Para os que respiram música assim como nós


Entrevista: Zé Henrique

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Autor: Diogo Franco

05/01/2020

Nos anos 80 não havia quem não conhecesse o Yahoo. Um verdadeiro fenômeno de vendas, aparições em programas de tv, filmes, além dos shows quase sempre com lotação esgotada, em parte por causa do estrondoso sucesso Mordidas de Amor (que pouca gente na época sabia se tratar de uma versão do Def leppard). Os anos passaram e mesmo longe dos holofotes da mídia, Zé Henrique ( vocalista), se manteve na ativa, compondo, produzindo e gravando com inúmeros artistas. É isso que vamos conferir agora, num bate papo franco e sincero, onde falamos de anos 80, Xuxa, mercado atual, etc... 

Vamos voltar no tempo!

Foto: Mandy Oliver/Folha de Pernambuco


O Yahoo é uma banda até hoje, sempre com shows bem aclamados. Como você vê o mercado musical dos tempos atuais e como o estilo do Yahoo se modificou ao longo dos anos?

O mercado musical hoje sofreu muitas evoluções em relação aos anos 80, quando nós começamos. A primeira grande evolução que eu citaria seria o fato de que nunca foi tão importante a apresentação ao vivo dentro da carreira do artista como é hoje, principalmente pelo fato de que, com a derrocada da indústria e a dificuldade de se vender música, quando se tinha CD se vendia CDs, hoje, com a música digital a indústria ainda não encontrou uma maneira eficiente de se monetizar isso. Estamos caminhando pra isso, mas ainda não estamos no patamar que estávamos na época dos CDs. Então, a apresentação ao vivo passou a ser a fonte de renda dos artistas, sem dúvida nenhuma. Claro que isso tudo, todas essas evoluções, vêm acompanhadas de outros itens. Quer dizer, houve essa evolução pra esse lado, e da mesma forma você hoje tem uma concorrência muito maior também, primeiro da regionalização dos artistas né, nunca se valorizou tanto, isso é uma coisa que sempre houve no Brasil, mas hoje, devido aos altos custos de deslocamento e produção e tal, os artistas regionais têm sido bastante valorizados. Em alguns momentos, é mais fácil o cara colocar um artista da região dele, na festa dele, principalmente por cumprir os requisitos daquilo que podemos chamar de modismo, ou seja, no nordeste as bandas de Forró, no interior do Brasil as bandas sertanejas, isso sempre houve, mas a valorização do artista nacional era maior antigamente, você só tinha TV aberta, então, o que determinava o sucesso era a aparição na TV aberta, coisa que era pra poucos artistas, para os artistas dos grandes centros, os artistas do interior e até de outras capitais não tinham tanto essa oportunidade. Portanto, a valorização dos artistas dos grandes centros era maior. Isso foi uma outra mudança significativa no mercado. Mas é um mercado que está bombando eu diria, exatamente pelo que falei, porque nunca se valorizou tanto a performance ao vivo como hoje.
Com relação ao estilo do Yahoo, não posso dizer que ele tenha se modificado, ele evoluiu dentro de um processo normal, passando-se os anos evolui a sonoridade, ela se moderniza, você capta elementos de outros estilos que vai tendo contato, vai tendo conhecimento, tudo isso vai criando o que é seu estilo hoje. Mas basicamente eu digo que o Yahoo continua sendo uma banda de Hard Rock, uma banda com a temática romântica, exatamente como a gente começou. E hoje especialmente pelo grande público, que existe interesse em artistas dos anos 80, a gente tem se apresentado muito usando esses estilos que desenvolvemos desde o início da carreira.

Fale um pouco sobre o início da banda. Vocês popularizaram músicas que muitos não conheciam, como a maravilhosa versão de Love Bites do Def Leppard (Mordidas de Amor). Como surgiu essa ideia de fazer versões?

No início da banda nós tivemos a felicidade muito grande de começarmos eu e Robertinho do Recife, desenvolvendo o projeto solitariamente, nós dois. E tivemos oportunidade de mostrar o nosso material para os produtores de novela da TV Globo e a nossa música entrou em uma das novelas. Aí, o resto a história conta né. Foi um sucesso bastante rápido, pela força que as novelas sempre tiveram, no passado um pouco mais que hoje, mas que sempre levaram a música pra todos os cantos do Brasil. No caso, a nossa primeira música foi uma versão do Def Leppard, realmente, não é uma coisa que a gente considere essencial, mas é um recurso importante, porque a ideia de você versionar clássicos internacionais tem uma função de levar uma grande melodia até o povo brasileiro, no caso, porque é uma grande melodia, mas a letra, sua poesia não podia ser acessada, não podia ser compreendida, visto que a maioria das pessoas do Brasil não tem conhecimento da língua inglesa, não sabe falar inglês, no caso. Sempre foi uma tradição no mercado de disco, não só no Brasil, mas no mundo todo. Você pegar grandes melodias e versionar para o idioma local para que o maior número de pessoas possa ter acesso àquela música. A música faz sucesso duas vezes, ela faz sucesso na versão original e depois ela faz sucesso de novo na versão daquele país e não é uma coisa tão simples de se fazer, é preciso uma expertize pra isso, e isso nós desenvolvemos muito bem. Fizemos algumas, fizemos um álbum chamado Versões, de clássicos internacionais que acabou virando peça de colecionador, nem eu tenho pra se ter ideia, mas tem nas plataformas. E uma das mais interessantes que nós fizemos foi a versão de Wind of Change do Scorpions, que no Brasil a nossa versão passou a se chamar Como o Vento, e quando o Scorpions esteve no Brasil, o pessoal da MTV mostrou a nossa versão pra eles, eles viram, escutaram e acharam fantástica, nos chamaram lá e quiseram nos conhecer. Nós fomos lá no camarim do show deles em São Paulo, no Olímpia, e eles disseram pra gente: “de mais de não sei quantas versões que essa música tem pelo mundo afora, a de vocês foi a melhor”. Escutar isso da boca desses caras, que são verdadeiros ídolos pra nós todos, não tem preço.

A veia AOR/Hard Rock da banda sempre foi muito evidente, em canções como Oração da Vitória e Promessas, por exemplo, porém, a banda ficou bem mais conhecida pelas participações nos filmes da Xuxa, além das já citadas versões. Até que ponto esse tipo de divulgação influenciou na sonoridade da banda?

Realmente o nosso estilo, Hard Rock, se você for analisar as bandas, a maior parte das de hard Rock americanas e tudo dos anos 80, em muitas delas, a maioria de suas canções também falavam de amor, tinham canções românticas e que eram bastante populares, tanto é que esse estilo também é chamado de Arena Rock. Só que no Brasil, por você falar de amor e por você se popularizar, atingir o povo, você acaba caindo numa prateleira de música mais popular, engraçado isso né!? O que eles chamam de Rock no Brasil nem é tão Rock assim. O Rock Brasil era um Rock em que os guitarristas não tinham habilidades para solo, bem diferente do Rock americano, dando um exemplo, bandas que abrasileiraram bastante seu som como Barão Vermelho e Paralamas, colocaram metais, percussão, instrumentos que não eram e não faziam parte da formação clássicas das bandas de Rock. Nós não, sempre tivemos formação semelhante às bandas de Rock mesmo, muito baseado no Rock inglês, americano e etc. Essa coisa da Xuxa, é mais ou menos um pouco desse contexto que estou colocando aqui. A Xuxa, por ser uma artista extremamente popular na época que começamos a ter os primeiros contatos, parte daquela atmosfera, daquele universo da Xuxa, isso justamente aconteceu porque nós eramos a banda que mais tocava no rádio no Brasil, e todo mundo que era sucesso e tocava no rádio estava no Programa da Xuxa, no Programa do Faustão, do Gugu, do Silvio Santos, todos os programas populares da época. Esse era o caminho natural, você cada vez ficar mais popular e cada vez mais está inserido dentro desta prateleira, ou seja, ser visto como artista popular, mesmo fazendo força pra apresentar um trabalho baseado no Hard Rock, como a gente falou, que nos Estados Unidos é uma música popular. Aqui nem tanto, no Brasil nunca foi uma música popular, mas que eu acho que foram escolhas que fizemos na época e não nos arrependemos em momento nenhum, pelo contrário, nós achamos que as bandas de Rock do Brasil e todos os artistas deveriam ter um pouco menos de preconceito com os apresentadores, os programas de televisão e as mídias populares. Porque é tão bacana, falam tanto em socialismo e estar junto do povo e etc, mas não querem estar junto do povo, querem ser diferentes do povo, entendeu? Quando estão associados ao povo acham que são menores por isso, acham que é legal agradar aos intelectuais e não agradar ao povo. Eu não, sempre preferi, acho bacana e tenho muito orgulho de ter sempre feito um trabalho que conseguiu atingir o povo, as pessoas.

Gostaria que você descrevesse, se possível, o estilo de cada guitarrista que passou pela banda.

Bom, o Yahoo começou pelas mãos, pela cabeça e pelas idéias talvez de um dos maiores guitarristas que o Brasil já teve, e que está até hoje aí fazendo sucesso e tocando muito, que é Robertinho de Recife. Quando Robertinho saiu, nós passamos o tempo todo procurando alguém que pudesse manter aquela pegada, um estilo parecido que pudesse manter suas características. Então tivemos o Rama, que hoje está no Fevers e foi uma passagem rápida. Tivemos o Edom, que é produto da TV Globo, também uma passagem bem rápida, e depois nos acertamos finalmente com Sergio Knust, que infelizmente nos deixou porque faleceu no ano passado e foi um cara que fez uma carreira brilhante no Yahoo e depois acompanhando outros artistas como Fafá de Belém, Pastor Kléber Lucas, Grupo Novo Som, Aline Barros, artistas Gospel especialmente. O Sérgio era um guitarrista que se influenciou em todos aqueles guitarristas americanos: Steve Lukather, Van Halen, Neal Schon e muitos outros. Depois que o Sérgio saiu, em 2009/2010 entrou Rodrigo Novaes, que é Guitarrista de Volta Redonda, também nessa mesma linha, estilo totalmente baseado no grandes guitarristas americanos de Hard Rock, e o Ricardo Rodrigues também, que está hoje com a gente e todos eles são muito bons, porque o nosso som sempre foi muito baseado na performance desses guitarristas.

Você é um compositor e produtor bastante requisitado, tendo trabalhado com diversos artistas dos mais variados gêneros. Conta pra gente quais suas principais composições e produções?

Olha, cada composição que a gente faz, tendo sucesso ou não, é sempre especial para nós que somos compositores. Eu fiz muitas composições importantes dentro da carreira do Yahoo, quase todas as composições de todos os álbuns da banda eu participei e tenho um carinho muito especial por todas elas. Dizem que a melhor música é sempre a mais recente, e talvez um carinho muito especial que eu tenha nas composições do Yahoo seja com relação às canções do Yahoo 25, um álbum que nós fizemos em 2015 e talvez por ser o mais recente autoral, tenho um carinho muito grande por essas composições. Muitas composições que eu fiz pra outros artistas também que se tornaram sucesso, como Um Degrau Na Escada, que foi um grande sucesso no meio sertanejo na voz de Chico Rei e Paraná, do Calcinha Preta e do Leonardo com o Eduardo Costa. Toque de Mágica, uma grande canção que nós fizemos e que foi um grande sucesso com a dupla Pedro e Thiago; estou falando de sucessos que venderam meio milhão de cópias, todos eles. Algumas composições que fizemos com Felipe Dylon, Tânia Mara, uma canção que eu tenho muito carinho, uma composição em parceria com Paulo Ricardo, A Décima Sétima Vez, um blues muito bacana que a gente escreveu com ele. Composições que nós fizemos para artistas como Mara, Angélica, Bispo Crivella, diversos artistas, Wanessa Camargo, tem uma música que a gente escreveu pra Wanessa chamada Eu Não Resisto a Nós Dois e que foi um sucesso muito grande. Eu tenho um carinho muito grande por essa canção até hoje. Outra música que tenho um carinho imenso e foi um grande sucesso, vendeu quase um milhão de cópias, foi Carla, com o LS Jack. Uma canção que eu não assino, mas deveria ter assinado  com Marcus Menna. Eu fiz só o refrão com ele e na época eu era produtor do disco, então eu achei que a minha função era essa mesmo e acabei não assinando, mas deveria ter feito. Enfim, diversas canções, como eu falei, citei algumas aqui, mas na verdade todas as músicas que a gente escreve são sempre muito especiais, são como filhos, e eu tenho muito orgulho de ter escrito essas canções para esses artistas, e na maioria deles eu produzi também, como a Xuxa. Eu não poderia deixar de citar a Xuxa, que eu escrevi muitas canções pra ela, muitos hits que até hoje estão nas bocas das crianças anos e anos depois, tocando nas festas infantis e eu ganhei dois Grammys produzindo a Xuxa. É uma carreira, toda uma vida que não terminou, e está muito longe de acabar, ainda estamos em plena atividade.

Recentemente vimos diversos shows de artistas consagrados no Brasil, como Whitesnake, Bon Jovi, entre outros, e houve muito barulho por conta das limitações de alguns vocalistas, ao contrário de você, que parece não sentir o tempo passar. O que você faz pra manter sua voz?

Todos esses artistas que estiveram no Brasil que você citou, são artistas que eu, não só respeito, como eu sou fã deles, gosto muito e admiro o trabalho deles. Infelizmente pra nós, alguns deles não estão na sua plenitude das suas condições físicas, em termos de voz, pra se apresentar. A gente não sabe, eu imagino que cada caso seja um caso, que cada caso seja diferente do outro. Isso pode acontecer devido ao fato dos caras estarem há muito tempo fazendo muitas turnês, uma atrás da outra, e terem forçado além da conta, ou por questões físicas, a gente não sabe também quantos deles e por quais períodos estiveram envolvidos com drogas, álcool além da conta, a gente não sabe. Mas o fato é que é lamentável, citando também o Axl Rose, que está com a voz detonada. Aqui no Brasil a gente tinha o Zezé de Camargo também com problemas, não sei como ele está agora, mas há um tempo atrás ele também estava passando por problemas. Acho lamentável porque, além de ídolos, são colegas de profissão e fico muito sentido que isso esteja acontecendo com eles. Mas, é um risco que se corre. É como um jogador, atleta, que em um determinado momento da carreira não consegue dar continuidade à sua performance dentro de um nível que estava habituado pela questão física. No meu caso, graças a Deus, sempre consegui administrar meu organismo, o meu instrumento de trabalho, no caso a minha voz, pra que eu pudesse chegar hoje ainda conseguindo cantar num nível legal. Eu não sei se no mesmo nível que eu cantava quando comecei, mas eu tenho certeza que com a experiência que eu tenho hoje eu consigo cantar até melhor, mas de um tempo pra cá eu também baixei um tom das minhas músicas, principalmente porque nos anos 80 os produtores tinham o hábito de fazer com que os cantores cantassem sempre no limite e isso era muito sacrificante, tanto na hora de gravar e principalmente na hora de cantar ao vivo, porque na estrada é muito sacrificante. Você faz um show de 1h e meia/ 2 horas e quando você tem uma sequência de shows, no 2°/3° show você já começa a ficar detonado, vai minando, desgastando o seu físico, seu aparelho, o seu instrumento de trabalho. Eu, graças a Deus, consegui suportar essa rotina e posso dizer que estou bem.

Qual artista que você nunca trabalhou e gostaria de trabalhar?

Ah!! O artista que eu nunca trabalhei e gostaria de ter trabalhado, se valesse o sonho ao extremo, Michael Jackson, Bon Jovi, até Frank Sinatra.(risos). Mas caindo pra realidade, no Brasil, eu acabei tendo oportunidade de trabalhar dentro do programa da Xuxa como produtor musical durante muito anos, e acabei que tive oportunidade de trabalhar com quase todos grandes artistas do Brasil. Pelo menos uma vez tive a oportunidade de gravar com esses caras, então, eu até digo que de A a Z, começando por Aline Barros, Alcione, até Zezé de Camargo, foi quase todo mundo. Sei lá, eu poderia citar artistas novos, de hoje, que já não são mais dá época e que eu tive essa oportunidade. Gostaria de ter tido oportunidade de trabalhar com Luan Santana, que eu reputo como o melhor artista brasileiro pra mim hoje, em atividade. Anitta poderia ser também, mas pelo estilo musical já não me agradaria. O Luan já me agrada muito pelo estilo musical, pois acho ele um grande artista, um grande cantor, escolhe muito bem o reportório e tem muito bem esse mix entre o sertanejo e o pop que eu acho muito bacana, é mais ou menos o que a gente sabe fazer. Então eu saberia trabalhar com o Luan. E daquela época lá atrás eu não consegui trabalhar com o Zezé de Camargo, não tive oportunidade, quase trabalhei com ele, mas não consegui, e gostaria de ter trabalhado.

Que bandas têm chamado a sua atenção recentemente?

As bandas que eu curto já vêm de um tempo, não posso nem ir muito atrás. Do Coldplay pra cá, de 30 Seconds to Mars, Artic Monkeys, Porcupine Tree - uma banda prog foda com um guitarrista chamado Steve Wilson e que faz um trabalho solo sensacional, e hoje, se eu tivesse que dar um destaque seria para o Muse, que inclusive no último Rock in Rio foi o show mais incrível em todos os aspectos, digo, conjugando som, composição, performance e visual, eu colocaria em primeiro lugar. No Brasil, infelizmente não houve renovação, pelo menos no Mainstream, então não citaria nenhuma banda brasileira.

Na sua opinião, o que falta para que as bandas que seguem os passos do Yahoo, entre outras, obtenham reconhecimento e consequentemente o estilo que amamos volte com força total? Acredita num revival a nível nacional?

Vou começar pelo fim da pergunta. Essa coisa do REvival, eu acho, eu não acredito muito sabe. Eu acho que a fila anda, as coisas mudam e o tempo que passou não volta mais. Eu acho que a gente tem que se colocar dentro do contexto de hoje. O que eu diria para as bandas é o que a gente faz com o Yahoo, a gente procura ser fiel ao que a gente acredita, procura basear a nossa atuação sempre no amor que a gente tem pela música. A gente só vai fazer isso enquanto gostar de fazer e ainda faz porque ainda gostamos. E a gente percebe hoje que a luta é a mesma que sempre foi, nunca foi diferente, e essa luta existe pra todos, independente do estágio em que você esteja dessa gangorra que é o meio artístico. Uma hora você está mais em cima e outra hora mais em baixo, mas nós do Yahoo, e eu acredito que existam outros aristas na situação semelhante à nossa, a gente tem a consciência do nosso papel, da importância que nós temos dentro do cenário, das páginas que nós escrevemos na história da música e buscamos no nosso dia a dia continuar servindo as pessoas da maneira que a gente sempre serviu, com amor, dignidade, e procurando fazer boa música, é o que a gente tenta fazer sempre.

Quais canções são as suas preferidas da banda ?

Como eu falei antes né, cada canção tem a sua importância, o seu momento, dentro de um contexto, dentro de uma situação histórica. Eu acho que Mordidas de Amor foi uma música que abriu as portas, um clássico que nós fizemos. Depois, Pra Você Voltar, que foi um grande sucesso também que eu escrevi para aquele mesmo álbum e foi outra música que eu tive um carinho muito grande. Aí depois tem Anjo, no segundo álbum, que também foi tema de novela, Hey Jude nós fizemos com o Kiko Zambianchi, nós gravamos, cheguei a botar voz nela e já tinha Anjo em uma outra novela. Aí a gravadora pediu ao Kiko para colocar a voz e acabou sendo uma música do repertório dele, mas que nós sempre consideramos como uma música do nosso repertório também por ela ter nascido e acontecido dessa forma que eu estou falando. E assim foi, em quase todos os nossos álbuns houveram músicas muito especiais, Sonho Encantado no terceiro álbum, que foi uma música que eu escrevi, como se o fã estivesse falando pra mim quando diz: “me leva contigo”. E o fã que está dizendo “é o teu sorriso no meu espelho”, na verdade é o meu sorriso, pois na época as pessoas botavam os pôsteres e as fotos do artista no espelho. Então, se você for analisar, o fã falando pra mim naquela música, a faz tão especial e ela também foi tema de novela. Depois, Caminhos de Sol. No disco Pára Raio também tivemos canções importantes e, como eu falei, no Yahoo 25 tem músicas que eu acho especiais. Cores de Setembro e Espelho, que é uma música que a gente fala muito de como tudo que acontece com a gente normalmente está em nós, não está no outro. A gente sempre coloca a culpa no outro, mas o problema sempre está em nós, por isso essa música se chama espelho, uma música que eu tenho muito orgulho de ter escrito com essa mensagem. A Águia e o Falcão é a mesma coisa, uma música que fala de amor, usando uma lenda indígena da águia e do falcão, que eu aprendi quando eu comecei a me relacionar com a minha atual mulher, a Fernanda, que é Xamanista e que eles acreditam nisso, o amor como sinônimo de liberdade, de deixar livre, então é uma canção que tem muito essa pegada e eu tenho muito orgulho dela. E eu já falei de tantas aí que eu poderia falar de muitas outras, porque realmente cada uma dessas canções teve uma situação muito especial entorno delas, então eu costumo ter esse carinho e esse respeito por todas elas.

O que você mais gostava da época em que a banda começou e o que você menos gostava?

O que eu mais gostava realmente era a oportunidade de poder entrar em turnê, viajar com uma banda, entrar no aeroporto com aquele monte de cases com o nome da banda, entrar num ônibus e viajar o Brasil, chegar em um lugar pra fazer um show  e ver aquela plateia com 4, 5, 10, 20, até 80 mil pessoas nós já tocamos; isso sempre foi o que eu mais gostava. Gostava muito disso, gostava do fato de perceber naquele momento que estava começando a vencer na vida, de perceber que tudo que eu persegui, tudo que eu acreditei, em termos de sonhos, estava se realizando e estava ali nas minhas mãos. Isso era uma coisa que não tinha preço. Naquele momento, acho que não havia nada que eu não gostasse, um tempo depois sim, eu passei a não gostar de estar longe de todas as fotos de eventos da família porque eu nunca estava em casa, então, fotos de casamento, batizado, enterro, de tudo, eu sempre estava fora das fotos, isso era a única coisa que eu não gostava. O resto eu não tenho nenhum arrependimento, porque eu sempre gostei muito e eu acho que Deus me deu uma oportunidade de ouro na minha vida de poder ter essa chance de provar esse gosto do que é o sucesso, não pelo sucesso, aquele sucesso que puramente alimenta o ego, pela oportunidade de estar vivendo um sonho como esse, ser e viver como viviam os meus ídolos.

Obrigado pelo papo Zé. Deixe uma mensagem para os leitores do site e os do Yahoo

Bem, a minha mensagem primeiro para os leitores do site que não são fãs do Yahoo ainda, espero que se tornem fãs daqui pra frente conhecendo melhor a nossa história, e um beijo muito grande, muito especial, desejo paz, saúde pra todos, desejo um Brasil melhor e que a gente possa basear as nossas escolhas sempre na mais pura e genuína inspiração. E para os fãs do Yahoo, em geral, o meu mais sincero agradecimento. Não tenho palavras para expressar e agradecer essa oportunidade de ter vivido esse sonho por tanto e tanto tempo e ainda estar vivendo, graças a única e exclusivamente a vocês, nossos fãs. Muito obrigado a todos pela atenção e estamos juntos. Já estamos há 30 anos e vamos continuar por mais alguns anos ai. Valeu!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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