Entrevista

Didi Gomes

Relacionado com: Pepeu GomesNovos Baianos

Por: Diogo Franco

Colaborador

26/10/2021



Data da entrevista: 26/10/2021

Didi gomes é um nome conhecido da música popular brasileira. Tendo inúmeros trabalhos na carreira ao lado de gente do calibre de Moraes Moreira, Novos Baianos, Pepeu Gomes (seu irmão), Didi bateu um papo com o 80 minutos onde contou detalhes do seu estilo e de sua vivência ao lado desses monstros da mpb. E se ele tocou com tanta gente assim é porque "dá conta do recado", como ele mesmo disse na entrevista que você lerá a seguir.

1. Como foi seu início na música?

Eu era muito pequeno e assistia os meus irmãos ensaiando. Quando o ensaio acabava, eu corria para pegar um instrumento e reproduzir alguma coisa que tinha acabado de ouvir. Aos 13 anos eu comecei a tocar em uma bateria que ganhei de meu irmão, Jorginho. Quando saí do Alto da Silveira, BA, conheci uma banda de Rock e começamos a tocar nos festivais dos colégios. A coisa ficou séria quando Dadi saiu para a Cor do Som e então tive que aprender o repertório inteiro em poucos dias, seria a minha estreia com os Novos Baianos.

2. Quais suas principais influências musicais?

Depois dos meus irmãos eu diria Stanley Clarke e Jack Bruce.

3. Sua música e suas linhas de baixo sempre foram muito carregadas de brasilidade. Como pensa em suas frases para cada canção?

Eu sigo muito o feeling da guitarra e da bateria para construir as minhas linhas de baixo. Assim os instrumentos conversam entre si em total harmonia.

4.Conte-nos como foi tocar no dia do metal no primeiro rock in rio em 85. Havia muita tensão antes do show ou você simplesmente pensou: Vamos lá e vamos arrebentar”?

Mesmo com toda a tensão que estava rolando, sabíamos que o palco era nosso, nosso momento. Conversamos antes, fizemos uns ajustes e fomos para o tudo ou nada. Tanto Pepeu e Baby, quanto a banda, estavam afiados e com sede de subir no palco e arrebentar. Sabíamos do nosso entrosamento e da nossa capacidade. Recebemos muito apoio dos artistas no backstage também.

5.Qual o disco mais difícil de gravar em que você participou?

Caia na Estrada e Perigas Ver - Gravamos em São Paulo esse disco e foi bem desafiador para mim.

6. Como faz para manter a sua técnica, algum exercício específico?

Toco um pouco, todos os dias. Estou sempre criando algo na minha cabeça. Gosto de fazer exercícios com linhas bem nordestinas, principalmente com linhas de Baião.

7.Você tocou com artistas muito diferentes entre si, mas todos eles a seu modo soam genuinamente brasileiros. Até que ponto essa identificação te aproximou de artistas tão antagônicos como Ivete Sangalo, Elza Soares e Chico Buarque, só pra citar alguns?

Todos esses artistas se encontram em algum lugar. O Brasil nada mais é que esse caldeirão musical rico, poderoso e diverso. Eu me sinto honrado de ter feito parte de uma banda que foi um divisor de águas dentro da nossa música. Os Novos Baianos foram a maior escola que eu poderia ter e me proporcionou viver essas experiências com diferentes artistas

8. Qual a música em que você tocou, que você indicaria pra quem quisesse conhecer bem o seu estilo?

Baticum, Cosmica, Masculino e Feminino e Sebastiana.

9.Qual o disco que você nunca enjoaria de ouvir?

Geração de Som, com certeza.  

10. Como é tocar ao lado de guitarristas tão reconhecidos como Davi Moraes, Pepeu Gomes, Moraes Moreira?

Gratificante demais porque é a confirmação que eu dou conta do recado, risos.

11.Como é seu método de composição e gravação?

Gosto de ensaiar bem antes, ouvir várias vezes e gravar em partes separadas o A, B e final, por exemplo.

12.O que é mais importante pra você como baixista?

É muito importante para mim deixar meu legado como músico. Para eu chegar até aqui, alguns grandes músicos pavimentaram o caminho. Agora, sinto que tenho esse papel com os jovens talentos. Por meio dos meus grooves, quero inspirá-los a manter nossas raízes, incorporando novos elementos, mas que perpetuem a nossa brasilidade.

13. Nos fale sobre o Jazz Rock Quartet?

Luciano Souza tocou com Os Minos, primeira banda de Pepeu e Jorginho. Nos reencontramos em Salvador para fazer um som com Tavinho Magalhães e Lula, e daí surgiu a banda. Tocamos bastante, fizemos programa de TV, barzinhos e muito mais. Era um projeto instrumental, que acentuava o beat do Rock n’ Roll , com a precisão do Jazz. Tentávamos preservar a elegância do Jazz tradicional, mas com uma pitada de sons de vanguarda como o Jazz Funk e Soul Funk, por exemplo. Era pura curtição. Sinto saudades.

14. Que conselhos daria aos jovens músicos de hoje?
A galera de hoje em dia tem muito mais acesso à informação. Então é importante usar essa facilidade para estudar. Consistência e diversidade são importantíssimos para tornar-se um bom músico. É preciso praticar todos os dias, ouvir muitos artistas, navegar em diferentes gêneros e criar referências artísticas A combinação de todos esses elementos nos leva a entender qual é a nossa identidade musical.
 
15. Qual banda ou músico da nova geração te chama atenção atualmente?

Gosto muito do Baiana System.

16. Obrigado pelo papo Didi. Deixe uma mensagem para os nossos leitores.

Agradeço o convite dessa entrevista, o carinho dos meus seguidores e dizer que já já vamos nos reencontrar nos palcos da vida. Um grande abraço a todos.


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Sobre Diogo Franco

Nível: Colaborador

Membro desde: 31/12/2019

"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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