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Entrevista: Vulcano

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Autor: Diógenes Ferreira

12/10/2019

Desde 1995 na batalha, o Hellish War segue à risca a base germânica de se fazer metal. A estreia veio em 2001 com o hoje ‘cult’ álbum Defender of Metal e sucedeu com Heroes of Tomorrow (2008) e Keep It Hellish (2013). Com distribuição e turnês na Europa, a banda registrou o ao vivo Live in Germany e agora lança seu mais novo petardo intitulado Wine of Gods (2019) que vem chamando atenção tamanha qualidade e fidelidade ao metal tradicional. É com prazer que o 80 Minutos conversa com Vulcano, guitarrista e fundador da banda, para saber tudo sobre esse crescente representante do Heavy Metal brasileiro.

Saudações Vulcano, obrigado pela disponibilidade em falar para os leitores do 80 Minutos. Tudo bem com você e com todos da banda?

Tudo bom sim, estamos na luta aqui! 

Gostaria de começar perguntando como anda a aceitação ao novo álbum Wine of Gods, haja visto que desde seu lançamento, as críticas têm sido bastante positivas e merecidas, devido à qualidade do disco. Eu mesmo já ouvi o álbum inúmeras vezes e já considero o melhor da carreira da banda até então. Qual a expectativa do Hellish War com essa obra potente nas mãos?

Realmente esse é um álbum que nos surpreendeu pela qualidade das músicas, arranjos e melodias vocais muito bem feitas pelo vocal Bil Martins. Acho que está sendo um novo momento em nossa carreira dentro no metal nacional. Mais uma vez estamos provando que no Brasil tem bandas do mesmo nível das europeias, levantamos o metal nacional com muita honra e logo mais sairá o vinil, um sonho nosso se realizando. 

O álbum abre com a faixa-título, naquela veia Grave Digger/Manowar de se fazer metal, com uma intro de respeito, riffs diretos, pesados, bateria na cara e refrão imponente. O “vinho dos deuses” discorre sobre algum conceito ao longo de todo o álbum em sua parte lírica?

Posso dizer que o vinho saindo do cone sagrado seria o sangue do “metal” em nossas veias. Enfatizamos que jamais se perderá o heavy metal tradicional, não pregamos isso aos fãs e sim mostramos a força do som que está presente eternamente pro Hellish War. 

Faixas como ‘Trial By Fire’, ‘Dawn of The Brave’, a instrumental ‘House on The Hill’ e ‘Burning Wings’ também são excelentes imprimindo a marca do Hellish War. Qual a inspiração para essas canções específicas?

São faixas bem distintas mas que mostram um tempero do metal germânico junto ao britânico. Temos essa bagagem fluente do metal europeu que nos inspira pelos riffs anos 80, digo que somos completamente tomados e influenciados por bandas europeias, que são as melhores. Posso citar algumas bandas que nos inspiram nessas canções, como Running Wild, Saxon e Iron Maiden. 

Outro destaque do álbum é a música ‘Warbringer’ que conta com a participação mais que especial de Chris Boltendahl, lendário vocalista de uma das bandas mais respeitadas do cenário metálico que é o Grave Digger e sem dúvida uma grande influência para o som do Hellish War. Como houve esse contato e qual a sensação de ter um ídolo seu eternizado em um álbum de sua banda?

Esse som parece ter sido feito pra ele mesmo (risos). Mas foi uma coincidência. Percebemos que seria perfeito convidá-lo por ser um som bem alemão speed metal na veia. Ele foi bem receptivo ao convite, gostou muito do som e já mandou ver nas vozes. Ficou perfeito e tinha que ser o Chis mesmo para fazer parte de nossa história e nos honrar seu espirito metal germânico.

Por falar em influência, quais suas principais influências musicais de bandas ou músicos e que você traz para o som do Hellish War?

Iron Maiden, Running Wild, Judas Priest, Manowar, Saxon, Dio, Scorpions, Savatage e assim vai... Essas são as minhas principais que também me influenciaram como guitarrista. Posso citar músicos que procuro me inspirar como guitarrista tais como: Adrian Smith (Iron), Glenn Tipton (Judas), Vivian Campbel (DIO), Mathias Jabs (Scorpions). 

Vamos voltar no tempo e falar do começo da banda. Você como membro fundador teria alguma história dos primórdios do grupo que evidencia toda luta para manter uma banda em atividade no Brasil e conquistar a admiração e respeito dos headbangers pelo Hellish War?

Temos uma história bem difícil na questão fazer heavy metal num país que só toca o que interessa na mídia popular, ou seja, esquecem que o Brasil teve muito potencial e ainda tem pelo metal. Somos uma potência e grandes consumidores do metal, mas as mídias precisam acreditar mais nas bandas e no mercado. Hellish War existe por causa dos fãs, que nos incentivam a não parar e por isso acreditamos nesses headbangers e precisamos deles nos shows. 

Conquistas essas que passam também por oportunidades que a banda teve no exterior, mais precisamente na Europa onde a banda excursionou duas vezes, apresentando-se em festivais e chegando a lançar um álbum ao vivo gravado na Alemanha. Fale-nos sobre esse alcance que o Hellish War obteve lá fora.

Sem dúvida foi de grande valia nossa tour na Europa. As duas, de 2009 e 2013. Na primeira vez o peso da responsabilidade em tocar na terra do metal foi um desafio que pudemos mostrar sem medo nosso potencial. Sempre tive um sonho em gravar um CD ao vivo, mas nunca pensei em terras germânicas. Então conhecemos um produtor local que estava gravando as bandas e já abraçamos a ideia. Nada planejado. Fizemos a gravação e finalizamos aqui no Brasil a produção do Live In Germany, que foi um registro histórico para nós.

O álbum ‘Defender of Metal’ de 2001 hoje é um disco cultuado no underground metálico e seus sucessores ‘Heroes of Tomorrow’ (2008) e ‘Keep It Hellish’ (2013) mantiveram a ascendência da banda ao longo dos anos. Há uma preocupação em manter-se fiel à essência do grupo, mas ao mesmo tempo, ter um crescimento profissional, certo?

Na verdade não temos essa preocupação pois é bem natural nossa postura musical do metal tradicional europeu. Mas com certeza a maturidade sonora já mostra um crescimento profissional bem evidente, tanto que o Wine Of Gods tá ai para refletir isso. 

O novo álbum é o segundo registro com o Bil Martins nos vocais. Com a adaptação de seu ‘frontman’, qual o feedback do público/fãs com relação à atual formação?

Ele fez sua estreia no Keep It Hellish de 2013, mas posso dizer que foi o primeiro em que seus vocais foram criados por ele mesmo. Bil teve toda a liberdade de compor e mostrar seu talento muito bem executado. 

Como é o processo de composição na banda? Todos colaboram com idéias ou há um núcleo de criação no grupo que compartilha para os demais?

No caso do novo álbum todas as ideias foram compartilhadas. Nos álbuns anteriores sempre partia de mim a maioria das músicas. 

Ainda sobre Wine of Gods, a banda continua apostando no trabalho de artes de Eduardo Burato, responsável por todas as capas dos discos de estúdio da banda. Seria ele uma espécie de Derek Riggs para o Hellish War?

Apostamos sim. Temos uma parceria de 20 anos com ele, além de ser um amigo pessoal meu. Posso dizer que é um Derek para o Hellish War.

Como está a agenda de shows da banda para esse final de 2019 e o que 2020 reserva para o Hellish War?

Estamos vendo uma possibilidade de tocarmos em dezembro na zona leste ou no Espaço Som em São Paulo. Para 2020 estamos planejando uma tour pelo Brasil como possivelmente nas gringas também. Vamos alertar os bangers quando isso acontecer.

Por falar em shows, qual seria o festival dos sonhos e com quais bandas vocês gostariam de dividir o palco algum dia?

Sempre é um sonho tocar em festivais na Alemanha sem restrição. O Wacken é o auge dos palcos de uma banda de metal para mostrar seu som. Quanto as bandas, além das próximas da gente como Krull, Brave, Living Metal, Kiko Shred, Niharp e assim vai, tocar com Saxon, Judas Priest, Manowar, Helloween, Accept, essas seriam uma das mais “fodas” de tocar junto. 

Com mais de 20 anos de batalha no cenário metal, espero que venham mais 20 anos de conquistas e que o Hellish War continue nos brindando com o melhor do Heavy Metal tradicional. O espaço é seu para considerações finais... Obrigado pela entrevista!

Apenas uma coisa: prestigiem o metal nacional sempre! Isso dá forças ao Hellish War e para outras bandas a continuarem essa batalha pelo heavy metal aqui e no mundo todo! Abraços aos leitores e Metal Forever!

Confira também o review do álbum Wine of Gods do Hellish War aqui no 80 Minutos:
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Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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