Para os que respiram música assim como nós


Entrevista: Jordan Rudess

Acessos: 420


Autor: André Luiz Paiz

20/02/2019

Em meio ao lançamento do novo álbum do Dream Theater, o tão aguardado “Distance Over Time”, Jordan Rudess surpreendeu a todos ao anunciar também um novo álbum solo. “Wired For Madness” será lançado ainda em 2019 e traz um grande leque de influências, além de grandes participações musicais. Prestes a entrar em turnê com o Dream Theater e reservando um tempinho para a promoção do seu disco solo, Jordan gentilmente nos atendeu para nos contar um pouco sobre o novo trabalho, o novo álbum do Dream Theater e a turnê de aniversário do clássico álbum “Scenes From A Memory”, que passará pelo Brasil. Confira mais uma entrevista exclusiva para o site do 80 Minutos. Reserve já a sua cópia de Wired For Madness no site da Mascot Label Group

Olá Jordan! Meu nome é André e eu falo em nome do 80 Minutos, um site brasileiro criado para que as pessoas possam comentar sobre os seus álbuns favoritos. Por favor, diga olá ao Brasil.

Ahhh Brasil, é maravilhoso estar aqui com vocês!

Você recentemente anunciou o lançamento de um novo álbum solo, chamado: “Wired For Madness“. Qual a sensação?

Estou extremamente empolgado por poder mostrar este álbum solo para o público. É sempre trabalhoso produzir um álbum grande como este e mais ainda satisfatório conseguir completá-lo e lançá-lo.

Eu estava ouvindo há pouco a faixa “Wired For Madness Pt 1.3”, que possui uma atmosfera bem nos estilo Pink Floyd. O que mais em termos de estilos musicais nós encontraremos no novo álbum? Teremos também um pouco do seu lado “Blues Man”?

Ele cobre desde o extremo prog até o blues. Minha música sempre consistiu em uma fusão de vários elementos e este álbum é como se fosse uma enorme festa dos estilos musicais de Jordan Rudess. Em adição ao prog intenso encontrado ali, há também algumas canções mais suaves para relaxar dentre os momentos de intensidade.

Eu achei uma ótima ideia trazer James LaBrie como vocalista convidado para o álbum. Você esperava que a música cresceria tanto a ponto de contar com uma banda completa?

Uma das coisas mais divertidas em criar um álbum solo é poder trabalhar com outros músicos. Muitas vezes pode ser que não demande uma participação mais longa. Neste caso, há vários convidados no novo álbum, incluindo meus colegas James LaBrie e John Petrucci.

Você pode nos contar um pouco sobre o conceito da faixa-título?

“Wired For Madness“ não é um álbum conceitual, porém, a faixa-título possui sim um conceito. É uma música de 33 minutos dividida em duas partes. É sobre uma pessoa que está perdendo suas capacidades físicas e mentais, e faz uso de uma nova tecnologia que oferece controle computacional das experiências humanas. Durante o processo, há desafios e dificuldades que conduzem o personagem a questionar se está enlouquecendo, atingindo iluminação espiritual ou morrendo e sendo transportado para outra dimensão.

Agora falando um pouco sobre o Dream Theater, o que podemos esperar do novo álbum “Distance Over Time”?

Riffs intensos, melodias poderosas, diversão, uma boa dose de heavy metal e um bom prog.

James LaBrie me disse em entrevista que as sessões de estúdio para o novo álbum foram bem produtivas. O que você poderia nos contar sobre elas?

Nós fugimos para uma localização remota de Nova Iorque. Fomos para um celeiro antigo que foi convertido em um estúdio para ensaios. Nós tínhamos bastante espaço para montar todos os nossos instrumentos e pudemos trabalhar sem qualquer interferência do mundo externo. Nos unimos a hambúrgueres, Bourbon e tivemos ótimos momentos.

“Distance Over Time” será diferente de seu antecessor?

“The Astonishing” foi um álbum único, em que quisemos fazer algo bem diferente. Eu o compus integralmente ao lado de John Petrucci. Foi como escrever uma trilha sonora ou um musical da Broadway. Este novo álbum é um retorno à banda como um todo, trazendo uma energia sólida de trabalho em grupo. Foi algo realmente prazeroso de experienciar.

O Dream Theater sairá em turnê em breve com um setlist de homenagem ao vigésimo aniversário do álbum “Metropolis Pt. 2”. Como você o vê vinte anos depois?

“Scenes From A Memory” tem um significado especial para mim, pois foi o meu primeiro trabalho com a banda. Esta turnê celebra o seu aniversário, mas também celebra os meus 20 anos ao lado do Dream Theater. Eu tenho me divertido bastante em voltar até este álbum, tocando-o novamente, principalmente focando nos sons para as apresentações ao vivo. Estou tentando fazer com que soem melhores do que os originais. Estou bastante empolgado para sair por aí tocando o álbum completo ao redor do mundo.

Ainda sobre as apresentações ao vivo, você esteve recentemente com uma turnê solo aqui no Brasil. Como foi? Você pretende excursionar para promover “Wired For Madness”?

Eu me diverti muito com a turnê solo pelo Brasil. Foi muito satisfatório. Sim, eu pretendo excursionar com “Wired For Madness”, mas ainda não cuidei de todos os detalhes.

Eu estive checando alguns dos seus aplicativos musicais como o GeoShred, HarmonyWiz, LumaFX e o excelente Rotor. Você pode nos contar um pouco sobre o trabalho que você faz na criação destes aplicativos? Você também é desenvolvedor de softwares?

Eu não sou um programador, mas tenho uma visão e também uma paixão pela criação de novos instrumentos musicais. Eu estou envolvido com o multitouch e o iOS desde o seu início, e criei vários conceitos que ainda estão para serem implementados em hardware. Sou apaixonado por sons e criei esta empresa (Featured Apps) para sacudir a indústria musical e oferecer novas ideias para o músico se expressar. Meu último instrumento para o iOS é o GeoShred e se tornou bastante popular ao redor do mundo devido ao seu imenso gerenciamento sobre o controle de pitch.

E sobre o “Jordan Rudess Online Conservatory”? É possível que músicos brasileiros aprendam piano com você? Está disponível para todos os níveis musicais?

O “Jordan Rudess Online Conservatory” oferece exercícios de todos os tipos para iniciantes e profissionais. É uma ótima maneira para acessar centenas de arquivos que podem auxiliar no aprendizado da música e como tocar teclados.

Você acha que é necessário possuir um dom para aprender música ou basta a força de vontade?

A força de vontade pode lhe ajudar bastante, mas um dom pode levar os compositores para um lugar bem especial.

O conceito do 80 Minutos é permitir aos usuários classificar e relatar sua experiência durante os 80 minutos de duração de um disco. Há alguma banda ou álbum que você tenha ouvido recentemente e que vale a recomendação?

O álbum “Vector”, do Haken é ótimo. Estes garotos estão detonando e fazendo música de excelente qualidade.

Jordan, agradeço enormemente a sua atenção e desejo-lhe sucesso com “Distance Over Time”, “Wired For Madness” e projetos futuros. Nós esperamos que você possa vir ao Brasil o mais rápido possível. Somos todos seus fãs por aqui. Muito obrigado!

E eu amo o Brasil! Muitos amigos e fãs maravilhosos. Mal posso esperar para ir até aí e detonar o Brasil mais uma vez com o novo álbum do Dream Theater e meu álbum solo.
Vejo vocês em breve!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: