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Entrevista - Eric Martin

Relacionado com: Eric Martin, Mr. Big
Data da Entrevista: 23/04/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

Acessos: 576

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Eric Martin pode ser considerado um rockstar. Famoso por emplacar diversos hits com a sua banda principal, o Mr. Big, a voz de clássicos como: “To Be With You”, “Wild World”, “Just Take My Heart”, “Lucky This Time” e “Green-Tinted Sixties Mind”, além de muitas outras canções famosas, passou recentemente por um momento complicado, diante da terrível doença enfrentada pelo saudoso e eterno baterista do Mr. Big, Pat Torpey. Eric estava bem abalado, afastado dos amigos, fãs e da mídia. 

Algumas semanas se passaram e Eric embarcou em uma turnê europeia com o Gotthard, se reaproximando dos fãs, até que as coisas lentamente começam a melhorar. Agora, Eric resolveu falar. E olha só, escolheu o 80 Minutos, exclusivamente. Começamos a conversar para acertar os detalhes da entrevista e Eric humildemente de desculpou pela demora, pelas emoções e disse que faria o seu melhor. E fez!

Confira este ótimo bate-papo.

1. Olá Eric, obrigado por falar com o 80 Minutos. Você acabou de finalizar uma turnê europeia com o Gotthard, certo? Como foi?

Esta foi uma plateia totalmente nova para mim. Eu não abro shows para um artista ou banda há um bom tempo e foi como começar a minha carreira novamente. Digo, as pessoas sabiam quem eu era e conheciam “To Be With You”, “Wild World” ou talvez alguma outra canção mais suave do Mr. Big, mas era uma plateia 90% Gotthard. Para mim, foi um público ótimo, mas… cara, eu trabalhei muito duro para conseguir aqueles aplausos no final.
O Gotthard – ou The Mighty G (algo como o “Poderoso G”) - que é como eu os chamava, são pessoas maravilhosas para se trabalhar em conjunto. Eu era fã no período com Steve Lee, mas, agora com Nic Maeder e tudo o que ele traz em sua voz recheada de soul e suas habilidades como compositor… é uma banda fantástica! Preciso destacar aqui as matadoras backing vocals Maram e Barbara. Foi um prazer vê-las brilhar senhoritas!

2. Você e o pessoal do Mr. Big estão preparando algo realmente especial, um concerto para celebrar a vida e música de Pat Torpey. Eu li recentemente que Richie Kotzen também estará lá. O que você pode nos dizer sobre o evento?

Bem, estamos juntando as peças agora. Todos os artistas que estão doando o seu tempo para esta celebração da vida de Pat trabalharam com ele em álbuns, estiveram em juntos em alguma banda e são grandes admiradores do nosso querido irmão de banda. Pat foi membro da KNAC, uma banda superstar dos anos oitenta, antes de se juntar ao Mr. Big. Alguns dos membros dela estarão lá para fazer uma jam em algumas canções. Também teremos Chuck Wright do Quiet Riot, um amigo de Pat de longa data. Eles fizeram uma turnê com John Parr e uma série de outros artistas populares dos anos oitenta. Pat gravou com Chris Impelliterri e Graham Bonnet na época. Estamos tentando trazer estes artistas. Neil Giraldo e Myron Grombacher (Pat Benatar) estarão juntos com o nosso amigo Jeff Scott Soto para tocar algumas das músicas favoritas de Pat. Além disso, nós teremos o Mr. Big com Matt Starr e um set do Mr. Big com Richie Kotzen, Billy Sheeran, eu e o baterista de Richie, Mike Bennett, sendo que tocaremos algumas faixas do Mr. Big dos anos 90. Richie tocará algumas de suas músicas também. Na parte visual, faremos algumas exibições de filmes e imagens sobre a vida e carreira de Pat.

3. Eu estive no show de vocês na turnê de What If… aqui no Brasil. Pat sempre nos deu uma ótima impressão de si. Uma figura atenciosa e que sorria sempre. Acredito que tenha sido muito difícil pra vocês vê-lo adoecendo. Em contrapartida, vocês o mantiveram por perto, próximo da música e do carinho dos fãs. Eu apenas gostaria de lhe dizer que foi algo muito bonito de se fazer.

Obrigado. Esta banda não teria continuado nos anos 90, ou se reunido nos anos 2000, sem Pat Torpey. Ele foi a âncora, a cola que nos manteve unidos e nós jamais sairíamos em turnê sem ele. Mesmo ele podendo fisicamente tocar em um kit completo de bateria apenas algumas canções, ele foi o melhor cantor próximo a mim na banda. Nós trabalhamos muito nisso juntos. Ele costumava dizer em suas entrevistas, que se considerava abençoado por ter amigos como nós próximos a ele, que lhe motivavam a seguir em frente. Ele era necessário para todos nós. Para mim, ele foi o nosso líder espiritual.

4. Eric, “Defying Gravity” é, na minha opinião, o melhor álbum do Mr. Big desde o retorno de Paul Gilbert. A faixa-título é fantástica e estouraria nas rádios se os tempos fossem outros. Trazer Kevin Elson (produtor dos primeiros trabalhos) de volta foi definitivamente um acerto. Faixas como “1992”, “Open Your Eyes” e “Nothing Bad (About Feeling Good)” ficaram na minha cabeça por meses. Você pode nos contar um pouco sobre o processo de criação e gravação do álbum?

Bem, fico feliz que você tenha gostado do último álbum, mas, na minha opinião, o processo como um todo foi muito apressado. Ter apenas 6 dias para basicamente compôr e gravar, além de 3 ou 4 dias para fazer alguns overdubs, foi ridículo. Nós somos bastante rápidos quando o assunto é gravar um álbum, mas esta foi a primeira vez em 30 anos que o nosso baterista não pôde gravá-lo. Matt Starr fez a sua parte e um ótimo trabalho, mas se nós tivéssemos um mês completo para pré-produção e para trabalhar nos arranjos com Kevin Elson, o disco e as canções teriam outra sonoridade. Eu venho tentando trabalhar com Kevin por toda a eternidade e ter apenas 6 dias com ele foi um crime. Tenho ouvido opiniões mistas sobre “Defying Gravity”. Quero dizer, “Open Your Eyes” e “Everybody Needs A Little Trouble” são ótimas, só que tudo acabou sendo estressante devido à correria para gravá-lo. Mas, é o que é, um álbum com sonoridade orgânica e setentista de Rock And Roll.

5. O Mr. Big continuará carregando a tocha, fazendo shows e gravando novos álbuns?

Hummm… a pergunta mágica. Nós nos comprometemos a fazer os últimos shows enquanto Pat estava vivo, então carregaremos a tocha em junho ao abrir para o Extreme, na Austrália, e como headliner em alguns shows no sudeste da Asia e na Europa neste verão. Mas, após estas turnês… eu não sei. Neste momento, prefiro nem pensar sobre isso. Billy e eu nos mantivemos bem próximos desde a morte de Pat, mas nem chegamos a conversar sobre o futuro da banda. Todas as vezes que começo a pensar nestes shows que estão por vir, fico empolgado, mas logo começo a me sentir triste e depressivo, pelo fato de que um de nós não estará lá. Vai ser difícil por algumas semanas.

6. Sobre a sua carreira além do Mr. Big, há algum plano de lançamento para um novo álbum solo ou outro projeto que você esteja envolvido?

Eu tenho tentado lançar um álbum solo já tem uns dez anos. Estou trabalhando (mas dificilmente trabalhando) em um projeto com a gravadora Frontiers. Algo dentro da sonoridade Souful Rock setentista. Também tenho composto uma boa quantidade de músicas para um álbum acústico em paralelo - não conte à Frontiers sobre isso, pois eles não irão gostar (risos). Eu sempre gostei do som Americana do “The Band”. Olha, se eu pudesse fazer uma continuação ou sequência do meu álbum solo “Somewhere In The Middle” de maneira completa, com órgão, baixo, bateria, guitarras, violões e um backing vocal recheado de soul feito por algumas das minhas colegas, a vida seria bem mais doce. Talvez eu faça os dois, 2 CD’s: O rock e o soul de Eric Martin. Ha!

7. Voltando um pouco ao passado, lá no início da sua carreira, quando você percebeu pela primeira vez que a sua voz era especial e que o microfone era o instrumento certo para você?

Bem, eu era um cantor muito melhor do que baterista. Até mando bem ao vivo durante umas duas músicas, até que preciso me deitar … ufa (risos). Eu aprendi a tocar bateria com meu pai, me forcei um pouco a aprender piano e violão, mas eu lutava muito e me sentia forçado. Cantar, era fácil. Desde que abri a minha boca grande (Eric usou o termo BIG mouth em um trocadilho com o nome Mr. Big), eu soube que conseguia cantar no tom e manter. Eu definitivamente precisei fazer aulas de canto, por causa da minha dicção, que era terrível. Eu estava com vinte e poucos anos e conseguia compôr algumas músicas e as pessoas adoravam, mas não entendiam o que eu estava dizendo. Também me atrapalhava um pouco com a respiração. Tive aulas particulares de canto aqui na área da Baía de São Francisco com a renomada professora Judy Davis. Nós passamos cerca de três anos juntos. Judy me ajudou muito e ainda faço exercícios de garganta bem doloridos antes dos shows.

8. Você também possui grandes contribuições como compositor para várias músicas famosas do Mr. Big. Como é o lado compositor de Eric Martin e quais as canções que mais se orgulha?

Eu escrevi a estrutura de “To Be With You” quando jovem. Foi bem por acaso. Eu estava de coração partido e acabei tocando aquele riff do refrão: "I'm the one who want's to be with you…”, várias e várias vezes, como se fosse uma terapia hipnótica. Graças a Deus eu não esqueci, não é? Eu comecei a compôr de fato nos anos 80, quando ainda fazia parte de uma banda chamada 415, que futuramente viria a ser chamada de Eric Martin Band. Todos nós vivíamos em uma casa de banda e todos escrevíamos, mas na maior parte do tempo festejávamos. Eu não era muito de beber naquele período, bem que eu gostaria de ter aquela força de vontade agora… Então, eu passava todas as minhas horas acordado e escrevendo, errando, escrevendo, errando, até ter em mãos algumas boas ideias, fortes o suficiente para conseguir assinar com um grande selo. Eu compus alguns álbuns solo também, mas todas estas canções nestes álbuns eram boas, mas não até chegar o Mr. Big, que foi quando me tornei mais confiante como compositor. Durante os últimos 25 anos, eu tenho criado músicas com meu amigo e parceiro Andre Pessis. É assim que funciona: nós sentamos em um espaço pequeno, cheio de instrumentos musicais, computadores, discos de ouro e platina na parede (ironicamente o estúdio de Andre é chamado “A Mina de Platina (The Platinum Mine)”). Lá, começamos a conversar, contando histórias sobre a estrada, vida, morte, amor, mágoas, política, religião, humor, etc., por cerca de duas horas. Eu geralmente fico arranhando com seu violão Takamine ou no meu novo acústico Luis Guerrero enquanto conversamos, até que ele aponta para o violão e diz: “O que foi isso?”. Eu juro pra você que acontece todas as vezes. Aí criamos um título ou uma história sobre aquilo que conversamos nas últimas duas horas e, aí está! O processo pode durar uma semana ou mais. Aí mantemos o que está incompleto em arquivos e muitas vezes voltamos a eles um ano depois para finalizá-los.

9. Na sua opinião, quais são os pontos chaves que podem fazer com que um cantor/compositor amador se torne profissional?

Você precisa acreditar em você mesmo, mas também deve aceitar críticas. Deus sabe que passei pelo desafio muitas vezes. Você vai falhar e é assim mesmo, mas desistir não pode ser uma opção, não se você ainda tem uma paixão por isso.

10. Qual a sua opinião sobre a mídia e o cenário da música dos tempos atuais? Os rockstars realmente serão extintos?

“The EVILution”… (risos)… eu não sei… espero que ainda existam lugares para tocar. Nossa tribo está definitivamente ficando menor.

11. Você participou do projeto Avantasia de Tobias Sammet. Você também gosta de heavy e power metal? Tobias é realmente tão louco quanto parece?

Pois é, eu me tornei um metal head desde a participação com o Avantasia. Eu estive em festivais com o Slayer, Iron Maiden, Megadeath, Testament, Helloween e sobrevivi ao Wacken duas vezes. (Eric faz um trocadilho com a música do Kiss e diz: “I Love It Loud!”). Tobias Sammet é o Napoleão do Power Metal. É um grande líder, além de ter um fantástico senso de humor… (pensativo)… oh Deus, espero que seja isso mesmo...(risos)

12. Você recebe convites para participar em projetos de outros músicos? O que lhe faz aceitar?

Eu já participei em um punhado de projetos. Já fiz muitas coisas por dinheiro. Eu tenho filhos gêmeos que trocam os tênis de basquete como ninguém no mundo (risos). Mas, se eu admiro a pessoa com quem estou trabalhando, é bem melhor e adoro fazer. Como o Oliver Hartmann por exemplo. Recentemente fiz um dueto com ele em uma música chamada “Simple Man” para o novo disco do grupo Hartmann. Gosto muito de Oliver por trabalhar com ele no Avantasia e no Rock Meets Classic. É um grande talento e fiquei feliz em ser convidado para cantar com ele. Estará disponível em 18 de maio (https://oliverhartmann.com).
Falando nisso, eu também fiz um vídeo com ele e sua banda para o dueto, no topo de uma montanha em Aschafemburgo na Alemanha. 5 graus abaixo de zero! Agora eu também estou em baixas temperaturas, mas não de camiseta, casaco leve, jeans skinny preto e um all-star. Eu estava congelando! Fiquei toda a turnê do Gotthard com os lábios rachados. Acho que não farei isso novamente.

13. Você pode nos contar algo sobre você que os seus fãs provavelmente não sabem?

Meus fãs e amigos sabem praticamente tudo sobre mim. Eu sou uma pessoa de coração aberto. Eu falo demais e exponho muito de mim externamente. Pelo menos é o que me disseram (risos). Acredite ou não, eu sou uma pessoa reservada. Gosto de manter as coisas separadas, especialmente em relação à minha família. Eu posso colocar uma foto dos meus filhos aqui ou ali quando estou fora, mas, quando estou em casa, sou praticamente um gato domesticado – embora eu prefira os cachorros do que os gatos (risos). Sou um pai taxista, que leva os seus filhos para os eventos de esporte. Ninguém se importa comigo na vizinhança (o que é ótimo). Eles me veem jogando basquete com os meus filhos na porta da garagem, instalando as luzes de natal, tirando o lixo nos dias certos, etc. Neste último verão, meu vizinho mais próximo tem 15 anos e me perguntou o que eu faço para viver.

14. Se eu for comentar sobre a carreira de Eric Martin para um novo fã, qual álbum você me sugere para indicar a ele como ponto de partida?

Humm. Vá com o “Lean Into It”, do Mr. Big. Em seguida, caminhe em sentido contrário.

15. O conceito do nosso site é permitir que usuários possam relatar a sua experiência durante os 80 Minutos da audição de um álbum. Você poderia nos dizer qual foi o último álbum que ouviu e que vale a recomendação?

Eu fico com o “Lip Service”, do Gotthard. Não é um álbum novo, pois acredito que seja de 2005, mas, é um grande álbum de power pop que ainda se mantém. Steve consegue um ótimo soul em sua voz “whiskey”. Confira principalmente “Lift You Up” e “Anytime, Anywhere”.
Minha segunda opção seria o álbum “BANG”, também do Gotthard. Possui grandes músicas como: “ C'est La Vie”, “Feel What I Feel” e, é claro, “BANG”.
Todas estas canções nós tocamos na última turnê. Elas soam fantásticas ao vivo em todos os sentidos, se você estiver no clima para passagens melódicas, letras coloridas ou músicas e mais músicas com guitarras bem altas. “GET LOUD”!

16. Eric,  agradecemos enormemente a sua atenção e desejamos sucesso em seus projetos futuros. Por favor, volte ao Brasil assim que puder. Obrigado!

Obrigado pelas gentilezas e elogios. Obrigado (em português) Brasil!


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