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Entrevista: Philipe Belisário

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Por: Mário Pescada

10/02/2021

Os mineiros do EXPURGO, ao longo de quase 20 anos de estrada, com muito trabalho e apresentações insanas, foram ocupando aos poucos o devido espaço que a banda merece no cenário da música extrema. São, sem sombra de dúvidas, uma das maiores referências do grind nacional, com seu som carregado de influências do punk, hardcore e death metal.
Através da gravadora Back Hole Productions, lançaram dois petardos: “Burial Ground” (2010) e “Deformed By Law” (2018), fora uma pancada de EP´s, splits, K7, tributos ao NAPALM DEATH e DISRUPT, etc.

Um dos maiores prêmios por tanta ralação foi a honra de serem convidados para tocar no “Obscene Extreme Fest 2018” na República Tcheca, ao lado de grandes nomes do punk, grind, death, etc. O OEF é considerado o maior festival de música extrema do mundo!

Para conhecer um pouco mais dessa baita banda, o 80 Minutos foi atrás do guitarrista Philipe Belisário para uma entrevista conduzida por Mário Pescada. Confira!

Para adquirir material do EXPURGO banda, entre em contato direto com a banda através das suas redes sociais:

Bandcamp: expurgo.bandcamp.com
Facebook: ExpurgoGrind
Instagram: ExpurgoGrind

Em julho desse ano completa dois anos da participação do EXPURGO no Obscene Extreme Festival (OEF), considerado o maior festival de música extrema do mundo. Vocês tocaram no mesmo dia que CRIPPLE BASTARDS, BIRDFLESH, MOB-47, ROTTEN SOUND, ASPHYX, NAPALM DEATH, WORMROT...já caiu a ficha para você?

Olá a todos, obrigado pelo convite. Caiu cara, caiu! Na verdade, tô precisando é voltar, mas não para tocar, tocar é muito compromisso, quero ir pra acampar lá, extravasar e assistir aos shows sujo de lama.

Lá no OEF, quais shows você assistiu e que mais curtiu? O que você viu de diferente desse festival para os daqui?

Olha, o tal da banda de Singapura WORMROT mexeu comigo, só de escrever essa reposta aqui me causa arrepios, me pegou pela alma. Eu nem era tão fã deles, mas passei a ser depois do show, tem algo ali ao vivo que é magia, coisa rara que não se explica, a música deles é forte, profunda.
CRIPPLE BASTARDS, GENERAL SURGERY e o GRAVE foram incríveis também. MOB-47 decepcionei, talvez palco fosse muito grande para sujeira deles.
A principal diferença para os festivais daqui talvez seja a completa falta de seguranças no local, lá é insano o carnaval que o público faz. Carnaval mesmo: fantasias, gente doida, pelada, etc. Não tem rigidez ou cobrança de ninguém em cima de ninguém.

Vocês postaram na página do Facebook da banda um trecho do documentário sobre a “Deforming Europe Tour 2018”, referente a passagem pelo OEF, Alemanha, Bélgica e Polônia. O que e quando esse projeto, tocado pelo pessoal da Goblin Tv, deve sair?

Deve sair este ano, ficou lindão viu, mostra o rolê todo sem censuras e a Goblin ainda foi além e tiveram a manha total de deixar essa banda de carroceiro com cara de cinema. Excelente, muito ansioso para ver isso lançado.

Foto: material de divulgação Obscene Extreme Fest 2018

Para março do ano passado, a banda tinha duas datas agendadas no Peru e uma data na Colômbia, onde tocariam no “Insanity Assault Festival”, vocês estavam anunciados como "uma das bandas mais representativas do grindcore sul americano". Foi a primeira travada que a pandemia trouxe para vocês?

Velho, um ano organizando, o rolê seria surreal, íamos tocar em Cuzco, ir ao Machu Picho, depois Lima, Medellín, tudo como banda headliner (o que não sei se é bom ou ruim afinal). O voo era num domingo. Na sexta à noite, a gente arrumando as malas...bum...fecham-se as fronteiras e inicia-se essa nova era. Desde então, a banda não se reúne pessoalmente. Mas vai passar isso tudo uma hora e essa tour vingará.

Vi uma entrevista da banda no Canal Scena em que vocês falam de um convite que rolou para tocar no Japão - esse também deu ruim por causa da pandemia. Como que ia ser? Era uma mini tour, foi dito o nome das bandas que iam tocar junto? A cena noise/grind é forte por lá e eles gostam muito das bandas brazucas, qualquer estilo que seja.

Esse vai rolar ainda, é uma logística mais complexa e cara que a Europa, estamos nos organizando. A cena noise/grind lá é pirada, só banda massa, a pegada japonesa na arte é muito peculiar eu gosto de praticamente tudo que vem de lá.

Vocês participaram do disco “Siege Of Grind” (2013), um tributo ao NAPALM DEATH só com bandas brasileiras, com a música “All Links Severed”. Em 2016, vocês abriram o show deles justo aqui em BH. Como que foi poder encontrar com eles, já que são uma grande referência no som de vocês? Chegaram a falar desse disco?

Pessoalmente acho que me falta sorte com o NAPALM DEATH, esta gravação foi a única que não participei, estava numa fase complicada. Leandro, ex-baixista, quem gravou as guitarras e os caras fizeram tudo, fui ver só bem depois. Daí quando finalmente fomos tocar com o NAPALM DEATH eu adoeço, toquei cheio de remédio na cabeça e não entendi bem as coisas. Mas ainda assim foi demais, né. E foi bem legal também o movimento que rolou na internet pedindo para gente abrir o show (nota: refere- a uma movimentação dos fãs que fizeram pressão na organizadora do evento para colocar o EXPURGO abrindo o show, a princípio, não haveria banda de abertura).

Ainda sobre o NAPALM DEATH, os últimos discos deles têm umas influências menos óbvias do que o grind/death, dá para pegar umas coisas de industrial, de KILLING JOKE, etc. Na última faixa do “Burial Ground” (2010) tem uma música nessa linha, mas no “Deformed By Law” (2018) não. Vocês pensam em trazer mais dessa sonoridade futuramente?

Não sei se isso funciona no EXPURGO, é algo que tem que ser muito bem feito para soar legal, às vezes rola essas tentativas. Acho que o futuro sonoro do EXPURGO não será muito diferente do passado, alguma atualização aqui e ali, no máximo.

Cara, vocês fizeram um clip, vamos dizer assim, para “From Subversive To Subservience”, faixa do split “Deadly Remains Of The Root Of All Evil” (2019) com o NUCLEAR ASSAULT, usando umas imagens do “Swing You Sinners!”, um desenho animado da década de 30, que ficou genial. De quem foi essa ideia?

Eu fiz um dia destes de madrugada, atropelei tudo, nem mostrei para os caras, sai postando, depois que eles viram. Bom que você gostou, algo bem DIY mesmo. Foi mais para movimentar o algoritmo das redes sociais, já que estava meio parado, nada muito sério.

Tanto no “Burial Ground” (2010) quanto no “Deformed By Law” (2018), a Black Hole investiu em um material muito bem feito, as capas são demais, os encartes têm as letras, imagens ilustrativas, etc. O quanto essa comunicação visual é importante para vocês?

Muito importante, considero a Black Hole especialista nisso, diferencial deles bem bacana mesmo.

Apesar do longo espaço entre os discos, vocês estão sempre lançando alguma coisa, seja split, k7, tributos, etc. tendo, inclusive, disponibilizado todo material lançado no Bandcamp. Vocês escrevem as letras/músicas aleatoriamente ou é tudo preparado para o lançamento do momento?

Sem muitas regras, mas em geral é focado em lançamento sim.

Você deixou escapar em uma live com o Alan Wallace (EMINENCE) que deve rolar um projeto com o Anderson (bateria, EXPURGO), o Urban Skytt (guitarra GENERAL SURGERY, ex-CREMATORY, ex-NASUM, ex-CRUCIFYRE) e o Andreas Eriksson (baixo GENERAL SURGERY). Que mais você pode adiantar disso? Já tem um nome, faixas?

Não será o Andreas e sim o Glenn Sykes que é ex-baixista da banda e que também tocou no REGURGITATE. Tem também o grande André Luís (LYMPHATIC PHLEGM, OFFAL) nos vocais. A banda se chama PUTREFACTION SETS IN, e já está com o disco pronto! Essa ideia toda veio da perseverança do Anderson que acreditou numa demo que eu tinha feito meio que brincando, convidou os caras, montou a banda, e daí cada um veio acrescentando. Está monstruoso o bagulho.

Já são quase 20 anos de banda. Vocês conseguiram se tornar uma referência de som extremo no Brasil, não só para quem gosta de grind, mas de metal também. Aqui em BH mesmo, é comum ver gente usando camisa da banda por aí. Como que é olhar para trás e ver o tanto que a banda, ainda mais sendo grindcore, conquistou?

Conquistou muito mais que a gente pensava, nunca tivemos intenção além de apenas tocar, se expressar, gravar alguns sons. Somos muito realizados por estarmos firmes nessa caminhada aí.

Philipe, valeu por ter atendido ao 80 Minutos. Deixa um recado aí para o pessoal!

Mário, seu apoio sempre foi especial para o EXPURGO desde o princípio e somos gratos a você. Aos que estão lendo e chegaram até aqui, muito obrigado, se cuidem e cuidem de quem vocês amam, porque o barato está cruel lá fora.

Foto: acervo pessoal Philipe


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