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Entrevista: Marcel 'Celli' Mönning

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Por: Mário Pescada

08/06/2021

“Nós somos CROSSPLANE e tocamos Rock n‘ Roll” - esse é o cartão de visitas do quarteto  alemão CROSSPLANE.

Os mais atentos devem ter percebido uma similaridade com a frase com que o lendário Lemmy Kilmister costuma usar na abertura dos shows do MOTORHEAD. A coincidência não para por aí: o vocal de Marcel ‘Celli’ Mönning lembra o de Lemmy e o instrumental da banda tem claras referências também. Calma: o CROSSPLANE não é uma cópia do MOTORHEAD, tem sua própria identidade, mas seguem à risca a cartilha da banda inglesa: diversão, barulho e cerveja! 

O som é aquele rock 'n' roll sujo com cheiro de cerveja, cigarro e graxa, embalado pelo barulho de motos e carros envenenados. Diversão sonora garantida.

Apesar do pouco tempo de estrada (apenas 10 anos), a banda já está com tudo pronto para lançar seu quarto disco. Aos poucos, vai ganhando a cena europeia e, por muito pouco não, chegaram a tocar na América do Sul.

Para conhecermos um pouco mais dessa boa banda, o 80 Minutos, com auxílio da Shinigami Records, entrou em contato com Marcel ‘Celli’ Mönning (vocais, guitarras). 

A Shinigami Records lançou na América Latina o bom disco de estreia do grupo, “Class Of Hellhound High” (2013) que pode ser adquirido pelo e-mail loja@shinigamirecords.com ou no site.

Mídias:
Site Oficial: www.crossplane.de
Facebook: crossplane.band
Instagram: crossplane_official

Olá pessoal, tudo bem? Obrigado por atenderem ao 80 Minutos, do Brasil.

Olá Mário, nós estamos bem. Esperamos que vocês também. Obrigado por nos atender. Muito legal.

O disco “Class Of The Hellhound High” (2013) saiu na América Latina através da Shinigami Records, cobrindo de uma só vez vários países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Como surgiu essa oportunidade? Podemos esperar que os outros álbuns sejam lançados por aqui também?

Nós gravamos uma nova música durante a pandemia ano passado e fizemos um video que lançamos em mídias sociais. Tivemso muito retorno do Brasil, Chile e do resto da América do Sul. Agora estamos felizes que a Shinigami Records lançou nosso primeiro disco. Tenho certeza de que o resto irá caminhar.

Em setembro de 2020, vocês fizeram um agradecimento aos fãs da América Latina em forma de imagem e depois, um vídeo. Parece que essa sonoridade metal/punk da banda agradou em cheio os fãs daqui. A que você credita isso, essa preferência daqui por esse estilo?

CROSSPLANE é uma banda muito autêntica. O que você vê é o CROSSPLANE. Nós não temos amarras ou nada a fingir. Isso somos nós. Nós fazemos o que somos e nada mais. Eu acho que os fãs gostam que sejamos realistas e não um bando de esquisitos. Nós somos rock n´ roll e é disso que se trata.

Já houve alguma tratativa para trazer a banda para a América do Sul? Acredito que com o lançamento de “Class Of The Hellhound High” (2013), uma tour por aqui esteja mais fácil de acontecer.

Nós realmente amaríamos aparecer aí! Nós estamos trabalhando nisso. Nesse momento é difícil por causa do Corona. Mas, a turnê virá. Estamos planejando fazer isso e mal podemos esperar em ver vocês e irmos para o paraíso do rock n´ roll juntos.

Em 2020 vocês participaram da “Horror Expo Live” (um encontro nacional dedicado ao universo do horror em geral) fazendo uma performance live (vídeo logo abaixo). Havia o convite para vocês virem pessoalmente ao Brasil? Segundo o site do evento, a edição física de 2021 está agendada para outubro, em São Paulo.

Até onde eu sei, seria um show ao vivo em São Paulo sem (contar com o) Corona. Acabou que tornou um show on line por causa dele. Tem havido reuniões sobre o fato da banda estar por aí tocando ao vivo o mais breve possível. Isso seria, com certeza um sonho para nós.

Bom, vindo para cá, já devo avisar vocês que nossas cervejas não são iguais as belgas e alemãs, talvez vocês estranhem...

Nós estamos mesmo procurando por isso! Gostamos de beber cerveja e de experimentar novos tipos. Se necessário, Jacky Coke também funciona (risos) (nota: mistura do whisky Jack Daniel´s com Coca-Cola, um dos drinks favoritos do Lemmy Kilmister)

Vocês gostam de publicar fotos com o público, não só em cima do palco, mas nos bastidores também. Vocês até os apelidaram de Hellhounds (cães infernais). Em muitas dessas fotos, eles estão usando camisas da banda, bebendo com vocês e alguns têm até tatuagens da banda. O quanto esse contato com o público é importante para vocês?

O contato com os fãs é a coisa mais importante para nós. Nós não existiríamos sem eles. Nós sempre nos sentimos felizes quando podemos celebrar com vocês. Dando de volta o que recebemos! Juntos, nós somos a família CROSSPLANE. Nós somos os cães do inferno. Enquanto houver fãs do CROSSPLANE, haverá CROSSPLANE. Isso é algo extraordinário.

Por que você acha que algumas bandas perderam esse contato direto com o público com o tempo? Vejo hoje que algumas bandas levaram a coisa toda para um lado burocrático: chegam, tocam e vão embora.

Elas esqueceram seu começo, na minha opinião. Esqueceram quem os fizeram grandes. Especificamente, os fãs. Às vezes, parece para mim (que isso ocorre), quando as bandas são muito veneradas desde o começo, são nomeadas pelas revistas, são as “bandas do mês” ou “a maior esperança”, etc., Eles começam a viajar. Você nunca teve a experiência de lutar ou de fazer mais do que agora. De ter que trabalhar duro por isso. Muitas das bandas que são grandes hoje, quase nunca tiveram boas avaliações nos primeiros anos. Na maior parte das vezes, as revistas ou os editores estavam errados. Tais bandas quase sempre cresceram mais do que essas que foram veneradas. E por que? Porque elas estavam próximas dos fãs e cresceram por causa deles. Eles são honestos e não se esquecem. Isso não funciona sem eles (os fãs). Sem avaliações por interesse. Se você gosta de uma banda, então você está dentro.

Não tem como ouvir o som de vocês e não lembrar do grande Lemmy Kilmister (MOTORHEAD). Além do MOTORHEAD, quais outras bandas influenciaram vocês?

Nós amamos SEPULTURA, SLAYER, METALLICA, BLACK SABBATH e muito mais. São ótimas bandas que crescemos ouvindo. Heróis da nossa juventude. Elas são os motivos do termos começado na música e formado bandas. É difícil imaginar não fazer música. Música é como o ar que você respira. Necessária para a vida.

E a cena rock/metal alemã, como tem ido? A Alemanha sempre ofereceu ao mundo muitas bandas importantes. Aqui no Brasil, heavy, death e black metal continuam dominando a cena.

Há muitas bandas na Alemanha. Um vasto intervalo e variedade em termos de música. Sobretudo rock e metal nas suas muitas vertentes, mas punks também estão representados. Algo para todos.

O CROSSPLANE estava cumprindo uma agenda boa de shows, alguns esgotados, inclusive. O quanto a pandemia atrapalhou a banda?

Em tempo de pandemia, usamos o tempo para terminar o novo disco e para fazer vídeos para várias músicas dele. Usamos o tempo com sabedoria. Nesse meio tempo, tivemos alguns shows on line, como a Horror Expo Live. Foi muito divertido para nós. Entretanto, claro que é muito mais divertido de frente para fãs em um festival ou clube. Portanto, estaremos felizes em fazer uma tour pelo Brasil para celebrar e agitar com vocês.

Entrevistei recentemente Tony “Demolition Man” Dolan (VENOM INC.; ex-VENOM) e ele acha pouco provável que, ainda em 2021, as coisas voltem a normalidade. E vocês, o que acham? Vocês estão escalados para o Mannried Open Air, na Suíça, em agosto, certo?

Essa é difícil de dizer. Estou um pouco confiante sobre a segunda metade de 2021. Mas, claro, é difícil dizer como enfim acontecerá. Muitos shows já foram remarcados para 2022. Mas, alguns ainda persistem, como o Mannried Open Air.

A banda vinha mantendo uma sequência boa de lançamentos. O último, “Backyard Frenzy” foi lançado em 2017. A faixa “Rock ´N` Roll Will Never Die” é uma amostra do novo trabalho? A última notícia que tenho é que as músicas já estariam escritas e gravadas, faltando a mixagem. O que mais podem revelar para a gente?

O próximo disco está completamente pronto. A capa também. São 11 músicas e está indo bem. Nós estamos de verdade ansiosos em lançar esse monstrinho. É puro rock n´roll.

Marcel, você se juntou ao Tom Angelripper (SODOM) como guitarrista da banda, ONKEL TOM ANGELRIPPER, pouco depois da formação do CROSSPLANE, não é? Ele até participou do vídeo clip da faixa “Rollin”. Vocês são amigos de longa data?

Sim, é verdade. Eu conheci Tom em 2009 e tenho tocado guitarra com ele desde então. Nós perguntamos se ele gostaria de fazer parte em uma música. Ele topou na hora e ajudou na filmagem do vídeo de “Rollin”. Foi uma filmagem bem legal. Durou dois dias e bebemos muito. Foi muito divertido. O vídeo se tornou algo bem legal e ainda estamos impressionados com o resultado. É um dos marcos da história da banda hoje.

Obrigado por atender ao 80 Minutos, esperamos encontrar com vocês logo aqui no Brasil. Deixem suas mensagens para nós!

Nós quem agradecemos. Foi um prazer, Mário.

Olá meus amigos brasileiros. Estamos totalmente entusiasmados com o incentivo que recebemos de você. Esperamos que um dia possamos nos ver em um show em seu país e comemorar juntos. Até então (nota: Marcel enviou a mensagem em português mesmo). Rock n´ roll nunca morrerá.

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