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Entrevista - John Mitchell

Relacionado com: Arena, Frost*, It Bites, Kino, Lonely Robot, The Urbane
Data da Entrevista: 04/04/2019
Autor: André Luiz Paiz

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John Mitchell segue incansável. Após lançar "The Big Dream" com o projeto Lonely Robot e "Radio Voltaire" com o Kino, o guitarrista também dos grupos Arena, The Urbane e Frost*, nos brinda agora com a conclusão da sua trilogia. "Under Stars" está chegando e John Mitchell atendeu ao nosso pedido e nos concedeu uma entrevista exclusiva para falar sobre este novo trabalho e demais projetos.

Saiba como adquirir a sua cópia de "Under Stars" no site da InsideOut.

1. Olá John, meu nome é André e eu falo em nome do 80 Minutos, um site brasileiro criado para que as pessoas possam comentar sobre os seus álbuns favoritos. Obrigado por falar conosco!

Olá Brasil!

2. John, você anunciou recentemente que um novo álbum do Lonely Robot está a caminho. Como você está se sentindo com mais este lançamento?

Estou me sentindo muito positivo neste momento. Este trabalho representa a primeira vez que eu faço três álbuns completos com a minha música e sob o título de um único projeto, completando assim uma trilogia. Também é a primeira vez que eu consigo cumprir um prazo, o que é uma conquista. Eu não sou muito bom em terminar as coisas dentro do prazo. Eu também estou muito orgulhoso dele musicalmente. Acho que o trabalho conclui muito bem a trilogia e tem uma ótima sonoridade. É um pouco diferente dos demais devido ao seu foco maior em sintetizadores do que na guitarra.

3. Com “Under Stars” a trilogia chegou ao final. Quais serão os desafios enfrentados pelo nosso astronauta desta vez?

Sim, é o fim da trilogia do Astronauta. O personagem é uma metáfora para nós, a raça humana. Desta vez, as músicas são sobre como nós todos nos tornamos desconectados como espécie. Dizem por aí que a mídia social é uma coisa boa. Eu peço desculpas, mas não concordo. Acho que diminuiu drasticamente nossa capacidade de nos comunicar efetivamente de perto. Eu até conheço algumas pessoas que não conseguem lidar com o confronto envolvido ao atender um telefonema. É ridículo quando você pensa sobre isso. 

4. Apesar de “Please Come Home” e “The Big Dream” não serem álbuns conceituais, todos possuem atmosfera similar ao redor de um tema central, sendo que você utilizou os mesmos conceitos com “Under Stars”. Você já pensou em escrever um álbum conceitual completo no futuro, baseado em uma história completa e tudo mais?

Eu prefiro manter a ideia do "álbum temático". Escrever um álbum conceitual prende você a uma narrativa estrita, um arco de história, o que é um pouco rígido demais para o meu gosto. Além disso, na minha opinião, praticamente toda história para um álbum conceitual ou variante dela já foi feita até a morte. Por último, eu tenho que dizer que a grande maioria dos álbuns conceituais prog existentes parece pesar no fato de que eles são conceituais por causa de um enredo bem terrível e tênue. Eu prefiro particularmente não me prender nesse tipo de associação.

5. Atingindo a marca de três álbuns lançados com o Lonely Robot em quatro anos, podemos certamente afirmar de que o nome é bem mais do que um projeto, certo? Após este lançamento, é possível prever o que o futuro trará para o Lonely Robot?

Eu realmente não consigo definir bem o termo “projeto”, para ser honesto. Eu sempre associo um projeto a algo que é finito. Associo a palavra projeto a algo como fazer uma mesa de madeira ou algo do tipo. O nome Lonely Robot é apenas um rótulo sob o qual eu faço música. Eu suponho então que ele é finito até enquanto eu estiver vivo (risos).

6. Lembro-me que você disse há pouco tempo que o Lonely Robot surgiu para preencher o espaço deixado pelo projeto Kino, que estava adormecido. E agora o Kino está de volta e você está com os dois. Teremos mais novidades sobre o Kino no futuro? Vocês já conversaram sobre não demorar tanto tempo para lançar um novo álbum como aconteceu com “Radio Voltaire”? 

Eu fiz o álbum do Kino porque eu queria continuar escrevendo músicas depois do lançamento de “The Big Dream”. Eu estava em um pouco “de boa”, como dizem por aí. O problema com o álbum do Kino foi que eu acabei fazendo o trabalho praticamente sozinho devido ao pequeno prazo que tínhamos e problemas de agendas dos outros membros, o que foge bastante do termo “colaboração”. Pete estava ocupado em Nova York na época com o Edison's Children e John Beck estava ocupado com o Fish. Eu ficaria feliz em fazer outro álbum do Kino, mas não nesses termos, pois o último eu poderia ter definido como um álbum solo e com apenas algumas contribuições de Pete. 

7. John, o Arena lançou recentemente o elogiado álbum “Double Vision”. Você está satisfeito com ele? Quanto de John Mitchell nós podemos ouvir nele? Poucas pessoas sabem mas, além de contribuir nas composições, você é o responsável pela fantástica mixagem e masterização do álbum.

A maneira que o Arena compõe, é que todos nós contribuímos com riffs e ideias, até que Clive e Mick as transformam em peças musicais. Clive, em seguida, escreve todas as letras e grava as linhas vocais e, no caso do “Double Vision”, eu mixei e masterizei. Em resposta à sua pergunta, eu escrevi vários riffs de guitarra que você pode ouvir em todo o álbum. E sim, estou muito satisfeito com a mixagem. Eu acho que muito bem, mas será que eu diria o contrário (risos)? 

8. Você é integrante do grupo há mais de vinte anos. É notável que a sua parceria com Clive e Mick aprimorou muito a sonoridade da banda. Como você define a sua contribuição para a banda durante toda esta trajetória?

Eu acho que quando você entra para qualquer banda, você tem que criar a sua própria marca. Não há absolutamente nenhum propósito em copiar o cara antes de você. Keith More era um guitarrista muito técnico e talvez eu não seja tão chamativo no meu modo de tocar. Espero que o que eu trouxe para a mesa tenha sido uma carga de melodia maior do que a destreza técnica. Eu preferiria ouvir David Gilmour  a John Petrucci em qualquer dia da semana. Isso não quer dizer que John Petrucci não seja um grande guitarrista do ponto de vista técnico, pois isso é a sua marca. Eu simplesmente prefiro Gilmour e as abordagens mais simplistas (risos). Claro que o meu comentário pode soar como se eu estivesse dizendo isso por inveja, já que eu não posso tocar como o John Petrucci (risos) 

9. Você recentemente lançou um trabalho em parceria com a vocalista Kim Seviour que, se não me engano, participou do álbum “The Big Dream”. Após o lançamento de “Recovery Is Learning”, vocês chegaram a conversar sobre o lançamento de um novo trabalho?

Kim não participou do “The Big Dream”. Quem cantou nele foi uma amiga minha chamada Bonita McKinney. Kim cantou em uma música do álbum “Please Come Home”, chamada “Oubliette”. Curiosamente, eu falei com ela sobre escrever mais algumas músicas há poucas semanas atrás. Poderemos fazer algo no futuro, mas teremos que esperar para ver. 

10. E sobre os seus demais projetos? Veremos algo novo das bandas Frost*, It Bites ou The Urbane?

Eu acredito que Jem começará a escrever outro álbum do Frost * ainda este ano, mas ele é um cara ocupado, então teremos que esperar para ver. Duvido muito que você veja um outro álbum do It Bites com a minha participação, pois este navio partiu há um bom tempo. Por fim, é provável que acabaremos o 3º álbum do The Urbane ainda este ano, pois está praticamente pronto. Dito isso, acho que prefiro fazer menos coisas e passar mais tempo fazendo o que faço agora. Há uma tendência na terra do Prog Rock de que as pessoas se espalhem muito pouco entre projetos. 

11. É possível uma banda de qualquer país entrar em contato com você para contratá-lo como engenheiro de estúdio para gravação de material musical?

Sim, claro. Visite o site  www.outhousestudios.co.uk e entre em contato comigo através do formulário de contato. É simples assim.

12. Você poderia nomear os seus três álbuns favoritos de toda a sua carreira?

The Urbane: “Glitter”
It Bites: “Map Of The Past”
Lonely Robot: “Under Stars”

13. O conceito do 80 Minutos é permitir aos usuários classificar e relatar sua experiência durante os 80 minutos de duração de um disco. Há alguma banda ou álbum que você tenha ouvido recentemente e que vale a recomendação?

The Midnight: “Endless Summer”. Não é um álbum de progressivo. Ele se enquadra mais na categoria “Synth-Wave”, que é basicamente música eletrônica dos anos 80 com um toque moderno. É um álbum muito melódico e que recomendo fortemente. Fiz até um cover da música “Synthetic” e está no YouTube.

14. John, agradeço enormemente a sua atenção e desejo-lhe sucesso com “Under Stars” e demais projetos. Nós esperamos que você possa vir ao Brasil o mais rápido possível. Este último espaço é seu. Muito obrigado!

Muito obrigado a você que está lendo. Espero que você curta “Under Stars” da mesma maneira que eu curti gravá-lo. E eu curti muito!


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