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Entrevista: Roland Grapow

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Por: Diogo Franco

19/11/2020

Traduzido por: Diogo Franco

A década de 80 foi marcada por aspirantes/clones de Yngwie Malmsteen e Eddie Van Halen. Na Alemanha, a preferência pelo sueco encontrou voz no power metal de bandas como Helloween, especialmente no final da década citada e início da década de 90. Ao contatar o guitarrista Roland Grapow (presente no Helloween de 91 á 2000), o músico se mostrou extremamente bem humorado, respondendo todas as perguntas com incrível simpatia. 

Conheça agora um pouco mais sobre um dos maiores guitarristas do metal alemão. Boa leitura!

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Foto de capa por Leca Suzuki / 2020

Olá Roland. Para começar, conte-nos um pouco sobre o seu início na música.

Fiquei muito fascinado com o Grand Funk Railroad quando tinha cerca de 12 anos, Mark Farner foi minha inspiração e herói como artista e cantor…. Mas, logo os heróis alemães entraram em minha vida musical, Michael Schenker e Uli Roth, embora Mark Farner seja a razão pela qual eu comecei.

O Rampage foi sua primeira banda? Como surgiu o convite para o Helloween depois disso?

Não, eu já tocava em 2-3 bandas antes, Troya, Virus e Crystal Sin.
Eu me juntei ao Helloween no natal de 88, Weiki (Michael Weikath - guitarrista do Helloween) era um grande fã meu e me chamou em agosto de 88 para entrar na banda após o término da turnê europeia.

Você surgiu em uma época em que os jovens queriam ser como Yngwie Malmsteen ou Eddie Van Halen. Quão importantes foram esses dois gênios em sua formação?

Eddie foi um dos meus maiores ídolos, adorei o som e a sua forma de tocar, mas não foi fácil conseguir sua ótima execução, também não gostava de bater tanto na escala (Tapping), eu até fazia isso de vez em quanto, mas com Yngwie era um história diferente, gostei muito dele durante alguns anos na década de 90, até fomos amigos por um tempo e nos visitamos em Miami e Hamburgo, mas Blackmore foi o gênio original que iniciou tudo para mim, eu o amava mais, o seu som era maravilhoso.

Apesar dos muitos clones de Malmsteen que surgiram na década de 1980, você sempre teve um som distinto. Como faz para não soar como a cópia de alguém?

Eu realmente nunca aprendi nenhuma música dos meus ídolos, eu sempre tocava junto com os CDs deles e apenas me inspirava, o que significa que não sei tocar nenhuma música do Yngwie ou do Van Halen e, se eu precisasse, eu teria que aprender. E sim, eu aprendi algumas escalas com muitos guitarristas, Steve Lukather também foi uma grande influência para mim.
Meu som vem dos dedos e do modo como eu uso minha palheta. As pessoas nem conseguem ouvir a diferença quando eu uso uma Strato ou minha Les Paul para meus solos. Claro, usei apenas Marshalls no Helloween, mas no álbum Pumpkings eu usei estes equipamentos para todas as partes de solo e ninguém percebeu.

Seu trabalho sempre valorizou a técnica e a criatividade, com forte sotaque melódico. Como faz para não exagerar no virtuosismo em suas composições?

Depois do ano 2000, parei de tocar aquele estilo neoclássico e voltei ao meu antigo estilo, que era muito mais influenciado por Uli Roth e Michael Schenker. Trata-se de tocar de modo mais melódico e não apenas escalas rápidas. Tento apoiar a música não alimentando meu ego como guitarrista. Muitos músicos querem apenas impressionar outro guitarrista, mas esquece que são os fãs que estão ouvindo sua música.

Como funciona o seu processo de composição e gravação?

Escrever músicas exige muito tempo para mim, não fico satisfeito facilmente e preciso sempre de algo para me agarrar. Vou coletando minhas ideias em fita e depois procuro encontrar o melhor das partes que criei.
Gravar é mais fácil, se a música já está escrita, às vezes nas gravações eu também tenho ideias novas ou diferentes que vão melhorando o material.

Os discos que você gravou com o Helloween soam muito diferentes uns dos outros. The Dark Ride, por exemplo, já mostrou um lado muito mais pesado do que seus discos solo. Qual é a razão de tal versatilidade?

Aprendemos com Roy Z. como afinar nossos instrumentos e usamos cordas mais pesadas e amplificadores mais modernos no Dark Ride. Usamos minha guitarra Les Paul para aquele álbum em todas as faixas. Eu gostei.

Qual é a principal diferença entre o Masterplan e sua carreira solo?

Minha carreira solo? Foi apenas divertido, não é exatamente o que eu quero fazer neste momento como artista solo. Mas naquela época, era meu desejo escrever mais músicas, mais coisas pessoais e mais estilo neoclássico também, mais letras sobre mim e minha visão de pensamento.

Quais são suas maiores influências na música?

Não tenho certeza, gosto de tantas bandas dos anos 60, 70 e 80... Talvez Deep Purple ou Scorpions. Grand Funk Railroad foi a razão pela qual comecei a fazer música, Mark Farner foi meu primeiro ídolo.
Agora gosto de bandas diferentes como Rammstein e muitas bandas de thrash metal e assim por diante. Não estou ouvindo power metal, nunca ouvi. Estou criando, não copiando outras bandas que vieram depois. Ainda amo muito metal clássico como Judas Priest.

Se você pudesse escolher apenas um disco para ouvir em toda a sua vida, qual seria?

Talvez o The Best of Queen!

Como a pandemia afetou seus planos para 2020 e quais seus planos para o próximo ano?

Estamos indo bem aqui na Eslováquia, mas eu não vi nenhum amigo por quase 8 meses e eu tive apenas trabalhos de mixagem para fazer, o que significa nenhum cliente no estúdio para qualquer gravação. Mas agora estou de volta para o processo de composição do novo álbum do Masterplan, nossos caras do Masterplan, que vi em janeiro da última vez, sim, tivemos alguns festivais cancelados, todos perdemos algum dinheiro, mas para mim não foi tão ruim até o momento. Veremos como será no próximo ano.

Há planos de vir ao Brasil em breve?

Claro, mas quando? Queríamos ir em janeiro/fevereiro de 2021, em turnê com outro grande artista da Inglaterra em conjunto, mas foi cancelado antes de abrirmos para o público.

Quais são as bandas atuais que mais chamam sua atenção?

A última banda de que gostei foi o Jinjer da Ucrânia.

Na sua opinião, o Heavy Metal ainda vai voltar ao Mainstream um dia?

Não tenho certeza, tenho sentimentos estranhos sobre o futuro próximo, pois todos os meus heróis são mais velhos, estão doentes ou já se foram. Devemos esperar para ver o que irá acontecer depois da pandemia.

Qual música você recomendaria para alguém ter o primeiro contato com seu trabalho?

Eu gosto muito de "I'm not Afraid", essa música tem tudo que eu gosto em uma canção: é melódica, bombástica, épica e muito mais... outras músicas como "Heroes" ou "The Chance" são apenas para fãs de power metal, eu gosto de coisas mais profundas como a música "The Dark Ride".

Que música definiria seu estilo?

O estilo alemão de fusão de Power Metal. Eu nunca tinha ouvido nada como o Masterplan antes, é minha influência e experiência que você pode ouvir ali, o resultado de fazer música todos esses anos.

Que conselho você daria para quem deseja viver da música?

Era fácil 20-30 anos atrás, mas não mais, eu honestamente hoje eu diria que não tenho mais nenhum conselho, desculpe.

Obrigado pelo papo Roland. Por favor, deixe um recado para os leitores do nosso site e para seus fãs.

Obrigado pela entrevista. Espero ver todos vocês saudáveis e em breve, ​​novamente ao vivo em 2021. Com certeza voltaremos com um novo álbum de estúdio do Masterplan.
Também irei trabalhar no meu futuro álbum solo, onde estarei também voltando a cantar.
Vejo-os em breve.
Roland.

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