Para os que respiram música assim como nós


Autor: André Luiz Paiz

03/10/2019

Traduzido por: André Luiz Paiz

"Distance Over Time" é o décimo quarto álbum completo de estúdio de uma das maiores bandas de prog metal de todos os tempos: Dream Theater. Em fase de promoção do novo álbum e em meio à turnê que vem sendo sucesso absoluto, o vocalista James LaBrie gentilmente e novamente atendeu ao 80 Minutos em parceria com o The Pirate Ship, seu fã-clube oficial no Brasil, para nos contar um pouco mais sobre o álbum, a turnê - que também celebra o vigésimo aniversário do clássico álbum "Scenes From a Memory" - e muito mais. Confira! Parceria:
O The Pirate Ship é o único FanClub oficial de James LaBrie, fundado em 2010 por Gustavo Agostini. James é tão apaixonado pelo FanClub que possui uma tatuagem do logo em seu braço.
Saiba mais sobre o The Pirate Ship em: http://jameslabriefc.com Curta e siga também a página do Facebook: https://www.facebook.com/thepirateship Visite o site de James LaBrie em: http://www.jameslabrie.com Site da gravadora InsideOut: https://www.insideoutmusic.com

O Dream Theater é uma banda de metal progressivo icônica, famosa em todo o mundo e com uma agenda extremamente ocupada. Turismo em todo o mundo, com uma programação que inclui principalmente aeroportos, hotéis, shows e, no dia seguinte, tudo começa novamente. Os membros precisam cuidar seriamente de sua saúde e respeitar o seu tempo para descansar. Você é a voz da banda, o único que possui um instrumento orgânico. Considerando que é bastante comum para você cantar por cerca de 3 horas e por 3 ou mais dias seguidos, como você cuida da sua saúde? Quais são seus hábitos saudáveis?

Olá André, é um prazer fazer esta entrevista com você. Bem, você está certo e é assim que me vejo quando estou na estrada. Eu estou fazendo shows de três horas e tocando vários shows a cada semana, então, primeiro devo abster-me de beber álcool e fumar. Também como muitos vegetais e frutas, além de outros alimentos saudáveis. Também consumo muita proteína na minha dieta e malho todos os dias. Eu corro cerca de 5 km na esteira e depois faço flexões, abdominais, exercícios de alongamento e assim por diante. Isso realmente ajuda a me manter bem. Eu também descanso bastante e quando estou me preparando para um show eu começo o aquecimento bem lentamente algumas horas antes do show, com uma voz bem suave. Depois que chego perto do show, começo a entrar na minha voz completa e na voz que estarei usando na apresentação. Todas essas coisas que ajudam a me manter quase todo o tempo no modo 100%. Agora, se eu fico doente, não há muito que eu possa fazer e apenas faço o melhor que posso, mas, definitivamente, eu tomo muitas precauções para me cuidar e me certificar de que estou no meu melhor e o melhor possível vocalmente.

No entanto, sabendo que uma turnê pode durar vários meses, como você lida com a distância da sua família? Quantas vezes você consegue vê-los durante uma turnê?

Sim, ficar longe da família nunca foi uma parte fácil das turnês que temos que fazer. Estamos longe das nossas famílias por quatro semanas agora, pois estamos na Europa para uma turnê, em que acabaremos por ficar sete semanas distante. Os caminhos que encontramos para lidar com isso é levar nossas esposas e nossos filhos para passar algum tempo conosco enquanto estamos na estrada. Quando isso não é possível, ficamos em contato todos os dias pelo FaceTime ou por e-mail, fotos e assim por diante, para dar uma sensação de alívio e sentir que não estamos completamente isolados. É difícil, mas é algo que nós escolhemos, então você precisa descobrir maneiras de lidar melhor com estes detalhes para não enlouquecer.

O Dream Theater tem mais de 30 anos de sucesso e passou por diferentes fases ao longo de sua história. No seu ponto de vista, qual foi a melhor fase da banda e qual o momento mais crítico?

Sim, você está certo, quero dizer, passamos por diferentes fases e diferentes membros nos últimos 30 anos. Eu diria que cada fase é única em si, porque basicamente representa o que a banda está vivendo naquele momento. Agora, posso dizer que estamos em um ótimo momento, porém também é um momento crítico, pois sabemos que você é tão bom quanto o seu último material lançado. Então, levando isso em consideração e sabendo que “Distance Over Time” está sendo extremamente bem aceito ao redor do mundo e que as nossas apresentações estão mostrando isso, com shows com ingressos esgotados em diversos lugares, milhares e milhares de pessoas, nós definitivamente estamos em um grande momento, estamos saudáveis e sabemos que ainda temos muito a provar até o dia em que decidirmos parar. Mas, isso não acontecerá tão cedo, posso lhe garantir.

Na sua opinião, quais são as razões do enorme sucesso do Dream Theater ao redor do mundo?

Eu acho que a principal razão para o sucesso do Dream Theater é que, desde o começo, nós sempre fomos fiéis à música, permanecendo honestos com nós mesmos e mantendo a nossa integridade. Nós sempre estivemos em longas turnês por pelo menos 18 meses semeando o nosso trabalho e certificando de que entraríamos em todos os cantos do mundo. Com isso, sempre nos mantivemos fiéis aos nossos fãs, nos engajando para que o nosso relacionamento com eles sempre seja o mais próximo e incrível possível.

Você considera o “Distance Over Time” uma boa escolha para quem ainda não conhece o Dream Theater?

Sim, “Distance Over Time” é um álbum que foi muito bem recebido em todo o mundo. Ele foi abraçado pelos fãs de todos os lugares, então, eu o considero um bom álbum de introdução para quem nunca nos ouviu. Além dele, “Scenes From A Memory” também seria uma ótima opção para quem deseja entender a nossa dinâmica musical. Mesmo sendo um álbum conceitual, ele também é muito diversificado.

Qual a sua opinião sobre “Distance Over Time” em relação aos outros álbuns lançados pelo Dream Theater? Você o considera tão importante quando os álbuns clássicos como “Images And Words” e “Scenes From a Memory”? Você acha que ele define bem a atual fase da banda?

“Distance Over Time” definitivamente se compara a esses dois álbuns, “Images And Words” e “Scenes From a Memory”. Ele mostra a nossa fase atual e quem somos neste exato momento, nossas atuais influências e o que estamos sentindo e representando agora. Então sim, ele pode ser comparado aos álbuns clássicos, porém é mais importante por representar quem somos no presente.

Músicas longas de 7 a 10 minutos são muito comuns na discografia do Dream Theater e algumas delas chegam a passar dos 20 minutos. Os fãs apreciam bastante estas canções, principalmente para vê-las ao vivo. Qual a sua opinião e como vocês selecionam estes tipos de faixas para apresentações ao vivo?

Sim, definitivamente temos músicas longas, com 7, 20 e até 24 minutos. Eu acho que é uma característica de uma banda progressiva e as pessoas já esperam por essas faixas épicas, mas, ao escolher o setlist, primeiro priorizamos as músicas que gostaríamos de tocar. Nós temos feito boas escolhas e conseguimos identificar bem o que os fãs desejam. Isso acaba em um processo de eliminação do que iremos e do que não iremos tocar, o que é uma tarefa difícil. Como temos muitas músicas épicas e nosso show tem duração máxima de três horas, não dá para cobrir tudo o que gostaríamos, mas sempre tentamos fazer o nosso melhor e é o que mais importa.

“Scenes From a Memory” é um álbum conceitual lançado em 1999 e o seu vigésimo aniversário está sendo comemorado nesta turnê. Além de ser um trabalho muito aclamado pelos fãs, ele está sendo tocado na íntegra nesta turnê e também marca o início da trajetória de Jordan Rudess (teclado) com a banda. Como é reviver este álbum no palco e como Jordan se sente ao reviver esta fase nostálgica?

Não há dúvida que o “Scenes From a Memory” é um álbum icônico e favorito de muitos fãs ao redor do mundo. É incrível estar tocando-o novamente em seu vigésimo aniversário. Foi o início de Jordan com o grupo e não poderia ter sido em um momento melhor por trazer alguém com a profundidade musical que ele tem para compor um álbum como o “Scenes From a Memory”. Acabamos de fazer a turnê na América do Norte e a apresentação foi incrível a cada noite. Foi um verdadeiro deleite tocá-lo. É um álbum muito emocional e dinâmico, o que acabou ficando ainda mais profundo com toda a produção que desenvolvemos. Tem sido realmente um mimo para a banda poder fazer isso e estamos adorando.

Você lançou várias obras de arte em sua carreira solo. Seu trabalho individual não visa soar como o Dream Theater, mas, ao mesmo tempo, soa perfeitamente espontâneo e audacioso, o que me faz um verdadeiro fã. Esta sua faceta é outra maneira de se expressar?

Eu acho que é importante para todo músico encontrar os veículos para poder se expressar e mostrar os seus outros lados, musicalmente falando. É com este pensamento que levo a minha carreira solo ao lado de Matt Guillory, tecladista que é parte importante de todos os álbuns que fiz, pois ele é um tour de force como escritor. Ele é incrível e jamais poderia ter feito sem ele. Mas sim, definitivamente estes álbuns me permitem mostrar outro lado, me expressar, escrever melodias e letras ao lado de Matt e dar às pessoas um outro lado de quem eu sou e do que me move musicalmente.

Além da sua carreira solo, você também esteve em outros projetos como: “Leonardo The Absolute Man”, “Frameshift”, “The Human Equation” e “The Source” – do projeto Ayreon”, “True Symphonic Rockestra”, etc., apenas para mencionar alguns. Em todos estes trabalhos, você convive com músicos incríveis e talentosos, contando com a sua participação para construir obras-primas. Para quem não conhece este seu outro lado, quais destes trabalhos paralelos você recomenda? E como é para você trabalhar com outros grandes artistas?

É um processo muito verdadeiro trabalhar com estes músicos incríveis ao redor do mundo. Quando você tem a oportunidade de fazer isso e trabalhar em projetos como os que você citou, e eu tive essa oportunidade, você se envolve e se diverte bastante. Então, confira todos eles.

O “True Symphonic Rockestra” chamou muito a minha atenção, pois este álbum traz versões rock de algumas músicas orientadas para a ópera diretamente do repertório dos Três Tenores originais, combinando elementos operísticos com elementos metálicos. Como foi cantar ao lado de tenores de ópera e pisar em um terreno que aparentemente não é o que você estava acostumado?

Bem, eu participei dessas gravações e eu estava entrando em algo completamente estranho para mim. Eu nunca tinha feito isso e já os outros cantores simplesmente fizeram isso a vida toda. Então, foi interessante e foi uma curva de aprendizado para mim, mas, para ser sincero, eu sabia exatamente como eu queria que aquelas músicas soassem. Eu sabia como queria me expressar e só quis permanecer fiel a mim mesmo, esperando que isso traduzisse e ressoasse bem para os ouvintes. Foi muito bem recebido e curti demais em fazê-lo.

O Dream Theater está acostumado a tocar em grandes arenas e para milhares de pessoas. Porém, em 2018, você fez uma turnê no Brasil com a banda Noturnall, em locais menores e para pequenas multidões. Os fãs puderam acompanhá-lo mais de perto e ter uma nova experiência. Como foi esta sensação?

Sim, eu me diverti muito com os caras do Noturnall. Todos eles são muito legais e uma excelente banda. Eles vinham conversando comigo há um bom tempo sobre fazer algo em conjunto. Então eu concordei em descer até aí para fazer alguns shows com eles. Foi divertido, pois me trouxe de volta aos locais em que eu não cantava há muito tempo. Foi bastante intimista e pessoal com os fãs, o que me divertiu bastante. Como eu disse, os caras da banda são muito legais e gentis.

E durante a sua turnê com o Noturnall, você esteve sempre acompanhado de um amigo brasileiro fundador do seu fã-clube oficial, o The Pirate Ship. Como é o relacionamento entre vocês e a importância deste fã-clube?

Ah, você está falando do meu irmão Gustavo! Ele é certamente um dos meus melhores amigos. Ele sempre esteve ali para mim. Ele quis estar comigo pois queria acompanhar os shows, pois não é apenas um grande fã do Dream Theater, mas também da minha carreira solo. Mas, o mais importante, ele é um grande amigo. Foi uma ótima maneira de podermos sair juntos e nos divertir. Ele é um mestre das artes marciais, então foi também meu guarda-costas. Ele se aproximou de mim há alguns anos atrás com o The Pirate Ship e tem sido fantástico. É uma ótima maneira e um grande veículo para me manter em contato com todos estes fantásticos fãs aí no Brasil. Tudo o que eu disser em relação ao Gustavo será pouco. Ele é um amigo verdadeiro e um grande irmão, e não vejo a hora de nos vermos novamente e rir até não poder mais, como sempre fazemos.


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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