e doar seu talento e tempo.

Falando em nomes, vocês escolheram duas metalheads brasileiras: Mayara Puertas (TORTURE SQUAD) e Prika Amaral (NERVOSA). Como você entrou contato com elas?

Bem, Prika é uma amiga, de qualquer forma, desde que eu trouxe o NERVOSA para a turnê com a gente na Europa. Eu fiz o projeto “Metal Against Corona Virus” com Prime (seria a Prika???) do Brasil onde fizemos um dueto, então eu a queria para tocar algo no disco. Mayara é uma pessoa bem legal e ótima vocalista e eu já era amigo e fã do TORTURE SQUAD, então pensei “Por que não mostrar as mulheres também com uma música que possam participar”, daí trouxe Max Kuzianik, da Polônia, que também tem um vocal incrível e coloquei os três juntos...em “Killing Yourself To Live”.
Os três fizeram um ótimo trabalho nessa música e eu fiquei muito feliz com o resultado final já que essa é uma das minhas músicas favoritas do BLACK SABBATH.

Nesse meio tempo, vocês ganharam um elogio público do Geezer Butler que usou sua conta no Twitter para elogiar o cover de “Sympton Of The Universe”. Se eu recebesse um elogio de um cara como ele, eu nem sei o que faria!

SIMMMMM! Ele também postou no Facebook. Você sabe, eu enviei cada vídeo das músicas para Tony Iommi e Geezer no privado e recebi uma mensagem bacana do agente do Tony, que ele estava feliz e grato e que me agradecia pelo tributo, mas nada de retorno do Geezer até que fiz o upload do primeiro video para “Symptom Of The Universe” e então, do nada, ele postou os comentários.
Eu fiquei completamente chocado. Tiveram muitos tipos de comentários das pessoas para essa faixa, mas receber AQUELE de um dos “padrinhos” e letrista da própria banda…Sem falar que essa é uma das músicas favoritas dele do SABBATH, mas que fizemos uma versão excepcional?? Bem, você não pode receber um parabéns e cumprimento maior por ter feito isso.

Eu vi um video gravado por você hoje (5 de abril) dizendo que foram vendidas 200 cópias em apenas nove minutos e que em 3 dias a tiragem se esgotou, é isso mesmo? É um número espetacular, cara!

É verdade! Inicialmente pensei ser cauteloso, já que era apenas um tributo, então pensei “Talvez, 500 vinis fosse um bom começo para levantar o dinheiro”, mas, uma vez que anunciei a pré-venda, tivemos 200 reservas em nove minutos!! Fiquei chocado, então aumentei (a tiragem) para 1.000 (cópias) e três dias depois foram reservadas, então tive que aumentar em mais 500, de novo…E vai indo. Verdadeiramente surpreendente e muito grato que os fãs estejam respondendo tão bem e positivamente a tudo isso.

Achei uma atitude bem nobre sua e do Francesco em doarem todo os ganhos das vendas de "L'Uomo Di Ferro" (2021) aos trabalhadores da linha de frente contra a Covid, na Itália. Como você avalia o que tem sido feito pelo governo inglês e italiano em relação a pandemia? Aqui no Brasil as coisas não vão nada bem...

Eu acompanho o Brasil bem de perto, do meu coração, como todos me conhecem, eu tenho muitos amigos por aí também. É uma preocupação grande para mim. Na Grã-Bretanha não é tão ruim, mas o trato disso tudo foi uma merda e perdemos muitas pessoas que não precisavam ter morrido, penso. Na Itália também tem sido muito terrível e continua ruim. Para a Itália, acredito, foi um pouco diferente porque, quando eles foram atingidos pelo vírus, não se conhecia muito e eles não tinham ideia o que fazer para melhorar, então foi bem rápido e um pouco duro lidar com tudo espalhando e saiu do controle, o governo deles tinha que tentar e aprender tão rápido quanto possível. Para o Reino Unido e Brasil? Eles já tinham visto o problema e sabiam o que esperar, e ainda assim trataram isso tudo tão mal, não tem desculpa, penso.

Para a última pergunta, eu gosto de fazer uma “polêmica”, digamos. Se houvesse um convite para voltar ao VENOM hoje como vocalista, nos moldes da época do “Prime Evil” (1989): sim, não, talvez, não nessa vida, nunca…?

Sim, claro. VENOM nunca foi uma banda fácil para relacionamento interno ou políticas, mas para mim…Minha vida tem sido sobre música e os fãs, só isso. Se você puder dar aos fãs o melhor de você, então esse é o ponto, então eu sempre colocaria isso sobre qualquer coisa. Nós tentamos isso com Abbadon no VENOM INC. e seus velhos hábitos não sumiram e isso não poderia funcionar mais, mas, pelo período de aproximadamente 15 meses, não foi apenas uma fase de alegrias para mim, mas para os fãs também…Observando os fãs tendo grandes momentos…Chegando para encontrar seus heróis e aproveitar a música, algo que eles pensaram que nunca mais poderiam ter na vida e eu levo a gente para qualquer lugar, dos lugares óbvios e cidades para as cidades e locais não tão óbvios assim porque nem todos podem se proporcionar viajar e pagar os preços das cidades grandes, então, para mim, era importante dar a todos a chance de ver a banda e os artistas que eles têm sido tão leais e isso significa a eles nas suas vida.

Tony, muito obrigado por atender ao 80 Minutos. Espero ver vocês do VENOM INC. mais uma vez aqui no Brasil o mais rápido possível!

Muito Obrigado (nota: ele mesmo escreveu em português), muito obrigado por me proporcionar esse momento e espero ver você e todos muito em breve. Obrigado a todos e aos fãs em particular pelo apoio sem fim e desejo a todos que fiquem seguros e bem, não posso esperar até tocarmos de novo para vocês assim que for possível…

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


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