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Entrevista: Ivan Busic

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Autor: André Luiz Paiz

16/12/2019

Ivan Busic é um guerreiro do rock brasileiro. O baterista do grupo de hard rock Dr. Sin está há décadas carregando a bandeira do rock por onde passa, sempre nos entregando trabalhos competentes e recheados de boa música.

Após um período de incerteza, o grupo Dr. Sin decidiu retomar as atividades, agora com o guitarrista Thiago Melo no lugar de Edu Ardanuy. Pressão? Que nada! "Back Home Again", seu novo álbum, acaba de ser lançado e é simplesmente uma unanimidade, que mostra claramente que a banda está mais viva do que nunca.

Para falar sobre o ressurgimento da banda, o novo álbum e também um pouco sobre o passado, Ivan gentilmente falou conosco para uma entrevista exclusiva, emocionante e sincera, demonstrando de coração aberto a sua paixão pelo rock e principalmente pela música. Um momento imperdível para todos os fãs de música boa.

"Back Home Again", novo álbum do Dr. Sin, pode ser encontrado em todas as plataformas digitais, além das lojas físicas Die Hard e Shinigami Records.

Olá Ivan, bem-vindo ao 80 Minutos. Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo álbum “Back Home Again”. Para mim, trata-se de um dos melhores álbuns do ano!

Muito obrigado pelas palavras e é muito legal estar aqui com vocês do 80 Minutos. Nós estamos realizadíssimos com este álbum, lançado agora no finalzinho de 2019 para fazer 2020 valer mesmo, com toda a sequência de promoções, vídeos, shows, etc. Então, obrigado!

Vamos falar um pouco sobre o que aconteceu até o retorno do Dr. Sin. O fim da banda havia sido anunciado em 2015. Neste intervalo, vocês lançaram um álbum interessante sob o nome Busic, com letras em português e uma proposta mais acessível, apesar da veia rock ainda estar muito presente. Era necessário respirar novos ares?

É... durante essa parada, quando o Dr. Sin acabou, nós imaginamos que o caminho seria seguir adiante com outras ideias, outros projetos e tentar continuar. Não seria diferente, pois nós somos músicos e a música está sempre em primeiro lugar. Então era certo de que viriam novos projetos, e o principal deles foi a banda Busic, que tinha muito daquela influência que nós trouxemos das nossas primeiras bandas, sabe, Platina, Taffo, com músicas em português e uma veia rock. Acho que fizemos um grande disco e consideramos que a banda Busic não morreu. É um projeto que está aí, guardado para que, se um dia a gente quiser se divertir com ele, é possível. É um disco maravilhoso e que a gente se emociona cada vez que escuta. Muita gente diz que este é um disco que ainda será compreendido pela massa. Tenho muito orgulho do meu trabalho com a banda Busic, e naquele momento foi o caminho que pensamos seguir. Porém, depois de um tempo, foi inevitável... Como eu disse naquele momento: a necessidade, a saudade de um ano e meio longe do Dr. Sin, isso foi mais forte do que o sentimento que tínhamos de que a banda não iria voltar. Nós tentamos, mas não conseguimos ficar sem o Dr. Sin. Foi inevitável, graças a Deus aconteceu e agora estamos respirando novamente, e de volta à vida, e de volta ao lar. “Back Home Again”! (risos).

Achei o álbum “Busic” extremamente interessante e recheado de ótimas composições. Como foi a aceitação dele? Os fãs apoiaram a ideia?

Foi bacana, mas, obviamente, para os fãs do Dr. Sin, ele soa um pouquinho diferente. Menos virtuoso, apesar de muito musical e com algumas coisas bem complexas na parte harmônica e na parte da construção das músicas. Mas, mesmo assim, não tinha o punch que nós tínhamos na carreira do Dr. Sin, que é uma banda de heavy rock. O Dr. Sin passeia do hard rock para o prog e heavy metal, então tem essa coisa mais pesada. Mas a aceitação foi muito boa, embora tenha sido inevitável que alguns fãs do Dr. Sin sentissem saudade daquele virtuosismo característico e já conhecido. Mas foi uma experiência muito bacana e foi o caminho que nós achamos como sobrevivência musical, no sentido de alma e coração, para lidar com o luto de não ter mais a banda que a gente mais amou, o Dr. Sin. Aquela interrupção foi muito dura e a banda Busic nos ajudou a lidar com essa barra.

Em 2018 vocês anunciaram a volta da banda Dr. Sin agora com o talentoso guitarrista Thiago Melo, que estava com vocês no Busic. Eu gostaria de saber em qual momento vocês desistiram do encerramento do grupo e decidiram voltar. Como isso aconteceu?

A necessidade surgiu de maneira inesperada. Foi quase que simultâneo quando Andria e eu nos olhamos e nos perguntamos sobre a saudade e necessidade de voltar a tocar o repertório da nossa vida. Com isso em mente, começamos a estudar e pensar se deveríamos realmente voltar, pois era algo muito delicado. Na primeira opção, nós tentamos nos reaproximar do Edu, justamente por ele ser um membro original da banda. Porém, nós sabíamos que as chances eram poucas, pois a sintonia já estava perdida e ele já estava encaminhado em outros projetos. Só que aí nós já tínhamos chegado à conclusão de que teríamos que voltar. A coisa mais óbvia, que até o Zeca da banda Busic sempre nos falava, é que o Dr. Sin já estava pronto para voltar, pois nós tocávamos o repertório da banda nos shows da banda Busic e o Thiago destruía e fazia o Dr. Sin com tamanha perfeição, que realmente era claro que estávamos prontos. Então, ao percebermos que o Edu já não estava mais na mesma sintonia, que era o que já imaginávamos, pois até nos surpreendemos quando soubemos que ele havia dito que vinha se sentindo assim há vários anos, algo que poderia ter sido colocado muito antes, já que somos muito amigos e nos relacionávamos como uma família e que, inclusive, a parada da banda foi exatamente para isso, para preservar a amizade acima da profissão, a volta do Thiago então foi definida logo após a recusa dele. 
Um detalhe interessante, é que a entrada do Thiago era algo que tínhamos certeza, pois nós já tínhamos o cara, mas não pensamos naquele momento, pois não tínhamos nem noção se a banda iria mesmo voltar. Aí fizemos o convite, já que ele tinha sido era espetacular na banda Busic. Ele veio do Acre para fazer um teste que nós fizemos com mais de 200 guitarristas, e ele já tinha toda essa bagagem e nós já o conhecíamos como pessoa e como músico, e também pelo gênio que ele é. Ele toca guitarra do jeito que a gente ama, e o casamento foi perfeito. Convidamos, ele topou, fizemos o single “Lost In Space” e daí para frente fomos criando e compondo até a concretização desse novo álbum, que está sendo uma realização para nós.

E como foi o encaixe com o Thiago no processo de criação? Ele também contribuiu ativamente para as composições de “Back Home Again”?

Sim, o Thiago participou e participa ativamente da criação e composição. Foi um longo período, em que não tivemos pressa nenhuma. Fizemos o disco com uma harmonia muito grande entre nós, trabalhando ativamente juntos, com cada um apresentando novos trechos, novas ideias e novos riffs. O coração e a inspiração dos três estão presentes em “Back Home Again”.

Vocês fizeram uma seleção com vários guitarristas para a escolha do Thiago. Obviamente, a escolha não deve ter sido fácil. Tem algum outro guitarrista que lhe impressionou e que você nos recomenda conhecer mais sobre ele?

O teste foi espetacular em vários aspectos. Primeiro, foi muito cansativo, pois eu e Andria tivemos que fazer uma peneira com quase 250 guitarristas do Brasil e também de fora. Então, nós pudemos ver vídeos de dezenas de caras geniais e foi espetacular conhecer guitarristas novos pelo Brasil afora. Muitos guitarristas de cair o queixo. Destes duzentos e poucos, ficaram 23 para fazer teste presencial conosco. O Thiago Melo era um deles. Quando eu vi o vídeo dele, sabia que ele tinha tocado no Ceremonya e que ele era do Acre, mas acabei esquecendo disso quando ele veio para fazer o teste. Cada guitarrista tocou duas músicas com a gente e depois nós batemos um papo. Quando ele disse que tinha vindo do Acre para o teste, nós achamos isso absolutamente incrível e absolutamente rock and roll. São essas atitudes que fazem a diferença. Você gastar essa grana, sair de longe e gastar tudo para fazer um teste... E ele foi o cara que mais se destacou, até pedi para ele repetir um solo que tinha feito, pois me arrepiou. Além disso, conhecemos e fizemos amizade com vários guitarristas espetaculares. Não só nós como o próprio Thiago. Vou citar alguns nomes: Sasha Vista, Chris Brasil, Thales Posella, Maycon Bianchi, mas, desses 23 que ficaram, mais de 90% eram de esmigalhar. Ali nós vimos que o Brasil está muito bem de gênios da guitarra. Não vou lembrar de todos agora, mas foi algo emocionante, e o Thiago foi escolhido por ter sido aquele cara que nos arrepiou.

Para rirmos um pouco e sem citar nomes (risos), houve algum tipo de audição que levantou a questão: “What??? Chimbinha, é você??”.

(risos) Não rolou porque fomos muito cuidadosos, para garantir que os caras que fossem selecionados para tocar pessoalmente com a gente fossem tipo, “a” seleção. Mas, nos 200 e poucos vídeos, rolou sim, uma meia dúzia de caras estranhos, que o Andria e eu nos olhamos e pensamos: “como assim”? Era nítido que alguns nem guitarristas eram, mas queriam estar na parada, estar na banda (risos). Mas levamos numa boa, pois tem que respeitar os sonhos de todo mundo. Nem todo mundo nasce com o talento ou nem todo mundo teve chance de estudar e crescer no instrumento. A gente não tira sarro de ninguém, pois todo mundo tem o seu sonho e respeitamos muito isso. Enfim, no contexto geral, mais de 200 guitarristas eram espetaculares.

“Back Home Again” me transportou para o início de carreira do Dr. Sin, pois parece que vocês estão simplesmente se divertindo e criando música. É isso mesmo? Vocês estão literalmente de volta para casa?

Com certeza! Nós sentimos isso quando ouvimos o disco. Era como se tivéssemos feito dezoito anos de novo. A gente chama de “efeito sangue nos olhos”. Esse disco é “sangue nos olhos”! Aquela patada e aquela porrada que um grande disco precisa ter. Inclusive, por ser o disco da volta de uma banda com décadas de existência, então é muito bacana nós retornarmos com esse sangue nos olhos. O nome “Back Home Again” tem totalmente a ver com isso. A capa também, com o astronauta que está à deriva e consegue voltar para o seu lar, que faz parte do que ele é. Então, realmente, nós e muitos fãs estamos sentindo isso, a mesma pedrada de quando veio o primeiro, o “Brutal”, o “Insinity”, e isso é muito importante para nós. O casamento com o Thiago foi perfeito e, na minha modesta opinião, a banda está completamente renovada e pronta para o rock and roll.

Falando um pouco das faixas de “Back Home Again”, “Shout” foi lançada com um vídeo muito bem produzido. A música é simplesmente perfeita, melódica e muito bem estruturada. A letra é bastante motivacional e nos incentiva a buscar pelos nossos desejos. Acho que ela também representa o atual momento da banda, certo? Foi esse o motivo da escolha para o primeiro vídeo?

A escolha de “Shout” para o vídeo foi principalmente pela força do refrão, além da faixa ter aquele virtuosismo do Dr. Sin, com uma sonoridade espetacular. Desde que a gravamos, nós sabíamos que ela seria um dos singles iniciais. O vídeo foi produzido pelo Rodrigo Barth e ficou muito bacana, captado praticamente todo durante a gravação que fizemos em um retiro numa casa isolada que pegamos na Serra da Cantareira. Tem um belo astral, o clima de branco e preto ficou muito legal, e, assim que soltamos a música,a galera abraçou e curtiu muito. Acho que “Shout” será um dos pontos altos dos nossos shows da nova turnê pelo Brasil e fora. Ela tem um refrão matador e uma linha muito melódica. Quanto a letra, ela realmente é motivacional e incentiva você a não deixar ninguém te diminuir e te desvalorizar, e estar de peito aberto sem que nada coloque pedras em nosso caminho. É uma música que serve para muito dessa experiência.
Um nosso amigo que é homossexual nos perguntou se essa letra tinha relação com o tema. Ela é para este tema e também para todas as pessoas que precisam saber que nada deve mudar o seu modo de viver e pensar. É uma música de libertação e realmente motivacional, como você falou. Ela é espetacular na parte vocal, no baixo, solos de guitarra e pude me divertir bastante com ela na bateria. É o que falei, estamos muito realizados e cada capítulo foi feito com calma, muito amor e toda a dedicação que o Dr. Sin sempre teve.

Ainda sobre as letras, “Face To Face” parece também um desabafo, assim como “Fear” e “The Reflection Of A Conflict Mind”. Estas faixas têm alguma relação com o momento de separação da banda e a fase de transição?

Na verdade, elas não possuem relação com algum fato da vida real. Obviamente, tem a ver com a vida real em outro contexto, afinal, todos têm decepções na vida, dúvidas, objetivos e desafios. São temas geralmente fictícios, mas que cabem muito bem em algumas situações. Porém, nada foi feito por causa do final da banda ou para mandar recado a alguém. “Face To Face” fala de pessoas que são covardes e que muitas vezes traem a amizade de alguém ou agem com ingratidão, e infelizmente existe muita ingratidão no mundo. Todos um dia já passamos por isso.
Estas músicas não têm realmente relação com o final da banda e não estamos tentando mandar recados obscuros para alguém ou algo do tipo, muito menos para membros antigos da banda que nós tanto consideramos. O que nós temos que falar para alguém, doa a quem doer, nós, obviamente com educação, falamos na cara o que pensamos. Mandar recadinho subliminar através de música não é do nosso feitio. Digo isso porque já nos perguntaram bastante sobre a letra de “Face To Face”, pois ela é muita direta, mas fala de pessoas ingratas e covardes que vivem pelo mundo e costumam falar por trás, falar mentiras, calúnias, essas coisas. As músicas não server para isso e foram tratadas como capítulos. Com base em cada melodia e em cada riff, nós encaminhávamos as letras para uma direção.

O Rush encerrou a sua carreira recentemente com um álbum que achei brilhante. “Clockwork Angels” é conceitual e conta uma história do início ao fim. Vocês já pensaram em fazer um álbum neste formato?

Bom, o Rush é uma das bandas do nosso coração, de todos da banda. Eu costumo dizer que eles são um dos nossos professores. Álbuns conceituais são uma coisa que nós também amamos e que com certeza faremos no futuro, pois é uma vontade que nós temos.

Ivan, é impossível eu não comentar sobre o seu álbum solo “Rock And Road”. É um álbum simplesmente perfeito para curtir em uma viagem de carro olhando para o horizonte. Veremos mais dessa sua faceta em projetos solo no futuro? Como foi a aventura de gravar um disco solo?

Gravar um disco solo foi uma surpresa linda. Foi uma ideia do Andria e uma volta às minhas origens, quando comecei como vocalista. Foi um presente para mim fazer esse disco solo e um presente também para os velhos e novos fãs que acabamos conquistando. É uma vertente que possui o meu DNA de baterista – e vocalista em alguns momentos – do Dr. Sin, então fica esse carimbo, não tem jeito, mas é uma coisa espetacular, um disco vitorioso, que fez sucesso em muitos países, foi parar em novela, etc. Todo mundo gosta do “Rock And Road” e eu fico muito feliz com isso. É um disco de muito sucesso e que será relançado agora. E com certeza nós nos aventuraremos mais no futuro e lançaremos um possível “Rock And Road 2”.

Tenho aqui uma pergunta que pode gerar um longo debate. O Dr. Sin é considerado tecnicamente por muitos como o Rush brasileiro. Sabemos que o grupo canadense conseguiu atingir um status fantástico para uma banda do estilo que eles fazem. Pergunto: por que você acha que bandas estrangeiras como o Rush e Iron Maiden conseguem lotar estádios no Brasil e os artistas do rock/metal daqui, que possuem talento equivalente, não recebem tamanha atenção?

Sobre esse fato bandas que conseguem lotar estádios como o Rush, nós não podemos deixar de falar da genialidade deles por serem pioneiros em muitas áreas. Por exemplo, se formos falar de Iron Maiden e Rush, nós estávamos brincando de bola ali na rua e os caras já estavam na estrada. Então é muito merecido pela batalha e pela trajetória deles que eles lotem estádios. É maravilhoso ver uma banda de rock progressivo como o Rush lotando um estádio. E mais, ver os caras cantando as músicas deles até nas partes instrumentais. Então é assim, é muito espetacular, ver “YYZ” sendo cantada no “Rush In Rio”, o pessoal cantando as linhas de guitarra e baixo junto com a banda. O Brasil tem muito o que caminhar ainda, os fãs e as bandas também. É necessário um aprendizado geral para que tudo cresça e se fortaleça. Tanto as bandas nacionais como os fãs nacionais, precisam aprender a valorizar as bandas daqui, pois temos centenas de bandas maravilhosas, com grande potencial e que, se Deus quiser, um dia vão lotar estádios também.

São quase trinta anos desde a formação do Dr. Sin. Durante todo este tempo vocês conseguiram eternizar uma discografia louvável e muito digna. Fazendo uma rápida reflexão, quais momentos marcantes vêm em sua mente durante toda essa história? Me vem na cabeça quando vocês tocaram com o Mr. Big e o Hollywood Rock.

Ah, são muitos momentos marcantes. Todas as aberturas de shows que nós fizemos naquele início de banda, as viagens que fizemos para os Estados Unidos, as nossas apostas morando lá naquele momento super difícil e que nós fomos com a cara e a coragem. Hollywood Rock, super importante! O sonho de tocar no Rock In Rio e que acabamos conseguindo. Dois Monsters of Rock, a abertura para o AC/DC, o M2000, que certamente foi o nosso público recorde, além de ter sido público recorde para bandas como o Mr. Big. Mais de 100.000 pessoas nos assistindo! Então, são muitas memórias maravilhosas, mas a gente também guarda com muito carinho todas as casas pequenas que já tocamos. Todo o início, tocando para pouca gente. Tudo isso também é parte romântica da história e muito importante.

Uma dúvida que eu sempre tive: vocês tinham a intenção de seguir como um quarteto com Michael Vescera nos vocais ou foi algo que fez parte da ousada campanha de venda do CD em todas as bancas do país? Se não me engano o contato de vocês começou nas gravações de Insinity, é isso mesmo?

Sim, o contato com o Vescera começou naquele período das gravações do “Insinity”. Ali, uma grande amizade se formou. Nós já éramos fãs dele, pois era um ídolo nosso. Depois, a coisa ficou recíproca, acredite ou não, nós ficamos maravilhados ao saber que um cara que era nosso ídolo admirava o nosso trabalho. Até hoje somos família, mesmo não tocando juntos. Mas não foi uma ação de marketing, é que tínhamos uma amizade tão sólida e nos dávamos tão bem, e naquele momento nós íamos aos Estados Unidos de 3 a 4 vezes ao ano e nos encontrávamos bastante, os planos surgiram e ele acabou entrando na banda, ficando por mais ou menos um ano. No final não deu certo por dois motivos: primeiro porque ele tinha uma família estabelecida nos Estados Unidos e todos nós aqui. Depois, no final, acabou ficando claro que o DNA, a figura vocalista do Dr. Sin não poderia ser outra pessoa senão o Andria. Na minha opinião, a coisa mais marcante do Dr. Sin é o seu timbre.  Nós não sabíamos naquele momento, mas era natural que a figura do vocalista do Dr. Sin permaneceria o Andria por muitos e muitos anos, como já tinha sido anteriormente. Nos shows, durante e no final, nós ouvíamos muitas pessoas pedindo o Andria no vocal, e digo isso sem demérito nenhum ao Michael, que é uma das lendas do metal mundial no vocal. Mas o Andria, não tem como, ele é o vocalista do Dr. Sin, está cada dia cantando mais, é um monstro, e já atingiu o mesmo nível do Michael Vescera e demuitos outros hoje em dia. Hoje ele é um ícone mundial do rock. Agora, deixamos aqui todo o nosso amor pelo Michael Vescera, e, toda vez que ele quiser entrar para cantar conosco, não precisa nem pedir licença.

Como estão os planos para 2020? Turnê de promoção e retornar ao estúdio para produzir mais material?

Sim, 2020 promete ser um ano maravilhoso. Nós acabamos de lançar o “Back Home Again” e está sendo uma das maiores surpresas da nossa carreira. Um disco que está sendo uma unanimidade. Toda a inspiração, sorte e boas energias estão presentes neste disco. Nós conquistamos a sonoridade que sempre sonhamos, num momento importante de renovação e volta da banda. Então, é um disco que coroa todos os pontos dessa volta. Nós não podíamos ter tido uma coroação melhor para preparar 2020 para ser um ano maravilhoso para o Dr. Sin e para o rock nacional e mundial. As portas parecem estar novamente se abrindo para o Rock And Roll no mundo, pois estavam travadas durante vários anos e senti uma grande melhora de uns tempos para cá. E 2020, pode parecer que estou falando besteira, mas sinto uma energia incrível que poderá ser um grande momento para o rock mundial, para as bandas já consagradas e para muitas bandas novas que surgirão. Para nós, será ainda melhor, pois lançamos o álbum no finalzinho de 2019, mas é um disco que estará fresquinho para 2020 e poderemos fazer turnê o ano inteiro. E obviamente, já em 2020, poderemos já começar a gravar um novo disco, pois a inspiração não para, e, como eu diria, os materiais precisam ser registrados e as pessoas precisam ouvir o que os artistas estão criando. Então, tendo oportunidade, as bandas precisam lançar discos e mais discos, quanto mais melhor. 
Nós queremos trabalhar “Back Home Again” o máximo possível, pois é o disco da nossa vida e estamos muito realizados com ele.

Obrigado Ivan, o 80 Minutos agradece pela sua atenção. Primeiramente, quero lhe fazer um agradecimento pessoal por você e Andria trazerem o Dr. Sin de volta. A música boa precisa se manter viva neste cenário musical tão caótico que a mídia apoia, principalmente no Brasil. Desejo que “Back Home Again” receba todo o retorno e reconhecimento que merece. Este último espaço é seu. Obrigado!

Eu que agradeço! Em nome do Dr. Sin, do Andria e do Thiago também, além de toda a nossa produção e de todo mundo que trabalha com a gente. Agradecemos a oportunidade que você nos deu, com perguntas muito boas, muito pertinentes e inteligentes. Agradecemos por você apoiar as bandas e os músicos e artistas nacionais. E é isso, a música boa precisa se manter viva, e, dentro do caos, a gente precisa se mostrar forte para o mundo. O rock and roll vive disso também, você não se deixar abater porque o caos está ao redor. Você tem que se mostrar forte, entrar de peito aberto, cabeça erguida e mostrar que a música está acima de tudo. Momentos bons e ruins acontecem em tudo. A vida é uma montanha russa em todos os sentidos, em todas as áreas, não só para os músicos. Então, a gente precisa saber controlar isso. Acho que todas as bandas deveriam fazer um estudo de controle de ansiedade, saber que terão altos e baixos sempre, e isso deve ser motivo de reflexão, e inclusive utilizar estes sentimentos em composições e também no lidar com a vida. Eu acho que vamos vivendo, aprendendo e acho que os momentos difíceis servirão de experiência para que os próximos sejam mais fáceis e gloriosos.
Aprendendo com os erros e vibrando com os acertos. Nada é por acaso e nada é fácil, mas sem luta nada tem graça. Nós aprendemos isso na carreira do Dr. Sin. É uma banda que luta, sem truques e nós somos o que somos. Os fãs sabem e nossa música diz exatamente isso. Se você pegar os conceitos de letras, elas são um retrato do que o Dr. Sin quer deixar como um carimbo do que é a nossa arte. A arte de uma banda honesta, que faz rock and roll em um país onde é mais difícil para promover o estilo, mas nós temos conseguido e, graças a Deus, outros parceiros também têm levantado esta bandeira inclusive para outros países. A arte do Brasil é muito rica e isso é uma glória.
Um grande abraço e muito obrigado.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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