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Entrevista: Hot Foxxy

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Autor: Diogo Franco

03/08/2020

A banda de hard curitibana é um perfeito exemplo de que dá pra se fazer música de qualidade sem apoio da mídia. Confiram o bate papo com Eder Erig e Betão "Boss", guitarrista e baixista da banda Hot Foxxy, onde falam tudo o que queremos saber sobre hard rock e sobre seu som.  

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Let's Go!

Vou começar com uma pergunta bem clichê: Qual a maior dificuldade em se fazer hard rock no Brasil?

Eder Erig: O alcance de bandas de hard rock é bem menor do que de outros estilos no Brasil que dificulta a divulgação e reconhecimento da mídia e gravadoras. O que mantém o cenário ativo é uma parcela pequena do público que gosta do estilo e consome este material.

Como toda banda, vocês começaram tocando covers de bandas dos anos 80. Quando se decidiram a compor autorais e qual a direção que buscaram, visto que existem tantas bandas diferentes dentro da proposta hard?

Eder Erig: Com a entrada do Marco (vocalista) em meados de janeiro de 2015 trouxe está possibilidade de compor material próprio. Estávamos há um ano só tocando covers de bandas que admirávamos no estilo.

Que bandas vocês destacariam no cenário hoje no país e quais as que chamam atenção no cenário internacional?

Eder Erig: No Brasil gosto do Marenna, um grande músico e parceiro. Adellaide, Inluzt, Landfall, Motorbastards. E o consagrado Dr. Sin. 
Fora do Brasil gosto do Revolution Saints, HEAT, Crazy Lixx desse pessoal mais novo.

Na opinião de vocês qual a principal diferença no som de vocês (produção, maneira de compor e tudo mais) desde o EP até o lançamento de Burning Bridges?

Eder Erig: Desde o nosso primeiro ep (Tattooed Girl in Black) de 2015 até o lançamento do Burning Bridges (2017) fomos amadurecendo quanto músicos, aprimorando as composições. Achando o timbre que queríamos e onde cada música poderia nos levar. Sem contar a evolução na produção. Sempre tivemos em mente um som de arena, grande, contagiante e que as pessoas possam cantar junto.

Qual tem sido a repercussão de Burning desde o lançamento?

Betão "Boss": O Burning Bridges, nos colocou definitivamente no mercado, foi muito bem recebido pelo público e mídia especializada e, até hoje tem recebido vários elogios por onde passa.

Quais suas influências pessoais e em que pensam na hora de compor, escolher os timbres, a linha vocal e tudo o que compõe a estrutura da canção?

Eder Erig: Sou um grande fã do Van Halen, Survivor, Journey, música energética e para cima. Sempre penso nisso na hora de uma composição. Gosto de música que me deixe agitado e com energia. Como guitarrista gosto do Eddie Van Halen, Michael Schenker , John Norum, Richie Kotzen, Doug Aldrich, Randy Rhoads. Sempre estou a procura do timbre “ideal”. Uma boa guitarra, geralmente uso Fender e um Marshall, o som de grande parte dos meus ídolos.

Se pudessem escolher um disco apenas para passar a vida ouvindo, qual seria?

Eder Erig: 5150 (Van Halen)
Ismail Masri: Somewhere in Time do Iron Maiden
Betão "Boss": Vain - Vain
Bruno Menta: Scorpions - Savage Amusement
Marco Lacerda: Kiss Alive lll

Que banda vocês recomendariam ao público, já que o apoio da mídia às bandas do estilo é inexistente?

Eder Erig: Todas as bandas e músicos que citei ao longo da entrevista. Vai sem medo de ser feliz (heheh).

Um momento inesquecível na carreira de vocês?

Eder Erig: O show de Lançamento do álbum Burning Bridges.

Betão " Boss": O show de lançamento do Burning Bridges no Jokers, uma das casas mais conceituadas na cidade. Fizemos exatamente do jeito que planejamos e, deu tudo muito certo, casa cheia, show vibrante do início ao fim e a sensação de dever cumprido!

Qual a maior dificuldade na hora de compor e produzir Burning?

Eder Erig: O receio de deixar algo de fora. Fomos bem minuciosos e nosso produtor (Alysson) conseguiu extrair o melhor de todos. No final acho que conseguimos. Não tenho arrependimentos. É um álbum muito gostoso de se escutar. Passam 40 minutos tão rápido que você nem percebe. Para mim , quando escuto meus álbuns preferidos é essa a sensação.

Fale-nos sobre a parceria com Matt Starr. Como foi trabalhar com uma lenda vinda diretamente da cidade de Los Angeles, a cidade símbolo do hard rock , além de ser baterista de uma das maiores bandas do gênero, o Mr Big ?

Betão " Boss": Foi um trabalho excelente! Ele chegou até nós através de uma indicação e, nos fez uma proposta de gravação de um single, na época, tínhamos 3 demos na manga e, a escolhida por ele para trabalho foi a Rock Roll Is Alive, fizemos reuniões e ajustes com ele através do Skype e esse foi nosso último single lançado até o momento.

Conte-nos sobre a entrada dos novos integrantes, Bruno Menta (guitarra) e Ismail Masri (bateria). Até que ponto a presença de 2 novos membros influenciou/modificou a sonoridade da banda?

Betão " Boss": foi uma escolha muito acertada dentre as possibilidades que tínhamos, o Ismail é um baterista de uma precisão tremenda, tem estrada na cena curitibana, é um dos mais conceituados e, já tínhamos tido a presença dele no palco em show que ele foi sub para nós. Sem falar, que um ano depois desse show descobrimos que ele tinha a maior vontade de ser integrante da banda. Foi demais! 
O Bruno saltou aos olhos e ouvidos do grupo no ato de abertura para o lançamento do disco 'Burning Bridges' em 2017. Estavam naquele guitarrista todas as características que um Guitar Hero deveria ter e a partir dali era só uma questão de tempo para estarem juntos no mesmo palco.

Quais os planos da Hot Foxxy para o ano de 2020? Há planos de um álbum novo, turnê?

Betão " Boss": 2020 têm sido um ano difícil em função da pandemia do COVID-19 que se instalou no mundo, atrapalhando os planos de artistas ao longo do globo e nossos também, faríamos a abertura do show do Crashdiet em Março, tínhamos algumas datas marcadas na cidade e em Rio Negro-SC, de qualquer forma, nós continuamos a trabalhar em composições nos bastidores e estamos produzindo conteúdos para internet também. Estamos preparando a gravação de um novo single também.

Na opinião de vocês o que as bandas podem fazer para que o estilo seja mais popular, divulgado , num país onde a qualidade musical do que a mídia impõe é totalmente discutível, pra não dizer descartável?

Betão "Boss": A falta de mainstream, indústria ou qualquer que seja o nome de quem deveria impulsionar a cena no país, dificulta bastante, dessa forma com o mundo globalizado o negócio é produzir material de qualidade, se organizar e administrar a banda como se ela fosse uma empresa e, estar nas mídias sociais e plataformas de streaming, ou seja, trabalhar, batalhar, investir e ir em busca do objetivo que é ter seu trabalho reconhecido.

Que conselhos dariam a um músico inciante, que sonha em formar uma banda e seguir carreira assim como vocês? Deixe um recado para os fãs da banda e para aqueles que ainda não conhecem o trabalho de vocês.

Eder Erig: Seja persistente, acostume-se a nadar contra a maré. Encarar os desafios de frente. 
Ache os caras certos, busquem estar alinhados e corram atrás. Pratiquem muito. 
Gostaria de agradecer ao espaço, ao grande Diogo Franco (que também é da Rádio Escape Brazil) a todos que estão lendo esta entrevista, se aproximando da Hot Foxxy. Sigam a banda no Instagram, Facebook, escutem nosso som.
Um abraço!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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