Para os que respiram música assim como nós


Entrevista: Josh Radnor

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Por: André Luiz Paiz

26/10/2020

Josh Radnor é mundialmente conhecido por interpretar Ted Mosby, famoso personagem da série americana How I Met Your Mother. O que algumas pessoas ainda não sabem, é que Josh possui também uma interessante carreira musical. Ao lado do músico australiano Ben Lee, formaram o grupo Radnor & Lee, no qual trazem uma sonoridade bastante agradável, profunda e também divertida. Chamaram tanto a atenção que já fizeram até turnê pelo Brasil.

Com seu segundo álbum recentemente lançado, o interessante “Golden State”, o grupo Radnor & Lee continuou em ascensão e angariou ainda mais fãs pelo mundo. E eles estão esperando por você.

O simpático Josh Radnor gentilmente nos atendeu para falar um pouco sobre o grupo, a nova carreira, a música e muito mais. Confira!

Aproveite para visitar as redes sociais de Josh, do grupo Radnor & Lee e obter a sua cópia do álbum “Golden State”. A dupla também está no Spotify.

Site Oficial: radnorandlee.com
Canal YouTube: Radnor & Lee
Facebook: radnorandlee
Instagram: @radnorandlee

Olá Josh, meu nome é André e faço parte do 80 Minutos, um site colaborativo brasileiro. Seja bem-vindo!

Olá Brasil! (Em português)

Bom, o mundo já conhece quem são Josh Radnor e Ted Mosby. Mas nós não estamos aqui para falar de HIMYM (How I Met Your Mother) e sim sobre música. Estou empolgado! Preciso dizer que os álbuns do Radnor & Lee me chamaram bastante a atenção e seguem na minha playlist. Vamos partir do começo, quando foi a sua primeira conexão com a música? Foi antes de começar a atuar?

Ei, obrigado! Fico muito feliz por ter gostado do nosso trabalho. Sinto que sempre estive conectado com música. Eu vivi rodeado por música em minha casa enquanto crescia: Bob Dylan, Judy Collins, John Denver, musicais e música clássica. Simplesmente não consigo imaginar a vida sem ela. É algo realmente grande para mim. De qualquer forma, eu sempre gostei de cantar, mas também me sentia muito tímido quanto a isso. Eu comecei a atuar em musicais na escola bem no começo e cantar sempre esteve atrelado para mim. Depois, quando mergulhei na atuação, nós tivemos aulas de canto por três anos na NYU (New York University) quando entrei para graduação e depois fiz novamente musical. E é claro, também tive uma quantidade razoável de cantoria em HIMYM. Na verdade, sempre fui apenas um fã obsessivo por música, sempre procurando por uma nova banda ou artista que me tocassem.

E quando você iniciou a sua carreira musical? Digo, foi após o final de HIMYM ou algo mais antigo?

Eu não sei se tinha o desejo de fazer isso profissionalmente, já que minha mente e energia estavam direcionadas para outra coisa. Mas é como eu disse, sou um fã de música, então devia existir uma parte em mim com o desejo de fazer isso. Eu tive essa ideia de que, para ser um músico profissional, você precisa aprender a tocar um instrumento, isso com uns seis anos de idade. E para ser sincero, nem hoje consigo dizer que eu decidi ter uma carreira musical. É apenas algo que eu amo fazer e as portas seguem se abrindo, então continuo compondo músicas e as pessoas parecem gostar e têm respondido bem. Realmente não houve um momento chave em que atravessei uma linha ou algo assim. Foi tudo bem orgânico.

E como você e Ben Lee formaram essa parceria?

Eu conheci Ben no meu primeiro ano de HIMYM e rapidamente nos tornamos amigos. Tínhamos muito em comum e realmente nos demos bem. Fomos conversando com o passar dos anos sobre escrever música juntos, mas isso foi dez anos antes de acontecer. Até que nos juntamos em uma tarde e escrevemos uma música chamada “Wider Spaces” e na semana seguinte “Be Like The Being”, ambas estão em nosso primeiro disco e as coisas seguiram daí, até que, em um determinado momento, nós estávamos escrevendo músicas o tempo todo até fazermos um disco. E pouco depois, estávamos em turnê pelo Brasil!

Eu tive o prazer de escutar os seus dois álbuns. Enquanto o primeiro é um belo disco recheado de influências country e folk, eu penso que “Golden State” é ainda melhor, pois soa mais profundo, sensível e maduro. Você concorda com a minha opinião?

Sem dúvida. Digo, eu esperava que o segundo disco trouxesse essa evolução e soasse melhor como um todo. Eu e Ben passamos por algumas situações pessoais bem profundas durante a composição do disco e penso que nós sentimos naquele momento qual seria o som e a vibe do trabalho. Acho que muita coisa se consolidou neste segundo disco. Trabalhar com o nosso produtor Justin Stanley foi um plus enorme, pois ele compreendeu muito bem o caminho que estávamos seguindo. Além disso, nós passamos mais tempo nos dedicando às músicas, inclusive em turnê, então, quanto entramos em estúdio, nós sabíamos exatamente quais canções nós gostaríamos de usar.

Como vocês compõem?

Na maioria das vezes o Ben vem até aqui, nós nos enchemos de cafeína e começamos a nos atualizar. Até que, através de uma conversa qualquer, algo começa a surgir, um tema ou uma ideia, e começamos a explorá-la. Também pode acontecer de um de nós já ter alguma melodia ou ideia para letra e isso se torna o ponto de partida. Ocasionalmente, eu faço algumas letras e entrego para Ben e ele trabalha na música. São várias canções assim em “Golden State”. Mas geralmente somos nós dois, lado a lado, construindo a canção enquanto seguimos em frente.

É possível comparar qual das carreiras é mais difícil conseguir destaque? Digo, entre atuar e se tornar um profissional da música.

Não sei se conseguiria responder. Eu tenho atuado profissionalmente por mais de 20 anos em teatro, cinema e TV. A música agora é algo bastante empolgante, mas não tenho ainda uma visão clara sobre ela, além de gostar muito e querer continuar fazendo. De uma certa forma é um sentimento de pureza, já que nós mergulhamos nisso sem muitas expectativas. Então, tudo o que veio depois foi como uma deliciosa surpresa da qual me sinto muito grato. Além disso, eu sigo fazendo as outras coisas. Sou feliz também por ter esta carreira que se estende em várias direções. Eu me vejo ultimamente como um contador de histórias e é isso que une tudo o que estou fazendo. Algumas histórias levam nove anos para serem contadas (como na série HIMYM) e outras apenas quatro minutos.

Eu sigo a sua conta do Instagram e vejo que você está usando o “copo metade cheio” da quarentena e criando, além de compartilhar conosco, muitas músicas novas. Você se sentiu inspirado durante esses tempos tristes e sombrios que estamos vivendo?

Sim, digo, na verdade não temos muita opção, não é? Nenhum de nós consegue acelerar as coisas, então o que podemos fazer é seguir nos cuidando, prevenindo e tentar tirar o melhor disso. Uma série chamada “Hunters”, no qual faço parte, adiou as filmagens até a próxima primavera (final de março), mas eu posso pegar um violão e compor uma canção sempre que me sentir inspirado. Uma das coisas que não me agradam em atuar é que você sempre precisa de permissão para fazê-lo. Você é sempre chamado por alguém para fazer. Já com a música, eu posso acordar e fazer isso o dia todo. Eu criei um canal do YouTube para as minhas músicas no início da quarentena e tem sido muito empolgante ver as pessoas descobrindo e respondendo a elas. Muitas pessoas têm me pedido para disponibilizar estas músicas no Spotify e, assim que as eleições terminarem por aqui, vou lançar um EP com 5 faixas produzidas por Ryan Dilmore, que inclusive produziu o primeiro disco do Radnor & Lee. Estou empolgado para lançar novas músicas por aí.

Nota: siga também as redes sociais de Josh:
YouTube: Josh Radnor
Instagram: @joshradnor

Sei que essa é uma pergunta fora de escopo, mas acho que é algo importante já que você está engajado e encorajando as pessoas a favor das eleições americanas. Nossos países possuem algo em comum: um líder que optou por ignorar as recomendações dos órgãos mundiais da saúde em relação ao Corona Vírus. Sem discutir o que é certo ou errado, já que os números estão aí, na sua opinião, quão importante é a escolha da pessoa certa para governar um país e como a música pode contribuir para isso?

Eu diria que é extremamente importante. Mas eu realmente não tenho essa ilusão de que políticos serão perfeitos. Eu já ficaria satisfeito se fossem honrados, honestos, sábios e bem intencionados. Eu não acho que o nosso atual presidente traz estas características e estou interessado em tirá-lo de lá. Tendo dito isso, eu tento definir a política como algo amplo e considerar que, fazer arte e dizer a verdade em músicas, filmes e séries, é também um ato político. Existem forças reacionárias na política que são muito contra a arte. Os regimes fascistas sempre calam os poetas e os dramaturgos primeiro. E eu acho que é porque os artistas são capazes de falar a verdade de uma forma muito direta e eficaz, e para autocratas e ditadores isso é muito perigoso. Sou feliz por sempre estar ao lado da arte.

Eu sou uma pessoa que trabalha para ajudar a música de qualidade. Faço isso de graça, simplesmente porque acho que a música é arte, ela toca as pessoas e pode simplesmente contribuir positivamente em qualquer situação. Você poderia falar um pouco mais sobre o que a música significa pra você?

Bem, é como eu disse antes. Música e matemática são as linguagens de Deus. Eu acredito que seja algo espiritual. Há mágica nisso, sem dúvida. Faz sentido que muitas religiões incorporam a música em seus rituais e cerimônias. Para mim, seja como ouvinte ou como músico, a música tem o efeito de me deixar profundamente presente, de deter minhas neuroses, medos e arrependimentos e fazer com que eu esteja aqui. É muito misterioso, porque você não pode segurá-la ou vê-la. Mas, com certeza podemos senti-la. Eu não sei, a música me altera e me comove profundamente. E é o melhor que posso fazer neste momento.

E chegando ainda mais longe com o crescimento da sua música, você acredita que um dia precisará escolher entre a carreira de ator ou músico? Você já pensou sobre isso?

Eu prefiro não pensar. Nada está me fazendo optar por uma das carreiras e sou ainda mais feliz fazendo as duas coisas. O mais difícil é simplesmente encaixar os dois lados e definir uma agenda que seja possível fazer tudo. Mas, neste momento vou continuar assim.

E para fechar a nossa entrevista, aqui vai uma bem difícil: você poderia escolher os seus 5 álbuns favoritos de todos os tempos?

Keith Jarrett: “Köln Concert”
Silvio Rodriguez: “Al Final de Este Viaje”
Joni Mitchell: “Blue”
Jackson Browne: “Late For The Sky” (na verdade, os seus três primeiros álbuns, pois são todos incríveis)
Blind Pilot: “Three Rounds & A Sound.”

Josh, agradeço pelo tempo cedido ao 80 Minutos e desejo-lhe ainda mais sucesso com o Radnor & Lee e projetos futuros. Este último espaço é seu! Muito obrigado!

Obrigado pelas ótimas perguntas e por apoiar o nosso álbum. Espero que Ben e eu possamos retornar ao Brasil em breve!

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


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