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Entrevista: Bill Hudson

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Autor: André Luiz Paiz

29/11/2019

Bill Hudson é um guitarrista de heavy metal brasileiro-americano, atualmente atuando como guitarrista do supergrupo de power metal NorthTale. Promovendo o seu álbum de estreia, a banda traz em "Welcome To Paradise" uma grande homenagem aos grandes ídolos do estilo, também conhecido como Metal Melódico. Mas, além disso, o disco soa empolgante do início ao fim, contando com grandes performances dos músicos envolvidos e produção fantástica.

NorthTale definitivamente veio para ficar. Confira a entrevista exclusiva de Bill para o 80 Minutos. Aproveite também para adquirir a sua cópia de "Welcome To Paradise" no site da Nuclear Blast
 ou no Brasil através da Shinigami Records.

Olá Bill, bem-vindo ao 80 Minutos. Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pelo álbum “Welcome To Paradise”. Para mim, trata-se de um dos melhores álbuns de power metal do ano!

Muito, muito obrigado pelas suas palavras. Nós trabalhamos muito neste disco e ele tem muitas músicas importantes para mim. Para todos nós da banda na verdade. E quando alguém o classifica como um dos melhores do ano nós ficamos muito felizes. Obrigado!

Vamos falar um pouco sobre a formação da banda. Você estava tocando com o U.D.O. enquanto o NorthTale era apenas um projeto paralelo. Agora, as coisas mudaram, certo? Esta é a sua única e principal banda agora?

É difícil dizer se é ou será a minha única banda, mas é a única banda que eu componho, sou líder e tomo decisões. Em todos os outros casos eu sou empregado e toco o que me pedem para tocar. A ideia é focar as minhas energias no NorthTale enquanto eu puder, pois realmente é o projeto da minha vida.

Achei a escolha de “Christian Eriksson” bastante acertada para os vocais. Isso sem falar no excelente baterista Patrick Johansson. Como você chegou até esta formação e também aos músicos Mikael Planefeldt (baixo) e Jimmy Pitts (teclados)?

Eu já tinha as músicas, duas delas: “Shape Your Reality” e “If Angels Are Real”. Eu as tinha composto para o que na época era pra ser um projeto solo. Eu testei muitos vocalistas, da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos, e eu não achava o cara certo. Eu já tinha muita experiência trabalhando com alguns dos melhores vocalistas do mundo, mas para o som que eu estava fazendo ainda não tinha achado o cara certo. Foi aí que eu ouvi o Twilight Force. Um amigo me mostrou a banda na Suécia e eu pensei: “nossa, esse vocalista seria o cara ideal para o meu projeto”. Claro que na época o Twilight Force estava muito ocupado e não foi possível. Eu entrei em contato com o Christian pelo Facebook e começamos a conversar, e eu disse a ele que, se ele tivesse tempo, gostaria que ele cantasse em umas músicas que eu tinha e que iria lançar como um disco solo. Ele gostou das músicas mas não quis gravar, pois estava muito ocupado. Uma vez que ele saiu da banda eu o contatei novamente e aí ele estava disponível. Ficamos amigos neste período. Quando passei pela cidade dele com o U.D.O. a gente ficou amigo, passamos o dia juntos, falamos bastante de música e descobrimos que tínhamos muitas afinidades. Quando ele ficou disponível, trouxe o Patrick com ele. Eu já o conhecia há uns dez anos e falamos de tocar junto apesar de nunca tinha surgido oportunidade. Então fez sentido que tudo se tornasse uma banda.
O Christian também trouxe o Mikael Planefeldt com ele, pois estudaram juntos no início dos anos 2000. E eu já tinha trabalhado com o Jimmy Pitts na banda solo de Vitalij Kuprij, tecladista do Trans-Siberian Orchestra. E é isso, e eu acho que são os caras certos e que essa é a formação certa.

Um fator interessante de “Welcome To Paradise” é que, mesmo contando com um número grande de faixas – são treze no total –, o álbum não oscila em nenhum momento. Você pode nos falar um pouco sobre o processo de composição? Todas as faixas foram compostas para o álbum?

Bom, a ideia inicial era realmente ter sido um disco solo. Mas, depois que eu tive a formação da banda e com todos a bordo, o projeto se tornou banda. Neste momento eu já tinha uma terceira música, a “Time To Rise”. Depois da banda, tudo foi feito pensando no primeiro álbum. A exceção é a faixa “Follow Me”, que é uma música que eu já tinha há uns dez anos e até tinha sido utilizada em outra banda. Depois só mudamos algumas coisas nela. Mas o grosso do material foi composto para o álbum mesmo. Algumas músicas são do Christian, como “Welcome To Paradise”, “The Rhythm of Life e “Even When”. São músicas dele, que ele trouxe, e eu compus o restante.

É nítido que vocês seguem a linha de bandas clássicas como Helloween, Hammerfall e Stratovarius. Estas bandas fizeram sucesso nas décadas de 90 e 2000, mas acabaram perdendo um pouco de espaço nesta década atual. Você acha que o estilo acabou ficando saturado em algum momento do passado com o grande número de bandas que surgiu naquele período?

Eu acho que é exatamente isso que aconteceu. Nos anos 90 e até no começo dos anos 2000 tinha muito dinheiro investido no sucesso do Power Metal, estilo que também chamamos de Metal Melódico. Então, muita gente acabou trabalhando no estilo, até que ele saturou, assim como já aconteceu com vários outros estilos pela história. Se você analisar os anos 80, o caso dos Estados Unidos com o Hair Metal foi a mesma coisa; Death Metal foi a mesma coisa. Todo estilo acabou se canibalizando em algum ponto. Pessoalmente, eu gosto das bandas originais sabe, eu acho que no estilo do Power Metal tem quatro ou cinco bandas que basicamente inventaram o grosso do estilo e as suas características. Todo mundo que veio depois copiou, e da cópia as pessoas não gostam. Eu acho que hoje existe um revival deste estilo, pois no metal o pessoal ficou tão pesado e tão agressivo, que alguns músicos pensaram em fazer algo diferente. E eu acho legal. Acho que também a internet torna as coisas mais fáceis hoje. Antigamente não era assim. Hoje fica mais fácil divulgar um trabalho.

Com tantas bandas hoje na cena, o que você acha que é preciso ser feito para solidificar uma nova banda no mercado e chamar a atenção de novos fãs?

Olha, hoje em dia acho que não existe fórmula. Obviamente, quanto mais original a sua música for e quanto mais você trouxer algo que as pessoas não estão esperando, mais chances você tem de chamar a atenção. Mas originalidade não é o forte do NorthTale neste primeiro álbum, pois eu queria soar como os meus ídolos da adolescência. Hoje com o YouTube, Instagram e as demais plataformas digitais, é ali que você encontrará os seus fãs. O foco é fazer um bom trabalho e lançar boas músicas. Você precisa lançar um álbum bem produzido, lançar um bom vídeo, dar a sua mensagem do seu jeito. Não acho que você chegará longe copiando uma banda ou outra. Mesmo que seja uma influência muito forte, você tem que fazer as coisas do seu jeito. Mas, quem sabe cara, às vezes as coisas pegam, estouram e as pessoas ganham dinheiro o tempo todo. Já teve “Gangnam Style”, já teve “Caneta Azul”... então é difícil saber.

Achei bem divertido o vídeo para “Everyone’s A Star”. A minha primeira impressão visual foi: “Uau, isso é glam!”, e achei que casou bem com o tema. Como surgiu a ideia?

(risos). Obrigado. Eu não sei se chamaria de Glam, embora algumas bandas do estilo estejam fazendo vídeos parecidos. A ideia do vídeo na verdade veio do diretor Jason McNamara. Ele foi contratado para filmar os nossos shows no Japão. Ele registrou o vídeo e áudio. Quando chegamos lá, ele disse que tinha uma ideia para o vídeo de “Everyone’s A Star”, que é a única música que possui uma temática diferente das demais e que não segue a linha musical das outras. Eu fiquei meio assim com a ideia, mas ao mesmo tempo eu entendi que ela é a música mais fácil de ser digerida para quem não curte metal e para quem não conhece o nosso estilo. Então eu disse: “Por que não?”. O vídeo foi totalmente filmado no Japão, em Shibuya (Toquio), e todas as ideias são da cabeça do Jason. Nós simplesmente atuamos. Parte dele foi feita no escritório da nossa gravadora e parte foi feita na rua. Foi muito legal.

Bill, como mencionei anteriormente, as influências dos grandes nomes do Power Metal são nítidas na música do NorthTale. Você poderia nomear alguns álbuns que você considera clássicos do estilo e que lhe serviram como influência?

Essa é boa. Eu diria “Keeper Of The Seven Keys”. As duas partes. Eu considero ambas como um disco só. Para mim tudo começou ali, este estilo e este som que a gente tanto ama e tenta executar. Este é o primeiro disco na minha opinião. Claro que o Warlord fez aquele single “Deliverance”, em 83 ou 84, que é um som bem Power Metal. Tanto que o Hammerfall até fez um cover de “Child Of The Damned”. Mas, para mim, começa com o “Keeper Of The Seven Keys”. Também incluo o “Walls Of Jericho” nesta trinca. Além deles, Stratovarius com o “Episode”, de 1996, e o “Visions, de 1997, são perfeitos para mim. Angra! “Angels Cry” e “Holy Land”, os dois melhores discos da carreira da banda e dois dos melhores discos do Power Metal. É fantástico o que estes caras fizeram. E são do Brasil, e isso é foda! Blind Guardian, com “Imaginations From The Other Side”. “Somewhere Far Beyond” também. Rhapsody, com “Legendary Tales”. Uma banda que o primeiro disco é muito superior a tudo o que eles fizeram depois. Acho que é isso. Ah, Gamma Ray! “Land Of The Free” e “Somewhere Out In Space” também, que são da mesma época do “Visions” e do “Legendary Tales”. Essa foi realmente a época do Power Metal.

Como estão os planos para 2020? Turnê de promoção e retornar ao estúdio?

Nós estamos compondo o segundo disco agora. Têm algumas ideias muito boas já e algumas novas em andamento. Estamos tentando também marcar alguns shows para o próximo ano. Temos já o ProgPower em Setembro e alguns outros shows para serem anunciados, também na mesma época. E, se tudo der certo, vamos levar a nossa música para o mundo inteiro. 2020 será um ano de bastante trabalho.

Obrigado Bill, por falar com o 80 Minutos e pela sua atenção. Desejo que “Welcome To Paradise” receba todo o retorno que merece. Este último espaço é seu. Obrigado!

Eu queria agradecer o 80 Minutos pelo espaço e pela oportunidade de falar do nosso trabalho. Queria também agradecer a Nuclear Blast da América do Sul por todo o suporte que eles têm nos dado e espero que possamos fazer alguns shows no Brasil em breve. Obrigado e stay heavy!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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