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Entrevista: Marcos Rodrigues (Marquinhos)

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Autor: Mário Pescada

09/09/2020

Pioneira do metal nacional, nome de respeito no underground, mas que, devido a uma tragédia no início da carreira, acabou encerrando suas atividades precocemente. Depois de anos parada, se reformulou e, quase duas décadas depois, enfim, lança seu disco debut - o bom “Bíblia do Diabo” (2019) pela Cogumelo Records, mantendo firme as raízes do “metalzão brasileiro”.

Esse é o SAGRADO INFERNO!

Para saber um pouco mais sobre a história dessa banda e como, enfim, chegou ao aguardado disco de estreia, Mário Pescada bateu um papo com o baterista, líder e único membro da formação original, Marcos Rodrigues (Marquinhos). Confira!

Redes oficiais:

Site Oficial: sagradoinferno.blogspot.com
Facebook: sagradoinferno
Instagram: @sagradoinferno
Canal YouTube: www.youtube.com/channel/UC0nI7DLxmNmY-WiCFFAu_WQ

Interessados em adquirir material da banda, basta acessar o site da Cogumelo Records em cogumelorecords.loja2.com.br.

Oi Marquinhos, tudo bem? Obrigado por atender ao 80 Minutos, seja bem-vindo e parabéns pelo bom disco “Bíblia do Diabo”!

Salve brother, tudo ótimo! Eu que agradeço a oportunidade de participar do 80 Minutos.

O SAGRADO INFERNO surgiu em 1983 na rica cena metal que Belo Horizonte vivia, ao lado do SEPULTURA, SARCÓFAGO, OVERDOSE e outras bandas fundamentais do que viria a ser o metal nacional. Como surgiu a ideia de formar a banda e como era a relação com esses outros grupos?

A relação do SAGRADO INFERNO com as outras bandas daquela época sempre foi muito amistosa, éramos parceiros em muitas coisas, compartilhávamos equipamentos, principalmente com o SEPULTURA, frequentávamos os mesmos espaços, trocávamos ideias. Posteriormente, sei que houveram algumas rixas entre algumas bandas, mas não com o SAGRADO INFERNO, sempre fomos amigos de todos.

A banda chegou a gravar uma demo já em 1984, com 3 músicas (Sagrado Inferno, Vida Macabra, Perseguição). Como foi gravar esse material naquela época, com recursos tão precários em comparação aos disponíveis hoje?

Realmente era muito difícil naquela época, não tínhamos experiência nenhuma e muito menos dinheiro para bancar gravações em estúdio. No máximo fazíamos pequenas gravações em gravadores de fita cassete. A oportunidade de gravarmos em estúdio surgiu quando o pai de um amigo nosso, conhecia o dono do Estúdio HR que nos concedeu um desconto de 50% em duas horas de gravações. E assim foi feito, gravamos três músicas em um único período. Logico que a qualidade não é das melhores, mas com certeza foi um marco para o início do metal nacional.

Em 1987 ocorreu o falecimento do guitarrista Silvinho, com apenas 18 anos e a banda se desfez. O término das atividades foi uma decisão unânime, chegou-se a cogitar um substituto, como foi esse processo?

Nunca se cogitou em manter o SAGRADO INFERNO com um substituto para o Silvinho. Após a sua morte, o SAGRADO INFERNO entrou em um processo de hibernação. Alguns dos membros como eu e meu irmão, continuamos no mundo da música, mas o SAGRADO INFERNO permaneceu por um longo tempo adormecido.

Apesar de não ter lançado um registro completo até então, o nome da banda foi preservado no underground todos esses anos, despertando a curiosidade das novas gerações e saudosismo de quem viveu o começo, algo cult mesmo. A que você credita isso?

Realmente. O SAGRADO INFERNO sempre permaneceu na mente e no coração daqueles que curtem o metal pesado, apesar dos escassos registros. Mas, tenho que abrir um parêntese aqui e agradecer e creditar aos brothers do WITCHHAMMER, amigos de infância que viveram aqueles tempos comigo e sempre mantiveram viva essa lembrança.

Da formação Rogério (vocal), Dilsinho e Silvinho (guitarras), Marquinho (baixo) e Ronaldo (batera), você é o único membro original do atual SAGRADO INFERNO. Os demais, porque não se juntaram a você?

Após o término da banda, cada um buscou seu próprio caminho, fiquei muitos anos sem notícias do Rogério, só recentemente entrei em contato com ele que está morando em São Paulo. Apesar de não estar trabalhando com música, ainda curte um som pesado. O Ronaldo, infelizmente nunca mais tive notícias e meu irmão, raramente o vejo. Tentamos várias formas de encontrá-los e manter contato, até para que talvez fizéssemos um som juntos, mas não aconteceu. Sendo assim, acredito que não seja do interesse deles continuar tocando em uma banda de metal, afinal de contas, já se vão mais de 30 anos.

E essa formação “familiar”, foi mero acaso? Nota: para quem não sabe, Markin (vocal e guitarra) e Lucas (baixo), são filhos do Marquinhos.

Ah cara, como eu tenho dito, esses meninos já escutam esse som desde a barriga da mãe, procurei não correr nenhum risco (risos). Desde muito novos sempre foram interessados em instrumentos musicais, rock’in roll e metal, às vezes levava os meninos para algum ensaio do WITCHCHAMMER e assim, com o passar do tempo, as coisas foram acontecendo, começamos a tocar juntos, tirar umas músicas e ai não teve erro!

O que te dá mais trabalho, Marquinhos: ser o líder da banda ou ser o pai da banda?

Boa pergunta (risos). Acho essa coisa da banda em família muito positivo, procuramos estar sempre juntos, trocando ideias, ouvindo e fazendo um som. Acho essa relação de pai e amigo muito bacana.

Esse mix do espírito dos anos 80 mais a nova escola do metal que seus filhos trouxeram, ao meu ver, deu a banda uma sonoridade bem legal. Esse encontro de ideias é tranquilo ou de vez em quando acontece algum conflito?

Acho tranquilo, claro que temos nossas preferências, mas essas diferenças trouxeram um som pesado e harmonioso ao SAGRADO INFERNO, além de solos bem trabalhados e um baixo extremamente elaborado.

O som da banda é um heavy enraizado nos anos 80, remetendo as nacionais CALIBRE 38, PUNHO DESTRUIDOR, AZUL LIMÃO, DORSAL ATLÂNTICA (dos primórdios). Vocês usam um termo que achei bem sacado no perfil da banda, o “metalzão brasileiro”, só que também dá para sentir influências do rock 70´s, estou certo?

Com certeza, principalmente no que se refere ao rock do fim dos anos 60 e 70, bandas como BLACK SABBATH, DEEP PURPLE, RUSH, LED ZEPPELIN, dentre outras, sempre fizeram e continuam fazendo parte de nossas audições e influências.

Um fato que achei bem legal é o fato do debut “Bíblia do Diabo” (2019) sair justamente pela Cogumelo Records, gravadora símbolo do metal nacional. Como que foi esse caminho, das conversas iniciais até o lançamento do disco?

Sim, com certeza, a Cogumelo é um dos símbolos da história do metal mineiro e nacional. Acho que o SAGRADO INFERNO e a Cogumelo Records têm tudo a ver. As conversas e acordos foram bem tranquilos. Fomos prontamente atendidos pelo João e a Pat (nota: proprietários da Cogumelo Records).

“Bíblia do Diabo” (2019), enfim, é lançado. Com exceção das três faixas bônus, tem mais músicas escritas pela formação anterior ou todas foram feitas por essa nova formação?

Além das faixas bônus que foram compostas nos primórdios da banda no início dos anos 80, todas as outras faixas foram feitas pela nova formação.

Quando você segurou o cd, qual foi a sensação de enfim, ter um disco da banda nas mãos, Marquinhos?

Pô, cara, foi muito massa, foram décadas de espera e enfim um sonho realizado. E ainda por cima tocando com meus dois filhos. Agora, só me falta o lançamento em vinil, afinal de contas, o SAGRADO INFERNO merece um lançamento desses.

Vários sites fizeram suas resenhas elogiando o disco - merecidas, diga-se. Tem o pessoal mais novo que só agora está tendo acesso ao som de vocês e tem a “velha guarda” matando saudades daquela época. Como tem sido esse retorno de públicos distintos?

Tem sido muito legal, tenho encontrado com pessoas que não via há décadas e a galera mais nova também tem nos recebido muito bem. Infelizmente a pandemia deu uma freada na escala de shows que tínhamos pela frente, mas em breve estaremos novamente levando um som pesado para galera que curte um metal.

Além do formato CD, também foi lançado pela Cogumelo Records um box especial, com cd, camisa, pôster e flyer. Conta para gente um pouco mais dessa ideia.

Essa ideia foi apresentada pelo João da Cogumelo, que queria lançar algo especial para os fãs do SAGRADO INFERNO. Ficou muito doido o material e é um item essencial para quem é fã e acompanha a banda. Reconhecemos que foi uma excelente ideia, pois eterniza o lançamento de um álbum aguardado por mais de 30 anos.

Em 2020 estamos todos parados por causa da pandemia - bandas sem poder tocar e público sem pode ir aos shows. Quais os planos futuros da banda Marquinhos, já que 2020 deve ficar mesmo na história como um ano perdido para eventos culturais.

É cara, já estamos doidos para reencontrarmos com o nosso público. Fizemos algumas lives e produzimos um clip, mas tocar ao vivo é uma das prioridades da banda. Também aproveitamos esse período para elaborar o material para o segundo disco que deve sair no ano que vem.

Marquinhos, em nome do 80 Minutos, obrigado pela atenção e sucesso ao SAGRADO INFERNO! O espaço é seu para deixar uma mensagem aos leitores.

Nós é que agradecemos a oportunidade de deixar aqui um pouco da nossa história, torcendo para que o Metal permaneça em evidência e o trabalho de vocês é fundamental para isso. Grande abraço e vida longa ao Metal Nacional.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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