Para os que respiram música assim como nós


Entrevista: Steewild

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Autor: Diogo Franco

10/01/2020

O Rio de Janeiro tem vivido tempos sombrios, não só pela situação política ou até mesmo a violência crescente, mas também na parte musical/cultural. Lógico que existem manifestações artísticas, mas geralmente tem que se pesquisar muito pra obter acesso, e se você curte rock n' roll a coisa fica ainda mais complicada. Bandas que se aventuram no autoral às vezes amargam shows vazios, com plateias visivelmente afim de ouvir os clássicos de artistas consagrados como Led Zeppelin, entre outros. Porém, há bandas que nadam contra essa corrente, e mesmo tocando covers lançam singles, compõem músicas e buscam manter viva a chama do bom e velho rock n' roll. Esse papo com a Steewild vai para aquele rockeiro chato, que diz que o rock tá morto e que ninguém faz mais rock de verdade. 

Procure o som dos caras nas plataformas, ponha pra rolar e leia com atenção esse papo super bacana que tive com esse trio super rock n' roll do Rio de Janeiro.

Para começar, falem um pouco sobre o início da banda e o atual cenário Hard e Heavy do Rio de Janeiro

Marcus: A banda começou quando outra banda em que Valério e eu estávamos se partiu ao meio (era um quarteto) e decidimos dar início a este projeto, em forma de power trio. Boa parte do material que tínhamos se sustentava com uma só guitarra - à moda Jimmy Page - e ele poderia trabalhar com mais liberdade e peso nas linhas de baixo. A partir daí começamos a trabalhar com uma cabeça mais profissional em relação a objetivos… Começamos a gravar, buscar características mais nossas e
parceiros que comprassem nossas ideias. Felizmente tivemos apoio de pessoas magníficas, como Márcio e Isa, do bar Usina do Metal, do Ás de Espadas MC e do Fernando Leopoldo, que nos abriram portas no início. E acho que nossos rostos já conhecidos também facilitaram o reconhecimento do Steewild. Quanto ao cenário… É triste, mas não conheço muitas bandas nesse estilo por aqui. Conheço o Facing Fear com aquele heavy metal tradicional e o Lethal Dose, que é uma mescla pesada, mas as bandas com pegada hard rock que conheço começam e definham, fazendo pouquíssimas apresentações, seja por falta de grana (banda independente é pesado), tempo, falta de espaço, ou mesmo de experiência. Espero que encontremos outros como nós, pra formar essa rede.

Fabiano: No meu caso foi até engraçado... após anos parado entrei no Steewild por livre e espontânea pressão do Valério e agradeço muito a ele por isso, pois me sinto bem em dividir palco com ele.

Vocês são uma banda nova, e já conseguiram um reconhecimento impressionante, mais até do que muitas bandas com mais tempo de estrada. Qual o segredo pra obter êxito tocando Rock n’ Roll numa cidade que pouco apoia esse cenário?

Valério: Eu acho que é fazer a música por prazer, tocar pra 10 como se fossem 1 milhão, com a mesma vontade, tentando agradar quem nos ouve fazendo o que mais gostamos que é tocar.

Marcus: A gente toca por prazer, porque nós amamos rock ‘n’ roll. Quero dizer, não é algo meramente profissional, nós somos amigos e amamos isso. Além disso sempre prezamos pela interação com o público… De quê adianta tocarmos perfeitamente bem e sermos mortos em palco? Tem que fazer mexer, fazer a galera se sentir incomodada de estar parada - Ensinamento dos deuses do Twisted Sister. Além, modéstia à parte, da qualidade das composições.

Fabiano: Acho que grande segredo é fazer som por satisfação própria e assim agradamos nossos ouvintes.

Existe muita rivalidade no underground carioca. Até que ponto isso é saudável para uma banda tão nova quanto a STEEWILD ?

Valério: Da nossa parte não, pelo contrário: queremos cada vez mais ajudar e nos unir com as outras bandas, mas infelizmente existe quem pense diferente, mas estamos falando de nós... e não, não temos rivalidade com ninguém!

Marcus: Sabemos disso e é triste. Mas acho que tentamos fazer o contrário. Tentamos ser parceiros de bandas, consumindo produtos e música, divulgando sempre que possível. A galera unida cria um cenário mais saudável, que pode crescer mais.

Fabiano: Não vejo nada saudável e nem vantajosa essa "rivalidade", visto que o cenário é tão fechado. Se cada um se ajudar, podemos mudar essa história.

Que bandas atualmente lhe chamam atenção no underground ou mesmo no mainstream?

Valério: Felizmente o Rock segue vivo. Blind Horse está aí arrebentando, Doomship faz um som que me agrada, Gods & Punks, etc…

Marcus: Algumas se destacam, com certeza! Blind Horse, Facing Fear, Necro, Gods And Punks, Sweet Danger… Todas do Brasil. Lá de fora eu fico com o Greta Van Fleet, o Crashdïet, Enforcer, Ambush… Tem muita coisa boa.

Fabiano: Acho que não estou tão ligado nas bandas novas… Posso dizer que é minha outra banda, a Megaman?

Vocês poderiam também citar suas maiores influências musicais?

Valério: Metallica, Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Rush, Deep Purple, Aerosmith, entre outras, só pra citar as que me vem na cabeça agora.

Marcus: Bandas? Led Zeppelin, Guns N’ Roses, Aerosmith, Black Sabbath… Tem várias, mas essas estão no topo. Acho que indiretamente sou muito influenciado pelo Cinderella.

Fabiano: Pantera, Led Zeppelin, Black Sabbath, Motörhead, RxPXD, e principalmente um grande amigo e professor Américo Mortágua. Ele é minha maior influência quando fico atrás da bateria.

A Steewild começou com uma veia mais Hard e Glam, e hoje soa cada vez mais pesada e dark . A mudança é proposital ou foi algo natural?

Marcus: Não diria glam, mas nosso intuito (isso que estava “no papel”) era fazer algo cru e pesado. Acho que essa mudança é nossa forma de dizer que nos encontramos, é natural!

Valério: Natural, acho que o Sabbath tem muita influência, Geezer sempre foi meu baixista favorito e sempre que posso tento fazer o que eu acho que ele faria nas músicas. Mas não sei se isso foi o principal fator, como foi algo não pensado é difícil dizer o que tem causado essa mudança no nosso som, mas já percebemos isso!

Fabiano: Como disse, é fazer o som que a gente curte, sem nos comprometermos em manter um só estilo. Acho que a mudança vem daí.

Os singles foram muito bem recebidos e avaliados pelo público. Nos shows, vemos as pessoas cantando junto e aguardando por canções que já vislumbram o status de hit. Pretendem investir mais em clipes, já que a aceitação de Take me Out foi tão boa?

Valério: Pretendemos fazer pelos menos mais 2 clipes das músicas que já gravamos, todos produzidos pelo Cristiano Piaz que enxergamos quase como um quarto integrante - nosso amigo e babá, junto com Fernando Leopoldo, que nos dão
suporte sempre que precisamos.

Marcus: Ficamos realmente felizes por esse retorno, é sinal de que estamos trabalhando direitinho! Novas canções já estão gravadas e estamos esperando alguns detalhes se acertarem pra lançarmos como EP. Quanto a clipe… Como disse Valério, pensamos em mais dois, mas a ideia é vaga.

Fabiano: Sim, inclusive foi lançado no YouTube um Making of das fotos, pra lançamento do nosso EP, que será lançado em breve.

Como é sua busca por timbres? Quais as referências que vocês têm na hora de gravar e timbrar seus instrumentos?

Valério: A minha é o Geezer Butler, mas ainda estou buscando o timbre perfeito, nunca fico satisfeito.

Marcus: São horas e mais horas de reviews de equipamentos, além de buscar o que o artista x ou y usou pra gravar tal álbum. E com os equipamentos que tenho, busco misturar timbres, usar algo incomum e fugir do padrão, detesto aquela coisa “condensada” e bem desenhada. Como referências tenho (e são bem diferentes) o Appetite For Destruction, Phisical Graffiti e Sabbath Bloody Sabbath. E com essas influências não consigo nada parecido com elas!

Fabiano: Sinceramente não busco nada além do peso que acho que preciso.

Já que falamos em timbres, quais são seus equipamentos?

Valério: Fender Jazz Bass Mex, Um Yamaha PJ. Meu amp. é um Staner Stage Dragon BX 200. E pedal, Fire Bass Pusher

Marcus: Jackson PS-2 performer, Epiphone SG G-310 e duas Memphis (não sei os modelos exatos), uma Strato e uma Les Paul. Todas com captação trocada, a maioria Malagoli. Pedais são um Marshall Jackhammer, um clone do Marvel Drive, Boss Chorus Ensemble, Onerr Cryin’, Boss Metalzone, Onerr Overdrive e um Caline Snakebite. Amplificador é um Vox VT40+. E atualmente uso um microfone Yoga YVM55.

Marcus você tem um timbre de voz que, às vezes lembra Blackie Lawless (W.A.S.P.) e às vezes o grande Tom Keifer ( Cinderella). Em alguns momentos até mesmo o saudoso Kevin Dubrow (Quiet Riot). São estas as suas influências ou é apenas uma feliz coincidência?

Marcus: Fico espantado e feliz de saber que lembro esses monstros. Mas são coincidências, eu acho. Apesar de, como já disse, eu ser indiretamente influenciado pelo Cinderella. E o Lawless… Que voz! Mas acredite, muita coisa eu tento extrair do Dee Snider, e pasme, Taylor Momsen ( The Poretty Reckless ). Não tento soar parecido, mas aprender com alguns detalhes de cada um.

Poderiam citar 3 canções que mudaram a forma de abordar seus instrumentos?

Valério: N.I.B (Black Sabbath), Life on Earth (Jack Bruce) e The Big Money (Rush)

Marcus: É difícil, essa coisa de “escolha três…”, mas… Shockwave (Black Tide), com aquela coisa toda dos ataques ferozes e ligados; Rocket Queen (Guns N’ Roses), pela mistura de groove, peso e melodia; Since I’ve Been Loving You (Led
Zeppelin), pela dinâmica da guitarra… e tudo, música perfeita!

Fabiano: Não uma canção mais um álbum... Nação Zumbi e Chico Science: Da Lama Ao Caos... É muito batuque, muitas técnicas.

Que artistas vocês admiram fora da área do rock n’ roll ?

Valério: Stuart Zander e Billie Holiday

Marcus: Cyndi Lauper, Amy Whinehouse, Madonna, Zé Ramalho, Elis Regina… Gosto de coisas mais variadas, mas não conheço os artistas como deveria.

Fabiano: Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo... Salve a música e a musicalidade brasileira.

Obrigado pelo papo. Deixem uma mensagem pros leitores do site e diga-nos brevemente os seus planos pra 2020.

Marcus: A gente que agradece! Pessoas que cá estão lendo: APOIEM AS BANDAS LOCAIS, porque sem esse apoio a coisa morre. E obrigado pelo espaço e pela leitura de vocês. E ouçam nossas músicas, claro! Long Live Rock ‘n’ Roll.

Fabiano: Fiquem atentos, estamos preparando muita coisa boa e obrigado pela receptividade de todos!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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