Entrevista

Marcelo Sussekind

Por: Diogo Franco

Colaborador

22/08/2021



Data da entrevista: 21/08/2021

Fazer essa entrevista foi  um prazer pessoal. Sempre tive o hábito de ler as capas dos discos e cds que ganhava ou comprava e me deparava com um nome comum na ficha técnica de muitos desses discos: Marcelo Sussekind. Conhecido por ter trabalhado com milhares de artistas de vários estilos musicais, por ser guitarrista e fundador do Herva Doce, Marcelo Sussekind contou tudo sobre seus trabalhos na produção de vários artistas consagradíssimos, tendo inclusive ganhado um Grammy produzindo Bruno e Marrone. Só pra se ter ideia, nomes como Patrícia Marx, Lulu Santos, Capital Inicial, Paralamas, Ana Carolina e até mesmo a produção de arranjos do The Voice na Rede Globo, são apenas alguns dos trabalhos que já passaram pelas suas mãos em estúdio. Não importa se você gosta de rock, sertanejo, pop ou mpb, observe a ficha técnica dos discos e é bem provável que você veja o nome de Marcelo Sussekind em alguns dos seus favoritos. Confira essa maravilhosa entrevista concedida por um dos maiores nomes na produção musical brasileira (se não o maior), dotado de uma simpatia e sinceridade rara hoje em dia.

1 – Pra começar conte-nos como seu primeiro contato com a música e como decidiu que iria viver disso?

Minha mãe ouvia muita música. Na época ela escuta muita orquestra, Ray Conniff, Tijuana Brass, e desde cedo eu resolvi mexer numa tv telefunken que meu pai possuía, descobrir onde tinha uma entrada, liguei uma guitarra de uma amigo meu e tal...Convenci meu pai a me dar uma bateria e aí começou essa coisa da música...
Fui tendo uma sequência, uma bandinha aqui e outra ali, até uma hora que eu tinha uma banda chamada Fireflyers e a gente tocou num festival que teve várias bandas, inclusive The Fevers e Renato e Seus Blue Caps. Quando acabou a apresentação da minha banda, dois dos diretores da EMI( o guitarrista e o saxofonista dos Fevers, Pedrinho da Luz e o Miguel) me deram um cartão e disseram: “garoto, segunda feira passa aqui na EMi Odeon no centro do Rio de Janeiro.” O mesmo aconteceu com o Renato,(do Renato e seus Blue Caps), ele disse “ Passa aqui na CBS na segunda.” Na segunda eu fui na EMI Odeon , pois era mais perto, ficava ali no começo da av.Rio Branco, próximo ao aterro. Eu entrei no estúdio e nunca mais saí. 2 dias após eu assinar com a EMI eu estava escalado para uma gravação, tocando baixo, a minha banda gravou um disco na Philips, produzido por um dos 2 diretores da EMI, por incrível que pareça. Na realidade eu não decidi viver de música, a música que decidiu viver comigo.

2 – Você produziu e tocou com diversos artistas nacionais, dos mais variados estilos. Como define o que é melhor pra cada estilo musical que você produz?

O produtor musical deve ter um entendimento de música, conhecimento musical, conhecimento técnico, conhecimento da parte burocrática da gravação, e principalmente um instinto e uma tendência a comandar a coisa.  Você só decide o que vai ser melhor pra cada estilo, na hora que vc está produzindo o estilo seja ele uma banda de rock pesado, uma demo do Legião, um disco do Paralamas ou o acústico do Capital, ou 3 dvds da Ana Carolina ou o da Marina que eu fiz também, ou o disco da Daniela Mercury. Chega uma hora em que vc se torna um trabalhador da música, então é em cima do seu instinto e da soma das suas qualidades que vc vai resolver o que é melhor pra cada estilo musical, obviamente tendo noção de onde vc não pode enfiar o pé, não dá pra entrar num lugar onde vc não tem a mínima noção, há estilos que eu não me meto muito, apesar de ter um Grammy no sertanejo com Bruno E Marrone ( eu já fiz alguns sertanejos). Fiaz muita coisa brasileira, por exemplo o Paulo Diniz eu fiz todos os discos dele com ele, na época da EMI. Já o samba eu não tenho conhecimento o suficiente pra fazer com qualidade.

3 – Em tempos de músicas descartáveis, os arranjos do The Voice são um diferencial mesmo em músicas que surfam na onda do momento. Como pensa nos arranjos pra que se tornem interessantes mesmo em canções geralmente não apreciadas ou até mesmo criticadas pelo público mais seletivo?

No Voice já há um problema inicial, que é cortar a música de um tamanho diferente, pois ela tem um tempo máximo de 1 minuto e meio a 2 minutos. Acaba-se mexendo aqui e ali, sem exageros pra não derrubar o cantor, então é feito mais ou menos assim.

4 – Como é o seu método de gravação e composição?

O método de gravação é montado segundo o produto, se vc vai fazer um dvd, um disco grande num estúdio grande, ou de um artista pequeno num estúdio pequeno, então um produtor vai adaptar o método de acordo com o orçamento, o estúdio. Quanto a composição, praticamente não componho. Quando faço é pra mim mesmo. Sou mais de mexer na música dos outros.

5 – Quais as suas principais influências/referências musicais tanto na área da produção quanto na parte musical, do instrumento propriamente dito?

Minhas influências são os grandes músicos da época, dos anos 70, 80 e 90. Não tenho como citar aqui pois são muitos. Na produção, eu meio que caí nesse meio sem ter referência a não ser as que eu via sendo feitas diariamente na minha frente por produtores brasileiros e as coisas que eu ouvia de fora. Eu via coisas acontecendo na minha frente e ouvia coisas de fora, essas são as minhas referências. Guitarristas da minha época como George Harrison, chegando até Van Halen e Yngwie, pra mim são geniais.

6 – Vc já trabalhou com milhares de artistas. Dos que vc se lembra, quais foram os que mais te trouxeram satisfação?

Difícil citar um. Um cara apaixonado pela coisa como eu sou, tem uma sensação de um filho a cada trabalho. Obviamente não chega a tanto mas você tem uma paixão pelo que está fazendo no momento em que está fazendo. Lógico que há coisas que você se lembra mais na sua vida. Os trabalhos que fiz com Lulu Santos, toquei, produzi e hoje trabalho com ele no  The Voice. Ana Carolina é uma pessoa que fez parte da minha vida por muito tempo, trabalhei 11 anos com ela. Ela tem uma voz que toca a alma, tem shows maravilhosos que fizemos. O Capital Inicial, o disco que fizemos, o show do Rock In Rio. Tem tantos momentos que seria impossível citar todos.

7 – Quais as sessões de gravação mais difíceis que você participou?

Minha carreira na produção é progressiva, sou músico que começou a produzir. Venho de uma época onde as gravações eram feitas em 4 canais. Peguei 4, 8, 16, 24, inclusive inaugurando várias máquinas dessas em gravações em que eu estava presente, no caso da EMI. Então vem de uma sequência onde fica mais fácil e mais complicado ao mesmo tempo. Antigamente, com 4 canais vc via Jorge Teixeira e Nivaldo (engenheiros da EMI) trabalhando com uma orquestra e a base toda,: Guitarra, Baixo, Bateria, Percussão, Piano, órgão, e uma orquestra gravando isso em 2 canais, com outros 2 sobrando pra fazer solos, metais e voz. Isso sim eram sessões difíceis, pois vc levava a manhã toda passando o som e o arranjop com o maestro e os músicos em estúdio, e começava a gravar mesmo após o almoço. Gravavam vários takes. Isso sim era um puta aprendizado, pois os caras já gravavam mixado, uma verdadeira obra de arte. Mais pra frente, com a tecnologia ajudando, mais canais, aquela coisa toda, houveram sessões muito lindas, como a gravação de O Vento do Jota Quest, no disco que eu produzi, onde havia aquele arranjo de cordas cheio, grandioso, 12 violinos, estúdio cheio, Márcio Gama como engenheiro... Hoje fazer música no computador ficou um tanto quanto mais fácil.

8 – Sabemos que um bom produtor faz toda a diferença inclusive na hora de deixar o músico a vontade e consequentemente extrair dele o melhor para a gravação. Como você faz pra tornar o ambiente favorável à criatividade dos instrumentistas com quem trabalha?

Sempre tive contatos com músicos de primeira linha, então você vai adequando o trabalho que está fazendo, chamando músicos que você acha adequados aquele trabalho, pessoas que já estão no seu círculo de conhecimento. A vantagem de você ser músico também facilita a troca. As gravações que faço são razoavelmente divertidas, isso é importante.

9 – Você é músico e produtor. Como faz pra separar isso para cada tipo de trabalho, seja tocando ou produzindo?

Preferencialmente, quando produzo prefiro não tocar pra não misturar as coisas. Se tiver de tocar, toca-se, mas prefiro não tocar. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Se tiver que fazer os 2 juntos também se faz.

10 – Fale-nos sobre o Herva Doce. Como foi o início, sua saída da banda e a formação do Hervah?

Não houve saída, o Herva parou. Eu e Renato Ladeira já havíamos tocado juntos na Bolha, tínhamos anos de conhecimento e amizade. No carnaval de 80 nos encontramos e  Renato me disse que estava trabalhando como diretor de tv na Bandeirantes e me perguntou se eu não queria gravar umas músicas. Fomos pro estúdio e começamos a montar músicas no  primeiro dia de carnaval. Nesse dia já saíram 2 músicas, já liguei pro Serginho Della Monica que trabalhava comigo em algumas produções, colocou bateria naquelas 2 músicas e no dia seguinte fizemos mais 2 músicas, totalizando 4 em 2 dias. Foi então que aconteceu uma história engraçada. A história é meio longa, vc vai ter que editar. (Risos)
Encontramos o Ricardo Mansur que era programador/diretor da Rádio Cidade no sábado de carnaval. Ao saber que estávamos gravando, ele insistiu para ouvir, então o levamos ao estúdio. Quando ouviu ficou impressionado e disse que queria as músicas na programação da Rádio. Ele disse: “Quero tocar esse som assim que meu programa voltar daqui há 1 semana. Qual o nome da banda?” Eu disse: “ Não tem nome.” Demos 2 músicas a ele e liguei pra EMI, pois eles já me cobravam um trabalho próprio, com banda e então eles disseram pra que eu Renato e Serginho fôssemos ao escritório deles. Toda a diretoria estava lá, Mariozinho Rocha, Miguel, Renato Correia e mais algumas pessoas, ficamos lá aguardando o programa do cara entrar no ar....(risos) Então ele entrou, contou a história sobre o encontro no ar em plena rádio, dizendo que a banda não tinha nome, tocou 2 músicas e na hora foi posto o contrato na mesa, e na hora assinamos. Ali mesmo já pensamos em nome pra banda e o Miguel, com suas sacadas geniais disse pra nós que nós tínhamos que gravar Erva Venenosa. Depois dessa sugestão, começamos a pensar nessa coisa de erva e tal e daí surgiu o nome. Tem muitas histórias bacanas sobre o primeiro disco, até quando saímos pra fazer os primeiros shows, mas o início foi isso aí. O Erva acabou, pois meus companheiros morreram, só eu e o Fred( baterista da última formação) que restamos.

11 – Conte-nos uma história curiosa/engraçada/inusitada que já aconteceu contigo durante algum trabalho:

Essa nós temos que levar um papo a parte pois tem muita história louca e curiosa, coisas que nem sei se posso contar, mas que se eu te contar você vai cair de rir.... (gargalhadas) Talvez isso chateie algumas pessoas, mas que isso com certeza iria fazer todo mundo rir eu não tenho a menor dúvida.....(gargalhadas gerais)

12 – Quais suas principais influências como músico e produtor?

George Harrison, Hendrix, Jimmy Page, etc... Van Halen eu tive o prazer de conhecer e tocar no camarim com ele quando o Herva abriu o seu show. Pra mim ele era o maior de todos. Temos muitos produtores bons no Brasil.

13 – O que um músico precisa saber antes do ok do produtor, quando está em estúdio?

O que o músico precisa saber é que ele precisa de cordas novas e tocar limpo. Uma grande diferença do músico pro músico de estúdio é tocar limpo. Músico de estúdio não faz barulho, não respira quando dá a pausa do violão, coisas desse tipo, parece brincadeira mas é verdade. Esse é o grande músico em estúdio,o que preza pra limpeza, clareza na execução, que toca com cordas novas, etc...

14- O que torna um produtor um profissional de sucesso na sua opinião? Quais requisitos não podem faltar?

O próprio sucesso. Rsrs O cara vai lá, faz um trabalho, e aquilo dá certo e o nome dele vai. O produtor é uma mistura de músico, arranjador, engenheiro de som, burocrata do estúdio e psicólogo(risos) pra tratar com todo mundo junto, além de ter uma certa liderança... Isso é um mix. Não sei se isso se aprende na escola, mas é isso.

15 – Vamos falar de equipamentos. O que você tem usado para criar os arranjos pro The Voice?

Devido a pandemia estamos trabalhando da seguinte forma : Cada músico está na sua casa com seu equipamento, interligados através de programas, e a gente grava online com mais qualidade até do que quando estávamos em estúdio. Está todo mundo em casa tranquilo, com instrumento ligado direto na cabeça do computador, o cara toca lá e eu ouço aqui em tempo real, e o quesito que poderia dar problema, como instrumentos que necessitam de microfonação (bateria por exemplo), os bateristas possuem salas maravilhosas, melhores que os melhores estúdios do mundo, equipamentos que fazem o som chegar com uma qualidade excelente até nós.

16 – Como a pandemia afetou os seus planos musicais e como se adequou a essa nova realidade?

A diferença agora é que em vez de ir ao estúdio onde sou sócio, eu montei um negócio na casa onde moro, assim como todos os outros produtores e músicos e temos trabalhado asism há 2 anos. Afetou no sentido de que ninguém está saindo, apenas isso. Estou trabalhando pra globo e esse é meu foco no momento.

17 – Quais são seus planos para quando acabar a pandemia?

Para essa pergunta tenho uma resposta um tanto quanto complicada, em parte porque não tenho certeza se isso vai acabar... Não to muito esperançoso com isso não, está tudo muito esquisito nesse sentido.

18 – O que te dá mais satisfação: produzir ou tocar com uma banda ao vivo no palco?

O maior prazer pra mim é mixar um show ao vivo. Isso me dá mais prazer do que tocar no palco. Toquei em inúmeros palcos, na Europa, Rock In Rio, também operei em vários lugares do mundo, lugares pequenos, lugares gigantescos, e pra mim fazer um PA ao vivo é a maior emoção. A produção é um trabalho que não é um foco momentâneo, ela é dividida pelo tempo que você tem pra entregar aquele produto. Tocar é muito emocionante, mas mixar é a maior emoção pra mim.

19 – Qual o disco (ou os discos) que não saem da sua cabeceira?

Fiz vários discos como Vida Bandida do Lobão, o disco do Paralamas, o acústico do Capital, o disco da Ana Carolina, o do Lulu.... Esse negócio de disco de cabeceira pra quem trabalha com música eu tenho uma certa dúvida. A gente que trabalha com música acaba ouvindo música profissionalmente. Eu não tenho mais tempo de pegar um Pink Floyd e colocar pra ficar ouvindo de fone, eu adoraria mas não dá mais,por isso é difícil ter um disco de cabeceira.

20 – Quais artistas da nova geração tem se destacado, na sua opinião?

Da nova geração nenhum. Não vejo ninguém fora do normal, vejo só coisas médias.

21 – É possível manter seu próprio estilo ao tocar com artistas tão diferentes entre si, como Capital Inicial, Xuxa e Patrícia Marx, só pra citar alguns?

Sim, em qualquer um desses discos eu tenho solos de guitarra ou qualquer coisas que eu tenha feito, você vai ver que sou eu tocando. A alma do músico está no músico e isso ele leva pra qualquer Gig que for usar, em qualquer música que for tocar a alma dele está ali e se a pessoa for esperta de ouvido vai sacar que é a mesma alma.

22 – Como é seu trabalho no The Voice? São os próprios candidatos que escolhem o estilo dos arranjos e sugerem a vocês ou vocês tem a liberdade de transformar as canções da forma que desejam?

Não é bem assim, na verdade é ao contrário., é um conjunto de coisas. O produtor conversa com o candidato, vê o que ele tem na cabeça, tenta escolher o que é melhor daquela lista pois são muitas pessoas e as listas batem em comum as vezes. A produção com o Voice é árdua. Leva quase 1 ano até ir ao ar. A gente faz 3 programas: enquanto você grava o final de um, está gravando o começo do outro e a seletiva pro próximo ano do outro. É muito trabalho ao mesmo tempo.

23 – Pra finalizar, existe alguém que você nunca trabalhou que gostaria de trabalhar?

Com certeza, os Beatles!


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Sobre Diogo Franco

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"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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