Entrevista

Harppia

Relacionado com: Harppia

Por: Diogo Franco

Colaborador

29/06/2022



Data da entrevista: 29/06/2022

Formada em São Paulo nos anos 80, o Harppia (que antes se chamava Via-Láctea) fez parte da geração que levantou a bandeira mais pesada do rock nacional. Remando contra a maré de grupos mais pop rock, como Paralamas e Capital Inicial, a banda surgiu injetando doses cavalares de heavy metal nas veias de quem estava começando a curtir o som de bandas como Judas Priest e Iron Maiden, com o diferencial de cantar em português, um idioma nada comum para o estilo, além do som pesado e agressivo. O 80 minutos bateu um papo muito bacana com a formação atual da banda que conta com Tibério Luthier na bateria, Aya Maki nas guitarras, Allan Peres no vocal e o novo baixista Rafael Dantas. O papo foi leve, descontraído e sem pressa, e falamos sobre polêmicas, música, gravações e lógico, muito rock n' roll. Confiram.

Como foi o início musical de cada um de vocês?

Tiberio: minha iniciação musical foi aos 15 anos como guitarrista, para pegar as menininhas. Mas quando vi uma bateria pela primeira vez na minha vida, pirei e desisti da guitarra. Nos anos 60 e 70 fazia bailes. No Final dos anos 70 para 80, acompanhei vários cantores populares que faziam sucessos na época. Em 1983 eu tinha uma banda de rock chamada Aeroplano, pelo qual 3 músicos do Harppia passaram. Em 1984/1985 fui convidado pelo baixista que havia tocado comigo no Aeroplano para substituir o baterista da banda que ele estava tocando. Por coincidência um dos guitarristas, também já tinha tocado comigo na banda anterior. Após 15 dias da minha entrada no Harppia, gravamos o álbum A Ferro e Fogo. Desde então sou o único que continuei com a banda até hoje e único que gravou todos os discos. Aya: Eu comecei com aulas de piano desde os 5 anos de idade. Depois tive educação musical em Nihongo Gakko (escola de idioma japonês) participando de banda de fanfarrada tocando flauta e escaleta. Anos mais tarde me tornei professora e maestrina desta banda. Aos 13 anos comecei a estudar violão clássico e também retomei estudo de piano. Aos 18 anos assumi minha preferencia pelo rocknroll e mudei para guitarra e desde então, não larguei mais. Sempre agreguei outros estilos musicais para meu crescimento profissional e toquei com vários tipos de artistas e bandas. Em 2010 eu estava quase parando e estava em um musical infantil quando Tiberio me chamou para fazer a outra guitarra. O plano dele era ter 2 guitarristas mulheres a frente de uma banda masculina. Desde então, Tiberio e eu estamos compartilhando tanto a vida profissional no Harppia, nos negócios que é a Luthieria de Bateria que nós temos e nossa vida a dois. Allan Peres: Saudações, para mim é um grande prazer estar participando desta entrevista, bom, meu inicio musical foi ainda na adolescência, cheio de sonhos na cabeça, formei uma banda cover na época do colégio e ainda estávamos prendendo a tocar os instrumentos, recém comprados na feira do rolo de nossa cidade (Osasco/SP), rsrsrrs. Eu e meu violão da marca Tonante, srsrs e o resto da trupe, formei uma banda chamado “Cometa Rock” e tocávamos alguns covers, tipo Judas, Iron, Saxon, Black Sabbath e Kiss. A gente era muito louco então a banda não durou muito mas era divertido.

Tibério é o membro mais antigo da banda. Como foi a escolha de cada integrante até chegar a formação que está hoje na ativa?

Tiberio: Foi bem diferente da forma como estamos fazendo hoje, que colocamos exigências no anuncio. Como as pessoas eram muito boas no que faziam, eu abri mão de muitas coisas para tê-los na banda. Aya: Eu entrei em 2010 no Harppia e estou até hoje. Tenho acompanhado e participado das seleções desde então, posso dizer que não seria tão difícil fazer parte da banda se os músicos não tivessem uma mentalidade tão imatura e romantizada com relação a tocar numa banda lendária como o Harppia ou qualquer outra. Só posso responder pelo Harppia. A grande maioria não entendem que existem algumas diretrizes a serem seguidas e que é para o bem próprio de cada um. Existe uma fórmula básica que não pode ser alterada musicalmente dentro do Harppia para preservar sua identidade musical. Esse foi um dos pontos de conflitos cruciais nas primeiras formações, ao meu ver, que não quiseram continuar na banda. Segundo: ponto são as vaidades também ainda potencializa esse conflito. O Terceiro ponto foi o uso indiscriminado de entorpecentes e álcool que tirava a produtividade dos músicos. As vezes eles vinham com uma ideia musical genial, mas no dia seguinte esqueciam e tinham preguiça de tirar. Não estou dizendo que ninguém na banda bebe. Quero dizer que dentro da nossa casa, do nosso estúdio, temos nossas regras. Antes e durante o Shows também. Agora, depois do show fica por conta e risco de cada um. Se a pessoa fuma, bebe e cheira, faça isso na casa dela ou no seu rolê, mas não traga para a banda. Mas vocês sabem que isso é praticamente impossível. Uma vez sentado no trono, o caráter se revela. Por isso que desde quando entrei. na banda estudei desde a biografia, coloquei o Tiberio na parede (hahaha) varias vezes para me certificar das informações que eu havia estuda estavam certos ou erradas. Tirei os 3 álbuns na íntegra, para entender o mecanismo de composição, arranjo e em fim o trabalho de guitarras de todas as gerações que gravaram. Tudo isso para entender e criar meu próprio caminho dentro da banda sempre RESPEITANDO os arranjos e riffs originais, coisa que poucos músicos se comprometeram e por isso não quiseram ficar ou foram dispensados. Em suma, eu estudei muito para preservar o estilo musical da banda que tanto agrada os fãs.

Recentemente, um anúncio nas redes sociais causou polêmica, devido às exigências da banda para aprovação do futuro baixista. Na opinião de vocês, o que acontece com o cenário do metal hoje em dia, que faz com que as pessoas tenham essa reação, muitas vezes até desrespeitosa com bandas lendárias da cena?

Tiberio: Essas pessoas, primeiro, não devem ter banda, muito menos são músicos, não devem ir em shows de bandas nacionais, não compram discos e devem ser aquelas pessoas que fazem arruaças vestidas de blackblock, usando suas drogas e fazendo suas arruaças. Nem conhece a historia do heavy metal brasileiro. E se dizem roqueiros e headbangers. Adoram um Lollapalooza para assistir a Anitta e Pablo Vitar. Estou no Harppia desde o 1o disco (A FERRO E FOGO) em 1985. Passaram pela banda, músicos de TODOS OS TIPOS. EXCELENTES MÚSICOS, porém alguns com vícios de drogas, bebidas e isso causava (e causa) muita insegurança, não sabíamos se poderíamos contar com eles ou não. Chegamos a gravar um disco inteiro e no outro dia, tivemos que refazer com outro músico, pois a pessoa não lembrava mais o que tinha feito antes, devido aos efeitos de droga. Teve outro músico: estávamos dentro do estúdio (que ficava dentro da minha fábrica de bateria), esperando por ele, achando que ele estava fumando e que logo viria participar do ensaio. Passaram-se 30 minutos e ele não aparecia. Eu tive que ir atrás dele e como já o conhecia bem, fui direto para uma seção de colagem dos tambores. Lá chegando, o mesmo estava deitado no chão com a barriga para cima e com o rosto enfiado numa lata de cola de contato. Corri, e chamei todo mundo para ajudar a virá-lo de lado, para poder tirar a cola de dentro do nariz e da boca do rapaz, pois o mesmo não estava respirando. Ele se recuperou bem. Teve outro, que todo ensaio chegava chapado, e sempre ligava sua guitarra com os cabos de caixa(e não os cabos blindados de guitarra) e ficava aquele ronco horrível durante todo o ensaio. Então vocês imaginam o que passei. Um dos últimos que passou drogado pela banda, no penúltimo show que ele fez, ele estava desfilando no meio de público com uma lata de cerveja numa mão, no dedo um cigarro, na outra mão uma carreira de cocaína, entre os dedos uma “bagana” de maconha. Preciso falar mais alguma coisa? Aya: No começo a gente fica chocado com o tamanho da ignorância e falta de bom senso dessas pessoas. Não vi nada de polêmico, muito menos, tão horrível como muito comentários negativos falam. Isso mostra o quanto existem pessoas ociosas, desgostosas, infelizes, coitadistas, frustradas, pessoas incapazes de lidar com hierarquias, pois na mentalidade limitada deles qualquer regra significa ameaça a sua “vidinha de merda”. São escravos de crenças pré-concebidas por fast-food intelectual mascarando uma imaturidade emocional. Pessoas incapazes de organizar suas próprias vidas, separando o profissional do pessoal. Crença de que músico de rock/ metal tem que ser drogado, revoltado, porra-louca, descolado, politicamente ativo. Isso é crença pessoal e diretriz que cabe a cada artista, mesmo assim a banda terá vida muito curta, é a razão porque o rock e metal esta “morrendo” no brasil, pois tem muita gente idiota, sem um pingo de cultura, repetindo que nem papagaio, frases velhas e batidas de antigamente. Em relação a ser apolítico ou não levantar bandeira política, outra questão polêmica que até os abstenhos entraram no embate e resolveram pegar como gancho para destilar o veneno recalcado. Mostra que a questão não é apenas drogas ilícitas e abuso das licitas , mas também as muletas atuais que é a necessidade de discutir politica de forma fanática sem respeitar o próximo. Isso cria um clima muito toxico na banda! Falar de politica, religião e futebol, ao invés de virar uma bate-papo sadio, vira um gancho para a pessoa botar para fora suas frustrações. Nós somos uma banda, e não um grupo terapêutico! Allan Peres: Eu me senti triste em saber que no Brasil ainda existe uma grande quantidade de idiotas quadrados, que não sabem ler nem interpretar textos, muito menos respeitar os mais velhos.

A internet tem sido uma grande aliada na divulgação de trabalhos, tanto das bandas novas quanto no caso das clássicas, porém vivemos em tempos onde tudo é motivo para “cancelarem” o artista. O que fazer para sobreviver em um ambiente tão favorável e ao mesmo tempo tão hostil, e como usar isso a seu favor?

Aya: A sobrevivência do artista ou banda está em saber como lidar com estas situações sem levar para o lado pessoal e ter a consciência limpa de que você esta fazendo um bom trabalho. É filtrar quem vai trabalhar ao nosso lado. Saber dizer não. Se você levar todas as ofensas e provocações a sério, pode dar um surto de querer jogar a toalha como vemos muito nas redes sociais. Mas temos que ter em mente que é o que os haters querem. Eles se sentem poderosos quando um “patinho” cai na armadilha. Lembrem-se que são vampiros emocionais. Eles se alimentam da desgraça alheia. O segredo é manter a cabeça erguida e focar no trabalho e na sinergia entre os músicos. Por isso que nessas horas também é muito importante que os membros da banda estejam unidos pelo mesmo ideal e lutando juntos como uma família. Allan Peres: Seguimos postando fotos e vídeos sobre o nosso trabalho, temos um publico fiel e inteligente ao nosso favor e o mais importante, que tem o heavy metal correndo nas veias. Não temos como “controlar” as pessoas, mas podemos fazer um bom trabalho, para colhermos bons frutos da nossa produção.

Falem um pouco dos outros trabalhos de vocês anteriores ou paralelos à banda

Tiberio: Sou Luthier, fabricante de bateria á mais de 50 anos, e à 40 anos. Minha primeira banda foi os Barrocos ainda nos meados da década de 60, tocávamos todos os hits da época, participamos de alguns festivais. Em 1970 fui para Belo Horizonte, toquei em bandas de bailes, uma delas chamadas SS especial. Participei da primeira edição do Festival de Águas Claras com a minha banda de rock progressivo Há Pedra. Ainda acompanhei vários artistas populares como Carmem Silva, Claudio Di Moro, entre outros, fiz muitas sessões de estúdio. Fui produtor de turnê da Blitz (sim, aquela do “Você Não soube me amar”). No final da década de 70 para 80 formei o Aeroplano, uma banda de rock da onde 3 músicos foram tocar no Harppia posteriormente em épocas diferentes. Atualmente me dedico integralmente ao Harppia e a minha empresa Tiberio Luthier Drum. Aya: Desde 1997, trabalhei como guitarrista de banda de apoio de alguns cantores que atuavam na noite e toquei em bandas de estilos diversos. Também como mencionei. Tive muitas bandas de rock, e algumas bandas femininas de hard rock. Atualmente, me dedico integralmente ao Harppia e cuido da administração empresa, marketing e vendas do Tiberio Luthier Drum. Allan Peres: Em 2004 juntei uma rapaziada retomando o nome do “cometa rock" minha banda anterior de adolescência, para homenagear o rock Brasileiro com tributos de bandas como Harppia, Salário Mínimo, Made in Brazil, casa das maquinas, Golpe de Estado, O Terço e muito mais, nessa época eu fazia a guitarra e alguns vocais. No ano de 2008 participei de duas bandas, o ABAT e o Black Priest, ambas as bandas tocavam clássico rock 70 e 80. Já em 2017 fui convidado para tocar no Plebeus de Telúrio, que mais tarde mudaríamos o nome para Signnum, com a proposta de heavy metal autoral cantado em português. Em um dos shows com o Signnum cruzamos com a banda Harppia, batemos um papo e trocamos contato e deu início de uma grande amizade, com o Tibério e Aya, foi quando eu fui convidado para fazer um teste para assumir a posição de vocalista da banda Harppia, que pra mim, está sendo um sonho de adolescência. Hoje sigo na estrada a todo vapor com os dois projetos Harppia e Signnum

Como é o método de composição na banda?

Aya: Não existe um protocolo rígido. As vezes a música nasce de um riff, e evolui para um arranjo em conjunto com a banda toda fazendo uma jam em cima da ideia principal e depois o vocal coloca uma melodia e desenvolve uma letra. Vale lembrar que sempre sugerimos um tema condizente com a pegada da música para que haja uma coerência sonora, letras com métricas encaixando perfeitamente a uma melodia marcante. Outro método é começar com a letra e criar uma melodia e harmonia que traduza os sentimentos e a ideia dela. Outras vezes ela simplesmente brota e chega “pronta” em nossas mãos. Allan Peres: na minha opinião, é fantástico , eu particularmente nunca havia tido antes tanta aula de música na minha vida, confesso que estou aprendendo muito com o Harppia, normalmente elaboramos os instrumentais e em seguida eu jogo a melodia de voz e a letra encima do arranjo, isso com muita cautela e responsabilidade para não sair dos padrões da banda. Mas nem sempre.

Como tem sido a recepção do público à essa nova formação?

Tiberio: Eu não vejo diferença. Para nós é a mesma coisa. O público se acostuma. Por isso escolhemos bons músicos ao ponto do público se identificar o novo membro. Aya: Sempre temos boa receptividade, por isso que fazemos questão de selecionar bem os membros que chegam. Allan Peres: fizemos uma live na pandemia no Rock in Sp, que foi muito satisfatório para a banda e o público, postamos trabalhos e fotos nas redes sociais e fui muito bem recepcionado como um membro atual.

Aya, como é o cenário do metal brasileiro para as mulheres visto que muitas bandas atuais (vide o caso do Nervosa e do Crypta) são alvo de haters pelo simples fato de existirem? Acha que existe um machismo velado ou até mesmo declarado por parte do público de metal e hard rock ou a “resistência” à essas bandas são justificadas por que realmente faltaria algo na essência musical delas?

Aya: Em relação ao machismo de haters (sejam homens ou mulheres machistas), o que acontece que são uma minoria machista que ainda reagem dessa forma. São pessoas que não tem o que fazer o dia inteiro e tem muito recalque em relação a qualquer figura feminina e escolhem as que estão mais em evidência para projetar suas frustrações e sua falta de coragem de admitir inaptidão no instrumento, ou eles mesmo não conhecem seu potencial e jogam a culpa nas primeiras figuras que se destacam. Já não tem nada a ver com machismo de antigamente que era voltado à subestimar a capacidade das mulheres de fazer rock e metal. Mas vou fazer um adendo: antes da Crypta e da Nervosa, existia uma banda feminina chamada Ozone (Que abriram shows para o Harppia nos anos 80), que faziam um hard rock muito bom, em muitos sentidos. Depois vieram a Flammea, Volkanas, Valhalla que são as percussoras do metal feminino no Brasil. Hoje todas nós mostramos que podemos ser profissionais, tocar bem, com muita atitude, carisma, com a graciosidade e força feminina. Não existem diferenças técnicas. Mas isso incomoda muitos músicos frustrados, alguém que levou um pé na bunda ou não tem uma relação muito boa com a mãe. Não esquecendo que o Harppia foi a primeira banda que colocou uma mulher tocando metal no Brasil.

Fale-nos um pouco sobre os 4 discos que lançaram até hoje. Como tornar esse material mais clássico atraente a um público que “ouve” música mas não o escuta de fato?

Aya: Os primeiros álbuns se tornaram clássicos, graças a liderança e persistência do Tiberio em executá-los ao vivo, mesmo depois que a primeira formação havia se dissolvido. Ele aproveitou todas ferramentas que existiam na época para divulgá-los junto com os shows. Hoje, ganhamos mais ferramentas e que esta ao nosso alcance de forma mais acessível sem depender de terceiros como as redes sociais e o YouTube, onde os fãs por conta já nos ajudam, criando vídeos clipes, segundo a interpretação de cada um, sendo que não podemos contar com revistas especializadas no assunto, pois as mesmas viraram uma panelinha. Allan Peres: hoje temos pessoas em geral, que são viciadas em escutar segundos de músicas de cada vez, temos explicações hoje em dia vindo da ciência, como ocorrem e a causa dessas reações em nosso cérebro.

A facilidade de acesso e a troca de arquivos musicais hoje ajuda ou atrapalha mais os planos da banda?

Aya: Na minha opinião, ajuda. Pelo menos eu sou do tipo de ouvinte que quando gosta de uma obra, quero adquiri-lo no formato físico também. Estamos plenamente conscientes que lançamento em CD ou LP é mais voltado para aquele público que pensam como nós que está se tornando mais raros, pelo menos aqui no Brasil. Mas no exterior, principalmente na Europa, temos um amplo mercado que aprecia heavy metal cantando em português e espanhol, e eles gostam de ter o álbum físico em sua coleção. Mas por outro lado, se perguntar se ajuda financeiramente? A resposta é Não. Allan Peres: como toda banda no Brasil, não depende mais financeiramente de venda de CDs, acaba nos ajudando sim, a divulgar o som e com isso aparecem os shows.

Como esse período de pandemia afetou os planos da banda?

Tiberio: Estragou a nossa excursão pela América do Sul e alguns shows locais, pois todos foram cancelados. Aya: Infelizmente, influenciou na decisão de saída do Monta e Lucas da banda, pois muitos planos pessoais deles foram comprometidos. Mas no caso deles não houve nenhuma desavença, pois eram pessoas centradas e responsáveis. Continuamos ensaiando, traçando metas e planejamentos de atividades, compondo material novo, afinal estamos beirando os 40 anos de estrada, não é mesmo? Allan Peres: não foi fácil, mantivemos os ensaios firmes e fortes, alguns contratempos no meio do caminho , mas superamos.

Como é fazer parte de uma banda que ajudou a difundir o Heavy Metal em terras tupiniquins?

Tiberio: No meu caso, foi muito duro. Pois nunca tivemos ajuda de revistas, imprensas (radio e TV) sempre foi a divulgação através de Fanzines. Foram raras as vezes, que fomos citados em revistas de metal no Brasil. Talvez, por não fazer parte da panelinha frequentar os mesmos ambientes que eles. Allan Peres: no meu caso como havia mencionado antes, estou realizando um sonho.

Como andam os preparativos para o quinto álbum da banda? Alguma participação especial para os fãs?

Tiberio: Sem participações especiais. Allan Peres: temos várias surpresas uma delas, neste disco um tributo a banda PESO, a música se chama LUCIFER, com toda a pegada do Harppia, temos também versões em português de 3 músicas do álbum Harppias Flight e mais novos trabalhos incríveis que estamos terminando de acertar para fechar o set list.

Na opinião de vocês, como timbrar o instrumento e a voz de maneira que soe agradável, fiel às raízes sem soar datado?

Tiberio: Usar a tecnologia atual com o conhecimento e experiência. Aya: Depende o que você quer dizer com “datado”. Complementando Tiberio, precisamos usar de bom senso, ter referências sonoras de tudo que gostamos de ouvir e fazer a alquimia conforme nosso gosto pessoal com a essência do Harppia.

Quais equipamentos costumam usar para as gravações em estúdio e no que o equipamento difere das apresentações ao vivo?

Tiberio: Procuramos usar os mesmos equipamentos dos shows ao vivo no estúdio.

Até que ponto o equipamento é importante na sonoridade final de cada músico?

Tiberio: Quanto melhor o equipamento, melhor vai soar a banda. O Harppia sempre teve os melhores equipamentos do mundo ao ponto de emprestar para vários shows internacionais e nacionais tais como Ramones, Metallica, Exumer, Exciter, Venom, Sepultura, etc. Aya: Na minha opinião, 50% talento (sensibilidade musical + habilidade técnica + bom ouvido) e 50% equipamento (qualidade e domínio). Não adianta você ser um exímio instrumentista se não souber tirar som do que você tem em mãos. O Equipamento faz parte do pacote completo.

Cite um momento (ou vários) marcante da carreira de vocês?

Tiberio: O mais marcante foi o show da Virada Cultural da Cidade de São Paulo de 2008, na qual tocamos para mais de 50 mil pessoas na Praça da república. Vide o vídeo. Aya: Show em Juazeiro do Norte em 2014, foi fantástico em Guaramirim, em Santa Catarina, teve vários momentos bacanas e hilarios apesar das condições da Van, sem ar condicionado e em pleno inverno das Serras Catarinenses. Allan Peres: Eu sou suspeito em falar, já que no dia do teste pra vocal da banda eu estava com o pé engessado recém operado e fui dirigindo de muleta até o estúdio (risos)

Sobre suas influências musicais, quais são os discos de cabeceira de cada um de vocês?

Tiberio: Close To Home (GRAND FUNK RAILROAD), Loki (ARNALDO BAPTISTA), Lamournier (GUILHERME LAMOURNIER), LYNYRD SKYNYRDY, MOLLY HATCHED, LED ZEPPELIN, etc. Aya: "Outterlimits" Show-ya, "Masters Of Wars" Mountain, "Inspirations" Ynwie J. Malmsteen, "Burning Japan Live" Glenn Hughes. Allan Peres: Saxon, Motley Crue (Shout At The Devil), Iron Maiden (discos de 79 até 93), Dio, Rainbow, Uriah Heep e por ai vai.

O que é necessário para uma banda sobreviver por tanto tempo mesmo com tantas mudanças de formação?

Tiberio: Um Lider! Aya: Ter um Líder. Ter uma pessoa que sabe o que quer e tem visão geral. Sim. Precisa ter uma pessoa que tenha coragem de dar a cara a tapa e orientar os demais. Mesmo que seja uma reunião de pessoas com afinidades musicais e pessoais, se não houver uma pessoa que direcione e mantenha a moral da banda em alta, com direção artística e musical bem definida. Uma hora ela se dissolve e cada um acaba indo para um lado ou começa a virar bagunça, a banda começa a perder a identidade antes mesmo de emplacar. Allan Peres: musicalidade, muita garra e companheirismo.

Aya, o Harppia gravou o Ep A Ferro e Fogo com um dos maiores guitarristas desse país, o lendário Hélcio Aguirra. Costuma tocar suas canções nota por nota ou busca imprimir seus solos e sua marca ao executar essas canções?

Aya: Eu procuro manter os arranjos: riffs, licks, harmonia o mais fiel ao original possível. Existem muitos elementos marcantes que na minha concepção, precisam ser preservados em respeito ao legado da banda. Claro que sempre tem uma leve alteração aqui ou ali pois na maioria das vezes estou sozinha na guitarra e uso muito harmonizer. O que muda são os solos onde uso meu estilo e os timbres de guitarra mais modernos.

Deixe uma mensagem para os leitores do site, e muito obrigado por essa entrevista

Tiberio: Agradeço ao Blog, a você Diego, ao seu público e ao nosso público também. Longa vida a você, ao Harppia e o Rock. Aya: Muito obrigada pelo espaço para podermos esclarecer e divulgar nosso trabalho para o maior número de pessoas possíveis e ao nossos fãs e amigos que sempre estão juntos nos dando apoio. Muito obrigada, Diogo e leitores! Allan Peres: eu agradeço a atenção de cada um dos leitores e fãs do Harppia, pessoas de bom coração, que torcem pra que a humanidade seja muito mais unida e que o rock nacional esteja sempre perto de vocês. Um grande abraço, Allan Peres.
Logo após o polêmico anúncio procurando um baixista, Rafael Dantas foi confirmado para o posto e o 80 minutos aproveitou e bateu um papo bem rápido com o novo responsável pelos graves da banda:

Como foi sua entrada no Harppia?

R: Meu processo para entrada no Harppia começou através de um post nas redes sociais da banda sobre a seletiva para a vaga. Enviei meu material para análise da banda e depois fizemos um teste presencial. Além disso houve um bate papo sobre música, expectativas e objetivos. Atualmente sou o baixista escolhido e estou muito feliz por acreditarem no meu trabalho.

Como foi o teste?

A primeira etapa foi o envio do meu material tocando em estúdio e ao vivo. Logo após esta etapa, houve um teste presencial no local onde a banda ensaia tocando algumas músicas da banda. Foi um desafio enorme tirar os arranjos originais pois um dos diferenciais do Harppia é a criatividade nos arranjos.

Em Quais bandas tocou antes?

Participei como baixista e tecladista nos trabalhos autorais da banda SleepWalkers (gothic metal), Kallimah (Prog Metal) e para o artista solo Rafael Denardi. Atualmente atuo no cenário paulista tocando baixo em um cover de Helloween (Metal Invaders) e como freelancer em diversos outros projetos.


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Sobre Diogo Franco

Nível: Colaborador

Membro desde: 31/12/2019

"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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