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Entrevista - Guilherme Costa

Relacionado com: Guilherme Costa
Data da Entrevista: 30/11/2018
Autor: André Luiz Paiz

Acessos: 99

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O guitarrista e multi-instrumentista GUILHERME COSTA, nascido em 20 de dezembro de 1992, Belo Horizonte/MG, teve seu primeiro contato com música aos 14 anos, aprendendo os primeiros acordes de violão com seu avô e com 15 anos iniciou seus estudos de guitarra.

Guilherme ao longo de sua carreira passou por várias bandas, sendo a primeira delas o Seawalker de Heavy Metal, e logo depois o D.A.M, de Death Metal Melódico. Entretanto, não se limitou Rock pesado, sendo violonista de um grupo de Música Popular Brasileira, liderado pelo cantor Walter Cicarini. Além disso também possui formação acadêmica em Licenciatura em Educação Musical Escolar pela UEMG e leciona aulas de guitarra, violão e teoria musical na escola de música Pro Music, em Belo Horizonte. Ao longo de seus estudos de guitarra, Guilherme teve aulas com vários guitarristas renomados, sendo alguns deles: Felipe Dias, Leo Lanny (Dinnamarque) e também ex- Seawalker, Bill Hudson (Circle II Circle e Jon Oliva’s Pain) e Roger Franco (4action e Freedom).

Atualmente Guilherme é guitarrista de algumas bandas do cenário cover de Belo
Horizonte, prestando tributo à bandas como Metallica, Avenged Sevenfold, Pearl Jam e Paramore. Entretanto, o foco é a carreira solo autoral, a qual iniciou com o lançamento do EP “The King’s Last Speech”, produzido pelo conceituado Gus Monsanto e lançado no início de 2017 em parceria com a DUNNA Records.

Guilherme gentilmente atendeu o 80 Minutos para falar um pouco mais sobre o EP e demais planos pro futuro.

1. Olá Guilherme, obrigado por falar com o 80 Minutos. Devo-lhe dizer que fiquei impressionado quando ouvi o EP “The King’s Last Speech”. Um álbum direto, de fácil assimilação e extremamente técnico. Essa diversidade foi algo intencional quando você começou a compôr?

Eu que agradeço pela oportunidade! Sim, foi intencional de fato. Eu queria fazer músicas que os fãs pudessem cantar as melodias além de simplesmente deixar a música rolar. E quando eu escuto Joe Satriani por exemplo, eu sinto que ele fez muitos de seus clássicos pensando nisso também, esse inclusive é um dos motivos pelo qual tenho ele como uma de minhas principais influências em minhas composições.

2. Como você chegou até Gus Monsanto para a produção do EP?

Quando eu tocava no Seawalker, nós estávamos a procura de um produtor para a produção do novo material da banda, e então surgiu a oportunidade de reunirmos com o Gus. Eu até já conhecia o trabalho dele como músico, ele tem uma vasta experiência como produtor também. Depois que eu comecei a compor minhas próprias músicas eu procurei o Gus e mandei todo o material, ele curtiu muito as músicas, e foi aí que comecei de fato o meu trabalho solo.

3. Há planos para um álbum completo? Você já está trabalhando nele? Há algo sobre ele que você pode nos adiantar?

Sim, estou pra lançar 8 músicas novas no início do ano que vem. As músicas já estão quase prontas e em Janeiro ou Fevereiro eu vou começar a gravá-las. O que eu posso adiantar é que vão ter 3 músicas cantadas com participação de 3 cantores, um deles será o próprio Gus Monsanto. Dessa vez eu tive influências também do Paul Gilbert, Ritchie Kotzen e principalmente de música brasileira, além trilhas sonoras dos games dos anos 90.

4. O vídeo de “Come on and Play” ficou bem legal. Como foram as gravações? É estranho atuar como se estivesse realmente tocando?

A gravação do clipe foi no Parque das Mangabeiras aqui em Belo Horizonte, o clipe foi gravado pelo Ricardo Assis da BigBoss Produções, inclusive os dois atores que participaram do clipe são da própria produtora. Foram dois dias de gravação, sendo um deles para a gravação dos meus takes e o outro a gravação dos takes com os atores.  Eu acho que a sensação de estar gravando o clipe e de estar num show foi exatamente é a mesma, sempre quando eu gravo um clipe eu imagino uma plateia assistindo a gravação. Dessa vez foi até mais fácil principalmente porque muitas pessoas paravam e observavam as minhas atuações durante a gravação, então no caso a plateia realmente estava lá (risos).

5. Além das participações já citadas, a sua intenção é lançar somente músicas instrumentais ou você pretende mesclar com a participação de algum vocalista fixo ou convidado? Pergunto, pois temos vários casos similares como: Yngwie Malmsteen e Eric Johnson.

Futuramente eu pretendo mesclar as composições em cantadas e instrumentais. Inclusive pretendo cantar nas minhas futuras composições e convidar outros cantores para participarem também.

6. Ainda sobre a mescla de músicas instrumentais com músicas com participações de vocalistas, pergunto porque sabemos como está difícil conseguir espaço na mídia hoje em dia, ainda mais no Brasil, onde a cena musical é direcionada para a famosa bola da vez, independente se há qualidade ou não. Você acha que o planejamento de um trabalho deve focar em atingir um número maior de pessoas dentro de um segmento ou o artista ainda consegue seguir a sua convicção seja qual for?

Eu acredito que o artista consegue seguir sim a própria convicção, desde que ele saiba e conheça o público que ele gostaria de atingir. O foco do artista eu acho que precisa ser na conquista do público fiel, daqueles que vão estar sempre acompanhando os trabalhos, as postagens e sempre apoiando esse artista.

7. Uma dúvida que eu sempre tive: como os artistas que compõem músicas instrumentais escolhem os títulos delas? Já que não possuem letra, é mais fácil ou difícil?

 Bom, no meu caso eu escolho os nomes através da sensação que a música transmite ou então do que a música significa pra mim. Como por exemplo a música “The Beginning of a Journey” foi a primeira música que eu compus pra lançar em minha carreira solo, sendo assim ela representa o começo da minha jornada como artista solo. Não sei se os outros artistas também pensam dessa forma, mas acredito fortemente que sim.

8. E como está sendo o desafio de promover um EP solo de metal instrumental no Brasil? É difícil disputar com a pirataria e a falta de apoio? Você acha que as redes sociais contribuem positivamente para este desequilíbrio?

Até então não tive nenhum problema com a pirataria, eu vejo que o desafio maior é gerar conteúdo nas redes sociais de forma constante. Eu sempre utilizo vários recursos além do EP como geração de conteúdo, e isso na maioria das vezes é uma prova de fogo para muitos artistas. As redes sociais contribuem sim positivamente para os músicos por terem facilitado muito o acesso à informação, sendo assim o contato do artista com o público se tornou mais viável, mas por outro lado acirrou-se mais ainda a concorrência entre os trabalhos principalmente os autorais.

9. Sabemos que você participou de várias bandas covers homenageando bandas do mundo metal. O que lhe inspirou a lançar um trabalho em carreira solo?

O que me motivou a seguir carreira solo foi a minha ambição em ter um trabalho com minhas próprias composições e em ter reconhecimento internacional. Com o tempo eu fui estudando diversas maneiras de se trabalhar com um projeto autoral e meus pensamentos divergiram muito com algumas bandas que trabalhei. Então eu percebi que eu realmente conseguiria alcançar meus objetivos através da minha carreira solo, pois seria possível aplicar todas as ideias que venho obtendo, não somente ideias musicais, mas ideias de gerenciamento de carreira também.

10. Ainda sobre inspiração, quais os seus artistas favoritos do mercado nacional e internacional? Aqueles que lhe inspiraram a se tornar músico e a escolher o metal como estilo de música.

Minha principal influência como músico é Tony Iommi, posso dizer que minha vontade em ser músico profissional começou quando ouvi Black Sabbath pela primeira vez. Minhas outras influências internacionais também são Glenn Tipton e Synyster Gates. No Brasil meu guitarrista favorito é Paulo Schroeber, mas eu também tiro muitas influências do Kiko Loureiro e do Edu Ardanuy, que são músicos que admiro bastante também.

11. Se você pudesse formar uma banda com os seus ídolos, quem você escolheria para acompanhá-lo na bateria, voz, teclados, guitarra base e baixo?

Na bateria eu escolheria Mike Portnoy pra me acompanhar, na voz eu escolheria Bruce Dickinson, nos teclados Jon Lord, na guitarra base Izzy Stradlin e no baixo Cliff Burton.

12. Diga-nos uma música de um guitarrista que você considera excepcional e que você gostaria de ter composto. Algo como aquele pensamento: “um dia vou fazer uma música como esta!”.

São muitas as músicas que escuto hoje e digo esta frase que você mencionou (risos). Mas uma que escuto há muito tempo e realmente considero excepcional é “Unfinished Thought” do Denison Fernandes. Eu tinha 16 anos e escutei ela pela primeira vez no site da Guitar Battle, e aí eu pensei: “Caramba! O cara conseguiu fazer um metal melódico instrumental!” Nessa época eu não conhecia nenhum guitarrista que fazia metal melódico instrumental, de fato foi algo novo para mim na época e eu um dia gostaria de saber como foi o processo de composição dessa música.

13. Qual a sua opinião sobre os principais guitarristas da cena metal brasileira? Estamos bem representados?

Na minha opinião estamos muito bem representados! Kiko Loureiro com suas influências de música brasileira nas suas composições conseguem realmente deixar qualquer headbanger de queixo caído! O Andreas Kisser eu também me considero um grande fã, vejo que além do trabalho fenomenal feito com o Sepultura, ele representou muito nosso país com o De La Tierra com composições que mesclam o metal extremo e a música latina. E eu não poderia deixar de citar Alan Wallace do Eminence, que vem representando também o metal nacional de forma ímpar com riffs altamente marcantes e uma pegada invejável, sem falar do timbre de guitarra também que dos guitarristas do Brasil que já escutei, este foi um dos que mais me cativaram.

14. Você também atua como professor de guitarra e violão, é colunista sobre técnicas de guitarra e também faz workshops. Você pode falar um pouco sobre estes trabalhos? Música é realmente a sua paixão, certo? Como você concilia todas estas atividades com os palcos e ainda tirar um tempo para descansar e praticar?

Sim, música é minha paixão e é o que sempre desejo seguir profissionalmente. Atualmente sou professor das escolas EMP e Avantgarde de Belo Horizonte, além de dar aulas particulares também. Sou colunista do Portal Guitar Shred e lanço vídeo aulas mostrando algumas dicas de escalas que são encontradas em solos de grandes clássicos do rock que muitos gostariam de entender musicalmente, além de sempre lançar algo para os guitarristas iniciantes que possa ajudá-los no seu treinamento pra que eles não precisem apenas se atentarem a exercícios de técnica para se desenvolver. Os meus horários de estudo do instrumento na maioria das vezes são nos intervalos entre uma aula e outra que eu leciono. Os horários que uso para descanso são na parte da noite depois dos meus horários de aula durante a semana, e aos domingos não faço shows com muita frequência.

15. Alguns músicos daqui do Brasil estão fazendo grande sucesso com suas escolas online, como é o caso dos guitarristas Marcelo Barbosa e Kiko Loureiro. Já pensou em fazer algo do tipo? Parece uma ótima ideia para atingir os interessados mais distante.

Na verdade já estou planejando um curso online para guitarristas iniciantes e intermediários com ideias muito bacanas para desenvolver técnica e teoria no instrumento. Pretendo utilizar muitas referências do Rock N’ Roll nesse curso e acho que os alunos vão gostar bastante!

16. O conceito do 80 Minutos é permitir aos usuários classificar e relatar sua experiência durante os 80 minutos de duração de um disco. Há alguma banda ou álbum que você tenha ouvido recentemente e que gostaria de recomendar?

Gostaria de recomendar a banda Black Star Riders, que inclusive veio ao Brasil em turnê com o Judas Priest e o Alice In Chains. Realmente é uma banda que eu conheci a pouco tempo e gostei muito e vale a pena tirar um tempo para dar uma escutada. O álbum que recomendo deles seria “Heavy Fire” lançado em 2017.

17. Guilherme, foi um prazer falar com você. Desejo sucesso com o novo álbum e projetos futuros. Este último espaço é seu. Obrigado!

Gostaria de agradecer mais uma vez a vocês do 80 minutos pela oportunidade de dar essa entrevista, e agradecer ao público que tem sempre me acompanhado e dado o maior apoio nos shows e nas redes sociais! Se preparem que em 2019 vem aí um CD recheado de novidades pra todos vocês!


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