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Entrevista: Facing Fear

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Autor: Diogo Franco

24/03/2020

O Cenário nacional respira. Graças a bandas como a Facing Fear, que mantém a chama acesa e faz um heavy metal de primeira, cheio de atitude e energia. Com shows aclamados e uma carreira consolidada, conversei com os integrantes e trago agora na íntegra uma entrevista cheia de curiosidades.

Vamos nessa!

Como foi o início da banda? É muito trabalhoso tocar heavy metal no RJ e no Brasil de modo geral?

Raphael - O início do Facing Fear sendo bem sincero foi tudo muito rápido, quando eu e o baterista Vall Maranhão demos início ao trabalho, encontramos as pessoas para a formação de uma forma bem rápida, o que é meio surpreedente aqui no Rio de Janeiro em relação ao som que fazemos. A primeira pessoa que entramos em contato foi com a Nathalia Souza, aceitou o convite na hora. E sobre ser muito trabalhoso, bom, pra mim chega a ser assustador a ausência de uma boa estrutura que vemos por ai, desde quando o Facing Fear decidiu trazer a idéia de espetáculo em seus shows com cenário, fogos e tudo mais, sentimos o quanto a situação está problemática pra quem procura agregar valor ao seu nome. Mas estamos ai para o que der e vier, não desistiremos de levar algo de qualidade ao público.

Qual a principal mudança ocorrida na sonoridade da banda após a saída de Carina Oliveira?

Raphael - A sonoridade do Facing Fear melhorou para um nível extremamente alto, com Terry nos vocais tivemos um porta aberta para várias possibilidades da nossa composição evoluir. Hoje em dia pra mim chega a ser até difícil imaginar a banda sem ele de tão forte que ficou nossa música.

É inegável a influência de Judas Priest na banda, tanto nas composições quanto o próprio nome do vocalista, Terry “Painkiller”. Que outras bandas poderiam citar como influências pessoais de vocês?

Terry - James Brown, The Tramps, The Commodores, KC and Sunshine Band, Earth Wind and Fire... Mais novo tenho absorvido bastante o Anderson .Paak. No Rock N' Roll, Led Zeppelin, Deep Purple, Twisted Sister, Guns N' Roses, Racer X, Accept e Grim Reaper. Minhas linhas podem ser vistas por aí. Uns mais, outros menos.

O EP Lutaremos Pelo Metal serviu para mostrar vocês ao grande público, com letras em português e uma produção mais rústica. Qual a real repercussão desse EP sem apoio da grande mídia e do grande público que consome música das famigeradas rádios rock do país?

Terry - Surpreendente para um trabalho em português. Fiquei boquiaberto ao saber que o EP tocou mais de 200 vezes na Rússia, por exemplo. Mais de 100 vezes na China, EUA, Alemanha, Japão, etc. A Europa ao todo, na verdade, consumiu bastante esse trabalho.

Com o álbum Ana Jansen a sonoridade da banda está mais limpa, coesa e sem abrir mão do peso. Até que ponto uma boa produção pode “salvar” ou “ assassinar” uma canção?

Terry - Como resenhistas e grande parte do público não sabem diferenciar onde termina o trabalho dos músicos e começa o da mix e master, acredito que uma produção tem papel determinante. Temos vários exemplos na história da música e não cabe a mim sair citando aqui. Entretanto, vale ressaltar que somos uma banda sem qualquer recurso, fazendo tudo na raça e com poucos apoiadores efetivos. Infelizmente, isso não importa aos formadores de opinião.

Conte-nos como foi o processo de gravação?

Raphael - A gravação e a produção final durou em torno de sete meses, moramos bem distantes um do outro e isso alongou um pouco as gravações, mas ocorreu tudo certo no final. Gravamos no Rio de Janeiro mesmo, no estúdio do Vall Maranhão. Muita gente pensou que as músicas foram compostas na época da produção mas na verdade quase todas as faixas foram feitas durante os shows de divulgação do EP, tirando Snow Witch em que o instrumental dela eu tenho guardada desde 2009. A mixagem do álbum foi feita em São Paulo pelo o Luke D. Couto.

Sem dúvida o grande hit do disco é I Wanna Play The Sound, mas podemos citar, entre outras, Snow Witch ( Yuki-Onna), em que o vocal de Terry lembra muito King Diamond/Mercyful Fate e o instrumental lembra outro mestre, o grande Rob Halford em carreira solo. Essa linha vocal no estilo do mestre do horror, bem como o instrumental, foi proposital ou foi algo não intencional?

Terry - Era um riff antigo do Raphael, que duvidava se encaixar no som da banda. Mas quando eu ouvi a primeira vez, já me veio toda a melodia da música na cabeça, utilizando o Phalse Chord empregado em larga escala por vocalistas como Halford e Jeff Martin (Racer X). Acredito ter caído muito bem.

O som de vocês possui elementos dos grandes medalhões do metal como Accept, Judas, Iron Maiden, e mesmo assim ainda soa original. O que falta para que mais bandas façam um som com influências sem acabar se tornando uma cópia dos seus ídolos?

Raphael - Sinceridade, nada mais. Não importa se o seu interior estiver com um receio de estar parecendo com uma música do Accept na hora de compor, no final não será a mesma coisa. É outro guitarrista ali, outra voz, outra produção e por ai vai. Ao meu ver tentar uma medida desesperadora de buscar algo diferente, pode gerar um disco forçado e ruim.

Que bandas vocês destacariam no cenário rock do Brasil hoje?

Raphael - Pergunta difícil. Há bandas ótimas, não fazemos parte do "grupo nostalgia" então ouvimos bastante coisa nova. Bom, eu gostaria de indicar duas bandas no RJ, a primeira seria Manukind por causa das mesclas de metal e rock progressivo que tanto adoro e o Lyria, som moderno muitíssimo bem produzido, quero lembrar também da super profissionalidade deles. Em São Paulo curto pra caralho o Sweet Danger. Mas no geral indicamos que as pessoas busquem bandas novas seja qual for a vertente, porque qualidade é que não falta.

Na opinião de vocês o que deve ser feito para que as bandas obtenham mais reconhecimento e consequentemente a cena cresça em nosso país?

Raphael - Se profissionalizar, buscar conhecimentos para a direção de vossos negócios. Se manter atualizado dentro dos meios de divulgação é muito necessário. Sei que muito rockeiro adora Vinil/Cds, eu mesmo sou um, mas jamais vou por em risco o meu trabalho por causa de um romance que eu tenho com os meus discos, entende? Então o lance é se adaptar e meter a cara, não há outro jeito. Quanto mais se manter informado nos trâmites, melhor será para a banda.

As bandas clássicas estão se aposentando, ou perdendo integrantes devido a idade, falecimentos,etc... Na opinião de vocês, o rock n’ roll clássico desparecerá ou novas bandas ainda podem se tornar clássicas?

Raphael - Podem se tornar clássicas sim, porém vai depender muito de como as bandas vão agregar valor ao seu nome e também o interesse do público. Sei que muito gente gosta de julgar  tanto um como o outro mas a verdade é que ninguém sabe como será daqui em 20 ou 30 anos, o que sabe é que algo precisa ser feito e logo, isso não têm como negar.

Quais bandas da atualidade chamam a atenção de vocês?

Raphael - Eu acho o Greta Van Fleet muito interessante. 
O Ghost eu gosto bastante, usaram a fórmula clichê de esconder  identidade por um tempo e se aproveitando do revival sonoro dos últimos tempos. Pra mim é a junção perfeita Blue Öyster Cult com ABBA.

Que disco cada um de vocês considera essencial em suas formações musicais?

Raphael - O meu seria Powerslave do Iron Maiden.
Terry - Painkiller do Judas Priest
John - Machine Head do Deep Purple com certeza!
Nathalia - The Last Comand do W.A.S.P,  pela história que tem na minha vida com meu pai, etc. E foi meu primeiro contato quando pequena com som.
Vall - Piece of Mind do Iron Maiden, primeiro disco de Heavy Metal que ouvi.

O que podemos esperar do futuro da Facing Fear? Há planos para um novo álbum , turnê, etc.?

Raphael - Sim! Já estamos começando os trabalhos do próximo disco, temos um monte de música escrita. A entrada do John na banda está sendo muito boa, ele apareceu com inúmeras idéias, estamos empolgados. O interessante é que está surgindo um material mais diferenciado porém fiel as nossas raízes. Nós temos uma grande diversidade de influências então está rolando bem naturalmente. No momento o Facing Fear trabalha forte na divulgação do Ana Jansen e em seus shows de divulgação. Acabamos de lançar um B-side do álbum, a faixa se chama "Omaira". E a galera pode ficar ligada porque vai vim muita novidade esse ano.

Deixe um recado para os leitores do nosso site e admiradores do som de vocês e também pra aqueles que não os conhecem ainda.

Raphael - Queremos agradecer a todos que têm nos apoiado desde o início, o Facing Fear ama vocês! E para aqueles que não conhecem a banda convido a todos para visitarem nossos canais da internet e que sejam muito bem vindos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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