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Entrevista - David Longdon, Greg Spawton E Nick D'virgilio

Relacionado com: Big Big Train
Data da Entrevista: 26/07/2019
Autor: André Luiz Paiz

Acessos: 305

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O grupo Big Big Train surgiu nos anos noventa e seguiu em uma crescente impressionante, posicionando-se hoje entre os grandes nomes da cena prog. Além de grandes músicos e compositores, possui um time invejável de talentos, todos focados em simplesmente fazer a melhor música possível.

David Longdon, Greg Spawton e Nick D'Virgilio falaram exclusivamente com o 80 Minutos e especialmente para o Brasil, sobre o novo álbum "Grand Tour", o desejo de excursionar pelo nosso país, o amor pela música e muito mais.

Você, fã de prog, não pode perder!

Visite a página da banda em: bigbigtrain.com

1. Olá Nick, Greg e David, sejam bem-vindos e obrigado pela entrevista!

David: Olá André, obrigado por esta entrevista e um grande alô a todos os proggers leitores.

Nick: Olá gente linda do Brasil! 
(Nota: Nick disse a frase em português)

2. O Big Big Train acaba de lançar um novo álbum. Como vocês estão se sentindo sobre a recepção de "Grand Tour"?

Nick: Adorando! Acho que foi um trabalho concluído lindamente. Eu gosto de ouvir nele as nuances que todos trouxemos para a música após estes 10 anos juntos. Nós realmente temos um "som".

David: A recepção está sendo ótima. Estou muito satisfeito com o fluxo do material e pela jornada em que o ouvinte é conduzido.

Greg: Eu considero sempre uma experiência estranha para nós músicos e compositores. Nós sempre trabalhamos em um álbum e vivemos com ele por meses e até mesmo anos, até que ele chega ao mundo todo. Todo músico lê resenhas, mas, a única coisa que pode ser feita para ser fiel a si mesmo, é lê-las e depois ignorá-las.

3. Na minha opinião, "Grand Tour" é como uma afirmação do brilhantismo de cada um dos membros da banda. Vocês têm lançado um álbum incrível após o outro e tornaram-se um dos maiores nomes da cena prog atual. Então, quem é o culpado? (risos). Quero dizer, a banda está em um grande momento, certo?

David: Nós realmente inserimos uma grande quantidade de cuidado e dedicação na música que fazemos. Com o "Grand Tour", nós estávamos definitivamente tentando melhorar o nosso desempenho e levar a nossa música adiante. É o que sempre tentamos a cada lançamento.

Nick: Estamos sim em um bom momento, mas poderíamos estar em um lugar muito melhor, como por exemplo tocando no Brasil! (risos). Isso seria ótimo. Falando sério, estamos sim em um ótimo momento, mas acho que o melhor ainda está por vir para o BBT.

4. Greg, eu tenho certeza que o Big Big Train cresceu muito musicalmente após a chegada de Nick e David. Olhando um pouco para o passado, você sentiu que a banda precisava desse complemento naquele período?

Greg: Sim, com certeza. Nós estávamos indo bem com o aumento das vendas dos nossos álbuns, mas eu achava que poderíamos fazer muito melhor. Um dos melhores conselhos que já recebi é: cercar-se de pessoas talentosas e, durante os álbuns "The Difference Machine" e "The Underfall Yard", decidi renovar algumas coisas e trazer duas das pessoas mais talentosas que já conheci: Nick e David. Na época, eu não sabia se conseguiríamos fazer um ou dois álbuns juntos, mas, no final, nós três formamos o núcleo do que a banda Big Big Train se tornaria dez anos depois. Mais tarde, conseguimos trazer Dave, Danny, Rachel e Rikard para completar o line-up de hoje.

5. Essa é para David e Nick: Vocês já conheciam o Big Big Train e os álbuns lançados pela banda quando chegaram? Quais as suas memórias Nick, em "The Difference Machine" e suas David, em "The Underfall Yard"?

Nick: Eu comecei a trabalhar com a banda como um músico de estúdio apenas. Já tinha ouvido falar, mas não conhecia Greg e Andy. Gostei muito das sessões. Naquele momento eu já tinha ido bastante ao estúdio de Rob Aubrey para trabalhar em algumas sessões e nosso jeito de trabalhar era bastante agradável. Sempre achei o setup dele bastante confortável e que soava muito bem, o que facilitou bastante o aprendizado das músicas mais difíceis. Além disso, Greg sabia bem o que esperar de mim e também me deu liberdade para fazer as coisas do meu jeito, o que proporcionou ótimos momentos naquelas sessões de gravação.

David: Não, eu não conhecia a banda até chegar ao estúdio de Rob Aubrey e ele me mostrar as músicas. O "Underfall Yard" foi um grande momento. Naquele período nós éramos músicos de estúdio e queríamos usar esta experiência para criar música dramática e cinematográfica. As músicas já tinham sido escritas, então trabalhei em arranjos vocais mais extendidos e backing vocals. As músicas tinham muitas letras, então pensei em separá-las entre linhas principais e de backing vocais, dando-as mais espaço e as deixando respirar mais facilmente. Isso é algo que ainda faço com o BBT. Eu também adicionei alguns instrumentos mais exóticos nas gravações, Psaltery, Dulcimer, etc. "The Underfall Yard" foi o meu início com o BBT e tenho ótimas lembranças de quando trabalhei nele.

6. Greg, "Grand Tour" possui, assim como os álbuns anteriores, ótimos conceitos líricos e histórias. Quem é o compositor principal das letras? Vocês possuem regras ou algum requisito para a escrita da parte lírica?

Greg: Em geral, somos eu ou David os responsáveis pelas letras, apesar de não ser uma regra predefinida, já que todos podem contribuir e escrever. Acho que todos nós temos um entendimento de que o BBT tem um som e identidade específicos, então nós geralmente apresentamos músicas que funcionarão com o tipo de assunto sobre o qual escrevemos. Na composição das letras, eu e David temos livros cheios de letras e ideias para músicas. No "Grand Tour", tivemos um tema para o álbum, então buscamos por letras compatíveis com este conceito.

7. Como vocês gostam de contar histórias, vocês já pensaram em criar um trabalho conceitual com base em uma história completa?

Greg: Sim, alguns anos antes de gravarmos "Folklore", nós dedicamos um bom tempo para desenvolver um álbum conceitual completo. David tinha o esboço de uma grande história e compôs várias músicas para ela. Eu também tinha composto três ou quatro músicas. No final, nós não sentimos que lançar um álbum duplo conceitual seria o certo a ser feito naquele momento da nossa carreira. Álbuns conceituais não estavam sendo bem aceitos naquele momento, apesar de terem ganhado mais popularidade nos anos seguintes. Bons exemplos são os álbuns "The Lamb" e "Topographic Oceans", que causaram problemas para o Genesis e Yes quando foram lançados. Tendo progredido bastante com os "English Electric", optamos por não seguir este caminho. Mas, esperamos que estas músicas vejam a luz do dia em algum momento.

8. Não sei se vocês sabem, mas o Big Big Train possui um número grande de fãs aqui no Brasil, inclusive muitos dos seus álbuns já foram resenhados em nosso site. Vocês já consideraram fazer uma turnê sulamericana?

Greg: Nós tocaremos na Flórida em 2020 e depois subiremos para mais alguns shows nos Estados Unidos e Canadá. Infelizmente, esta agenda não nos permite seguir para a América do Sul. Nos próximos anos, estaremos sim considerando fazer alguns shows no Brasil. Nós observamos as informações de streaming e temos realmente bons seguidores por aí, no Chile e México.

9. David, você está sempre contribuindo com material de qualidade para o BBT. O que lhe inspira a fazer música?

David: Sou um cantor e também um compositor. É o que eu faço e é como me relaciono com o mundo. Como inspiração, eu ouço diversos tipos de música, leio livros e poesias. Sou interessado em pessoas e lugares históricos. Gosto de músicas que contam histórias e existem muitas coisas para escrever sobre, bastando apenas procurar.

10. E como vocês conseguem identificar se uma música se tornará uma canção épica como "East Cost Racer"? Vocês começam com um planejamento ou apenas deixam a inspiração seguir o seu caminho?

David: Falando por mim, a minha música é sempre composta e depois arranjada. É um processo bem específico. Eu tento e depois sirvo a canção para tentar fazer as coisas funcionarem da melhor maneira, mas geralmente é a minha inspiração que molda e afia este processo.

Greg: "East Coast Racer" é um bom estudo de caso. Eu sabia sobre o que eu queria escrever, uma história da humanidade e das máquinas, mas não queria que se tornasse uma canção épica. Ela poderia ter sido concluída com seis ou sete minutos, e não quinze como acabou por ser. No final, ela acabou evoluindo para uma peça mais longa. Eu principalmente fui levado pela música que continuava a me inspirar a escrever, além de também ter achado a história interessante e precisava de mais tempo para contá-la devidamente. Contar histórias mais longas é uma das grandes dádivas da música progressiva. Não precisamos cortar nada em três ou quatro minutos e podemos fazer o que quisermos.

11. Nick, como o Genesis é uma influência para todos da banda, é impossível não perguntar: você já pensou em algum momento como o Genesis teria soado se David tivesse recebido o posto de vocalista ao invés de Ray Wilson? Vocês já conversaram sobre isso?

Nick: Sinceramente, nunca pensei muito sobre isso. David teria soado maravilhosamente cantando no grupo e talvez o álbum teria sido melhor. Mas, o Ray fez um ótimo trabalho e as coisas na vida são assim. Foi um ótimo momento para mim e imagino que para o Ray também.

12. E você David, já pensou alguma vez sobre isso?

David: Quando trabalhei com Tony e Mike, eles tinham acabado de perder Phil Collins e era algo enorme encontrar alguém para substituí-lo em uma banda com tamanho sucesso. Foi há muito tempo atrás e jamais saberemos como teria soado comigo cantando para eles. Eu acho que Ray foi bem em "Calling All Stations", mas não era o Phil nos olhos e ouvidos dos adoradores da banda. Acho que teria sido difícil para qualquer um que tivesse assumido o posto de vocalista. Acho que o meu trabalho com o BBT mostra bem quais teriam sido as minhas contribuições musicais.

13. Nick, eu recentemente tive contato com um dos seus projetos e gostei bastante. Teremos novidades do grupo The Fringe no futuro?

Nick: Sim! Eu amo tocar com Randy e Jonas. Todos estamos ocupados agora, mas há definitivamente o desejo de fazer um novo álbum do The Fringe.

14. Nós sabemos que a indústria fonográfica mudou muito nos últimos dez anos. Quais as opiniões de vocês sobre streaming e compartilhamento de músicas?. Ainda haverá espaço para bandas e artistas?

Nick: Felizmente, nossos fãs do BBT compram nossos álbuns, mas, se qualquer banda precisa e quer fazer dinheiro, ela precisa fazer shows.

David: Acho que a maneira como a música é feita, adquirida e compartilhada pelo mundo, é uma mudança perpetuada. É uma maneira que nos dá algumas oportunidades que antes não tínhamos, mas também existe o lado negativo. Creio que os músicos atuais precisam se adaptar às novas tecnologias.

Greg: Complementando o que o David disse, nós vivemos em tempos interessantes e é difícil para os músicos se manterem no topo destas mudanças. Há um ou dois anos atrás, eu pensava que seria possível nos sustentar através da venda de álbuns. Agora, vejo que o streaming é uma tecnologia dominante e que as vendas continuarão caindo. Nós estamos no top 40 do Reino Unido hoje, mas isso não determina que as nossas vendas aumentarão, pois as pessoas ainda estão em transição de tecnologias. Assim, concordo com o Nick e temos que focar em fazer mais turnês nos próximos anos.

15. David, você lançou um álbum solo em 2004, chamado "Wild River". Nunca consegui ouví-lo, pois simplesmente não consigo encontrar aqui no Brasil. Você poderia nos contar um pouco sobre ele, se você planeja relançá-lo e também gravar um novo trabalho solo?

David: "Wild River" foi o meu primeiro álbum solo. Foi lançado em 2004 e neste momento não está disponível, mas estamos planejando relançá-lo pela English Electric Recordings. Também tenho a intenção de fazer um novo álbum solo, que será mais direcionado para o material cantor/compositor.

Greg: "Wild River" é um álbum belíssimo e definitivamente deve ser relançado. Nick também está trabalhando no Abbey Road Studios em seu álbum solo e estive por lá em algumas sessões de cordas. Será um álbum monstruoso!

16. E como vocês, David e Nick, definem estes dez (doze para Nick) anos trabalhando com o fantástico Greg Spawton e com o Big Big Train?

David: Fazer parte do Big Big Train é um prazer absoluto. Trabalhar com o Greg e com os demais músicos certamente fez a minha vida melhor. Dez anos é um bom tempo e fomos nos fortalecendo durante esta trajetória. Tem sido uma jornada incrível.

Nick: Bem, você está certo, o Greg é fantástico! O Big Big Train é uma banda maravilhosa de fazer parte. Eu simplesmente amo cada segundo ao lado dos meus irmãos (e irmã) de guerra.

17. E você Greg, se vê satisfeito com esta entidade criada em 1990 chamada Big Big Train e com tudo o que vocês conseguiram como músicos e como família?

Greg: Tem sido fantástico! Honestamente, foram vários momentos em que pensei que estávamos fazendo música apenas para nós mesmos. Agora, estamos construindo um público que nos segue. Conseguimos formar uma grande parceria dentro da banda e vejo que o futuro nos trará grandes aventuras.

18. Antes de encerrarmos, Greg, você poderia nos indicar um álbum do Big Big Train como sugestão para um fã iniciante? Considera "Grand Tour" é uma boa opção?

Greg: Acredito que um bom álbum introdutório seja o "Folklore", pois cobre os diversos estilos que nós exploramos. Mas eu definitivamente recomendo que ouçam o "Grand Tour".

19. Agradeço novamente a atenção dedicada ao 80 Minutos e ao Brasil. Nick, David e Greg, obrigado!

Nick: Obrigado pela oportunidade! Eu tive o prazer de tocar no Brasil com o Tears For Fears, em meados da década de 90. É um país lindo e repleto de pessoas apaixonadas por música. Espero vê-los novamente com um grande show do Big Big Train.

David: Obrigado pelas perguntas André. Adoraríamos tocar no Brasil no futuro.

Greg: Obrigado a você André. Espero conhecê-lo no Brasil nos próximos anos.


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