Para os que respiram música assim como nós


Entrevista: Miltinho Romero

Acessos: 171


Autor: Diogo Franco

15/07/2020

Talvez você ainda não tenha ouvido falar de Miltinho Romero, mas com certeza já ouviu a banda da qual ele faz parte há 4 anos: o Rádio Táxi. Num bate papo super bacana, ele nos falou sobre essa empreitada numa das maiores bandas de pop rock do Brasil.

Curiosidades, a responsabilidade por ocupar o lugar que um dia foi do grande Wander Taffo, enfim, coloque o som dos caras pra escutar e vamos ver o que essa fera das 6 cordas tem a nos dizer.

Fale sobre seu início como músico. Quando surgiu o seu interesse por música e especificamente por guitarras?

Por ter musico na família, a música sempre foi muito presente em minha infância. Ganhei um violão destro do meu irmão aos 12 anos. Aceitei o desafio, pois sou canhoto. Pensei que naquele momento não faria diferença alguma, já que eu não sabia tocar nada.

Nos anos 80 surgiram muitos guitar heroes. Esse conceito geralmente era aplicado àqueles músicos mais técnicos, os Shredders como Yngwie Malmsteen, Tony Mcalpine, etc... O que era um guitar hero pra você e qual a diferença desse conceito guitarrístico nos dias de hoje?

Guitar hero é um termo que ficou muito conhecido nos anos 80, mas na verdade eles sempre existiram, como os guitarristas de jazz dos anos 40 Wes Montgomery e Charlie Cristian, e também Robert Johnson e Muddy Waters para o blues. E ainda, o período da música dos séculos XVI, XVII E XVIII, muito além da guitarra elétrica.

Hoje em dia é comum vermos cada vez menos solos de guitarra nos artistas mais novos. Em compensação, vemos muitas bandas calcadas em guitarras, como é o caso do Rádio Táxi, retornando e fazendo shows. O que o público deseja de fato? Na sua opinião há espaço pra todo mundo, ou a mídia faz o espaço aparecer para alguns artistas (o famoso jabá)?

O fato de outros artistas não terem solos de guitarra em suas canções para mim não muda nada. O publico deseja se divertir, e um solo de guitarra sempre desperta interesse e euforia.

Qual a principal dificuldade encontrada por um garoto paulistano que aspirava ser músico na sua época?

Diferente de uma, duas ou até três gerações antes de mim, já era tudo mais fácil, com métodos, cd’s e professores.

Fale um pouco sobre as bandas e projetos que esteve envolvido durante a sua carreira.

Toquei em varias bandas no circuito paulistano, atuo como musico de estúdio e leciono.
Atualmente integro a banda Radio Taxi fazendo shows por todo o pais e programas e TV.

Quais as suas principais influências musicais?

Sou bastante eclético, não sou preconceituoso com nenhum estilo musical. O musico tem que estar preparado para qualquer situação de trabalho.

Qual o disco que te causou o maior impacto, aquele que marcou sua vida?

Trial by fire live in Leningrad, de Yngwie Malmsteen.

Como pintou o convite para integrar o Rádio Táxi?

O baterista Gel Fernandes me ligou e perguntou se eu era a fim de fazer um sub para um show de Radio Taxi e Roupa Nova, a queima roupa. Minha resposta foi sim. Logo após desligar o telefone, fui tomar um sorvete.... (risos). Achei que fosse fazer só esse show, e agora dia 23 de julho completo quatro anos com eles.

As partes de guitarra do Wander Taffo são bem características e marcantes. Como faz para reproduzir canções que todos conhecem e ao mesmo tempo imprimir seu estilo pessoal?

A banda Radio Taxi é muito conhecida pelo publico. Seus arranjos fantásticos atraem músicos e ouvintes em geral. Sobre o meu estilo de tocar, tento passar amor no que faço, e isso de alguma forma acaba atingindo o publico de uma maneira positiva.

Qual a sensação de substituir o grande Wander?

Substituir talvez não seja a palavra certa. Apenas levo adiante o grande trabalho que foi interrompido muito precocemente. Sempre fui fã do seu grande legado, pela contribuição a musica brasileira.

Há planos para um novo disco do Rádio Táxi?

Não. Acabamos de regravar a musica ‘Se você pensa’, de Roberto e Erasmo Carlos, com previsão de lançamento no final deste mês. Já temos o consentimento dos dois artistas e da editora.

Seu disco solo saiu em 2018. Conte-nos sobre seu processo de composição?

Meu disco intitulado Colorful é composto por oito faixas instrumentais. O processo de composição é intuitivo e ao mesmo tempo técnico, para escolher o tipo de sonoridade e situações que quero transmitir.

Você compôs exclusivamente para o disco ou as canções já existem há muito tempo?

Comecei a compor e gravar na mesma época que entrei para o Radio Taxi. Gravei os baixos, as baterias ficaram por conta de Marcelo Romero, meu irmão, e participações especiais de José Cardillo nos teclados e Faiska Borges na faixa intitulada Tendinitis Blues.

Quais os prós e os contras de lançar um trabalho instrumental no Brasil em pleno 2018? Há público para esse gênero atualmente?

Os prós e contras são os mesmos de qualquer período quando se fala em musica instrumental.
Sim, há publico. O gênero está em alta novamente, com certeza.

Você também é professor de guitarra. Como concilia o Rádio Táxi com sua agenda pessoal e o ofício de professor?

Leciono guitarra desde sempre, dar conta parece natural. As duas coisas são essenciais e distintas, e ambas prazerosas.

Como essa pandemia afetou seu trabalho?

Tínhamos inúmeros shows e apresentações na TV, todos adiados por conta da pandemia. Mas quero contar uma novidade, o Radio Taxi e a banda Placa Luminosa estarão juntos em uma live bem especial pra vocês.

Que exercícios faz para se aquecer e consequentemente manter sua técnica afiada?

Os exercícios são dos mais variados, o mais importante é ter contato com o instrumento varias horas por dia. Pois apenas meia hora eu levo só para achar minha palheta....(risos).

Qual música você mais gosta de tocar e qual a que gostaria de tocar com o Rádio Táxi mas que não está no set?

Eva é um momento único, pois o público praticamente canta ela inteira, gosto muito de Um amor de Verão, E vai e Vem, gostaria de tocar a música Limousine.

Que conselhos dá a seus alunos que desejam viver de música no Brasil?

Vá em frente e trabalhe duro. Faça da guitarra o seu modo de vida. E faça com tesão.

Muito obrigado pelo papo Miltinho. Deixe um recado para os leitores do nosso site.

Quero agradecer a você, Diogo franco, e ao pessoal da 80 minutos pelo bate papo, fiquei muito feliz em falar com vocês. Espero vê-los em breve.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: