Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

...

Entrevista - Luiz "tilly" Alexandre

Relacionado com: Silent
Data da Entrevista: 22/02/2019
Autor: Diógenes Ferreira

Acessos: 374

Compartilhar:

Facebook Twitter

Surgido nos anos 90, mesclando o Hard/Melodic Rock com o AOR (Adult Oriented Rock) a banda Silent hoje é referência dentro dessa sonoridade em ‘terra brasilis’. 

Embora durante sua carreira a Silent tenha tido algumas pausas ou adversidades, o grupo teve um início promissor com seu debut “The Bright Side” e desde seu retorno em 2012 a banda ao que parece voltou para ficar e vem trabalhando na colheita de frutos que plantou lá atrás. Conversei com o baterista Luiz Alexandre “Tilly” sobre passado, presente e futuro da Silent e espero que apreciem mais esse bate-papo para o site 80 Minutos.

Caso queira adquirir os cds da banda e conhecer mais sobre a Silent acesse www.silent.band

1. Olá Tilly, é um prazer conversar com você apresentando aos leitores do site 80 Minutos um pouco da história da Silent, o atual momento da banda, planos futuros e o cenário AOR/Melodic Rock Nacional.

Antes de mais nada, obrigado Dio e 80 minutos pelo espaço e pela oportunidade de falar um pouco sobre o Silent.

2. Tilly, gostaria de começar essa entrevista perguntando sobre material novo da banda, que ao que parece vocês já estão trabalhando para o lançamento de mais um álbum da Silent?

Sim, isso mesmo, estamos com um álbum novo “saindo do forno” intitulado FRAGMENTS, seguiu essa semana para a masterização, estamos correndo para lançar neste primeiro semestre.

Segundo o Gustavo é um álbum despretensiosamente conceitual. Conta a história de um garoto, que tem uma vida interior muito intensa cheia de memórias do que poderiam ser vidas passadas ou só imaginação, na verdade não importa, mas o fato é que ele lembra de que, por séculos e mais séculos ele vem nasce e morre, sendo que a razão pela qual ele vive retornando é por amor a uma pessoa, que no álbum é a professora dele. Então toda a história do álbum se passa na cabeça desse personagem entre um intervalo de poucos segundos após uma pergunta que ela faz pra ele.

3. Além de novo material, também temos novidade no line-up da Silent. O que esperar da nova formação?

Verdade, o nosso baixista Douglas Boiago se mudou para fora do Brasil e chamamos um amigo, Roberto Sousa, que tocou em algumas bandas aqui do Rio inclusive como lead vocal, ele foi vocal do Krystal Tears, onde eu o conheci há alguns anos. Já fizemos um show com ele no ano passado e rolou super bem, casou perfeitamente com o estilo da banda.

4. Por falar em formação, somente você e o Gustavo Andriewiski estão desde o começo da banda. Nos fale como iniciou a Silent?

Sim, somente eu e o Gustavo! O Silent começou em Fevereiro de 91, o Gustavo decidiu montar uma banda onde ele cantasse e que o idioma fosse o inglês, a ideia inicial era montar essa banda e em 2 meses estar fazendo shows. Ele já havia contatado um baixista, Marcos Ferraz, me chamou e eu indiquei o Alexandre França para assumir a 2ª guitarra. Ele também tinha chamado um tecladista que durou somente 3 ensaios e tenho uma passagem engraçada para contar: nosso primeiro ensaio seria em uma segunda-feira no início da tarde na casa do Marcos Ferraz, deu praticamente tudo errado, eu e o Alexandre França chegamos na casa do Marcos e ele foi com o Gustavo buscar o tecladista, só que ficaram sem gasolina e naquela época não tinha celular, resultado eles só chegaram no fim da tarde, foi o tempo de montar o equipamento e fazer meia música (About Love), no dia seguinte finalizamos essa música e fizemos mais meia música (Stop Your Cryin’),  no terceiro dia terminamos a “Stop Your Cryin” e tentamos pegar mais uma, mas o tecladista não tinha muita familiaridade com o estilo e pra piorar falou que queria cantar a música. Nessa noite mesmo ligamos e falamos pra ele que não teria o quarto ensaio, mas nós ensaiamos sem ele. Pegamos 3 músicas de uma só vez (There’s No Reason, I Found Faith e Light The World). No fim de 4 ensaios tínhamos 5 músicas prontas. 

Resumo, em 2 meses estávamos fazendo nossa estreia nos palcos cariocas, logo após gravamos uma demo com 2 músicas (Watching e All I Want Is You) e em seguida veio o clipe da “Watching” que entrou na programação da MTV.

5. O primeiro álbum “The Bright Side”, foi um trabalho marcante e que lançou a banda no mercado. Fale-nos desse período e dos frutos alcançados por esse debut que hoje em dia pode ser considerado um álbum ‘cult’ do estilo AOR/Melodic Rock no Brasil?

Com o “The Bright Side” tivemos alguma notoriedade, o álbum foi muito bem recebido pela crítica especializada, recebemos nota 83/100 da Burrn!, vendeu bem no site da Aor Heaven, na verdade o “The Bright Side” foi gravado entre 96-97 e lançado apenas em 2001, nesse momento a banda praticamente não existia, o Gustavo tinha ido morar fora, o Federico tinha desistido e me incomodava muito ter um álbum “engavetado”, resolvi pagar para ver. Com a aceitação dele pelo pessoal lá fora, uma gravadora de São Paulo chamada Frontline resolveu apostar na gente, comprou todo o nosso estoque de cds e queria lançar um novo álbum, tentamos ensaiar uma volta algumas vezes, mas não rolou, então decretamos o fim em 2005. Infelizmente não pudemos fazer shows de divulgação e aproveitar o momento, fizemos um único show em Agosto de 2001 como despedida do Gustavo e último show da banda até o nosso retorno.

6. Após a Silent, outros nomes também começaram a brotar no cenário AOR/Melodic Rock brasileiro a partir da década passada como Krystal Tears, Highest Dream, Auras, N.O.W., Horyzon, Adellaide... Você acredita que o estilo se desenvolveu no Brasil e como ele está hoje?

Sem dúvida o estilo se desenvolveu bastante desde quando começamos, mas ainda falta muito. O país é muito grande e fica tudo muito pulverizado. Hoje temos o Marenna fazendo um grande trabalho no Rio Grande do Sul, o Adellaide em São Paulo, o Still Living em Pernambuco, o Fúria Louca tocando Hard Rock no Maranhão, o Sunroad em Goiás, o Guilherme Oliveira que era do Auras e está com uma banda nova chamada W.I.L.D está no Paraná, aqui no Rio temos a Pleasure Maker, Sixty Nine Crash e Lion Heart. Todas bandas de qualidade com trabalhos recentes.

Há uma curiosidade sobre o Guilherme, ele fez teste para o Silent em 2004. Na época o Gustavo estava morando fora e estávamos a procura de um vocalista para o que seria o 2º álbum a ser lançado pela extinta Frontline, porém as coisas não evoluíram, a gravadora fechou e com isso o projeto parou.

7. Quais bandas novas internacionais você indicaria hoje, que fazem um som que te agrada e quais suas influências musicais em termos de bandas e também no seu instrumento (bateria)?

Gostei bastante do último álbum do Vega (Only Human), do último do Crazy Lixx (Ruff Justice) e do Midnite City, que eu não conhecia e foi-me apresentada por um amigo.

Minhas influências: Bon Jovi, Def Leppard, Mötley Crüe, Queen, Whitesnake, Bruce Springsteen, Bryan Adams e a maioria das bandas de hard rock dos anos 80, além de metal como Iron Maiden, Metallica, AC/DC e Scorpions. Influências no meu instrumento: eu sou um cara bem “old school” e posso dizer que as minhas duas maiores influências são sem sombra de dúvidas o Tico Torres (Bon Jovi) e o Tommy Lee (Mötley Crüe), mas, não posso esquecer de caras que eu ouvia os discos e ficava tocando em cima como Nicko McBrain (Iron Maiden), Roger Taylor (Queen), Phil Rudd (AC/DC), Eric Singer (Kiss), Mick Brown (Dokken). No início era bem isso, colocava os discos, os headphones e sentava a mão na batera.

8. Sobre o segundo álbum “Land of Lightning”, houve um hiato bem grande entre ele e o primeiro álbum “The Bright Side”. Nos fale a respeito de como foi a repercussão e aceitação dele com o retorno da banda?

No fim de 2006, o Gustavo retornou ao Brasil e montamos uma banda juntamente com o Alexandre França chamada Repplica, que cantava em português. Essa banda durou até dezembro de 2010. Em uma conversa de bar para comemorarmos o fim do ano de 2010, o França sugeriu voltarmos com o SILENT em 2011 e fazermos aquilo que gostávamos, infelizmente ele não pode participar dessa reunião aqui presente, mas, encaramos isso como uma missão e resolvemos remontar a banda. Em 2012 começamos a compor e preparar o “Land of Lightning”. Precisávamos então “achar” o som do álbum, para isso selecionamos 25 a 26 músicas inéditas dos anos de 91-92 e resolvemos gravá-las até achar o som de batera do LOL, isso foi fundamental para nos reconectar com a banda. Depois disso foi gravar o álbum.

A aceitação da volta foi a melhor possível. Recebemos muitos ‘feedbacks’ de pessoas que compraram na época o “The Bright Side”, que ouviram bastante e que ficaram tristes pois, nunca mais tinham ouvido falar da banda e foi extremamente gratificante saber que o “The Bright Side” fez parte da vida delas e que remetia a coisas boas, a momentos marcantes, isso não tem preço e o “Land of Lightning” veio para saciar essas pessoas que sentiam nossa falta. O vídeo de “Around The Sun” nos trouxe de volta com o álbum de retorno.

9. Tilly, finalizando... gostaria de agradecer a disponibilidade de falar ao site 80 Minutos e deixar o espaço livre para suas considerações finais para os leitores e fãs da banda. Também desejo que a Silent continue trilhando seu caminho por mais um longo tempo e com muito sucesso, representando nosso AOR/Melodic/Hard brasileiro.

Dio, mais uma vez muito obrigado e obrigado ao site 80 minutos pelo espaço. Quero dizer para quem conhece e para quem não conhece a banda ainda, para acessar o nosso site www.silent.band lá tem uma seção chamada Silent Land, basta se cadastrar e terá acesso a conteúdo exclusivo a músicas e vídeos inéditos, como por exemplo os Ep’s “The Early Years (91-92)”, esse é um projeto de 25 ou 26 músicas do período (91-92) que serão disponibilizadas em Eps de 5 músicas, o primeiro já está disponível e o segundo tem uma música lançada no bandcamp.

Além disso no fim do ano passado relançamos o “Land of Lightning” com 2 bônus em todos os portais de streaming. Disponibilizamos também nos portais uma música chamada “Coming Home” e uma outra de Natal intitulada “Christmas Of Love” bem como o “The Bright Side”. É isso, espero que tenham gostado.


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Martin Popoff

Data da Entrevista: 26/08/2019

Cadastro por: Mário Pescada
Em: 25/09/2019

Steve Hogarth

Relacionado com: Marillion, Steve Hogarth
Data da Entrevista: 26/06/2019

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 27/06/2019

Shammash

Relacionado com: Mythological Cold Towers
Data da Entrevista: 09/04/2018

Cadastro por: Tarcisio Lucas
Em: 20/06/2018

Kip Winger

Relacionado com: Kip Winger, The Mob, Winger
Data da Entrevista: 04/03/2019

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 06/03/2019

John Mitchell

Relacionado com: Arena, Frost*, It Bites, Kino, Lonely Robot, The Urbane
Data da Entrevista: 04/04/2019

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 11/04/2019

Paul Gilbert

Relacionado com: Mr. Big, Paul Gilbert, Racer X
Data da Entrevista: 12/04/2019

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 17/04/2019