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Entrevista - Marcelo Barbosa

Relacionado com: Almah, Angra, Khallice, Marcelo Barbosa
Data da Entrevista: 07/03/2019
Autor: André Luiz Paiz

Acessos: 296

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Marcelo Barbosa é um guitarrista que merece destaque por vários motivos. Primeiro, por ter assumido com excelência o lugar de Kiko Loureiro na banda de power metal brasileira Angra. Segundo, por conseguir se sobressair em todos os seus projetos, seja ao lado de Edu Falaschi com o grupo Almah ou com a MB Guitar Academy, sua famosa escola online de guitarra.
Marcelo encarou o desafio de substituir Kiko e junto com o Angra lançaram "ØMNI", um dos melhores trabalhos da banda, tendo rompido barreiras e recebido diversas premiações. O álbum rendeu uma enorme turnê mundial em 2018, que resgatou o Angra como novamente uma banda que merece o posto de principal destaque na cena metal do Brasil.

Recuperando as energias para mais uma turnê, agora pelo Brasil, Marcelo gentilmente nos atendeu para falar um pouco sobre o turbilhão de emoções diante deste álbum tão bem recebido, de uma turnê tão longa e do merecido reconhecimento como substituto digno de Kiko, um dos fundadores do grupo. Se humildade e sucesso caminham lado a lado, Marcelo definitivamente merece todos os frutos que está colhendo.

Confira mais esta exclusiva para o 80 Minutos.

1. Olá Marcelo, obrigado mais uma vez por falar conosco. Seja bem-vindo!

Fala galera, aqui é o Marcelo Barbosa, guitarrista do Angra e é um prazer estar aqui respondendo a estas perguntas para o 80 Minutos. Vamo que vamo!

2. O Angra finalizou no final de 2018 uma das suas maiores e mais longas turnês. Foram mais de 100 shows, praticamente encerrando um ciclo com o Angra Fest. O que você trouxe como lembrança na memória e quais foram os momentos mais especiais?

Pois é, foi uma turnê muito extensa e muito cansativa. Foi intensa também. Foi extensa e intensa. Foram 102 shows em menos de 10 meses, fora os outros shows que faço quando estou aqui no Brasil. Então, acredito que ano passado eu tenha chegado a 140 shows. Colocando junto a isso meus cursos online e minha escola física de música – são duas unidades em Brasília - foi um ano bastante difícil, mas gratificante também. É difícil escolher um momento especial porque foi tão extenso que, em cada uma das pernas da turnê, tivemos momentos especiais, seja na Europa, América Latina ou Japão. O que trago comigo é uma experiência única de ter tocado uma turnê mundial, com tantos shows e um álbum tão bem recebido, no qual eu tive o prazer de ter feito parte, tanto na gravação como no processo de composição. Então, fica o orgulho de ter realizado este trabalho e um aceite para que o próximo seja tão forte quanto este.

3. Já há data para lançamento do DVD ao vivo? Há algo sobre ele que você pode nos adiantar? Teremos extras e tudo mais?

O DVD obviamente já está gravado. Já tem alguma edição, mas não está totalmente pronto porque alguns recalls foram pedidos para que fique perfeito. O que eu vi já está muito bonito e tenho certeza que a galera irá curtir. Tem a participação especial da Sandy, mais do que especial, diferente e inusitada. E sim, teremos muitos extras contendo clipes e coisas do gênero. Não temos ainda uma data prevista, pois estamos em negociação com a gravadora sobre o momento de lançá-lo. Mas, em breve teremos novidades sobre este projeto.

4. Marcelo, “ØMNI” provou a sua força através do retorno dos fãs. Sendo o seu primeiro álbum com o Angra, qual a sensação de experienciar tamanho sucesso e aceitação?

Ah, para mim, com certeza tem um gosto especial. Todo esse sucesso e recepção em relação ao “ØMNI”, porque, querendo ou não, eu entrei no lugar de um guitarrista fundador da banda e um músico incrível, que dispensa comentários a respeito. É aquela história, caso o disco viesse a não ser tão aceito como foi, certamente parte da culpa, sendo isso verdade ou não, cairia sobre mim, porque eu fui a mudança entre o último álbum e este. Graças a Deus fizemos este álbum, que acabou de ficar em segundo lugar perdendo apenas para o Judas Priest, nas eleições da Burn, que é a revista mais importante do Japão e uma das mais importantes do mundo quando se trata de heavy metal. Então, se ainda havia dúvida, essa conquista veio para fechar com chave de ouro. Fiquei muito feliz com o resultado, satisfeito, e sei que é só o começo, pois próximo será melhor ainda.

5. A banda já conversou sobre direcionamento e início do próximo álbum de estúdio? Vocês chegaram a compôr algo na estrada? A banda sairá novamente em turnê em meados de 2019, certo? O que virá depois?

Não, direcionamento para o próximo álbum ainda não. Nós com certeza começaremos a trabalhar melhor nas ideias no segundo semestre. A princípio é essa ideia, começar no segundo semestre de 2019. Sim, fizemos algumas brincadeiras e algumas jams na estrada, que já serão aproveitadas como ideias embrionárias para escrever o álbum em cima. Mas, está tudo muito ainda no começo.
Nós faremos uma turnê agora entre maio e junho, só alguns show no Brasil e, a princípio, essa é a agenda da banda para este ano em termos de shows. E aí, nós iremos nos concentrar para a produção de um novo trabalho.

6. E como foi para conciliar o seu trabalho paralelo com a sua escola online para guitarristas enquanto estava em turnê?

Pois é, como eu disse, é muito difícil. Graças a Deus com o online, eu consigo ficar o tempo todo conectado, pois a primeira coisa que faço é comprar um chip com plano de internet ilimitada quando chego em um país. O curso online é um dos braços dos meus projetos didáticos. Requer muita atenção e muito cuidado, pois graças a Deus nós temos muitas inscrições por mês. Mas, tem ainda a escola física. São duas unidades, uma na asa sul e outra na asa norte – para quem conhece Brasília. E eu acredito que a escola física, por envolver muitos professores em cada unidade e muitos funcionários, dá mais trabalho do que a online. E é sim cansativo e trabalho em turno dobrado. Ou estou preocupado com o show ou estou preocupado com o que está acontecendo nas empresas. Mas, de qualquer forma, é muito bom e uma coisa sempre acaba ajudando na outra, e estou muito feliz também com este lado do empreendedorismo na minha vida.

7. Falando nisso, você pode nos contar mais sobre este projeto de enorme sucesso e que permite com que alunos de todos os cantos do Brasil possam estudar guitarra através da internet? É possível que uma pessoa com o mínimo de musicalidade se torne um músico em qualquer estilo? E para aqueles que amam o instrumento mas possuem pouco tempo para praticar, há opção?

O MB Guitar Academy é um curso online de guitarra. O curso online possui várias vantagens como, por exemplo, você poder acessar e fazer aulas dentro do seu horário disponível, além de poder pausar e rever uma aula sempre quando precisar. E também poder fazer aulas através do seu celular, iPad, computador ou qualquer outro dispositivo e de onde estiver. É um curso bem completo. É claro que, com maior tempo dedicado, mais rápido virá o resultado. Eu tenho muitos alunos com emprego convencional, têm a guitarra como hobby, estudam em torno de 30 minutos três vezes por semana e conseguem ótimos resultados dentro do que eles almejam. Tenho também alunos com nível profissional e que aí sim necessitam de um tempo maior para alcançar o nível que desejam. Quando mais alto você deseja chegar, mais dedicação será preciso para romper aquela barreira em direção ao próximo nível. Isso é natural em qualquer área da vida.
Algo interessante também, você citou a disponibilidade para guitarristas do Brasil inteiro, mas não é só do Brasil. Tenho alunos guitarristas do México, Argentina, Paraguai e Espanha. Geralmente de países do idioma espanhol. Tenho um grupo fechado no Facebook com mais de 1400 alunos, em que trocamos ideias, dúvidas e sugestões do dia a dia. O MB Guitar Academy tem hoje mais ou menos 3000 alunos. Nem todos estão no grupo de alunos porque não usam o Facebook, esquecem de entrar ou não têm interesse de participar. Mas, é uma comunidade muito unida e rica em informação e só ela já vale a aquisição. Imagina com todo o material disponível no curso.

Visita a página da MB Guitar Academy

8. Uma dúvida que eu sempre tive: Como um guitarrista iniciante pode escolher o seu primeiro equipamento para começar a praticar guitarra? O que você recomenda e indica? O instrumento, mesmo sendo para iniciantes, faz diferença, certo?

Esta questão da escolha do melhor instrumento é muito importante. São três fatores que considero essenciais. O mais importante deles é: quanto você tem de orçamento para adquirir o seu instrumento? Eu o considero mais importante porque os demais dependem dele. O segundo é o feeling, a tocabilidade, você colocar o instrumento no colo e tocar. Se as cordas estão altas, se machucam, se ele é fácil de tocar e de tirar um som. Você precisa realmente ter certeza de que aquele instrumento é confortável pra você. Dependendo da faixa de preço, você vai lidar com produtos confortáveis e menos confortáveis. O terceiro é o som. Você tem que gostar do som. Isso é subjetivo, pois você tem que ter referências dos sons de guitarra que você gosta, testar e ver se agradam o seu ouvido. Por que eu digo que o mais importante é o orçamento? Porque se você gostar do som e a guitarra lhe agradar, mas o orçamento não permitir comprar, de nada adianta. Então, o primeiro de tudo é definir uma faixa de preço do quanto você quer investir numa guitarra. Obviamente, se você tiver um amigo que já toca o instrumento ou um vendedor que você confia, isso ajuda também. Mas, você mantendo estes três fatores em mente, já terá um bom auxílio.

9. Há alguma novidade sobre o grupo Almah? Edu parece estar focado neste momento em seu novo projeto solo com os demais ex-membros do Angra. Você voltará com o grupo se houver um novo lançamento?

Infelizmente muita gente pergunta, mas, não há novidade alguma sobre o Almah. E eu, pessoalmente, não vejo nenhuma possibilidade de volta este ano, se é que vamos voltar um dia. Realmente o Edu está bastante envolvido com seu projeto e eu com o Angra. Mas realmente é mais com o Edu, pois eu não vejo problemas para ele seguir adiante sem mim e encontrar um novo guitarrista ou utilizar alguém que já toque com ele em seu projeto solo se eu não puder continuar. Mas ele parece estar bem feliz tocando estes shows e revivendo os seus momentos de Angra e por isso eu acho difícil que ele queira lançar algo novo com o Almah. Acredito que o desenvolvimento natural seja que ele queira gravar algo com esse projeto solo. E sim, no futuro, se a banda voltar e eu estiver disponível, será um prazer. Eu sou sócio do Edu no projeto, tenho um carinho muito grande por ele, mas, não quero atrapalhar e nem ser motivo para a banda estar parada. Então, se o grupo quiser voltar e eu não estiver disponível no momento, eu não tenho problema e, com aperto no coração, abriria mão de estar no palco com eles.

10. Você já cogitou em lançar um projeto paralelo ou um álbum solo? Digo, algo como fez o Kiko Loureiro em álbuns instrumentais?

Cogitei não, eu tenho um álbum solo quase pronto. Já era pra ter sido lançado há quase dois anos, quando entrei no Angra. Essa entrada me atrasou muito e eu não consegui mais focar no meu álbum solo. Esse ano, no máximo no começo do segundo semestre, ele será lançado. O Thomas Lang gravou a bateria. Eu conto também com o Bruno Wambier, tecladista do Natiruts e meu ex-parceiro de Khallice nos teclados. O Felipe Andreoli está gravando os baixos e já têm três músicas disponíveis no YouTube. Inclusive, gravei um novo clipe em Janeiro quando estive em Los Angeles neste ano. Está muito legal. Fomos para um deserto ali na região da cidade e as imagens estão incríveis. Então, é só esperar que este ano também tem disco solo para ser lançado.

11. É possível notar claramente em seus vídeos que as suas influências vão muito além do power metal. Quais os seus ídolos guitarristas e que lhe fizeram a escolher este instrumento?

Ah sim, é difícil escolher poucos, pois são tantos guitarristas maravilhosos. Mas acho que o principal deles, por ter sido uma grande referência na adolescência, é o Steve Vai. Mas, paralelo a isso eu gosto muito de Andy Timmons e Greg Howe, que foi uma grande influência para mim. Até hoje é. E admiro muitos desses caras novos também, que conhecemos pela internet. Eu tenho dificuldade de nomear apenas alguns, mas esses aí são exemplos dos que eu realmente curto e escuto há muito tempo. 

12. Se você pudesse formar uma banda com os seus ídolos, quem você escolheria para acompanhá-lo na bateria, voz, teclados e baixo?

Cara, que difícil. Bateria Neil Peart, baixo Billy Sheehan, teclado Derek Sherinian. No vocal pode ser o Russell Allen, do Symphony X. Com essa formação aí acho que daria um “caldo bom” (risos).

13. Qual a sua opinião sobre os principais guitarristas da cena metal brasileira? Estamos bem representados?

Sem dúvida nenhuma. O Brasil é uma terra de músicos talentosíssimos. Tem muito guitarrista bom, não só no heavy metal e power metal. No jazz, na MPB, temos guitarristas representando o Brasil pelo mundo inteiro. É muito impressionante a qualidade do músico brasileiro. E no heavy metal e power metal não seria diferente. Estamos sim muito bem representados.

14. O conceito do 80 Minutos é permitir aos usuários classificar e relatar sua experiência durante os 80 minutos de duração de um disco. Há alguma banda ou álbum que você tenha ouvido recentemente e que gostaria de recomendar?

Pra ser sincero, eu acabo sempre ouvindo as mesmas coisas.Eu preciso me forçar a ouvir coisa nova. Acho que a gente acaba sempre ouvindo os artistas que fizeram parte da nossa formação. Mas, recentemente eu ouvi um álbum do Plini, que é um guitarrista excepcional, com muito bom gosto, muito único e com muita personalidade. Não me lembro agora do nome do álbum, mas é o último trabalho dele. Assim fica fácil para vocês procurarem nas plataformas de streaming e no YouTube. Plini! Muito legal o trabalho dele. Um guitarrista incrível.

Saiba mais sobre Plini em seu site oficial

15. Marcelo, foi um prazer falar com você. Desejo-lhe ainda mais sucesso com o Angra em 2019 e projetos futuros. Este último espaço é seu. Obrigado!

O prazer foi meu. Muito obrigado novamente pelo convite. Quero mandar um abraço a todos os leitores. Quero agradecer a todos que votaram em mim pela segunda vez, esqueci de comentar, que fui eleito o melhor guitarrista do Brasil no estilo heavy metal pela revista Roadie Crew. Isso é incrível, pois mostra o carinho do público, o respeito e acaba sendo um reconhecimento. Fico muito feliz com esse feito.
Obrigado a todos do 80 Minutos e que essa seja a primeira de muitas outras entrevistas que faremos juntos.
Um grande abraço e tudo de bom.

Site Oficial de Marcelo Barbosa


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