Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

...

Entrevista - Martin Popoff

Data da Entrevista: 26/08/2019
Autor: Mário Pescada
Traduzido por: Mário Pescada

Acessos: 112

Compartilhar:

Facebook Twitter

Martin Popoff é um jornalista, crítico e autor de música canadense. É famoso na literatura musical por escrever diversos livros sobre o heavy metal. Direcionado agora à publicação de seus livros em português para venda no Brasil, atendeu ao 80 Minutos em uma entrevista interessante, em que Martin fala sobre o seu método de trabalho e os seus gostos musicais.

Confira!

Saiba mais sobre o autor em seu site oficial: www.martinpopoff.com
Confira também o site da Editora Denfine: editoradenfire.com

Colaboração e texto de divulgação: André Luiz Paiz

1. Martin, você tem números impressionantes no universo rock/metal: mais de 85 livros publicados, 1.800 entrevistas e mais de 7.900 resenhas. Já trabalhou em dezenas de rádios, revistas, sites, etc. Como tudo isso começou?

Bem, eu era um fã louco pala música desde meados de 1974 e então, em 1993 eu publiquei por minha conta um livro sobre 1.900 resenhas de discos e então isso me fez encontrar e ter amizade com Tim Henderson, e juntos, nós começamos as revistas Brave Words e Bloody Knuckles, e daí em diante, escrevendo mais resenhas, entrevistando bandas. Esse primeiro livro foi reeditado por um editor em 1997 e desde então tem sido lançados, mais ou menos, um livro por ano, até o ponto onde há hoje 85 livros. Mas sim, você não pode fazer livros do jeito que tenho feito, a menos que você tenha feito muitas entrevistas, então, nesses anos, a maior parte pela (editora) Brave Words, mas por outras revistas e sites pelo caminho, eu tenho feito muitas e muitas entrevistas, provavelmente umas 1.800 a essa altura. E assim que tenho por volta de 20 entrevistas, eu estou na posição de estar apto a trazer algo novo em termos de fazer um livro sobre alguma banda.

2. Você é canadense, e quando falamos do Canadá, logo nos lembramos de RUSH, EXCITER, ANVIL. Há bandas canadenses que você diria mereciam ter tido mais sorte?

Pergunta interessante: obrigado por isso! Eu acho que as que me vêm a mente seriam VOIVOD e KICK AXE. Talvez, MOXY, certamente, assim como RIDING HIGH, que é uma banda clássica. Sim, e também SANTERS, cujo segundo disco “Riding High” é um clássico. Cara, você abriu as comportas pra mim. CONEY HATCH também. SANTERS e CONEY HATCH poderiam ter tido um sucesso comercial grande (e SWORD). Elas eram simplesmente perfeitas no hard rock, pré-hair metal. Também, Kim Mitchell é um dos meus três guitarristas favoritos de todos os tempos, então ele poderia ter sido maior, e Max Webster, eu tenho listado eles como minhas bandas favoritas de todos os tempos. Eles não fizeram isso se tornar grande, mas mais uma vez, me mostraram muito peculiarmente a como fazer isso ser grande. Eu imagino que VOIVOD é peculiar também. Mas todos que mencionei são exemplos perfeitos de bandas que trouxeram um potencial comercial massivo a cena, e provavelmente, mais, sendo do Canadá e não se mudando para Hollywood, por exemplo, elas não poderiam ter chegado ao topo.

3. Eu li que você tocou bateria por um tempo nos anos 80, é verdade?

Sim, comecei tocando bateria no final dos anos 70, tinha nosso próprio set ao vivo com uma banda em 1984, que se tornou profissional, digo, tocamos por dinheiro em bares. Não mais do que isso. Éramos conhecidos como TORQUE. Muitos covers estranhos de heavy metal, com um punhado de punk, como THE CLASH e provavelmente a música mais estranha do BLUE OYSTER CULT a ser tocada ao vivo, “The Vigill”.

4. Seus livros são focados em bandas clássicas, fundamentais para o rock/metal, como JUDAS PRIEST, DEEP PURPLE, METALLICA, IRON MAIDEN, AC/DC, etc. Você escuta bandas novas?

Não mesmo, não. Simplesmente não tenho tempo para isso. Quando estou escrevendo esses livros eu tenho que fazer pesquisas profundas nos seus catálogos, então isso toma muito do meu tempo disponível para ouvir. Tendo dito isso, claro, eu me deparo com algumas coisas, de tempos em tempos. Há muitas bandas que são novidades, mesmo que não novas, que eu ouço muito, que eu não escrevi livros a respeito. Eu amo CLUTCH, PANTERA, KING’S X e tenho muito tempo para SLOW FEG e HAMMERS OF MISFORTUNE, DEVIN, PORCUPINE TREE. Então mesmo quando estou ouvindo bandas novatas, são essas bandas com acervos grandes que eu vou e volto por longos períodos.

5. O público brasileiro está tendo a oportunidade de ler em português parte da sua obra, graças à Editora Denfire, que lançou por aqui “Hit The Lights: O Nascimento do Trash” e vai lançar em breve “Where Eagles Dare: Iron Maiden In The 80s”. Como surgiu essa parceria?

Sim, é muito legal que a Editora Denfire me pegou! Mas, não se esqueça, há algumas outras (editoras) como Voyageur Press. Certamente, o (livro sobre o) METALLICA, possivelmente um ou dois. Eu imagino que meu antigo livro do BLACK SABBATH saiu em português, certo? (nota: refere-se ao livro “BLACK SABBATH. A Biografia”). Mas sim, eu acho que o livro do IRON MAIDEN será bem recebido pela Denfire (nota: “Where Eagles Dare: Iron Maiden In The 80s” que será lançado pela Editora Denfire em 2020). Como isso se tornou possível? Bem, eu só preciso alguém que acredite que cópias suficientes serão vendidas em português. Simples desse jeito. E, também para responder a questão anterior sua, não, eu acho que eu farei uma trilogia do thrash terminando em 1991.

6. Falando no “Hit The Lights: The Birth of Thrash”. Eu li o livro e gostei da forma como ele foi feito, uma “história oral”, como você mesmo diz, contada através do uso de trechos de entrevistas que você fez com diversos músicos que ajudaram a criar o estilo (SLAYER, METALLICA, EXODUS, ANTHRAX, DEATH ANGEL e muitos outros). Como foi juntar tantos trechos feitos a anos atrás de forma que contassem uma história? 

Eu amo o formato linha do tempo e notas, tenho usado isso nos três livros sobre thrash, dois sobre a New Wave Of British Heavy Metal e um monte de livros de bandas. É um jeito satisfatório de escrever porque eu amo a estrutura. E também é um grande jeito de condensar um monte de fatos. Eu também acho, para minha surpresa e deleite, que eu use eles como livros de referência o tempo todo. Então mesmo que não haja muito de mim apontando e analisando a música, eles se tornaram grandes livros de referência.

7. Desses músicos todos citados no livro, você ainda tem amizade/contato com algum?

Uns poucos, não muitos. Eu não vejo razão para incomodar essas pessoas. Elas têm suas próprias vidas. Eu realmente não quero falar sobre música um a um com todos, e isso realmente me aborrece quando eu tenho que responder questões desse tipo, mesmo por e-mail. “Você já ouviu essa nova banda”? Não. E agora? E então qualquer coisa super eloquente e envolvente que eu tenha opinião ou algo que já tenha escrito a respeito, bem, está no livro. Não me faça repetir isso com uma versão imensamente inferior. Eu acho que, para responder sua pergunta, eu tenho muito mais amigos do que preciso, e tenho certeza que é dez vezes mais do que qualquer um que é um rock star!

8. No livro, você cita a banda brasileira STRESS e seu autointitulado disco de 1982, como uma precursora do thrash metal. Como você teve contato com esse disco?

Eu não me lembro. Possivelmente pela internet e fazendo pesquisa.

9. Você acompanha as bandas brasileiras da cena rock/metal? Quais suas favoritas daqui?

Não, não faço isso. Como disse, eu não fico atrás de coisas novas, deixe sozinhas as novidades brasileiras! Só mais um ponto para liquidar isso, eu acho que sou capaz de me manter entretido, mesmo pesquisando pela primeira vez ou bandas que eu conheça bem pouco¸ centenas e centenas de álbuns e bandas dos anos 70 e 80. Então mesmo que não seja algo novo, se é recente para mim, é uma versão de algo novo.

10. O livro não crava quem foi o criador do thrash metal, mas afirma: Xavier Russell foi o criador do termo thrash metal “depois de 15 cervejas e ter visto METALLICA tocar”. Conte para nós essa história!

Veja, essa é uma desses tipos de perguntas que...bem, é assim que eu deveria seguir, mesmo que eu não queira ir por esse caminho. Eu teria que abrir meu livro, e praticamente ler para você toda seção ou apenas resumir e te dar uma versão inferior da história. Satisfeito ao dizer, há páginas e páginas e páginas com várias nuances do thrash metal inventadas, desde o termo, com todos os diferentes elementos da música, baixo e bateria, guitarra, velocidade e vocal extremo, o trabalho inicial do METALLICA e Dave Mustaine, tudo isso! Punk. É uma pergunta muito complicada

11. 25 de julho de 1983: o METALLICA lança “Kill ‘Em All”. Qual foi o impacto desse disco na sua vida?

Eu quase acho arrogante ao pensar sobre o impacto “na minha vida”. Quem se importa? Eu não me transformei em um rock star. Eu simplesmente me tornei um fã que encontrou um jeito de escapar de uma vida classe média sendo um fã. Eu rabisco palavras, outras pessoas se tornam DJ´s,  outras se tornam gerentes ou técnicos de guitarra ou roadies, e então algumas viram rock stars. Essas são as pessoas importantes de se fazer esse tipo de pergunta, os atuais rock stars. De qualquer modo, eu me lembro sim de ouvir pela primeira vez e pensar que isso era algo diferente, era ela as partes rápidas e agressivas dos nossos discos da New Wave of British Heavy Metal em sequência, tocada com boa produção e cantada de forma extrema, um pouco monótona, sem muita melodia. Então eu lembro de gostar muito do disco, lembrando que era algo muito diferente, mas não amando ele. O amor pelo METALLICA e pensamento de que eram gênios e que estavam fazendo obras-primas, veio com “Ride The Lighting”. Mas sim, 20 anos depois, eu meus amigos erámos espertos o suficiente para sacar que isso era sutilmente um novo gênero.

12. Ok Martin, muito obrigado! Deixe uma mensagem para os headbangers brasileiros.

Obrigado e estou para morrer de satisfação que algumas das minhas obras estão para sair em português. Eu vendi muitos e muitos livros em inglês para brasileiros, e eu realmente agradeço o apoio. Talvez um dia haverá um evento ou show, convenção, conferência de heavy metal que eu possa descer até aí e fazer uns bate-papos, ligações, assinar alguns livros, apenas sair, tomar umas cervejas com os metalheads brasileiros. Nunca estive aí e amaria ir algum dia.


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Roy Khan

Relacionado com: Conception, Kamelot
Data da Entrevista: 10/05/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 22/05/2018

Roland Grapow

Relacionado com: Helloween, Masterplan, Roland Grapow, Serious Black
Data da Entrevista: 23/03/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 23/03/2018

Daniel Vargas

Relacionado com: Adellaide
Data da Entrevista: 01/04/2019

Cadastro por: Diógenes Ferreira
Em: 08/04/2019

Clayson Gomes

Relacionado com: 80 Rock
Data da Entrevista: 28/05/2019

Cadastro por: Vitor Sobreira
Em: 30/05/2019

Lucas Abreu, G.Rude e Pitter Cutrim

Relacionado com: Killery
Data da Entrevista: 11/05/2019

Cadastro por: Diógenes Ferreira
Em: 16/05/2019

James LaBrie

Relacionado com: Ayreon, Dream Theater, Frameshift, James LaBrie, Last Union, Mullmuzzler, Winter Rose
Data da Entrevista: 10/12/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 21/12/2018