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Entrevista - Steve Hogarth

Relacionado com: Marillion, Steve Hogarth
Data da Entrevista: 26/06/2019
Autor: André Luiz Paiz

Acessos: 862

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Steve Hogarth, a voz do Marillion há mais de trinta anos estará de volta ao Brasil com a sua turnê solo "H Natural". Nela, uma apresentação intimista, com Steve, o piano e o público, tocando clássicos da sua banda.

Para promover a turnê com shows já confirmados no Brasil, Steve atendeu exclusivamente o site do 80 Minutos para falar da turnê e também dos seus trinta anos ao lado deste grande nome da música, o Marillion.
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1. Intro. Olá Steve, seja bem-vindo!

Olá a todos. É ótimo falar com vocês.

2. Estamos aqui para falar sobre algo muito especial, pois você anunciou recentemente que estará vindo para a América do Sul com a turnê "H Natural". Como você está se sentindo e o que podemos esperar destes shows?

Estou nervoso (risos). Os shows da "H Natural" são sempre assustadores, pois não tenho como me esconder. Eu tenho um milhão de acordes de piano para acertar. Nunca tive problema para me lembrar das letras, mas acordes são mais difíceis. Os shows serão únicos. Eles refletirão a atmosfera e o humor do público daquela noite.

3. Eu acho que é uma ótima ideia interagir com os fãs em um evento mais introspectivo. Como essa ideia surgiu?

Eu tenho uma conta alta de impostos para pagar! (risos). Percebi que a única maneira de pagá-la seria fazendo alguns shows solo. Isso aconteceu há alguns anos e, se não tivesse essa dívida, eu nunca teria começado a fazer isso. Mas, depois que comecei a fazer, eu vi nestes shows solo a oportunidade de fazer diferente, algo muito pessoal e espontâneo para mim.

4. Vocês redescobriram o Brasil com o Marillion na turnê de “Sounds That Can't Be Made”. Eu estava lá em São Paulo e foi uma noite muito especial. Depois disso, o Brasil voltou a fazer parte dos planos do Marillion. Eu acho que nós fizemos vocês saberem que são muito bem-vindos aqui, certo?

Isso é ótimo saber. Eu amo Brasil e me sinto em casa quando estou no seu país.

5. Você trará algum convidado nesta turnê?

Não. Nem mesmo uma apresentação de abertura. Sou eu e mais ninguém.

6. H, olhando um pouco para o passado, “Seasons End” foi lançado 1989, que celebra o seu 30º aniversário com Marillion. Você poderia compartilhar algumas de suas melhores lembranças daquele primeiro período com a banda?

Gravar “Seasons End” foi um luxo. Ele foi gravado em um dos estúdios mais luxuosos do Reino Unido, o “Hook End Manor”. Uma linda mansão em  Oxfordshire, com lindos jardins e que continha um estúdio que era o estado da arte. Tinha também uma equipe de funcionárias para cuidar da gente, cozinhando, lavando roupa, fazendo coquetéis, etc. Nos mudamos para lá em Abril e o sol brilhou todos os dias, o que é bem difícil na Inglaterra. Eu pensei que tinha morrido e ido pro céu.
Fizemos o álbum lá, lançamos e viajamos bastante. Em todos os lugares que fui, me receberam calorosamente - mesmo eu sendo um impostor naquele momento - principalmente em São Paulo e no Rio, onde fizemos o Hollywood Rock, em janeiro de 1990. Estas são as minhas melhores lembranças.

7. Você se lembra que escalou os PA’s no Hollywood Rock? Para nós é inesquecível.

Sim. É inesquecível para mim também. Nós estávamos em contato com todas aquelas super estrelas. Então eu pensei que seria melhor fazer algo radical, aí subi no PA (risos).

8. E depois disso, você se estabeleceu a sua personalidade na banda com "Holidays In Eden" e, posteriormente, com o clássico "Brave". Outro ótimo período para o grupo, certo? Para mim, você trouxe ainda mais energia e diversidade para a banda, o que parecia necessário naquele momento.

Quando eu conheci a banda, eu primeiramente perguntei: "O que vocês estão precisando exatamente?". Eles disseram: "Nós gostamos do que você faz e queremos que continue fazendo, mas conosco!". Então, na minha cabeça, a banda passou a ser um experimento. Começamos a experimentar e continuamos até hoje.

9. Os fãs do Marillion adoram "Afraid Of Sunlight", e me incluo nessa, mas foi o último álbum do Marillion com a EMI. Foi um disco que eles não gostaram?

Eu acho que o “Brave” os confundiu, deixando-os alienados. Eles simplesmente não sabiam como vendê-lo e, para promovê-lo, teriam que gastar uma quantia enorme de dinheiro, sem saber como justificar. O disco não tinha hits óbvios, então eles não sabiam o que fazer. Assim, eles perderam interesse na banda. Pouco depois, nosso empresário os persuadiu e conseguiu mais um álbum, que foi o AOS. Lembro-me que o CEO da EMI disse a mim: “Dê-me um hit Steve!”, e foi assim que escrevemos “Beautiful”. Mesmo assim, naquele momento a EMI estava mais preocupada com grupos como o Radiohead e o Blur. Quem pode culpá-los? Duas bandas incríveis! Então, AOS obviamente não era uma prioridade para eles. Enquanto eles promoviam, nós já estávamos percebendo que eles nos acenavam e diziam adeus. Ironicamente, eu acho que este é o melhor álbum que fizemos com eles.

10. Depois de sair da EMI, a Castle Communications foi a empresa responsável pela distribuição de três álbuns do Marillion . Que lembranças você tem do período de "This Strange Engine", "Radiation" e "Marillion.com", três de seus álbuns mais acessíveis?

Eu luto para lembrar deste período. Nós simplesmente seguimos experimentando. Acho que Steve Rothery estava tentando mudar o seu som de guitarra, tentando coisas diferentes. Ele abandonou a sua marca registrada com chorus e delays para algo mais crú e honesto. Eu o respeito por isso. Dave Meegan mixou o TSE. Nosso engenheiro Stuart Every gravou e mixou “Radiation”, em que nós quisemos soar mais energéticos e crús. Quando chegamos em “Marillion.com”, conhecemos o Steven Wilson e pedimos para que ele mixasse uma boa parte dele. Desde então, ele vem mixando e remasterizando alguns dos nossos álbuns - “Brave” foi mais recentemente - quando nosso super produtor Michael Hunter não está disponível.

11. Após esse período, o Marillion e estabeleceu um novo conceito, que agora é definido como “Crowdfunding”. Foi a escolha certa para "Anoraknophobia"? Vocês estavam cansados de lidar com gravadoras?

Sim! Nós chegamos à conclusão de que sabíamos mais sobre negócios e MUITO MAIS sobre a nossa música do que as pessoas que cuidavam das nossas carreiras. Nós precisávamos ter este controle. Felizmente, as mídias e redes sociais estavam se estabelecendo naquele momento, o que nos permitiu fazer uso de alguns truques para conseguir uma lista enorme de endereços e-mail para o nosso banco de dados. Nós conseguimos descobrir quem são os nossos fãs e onde vivem! Em seguida, alguém da banda teve a ideia de perguntar aos fãs se eles pagariam por um álbum antes mesmo de ter sido gravado. Deu certo e foi assim que inventamos o Crowdfunding! Depois, roubamos Lucy Jordache da EMI, pois ela sim sabe mais sobre os nossos negócios e a nossa música do que nós mesmos. Este também foi um momento especial. Hoje, trabalhamos todos felizes e com uma grande família de técnicos e profissionais ao nosso redor.

12. “Marbles” trouxe a banda de volta com composições mais sensíveis, que foi a mesma abordagem de “Brave” e também do álbum seguinte “Somewhere Else”. Foi planejado para ser assim? Vocês fazem planos antes de iniciar o processo de fazer música?

Eu escrevo a todo instante e a qualquer momento em que estou motivado para dizer algo. Tudo é armazenado e utilizado quando nós nos reunimos para as jams, onde sempre tento encaixar algo com a música. Tudo que fazemos é gravado, então, quando um bom imprevisto acontece, já está capturado e podemos trabalhar naquilo. Não há planejamento. Nós não somos espertos o suficiente para planejar algo, mas, ao mesmo tempo, somos inteligentes o suficiente para saber que planejar arte atrapalha tudo.

13. Com “Happiness Is The Road”, “Sounds That Can’t Be Made” e agora com o ótimo “FEAR”, a banda parece estar em um ótimo momento, ainda produzindo boa música e sendo honesta com os fãs. Você ainda sente prazer em ser criativo?

Eu adoro aqueles momentos em que música e letras se casam como se tivessem nascido uma para a outra. Mas eu não gosto de pressão e da obrigação de ter que criar. Ser um músico profissional e um compositor significa viver com uma pressão interna de estar sempre compondo. Eu odeio isso. É uma coisa que elimina todo o prazer dos meus dias. Mas, eu devo me lembrar de que nós já criamos muito e que preciso relaxar e deixar as coisas acontecerem. E eventualmente acontecem.

14. Haverá um novo álbum Marillion em um futuro próximo?

Talvez para o fim de 2020. Está bem cedo para dizer algo.

15. E sobre um novo álbum solo? Existem planos?

 Quando você acha que eu teria tempo pra fazer isso? (risos)

16. Steve, se você tivesse que escolher um álbum da sua carreira para sugerir a um novo fã como ponto de partida, qual você escolheria?

Fuck Everyone And Run (F.E.A.R.)

17. Neste mesmo momento em que estamos conversando, alguém está lá fora, no trabalho, no supermercado, ou na academia ou ouvindo a sua música. Qual é o sentimento de fazer parte da vida de tantas pessoas e quão importante é um fã para você?

É surreal. É também um privilégio monstruoso poder estar dentro da cabeça e coração de uma pessoa. Só por ser ouvido já me sinto sortudo. Também estou certo de que existem escritores e músicos brilhantes por aí, mas que nunca tiveram essa oportunidade. Não basta ser bom, você também precisa de sorte. Os fãs são tudo! Sem eles, a banda jamais poderia seguir adiante e criar. Nossos fãs são uma família a nível global agora e temos uma relação muito próxima com eles. É maravilhoso.

18. Steve, agradeço demais pela sua atenção. Tenho certeza que a turnê será um sucesso. O Brazil ama você!

O sentimento é mútuo. Muito obrigado!
E a todos vocês, se você quiser me conhecer melhor, venha para os meus shows. Você poderá conversar comigo, me dizer quais as suas músicas favoritas e me perguntar o significado delas. Eu demonstrarei tudo com muita verdade em música e palavras. A minha verdade! Em um mundo de meias verdades, pode ser uma mudança bastante agradável.


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