Para os que respiram música assim como nós


Autor: André Luiz Paiz

02/12/2019

Traduzido por: André Luiz Paiz

Michael Denner, guitarrista do Mercyful Fate / King Diamond, está de volta com o novo álbum "In Amber" da sua nova banda, Denner's Inferno.

Michael Denner é um nome conhecido na cena internacional de rock / metal, como ex-guitarrista das duas mais influentes bandas de rock / metal dinamarquesas de todos os tempos: Mercyful Fate e King Diamond. Denner contribuiu com seu estilo distinto de guitarra e composição em álbuns clássicos do Mercyful Fate, como "Melissa" (1983), "Don't Break The Oath" (1984) e também nos clássicos do King Diamond "Fatal Portrait" (1986) e "Abigail "(1987).

Agora, é hora de Denner começar uma nova aventura: o Denner's Inferno. Juntando-se a ele estão o vocalista americano Chandler Mogel (Outloud, Punky Meadows, Radio Exile), o baixista Flemming Muus (Trickback, Joytown) e um baterista com uma ligação comum do Mercyful Fate (anos 90 e também envolvido na reunião recentemente anunciada): Bjarne. Juntos, eles tocam heavy metal que deve agradar aos fãs de Mercyful Fate, Candlemass e rock retro dos anos 70.

Para a divulgação do novo álbum, Michael Denner atendeu o site do 80 Minutos para mais uma entrevista exclusiva. Não deixe de conferir.

Michael, "In Amber", o tão esperado álbum do Denner's Inferno, acaba de ser lançado. Como você está se sentindo?

É um alívio finalmente vê-lo lançado. Eu comecei este processo há 18 meses, então a espera foi grande.

É um álbum que não consigo parar de ouvir. Foi uma surpresa para mim quando ouvi esta mistura de rock clássico sombrio e pesado com uma sonoridade bastante atual e diferente dos seus demais projetos. A intenção foi essa desde o início? Pude identificar influências de bandas como Deep Purple, UFO e Black Sabbath.

A influência veio dos grandes mestres do início dos anos 70, como você bem mencionou. Além disso, há um pouco também do meu passado com o Mercyful Fate.
Eu sempre quis fazer um álbum que trouxesse o centro do meu gosto musical, e foi exatamente o que consegui.

Seu último lançamento antes desse foi o álbum “Masters Of Evil” com o projeto Denner/Shermann, em 2016. É um excelente álbum! Bem pesado. Essa abordagem também contribuiu para as mudanças de “In Amber”?

Sou muito orgulhoso do trabalho que fiz com o Denner/Shermann e o meu lado mais pesado sempre estará ali. Já o Denner’s Inferno é, com certeza, um mix entre este lado extremo e também o rock pesado “old school”.

Os temas líricos de “In Ember” me chamaram a atenção. Senti como tema principal uma transição entre as experiências humanas em relação aos conceitos de “bem” e “mal”. Pelas suas palavras, qual a mensagem que você está tentando nos passar?

É isso mesmo. Algumas das letras lidam com o bem e o mal, porém em diversas situações. Eu tive sorte de contar com o meu poeta exclusivo Jesper Harrits para me ajudar a criar estas músicas, e o resultado foi muito satisfatório. Nós dois somos o que você pode classificar como “pensadores”, e eu particularmente posso estar ou muito feliz ou muito triste, ou seja, nunca entre ambos, então estes fatores foram representados nas músicas de “In Amber”.

E como vocês chegaram e este line up? Eu particularmente gostei muito da escolha de Chandler Mogel para os vocais.

Flemming, meu baixista, esteve em minha primeira banda, chamada Lucifer’s Airship, em 1972, e nós continuamos amigos desde então. Ele já gravou mais de 300 álbuns como músico de estúdio aqui na Dinamarca.
Bjarne é o baterista do Mercyful Fate e um velho amigo meu, que conheço desde 1979.
Por fim, Chandler Mogel foi encontrado pela minha gravadora e ele era exatamente o que eu tinha em mente. Ele é um grande profissional, uma pessoa gentil e, não menos importante, possui uma voz de ouro.

Vocês estão planejando uma turnê de promoção do álbum? Eu recentemente descobri que o álbum será lançado aqui no Brasil, então, será que teremos a chance de vê-los ao vivo?

Sem dúvida! Nós adoraríamos ir ao Brasil. Estive aí uma única vez, com o Mercyful Fate nos anos 90. Bjarne é casado com uma brasileira, então é bastante sugestivo passarmos por aí e tocar para vocês novamente.

Soubemos recentemente que Bjarne fará parte da reunião do Mercyful Fate com King Diamond e Hank Shermann. Será possível para ele conciliar as duas agendas?

Sim, com eu disse, nós somos grandes amigos e é questão apenas de nos alinharmos para que tudo funcione.

Nós sabemos que King Diamond decidiu reunir o Mercyful Fate com a última formação. Você acha que ter ficado de fora é a conclusão definitiva da sua participação com o grupo?

Não foi bem a última formação, pois, assim como aconteceu comigo, Sharlee D’Angelo também não foi convidado. Na minha opinião, foi mais uma decisão visando quem King consegue ou não controlar. Sharlee e eu estamos nesta segunda categoria.
Mas, tenho bastante certeza de que eu jamais farei parte de uma banda com King e Hank novamente.

Isso quer dizer que a sua parceria com Hank para o futuro também está comprometida? Nós adoraríamos ouvir mais do projeto Denner/Shermann. Vocês são praticamente um dream team juntos.

Hank me abandonou com esta reunião. Durante os últimos anos, ele me prometeu que o Mercyful Fate só se reuniria novamente se eu fizesse parte do line up. Mas, sem me contar, ele mudou de ideia e me apunhalou pelas costas. E assim foi o fim de uma amizade e parceria de 40 anos trabalhando juntos.

Michael, falando um pouco do passado, Melissa foi lançado há 37 anos. O álbum é um clássico absoluto e ainda extremamente relevante. Lá atrás, quando ele estava em produção, vocês tinham ideia do que estavam criando?

Eu me lembro que trabalhamos muito com aquelas músicas, seis dias por semana por vários anos. Nossa meta era criar a melhor e mais pesada banda de heavy metal do mundo, e acho que chegamos muito próximos disso.

"Don't Break the Oath" também é um clássico, mas também foi responsável pelo primeiro hiato da banda. A pausa foi por diferenças musicais?

Na verdade, foi um pouco das mesmas merdas que estão acontecendo agora, alguns membros que não se comunicavam, e acabamos “quebrando o juramento”. Hank estava cansado de metal e King queria tomar o controle por completo, e eu estava no meio, com os dois tentando me fazer seguidor. Acabei optando por King naquele momento, devido à minha paixão pelo metal.

Você partiu com King em carreira solo e juntos gravaram “Fatal Portrait” e o clássico “Abigail”. Novamente, um grande momento que culminou com a sua saída. O que houve?

Os membros suecos queriam transformar a banda em algo mais L.A. Glam, com uma imagem parecida com a do Motley Crue. Eu detestei a ideia, tanto que você claramente consegue ver na contracapa de Abigail, vários caras vestidos como no circo e apenas um com jaqueta de couro e de mal humor. King não queria fazer parte da discussão, então eu preferi sair e abrir a minha primeira empresa de discos.

Pouco depois, você se reuniu com o Mercyful Fate e lançou os seus últimos três álbuns com a banda. Eu gosto bastante de “In The Shadows” e “Time”, mas acho que “Into The Unknown” não é tão forte. Curiosamente, foi após ele que você decidiu deixar a banda.

Eu não fiquei completamente satisfeito com estes três álbuns. Muitas faixas fillers e menos matadoras em comparação com "Melissa" e "DBTO". Naquele momento nós estávamos com contratos melhores, tocando para plateias maiores e com muito mais respeito e apreciação em relação ao que fizemos no início dos anos 80. Então, misturando tudo isso, nós tivemos alguns bons anos tocando juntos e acabou sendo um dia triste quando saí. Meu primeiro filho tinha acabado de nascer e houve complicações com o parto, então acabei por tomar essa difícil decisão de deixar os meus amigos.

Foi devido a esta reunião que o projeto Zoser Mez teve vida curta?

Sim. Foi um projeto muito divertido de trabalhar. King acabou por ouvir algumas de nossas músicas para o segundo álbum que estávamos começando a trabalhar. Ele gostou e sugeriu a reunião, então acabamos deixando o Zoser Mez para trás.

Seguindo adiante, no início dos anos 2000 a cena musical estava bem diferente. As pessoas começaram a parar de comprar música, pois a pirataria era tentadora, principalmente com o compartilhamento de músicas pela internet. Como consequência, muitas bandas novas não conseguiam se sustentar. Foi este o motivo da curta duração da ótima banda Force Of Evil?

Pois é, de alguma maneira, isso que você relatou acabou nos afetando também, pois, pouco antes das gravações do terceiro álbum, a gravadora desistiu e foi à falência.

Vamos supor que eu apresente a carreira de Michal Denner para um novo fã. Quais álbuns seus você me sugeriria como ponto de partida?

Essa é uma pergunta bem interessante. Eu escolheria o “Melissa” ou “Abigail”, pelo meu legado, e também “In Amber” e o EP “Satan's Tomb” do projeto Denner/Shermann pelas habilidades que possuo agora.

Michael, obrigado pela entrevista. Desejo que “In Amber” receba todo o retorno que merece. Espero vê-los no Brasil em breve.

Foi um prazer fazer esta entrevista e eu lhe agradeço pela oportunidade de fazer uma viagem pelas minhas lembranças. Estou empolgado pelo lançamento do álbum no Brasil e farei o que for possível para passar pelo seu lindo país em 2020.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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