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Entrevista: Fabio Lione

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Autor: André Luiz Paiz

08/08/2019

O incansável Fabio Lione está agora com uma nova banda, porém formada por antigos parceiros e colegas do seu antigo grupo Rhapsody Of Fire. Restabelecendo a parceria com Luca Turilli, juntos criaram o Turilli/Lione Rhapsody que, apesar do nome, traz uma sonoridade totalmente diferente, ainda pesada, porém moderna. O resultado é um enorme sucesso e mais uma turnê adiante. Fabio gentilmente nos atendeu para falar sobre o disco, sobre a sua ex-banda, sobre o Angra e muito mais. Confira a entrevista logo abaixo e aproveite para adquirir a sua cópia de “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)” no site da Nuclear Blast

Seja bem-vindo Fabio. Então, após uma turnê de sucesso ao lado de Luca Turilli, vocês decidiram seguir adiante e formar uma nova banda. Como isso aconteceu?

Bem, na verdade, nós planejamos no início fazer uma turnê de 25 a 40 shows e por um período em torno de seis meses. Mas, acabou que o resultado foi ótimo e a turnê um sucesso, tanto que acabamos por excursionar por mais de um ano. Nós não trabalhávamos juntos desde 2011, em "From Chaos to Eternity". Nós já tínhamos esta química incrível de palco e durante a turnê nós curtimos bastante. No final, acabamos por fazer a nossa maior turnê juntos. Então, começamos a conversar sobre fazer algo juntos novamente. Algo completamente diferente, como uma ópera de rock sinfônico, algo como o Queen. Depois disso, promotores e gravadoras começaram a nos sugerir que continuássemos juntos como banda e que gravássemos um disco. E foi muito bom. Nós estamos muito satisfeitos com o resultado e com a turnê que fizemos, além de já estarmos ansiosos para excursionar novamente. Obviamente, a América do Sul é um grande mercado para nós, principalmente o Brasil pois, eu o considero como a minha segunda casa. Então, muito obrigado!

O álbum acaba de ser lançado e soa fantástico. Como você define “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)”?

Na minha opinião, este é um dos melhores álbuns que fiz em toda a minha carreira. O som é fantástico, a produção é excelente e nós investimos bastante dinheiro neste trabalho. Devo agradecer à Nuclear Blast e também ao resultado do projeto de crowdfunding que nós fizemos, então, obrigado também aos nossos fãs. Nós realmente queríamos entregar algo com um bom nível de produção, com convidados, diversos instrumentos e corais. Também dedicamos um bom tempo mixando as músicas para obter o melhor resultado possível. Obviamente, isso não é fácil. Nossas músicas são muito ricas, atuais e pesadas. Você pode ouvir e perceber a quantidade de elementos que inserimos. Eu descrevo este disco como um dos melhores que já fiz, ou talvez o melhor. As músicas são excelentes e a produção é muito, muito boa. E mais, nesse disco eu finalmente pude cantar de outras maneiras, como sempre quis, pois eu nunca me considerei como apenas um cantor de metal. Então, finalmente eu pude cantar com interpretações diferentes nestas canções. Você poderá ouvir vocais de power metal, mas também ópera, vocais celtas, baladas e alguns vocais mais agressivos, como você ouve no Rammstein por exemplo. É isso, nós queríamos criar algo novo e revigorado, afinal o disco se chama "Rebirth and Evolution", então, penso que muitas pessoas gostarão dele.

Você e Luca trabalharam juntos na composição deste disco? O que mais você pode nos contar das sessões de gravação?

Sim! Claro que o principal compositor deste trabalho é Luca Turilli. Ele já tinha em torno de três músicas prontas para o álbum. Ele é o compositor principal das músicas e também das letras. Juntos, nós passamos um tempo ouvindo e ajustando as linhas finais, pensando no resultado como um todo. Nós podemos dizer que realmente trabalhamos juntos neste disco, mas ele é definitivamente o principal compositor, principalmente porque eu não sou tão bom como músico e em tocar instrumentos. Mas, eu tenho experiência e conheço o Luca muito bem e sabemos bem o que queremos e o que podemos fazer em termos de letras e melodias. Quando ele está compondo material, eu sei exatamente onde ele quer chegar. Então, esta vez foi a melhor de todas as vezes que estivemos juntos em estúdio, pois, após ficarmos entre 7 ou 8 anos sem trabalharmos juntos, ao nos reencontrarmos na turnê, nos vimos mais maduros. Tínhamos a vantagem de ainda nos conhecermos bem e tudo funcionou muito bem, além de que, no final, acabou por resultar no nosso melhor trabalho. Agradeço também ao Simone Mularoni, nosso engenheiro de estúdio, que é um grande cara, um grande guitarrista, é nosso fã, e o melhor de tudo: tem paciência, pois, trabalhar em estúdio com a voracidade minha e de Luca, é necessário ter bastante calma. Estamos realmente felizes. O período em estúdio foi ótimo e passamos em torno de três meses gravando e finalizando o álbum. Foi também a nossa primeira vez no Domination Studio, e Luca ficou bastante surpreso com a qualidade e com o profissionalismo de Simone Lunaroli. O que posso dizer agora é que, quando estivermos todos prontos, começaremos com o segundo capítulo.

“DNA” e “Phoenix Rising” soam realmente renovadas. Pelo fato da banda contar com membros da Rhapsody of Fire, houve um prévio planejamento para que esta nova banda soasse diferente?

Isso foi exatamente o plano quando começamos esta nova banda. Trazer um som pesado, mas moderno, e que nos desconectasse do passado. Não queríamos trazer sagas e fantasias, pois foi o que fizemos durante mais de 15 anos. Então, a condição era a de criar algo novo e único, sem continuar uma direção pré-estabelecida, junto com um som pesado e moderno. E o resultado foi exatamente este e penso que não poderíamos ter feito melhor, principalmente por se tratar de um primeiro disco. Várias faixas como "DNA", "Phoenix Rising" e "Fast Radio Burst", demonstram esse peso e modernidade que tentamos e conseguimos alcançar. Então, eu concordo com você.

Você estava cansado do Rhapsody Of Fire quando deixou o grupo?

Bem... cansado... sim. Mas, são muitas razões e prefiro não falar muito sobre elas. Nós tínhamos um novo líder e eu estava um pouco cansado daquela situação ao redor da banda e dos membros. Nunca tive problemas com Alex (baterista), que inclusive está nos seguindo com esta nova banda ao lado de Luca. Com a maioria deles eu sigo trabalhando junto, afinal, nossa formação atual contém muitos membros do Rhapsody of Fire. Quando Luca saiu em 2011, e obviamente ele era o principal criador das letras e das sagas, quando saiu eu fiquei responsável por este trabalho. E eu fiz. Eu escrevi "Dark Wings Of Steel" e "Into The Legend", e eles ficaram felizes, mas não muito, pois eles esperavam que eu criasse uma nova saga ou algo do tipo. Minha resposta para eles foi algo como: "vocês estão loucos? Após 15 anos fazendo isso vocês querem começar uma nova saga de fantasia medieval?". Além disso, não tínhamos mais a opção de trabalhar com o Cristopher Lee. Então, eles tinham um pensamento e um gosto diferentes, direcionados ainda para aquele antigo power metal, e não é isso o que eu ouço atualmente. Eu gosto de cantar em diversos níveis, com todas as cores da minha voz e não como se eu estivesse na cadeia ou dentro do esteriótipo de um vocalista de power metal, o que eu também acho normal, mas não é para mim. Eu queria fazer algo diferente. E obviamente, não é um segredo e os fãs sabem e entendem que existem razões pessoais para que não estejamos nos falando mais, e que também existem problemas com uma pessoa dentro daquela banda. Não posso falar muito sobre isso, mas eles decidiram também continuar sob o nome Rhapsody Of Fire, o que não sei se é o certo a fazer, já que praticamente todos os músicos saíram. Bem, na verdade, não é tão importante. Eu e Luca estamos bem e se alguém preferir continuar utilizando o nome, não criaremos problemas. Nós somos boas pessoas e eu sei que os outros caras também são. Nós simplesmente seguimos caminhos diferentes e fomos adiante, separados. Eu os desejo o melhor, digo, eu, Luca e os outros caras desejamos. Não sei o que eles estão fazendo agora. Acho que lançaram um ou dois singles, mas provavelmente dentro do mesmo estilo que fizeram no passado. Então, no final, eu estava certo, pois queria realmente fazer algo novo, atual e que me permitisse cantar da maneira que sempre quis.

Já é certo que passarão pela América do Sul e pelo Brasil com a nova turnê?

Sim, com certeza. Acredito que passaremos pela América do Sul em março. E obviamente faremos 3 ou 4 shows no Brasil. Não sei se será possível fazer um show especial um pouco antes, em dezembro, pois ainda não está confirmado. Mas sim, nos estaremos tocando em um festival na Coréia do Sul, depois faremos Finlândia, Suécia, Russia, Austrália, Japão, etc. Nós começamos a turnê tocando em alguns festivais e as músicas estão funcionando muito bem ao vivo. Então sim, em março, estaremos na América do Sul e mal posso esperar.

Podemos já considerar que o Brasil é agora a sua segunda casa? Você está feliz com "OMNI" e por fazer parte do Angra? Eu recentemente entrevistei o Marcelo Barbosa e ele é definitivamente seu fã.

Sim, com certeza o Brasil é a minha segunda casa e é assim desde o meu início com o Angra. O OMNI é fantástico e eu o considero o melhor álbum do grupo. É poderoso, pesado, progressivo e possui ótimas músicas. Nós inclusive fizemos vários vídeos para este disco e fizemos em torno de 115 shows ao redor do mundo. Então foi realmente uma turnê grande. Não foi fácil, mas isso significa que o disco foi um sucesso e que as pessoas gostaram. Nós percebemos isso durante a turnê e, o fato de ter sido tão longa, é pelo suporte ao disco e mostra que foi realmente um acerto. E o disco é muito bom. Já são quase sete anos e fazer parte do Angra é ótimo. Eu aprendi bastante português ouvindo os caras falarem. Eu adoro o país, é bem diferente da Itália, apesar de serem parecidos em alguns fatores específicos. Eu também acho que, por ser italiano, foi mais fácil ficar no Brasil e aprender português. Italianos e brasileiros possuem muito em comum e isso definitivamente me ajudou, principalmente no começo, pois, como você sabe, os fãs do angra são estranhos...rs, no bom sentido, apaixonados, metaleiros. Eles gostam muito de falar e estão sempre buscando por algo para conversar, e não só sobre a banda. Isso faz parte do jogo e o resultado é fantástico. Eu me sinto bem com a banda. Nós fizemos dois ótimos álbuns, principalmente o OMNI, que considero muito, muito bom. Nós tivemos a Alissa White-Gluz conosco, Kiko participando em uma das músicas, Sandy também. O Marcelo é um cara muito legal e um grande guitarrista. É sempre um prazer dividir o palco com ele e com os demais membros da banda. Depois desta última turnê, eles me pediram para descansar um pouco, para que todos pudéssemos criar novas músicas e fazer um novo álbum. E acredito que, para conseguirmos um bom resultado, realmente precisamos de tempo para isso.

Obrigado mais uma vez Fabio. Espero que vocês tenham ainda mais sucesso com a nova banda. Para finalizar, diga-nos porque os fãs devem comprar “Zero Gravity (Rebirth and Evolution)”?

Obrigado André. Bem, eu acho que estarei no Brasil em breve, obviamente com o Turilli/Lione Rhapsody pela América do Sul. Como disse, pretendemos fazer entre 3 a 4 shows no Brasil e talvez um antes, se der certo. Vocês devem comprar este disco porque ele é moderno, novo e pesado. Possui passagens progressivas, celtas e pesadas. As vezes ele me lembra bandas como o Queen, Rammstein e Dream Theater, com um toque operístico. Temos também a participação de Elize, do Amaranthe, na faixa DNA. A produção é simplesmente fantástica e cada música soa diferente. Então, se você tiver um fone e puder ouvir este álbum através dele, você descobrirá a cada audição um novo elemento, um novo som e algo novo. É algo fantástico. Eu digo a todos os meus fãs brasileiro, que este disco merece ser ouvido e merece ser comprado, além de se tratar de um dos melhores que já fiz em minha carreira. Eu espero que todos os fãs brasileiro gostem.
(Nota do editor: dito em português) .Então, eu espero que todos os fãs brasileiros possam estar em nossos shows. Nós também tocaremos algumas músicas antigas, com uma visão da nova banda e de um novo jeito. Um grande abraço a você e obrigado por esta entrevista. Tchau!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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