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Entrevista - Peter Nicholls

Relacionado com: IQ, Niadem's Ghost
Data da Entrevista: 18/11/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

Acessos: 311

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Peter Nicholls é o vocalista da famosa banda britânica de rock progressivo IQ, formada no início dos anos 80. Com fortes influências do grupo Genesis, seus álbuns foram conquistando fãs e mais fãs ao longo do tempo. Além disso, aos poucos o grupo foi definindo a sua identidade e é considerado hoje como uma das maiores bandas do estilo Neo-Prog.
O grupo conseguiu bastante atenção da mídia com o lançamento do aclamado álbum "The Road Of Bones", em 2014. A banda está em estúdio produzindo o seu sucessor e Peter gentilmente nos atendeu para falar um pouco sobre ele e também sobre o passado da banda.

Confira mais esta exclusiva para o 80 Minutos.

1. Peter, “The Road Of Bones” foi lançado em 2014 e é considerado por muitos como o melhor trabalho do IQ. Esta também é a sua opinião?

Sim, eu acho que é um álbum muito forte. Nós obviamente tivemos muito a provar, já que foi o primeiro álbum do IQ sem Martin Orford e com um novo line-up, com Tim e Cookie de volta, e Neil tocando teclados. Nós estávamos focados e sabíamos o que tínhamos que fazer. Todos têm uma opinião diferente sobre o que qualifica este como o melhor álbum do IQ, mas "The Road of Bones" está definitivamente entre os melhores, na minha opinião. Tem sido muito bem-sucedido para nós, tanto crítica quanto comercialmente.

2. Há alguma novidade sobre o próximo álbum de estúdio da banda?

Estamos trabalhando nele agora e já gravamos bastante material. Somos trabalhadores notoriamente lentos porque tomamos muito cuidado com o que fazemos. Para mim, os álbuns são o aspecto mais importante do IQ, pois eles estarão aí por muito tempo depois de a banda finalmente ter encerrado as suas atividades. Então, eles têm que ser o melhor que podemos fazer naquele período. O novo álbum deverá ser lançado no próximo ano.

3. Após um lançamento de sucesso como “The Road Of Bones”, vocês conversaram sobre o direcionamento e conceito para o próximo álbum?

Sim, nós discutimos sobre o tipo de álbum que queremos fazer. Eu estou ansioso para continuar com alguns dos elementos mais agressivos do último álbum. Eu não quero amaciar as coisas, principalmente agora que somos veteranos da cena musical! Nosso objetivo é surpreender o nosso público. Eu não gostaria que as pessoas soubessem antecipadamente o que esperar de um novo álbum do IQ.

4. Esta é uma pergunta direcionada aos novos fãs do IQ. Como você descreveria o som da banda?

Nós tocamos música progressiva e eu acho que algumas pessoas têm um preconceito sobre o que essa música deve ser. Há certas marcas registradas que incorporamos em nosso som, mas nunca escrevemos em um estilo consciente, ou seja, tentamos sempre fazer diferente do que achamos que as pessoas esperam de nós. Temos um “som do IQ”, que desenvolvemos e estabelecemos ao longo dos anos, e estamos orgulhosos disso, mas estamos sempre buscando expandir o escopo do que fazemos.

5. Peter, vamos falar um pouco sobre o passado da banda. Você poderia nos contar como vocês se reuniram nos anos oitenta para formar o IQ?

Mike e eu nos conhecemos em 1976 em um show do Genesis, na turnê de “Trick Of The Tail”. Na época, morávamos em lados opostos do país e foi apenas por acaso que estávamos sentados do lado de fora, esperando as portas se abrirem. É assustador pensar o quanto se seguiu por causa dessa reunião casual. A banda, obviamente, mas também muito da minha vida pessoal e amigos que fiz como resultado de fazer parte do IQ.
Uma banda instrumental chamada The Lens se formou cerca de um ano depois e, embora eu fosse tecnicamente um membro, não havia nada para eu fazer! Depois que o The Lens se separou, em 1981, Mike e Martin formaram o IQ e recrutaram Tim para o baixo. Eu montei uma banda e tocamos apenas um show, o qual Mike veio assistir. Na manhã seguinte, ele me pediu para me juntar ao IQ e, oito dias depois, em junho de 1982, fiz meu primeiro show com eles! Paul se juntou para a bateria no mês seguinte. Olhando para trás, tudo aconteceu muito rapidamente.

6. Você ainda gosta dos primeiros álbuns da banda, "Tales From The Lush Attic" e "The Wake"? Como você os vê com a experiência dos dias de hoje?

Eu ainda gosto muito desses álbuns, pois eles foram uma parte crucial dos primeiros anos da banda. Nós gravamos e mixamos “Lush Attic” tão rapidamente, em apenas cinco dias. Isso seria completamente inédito nos dias de hoje. Nossas influências estão lá para que todos ouçam, mas eu acho que a música ainda se mantém, 35 anos depois.
Sinto que encontramos nosso próprio som muito rapidamente, e isso aconteceu em “The Wake”. Eu acho que os vocais soam terríveis naquele álbum e eu adoraria regravá-los, mas foi um álbum dentro do seu tempo e ele capta perfeitamente onde o IQ estava em 1985. Esses álbuns estão a um milhão de quilômetros de serem perfeitos, mas ambos funcionam muito bem, eu acho. Nós ainda tocamos músicas deles ao vivo, ocasionalmente.

7. Após o lançamento destes dois álbuns, você deixou o grupo e lançou o álbum “In Sheltered Winds” com o Niadem's Ghost. Você poderia nos contar um pouco sobre este período? O que você pode nos contar sobre o álbum?

Foi uma época experimental para mim. Depois de deixar o IQ, eu sabia que ainda queria me envolver com música e sabia que queria tentar algo musicalmente diferente. "In Sheltered Winds" não soa como o IQ, ao menos é a minha opinião. Eu provavelmente perdi alguns fãs do IQ por causa disso e talvez ganhei alguns outros que acharam que era algo novo e diferente. O “Niadem’s Ghost” durou muito pouco, apenas alguns anos. Foi difícil começar de novo, surgindo para criar um novo público e, no final, implodiu, porque não estava chegando a lugar nenhum. Nós fizemos um ótimo som e que eu ainda gosto. "Endless Times" ainda é uma das minhas músicas favoritas, na qual eu me envolvi escrevendo. Nem todas as músicas funcionaram, mas essa é a natureza da experimentação e do ato de arriscar.

8. Coincidência ou não, sem você o IQ lançou dois álbuns de pouca expressão, “Nomzamo” e “Are You Sitting Comfortably?”. Após este período, você retornou para o grupo e juntos lançaram o ótimo álbum “Ever”, seguido do espetacular “Subterranea”. Foi um bom período para o grupo? 

"Ever" foi um álbum excitante de fazer. Nós estávamos restabelecendo o IQ e a música surgiu naturalmente. Escrever “Subterranea” foi um momento muito criativo para nós. Sabíamos que queríamos criar um show marcante para apoiar o novo álbum e todos trabalhamos em conjunto com nossa equipe para realizar este sonho. Foi um projeto enorme e do qual sou muito orgulhoso de ter participado.

9. E após a regravação de “Seven Stories Into ‘98”, a banda lançou três álbums excelentes: “The Seventh House”, “Dark Matter” e “Frequency”. Foi mais um grande momento para o grupo, certo?

Sim, eu acho que sim. São todos álbuns fortes e soam bem até hoje. “Frequency” foi um momento estranho para nós, quando Paul Cook deixou a banda e nós tínhamos Andy Edwards na bateria, até que, Martin saiu da metade do processo de gravação. Depois disso, eu estava doente no hospital com pneumonia e convalescendo por um longo tempo, então, eu não tinha certeza se minha voz ainda estava funcionando bem quando finalmente voltei para o estúdio. Mike e eu trabalhamos juntos e bem próximos naquele momento, o que eu gostei bastante. Fiquei muito aliviado quando o álbum finalmente foi finalizado. Ele tem algumas das minhas músicas favoritas.

10. Muitas pessoas comparam a ótima música “Harvest Of Souls” do álbum “Dark Matter” com “Supper’s Ready”, do Genesis. Você concorda? Foi algo intencional, como uma espécie de homenagem?

Não, não mesmo. Nós nunca nos propusemos a escrever deliberadamente uma música longa, elas simplesmente evoluem dessa maneira. Algumas músicas funcionam bem em 7 ou 8 minutos, e algumas sentem que ainda têm mais a dizer e pedem por mais tempo. Eu posso compreender do por que as pessoas fazem essas comparações. Há uma seção que é, suponho, bem parecida com “Apocalypse In 9/8”, mas definitivamente não foi escrita conscientemente dessa forma. "Dark Matter" é um álbum um pouco difícil para mim, pessoalmente, pois eu não me conecto com ele tanto quanto com os outros álbuns.

11. Alguma vez você já olhou para o passado comparando a maneira como a banda soava no início e como soa nos dias de hoje, especialmente no palco?

No palco, éramos muito mais crus do que somos agora, especialmente bem no início, quando não tínhamos bons equipamentos e muito pouco em termos de PA (amplificadores). Nós não contávamos com um engenheiro de som fazendo a nossa produção e tudo foi realmente tentativa e erro. Eu constantemente tinha problemas para me ouvir e costumava me esforçar demais cantando para conseguir ouvir ao menos um pouco do que estava fazendo. Estamos a anos-luz de distância disso agora. Todos nós usamos monitores intra-auriculares e somos capazes de controlar nossas mixagens individuais no palco, para que cada um possa ouvir exatamente o que precisa ouvir. Do meu ponto de vista, isso significa que eu não tenho que forçar minha voz exageradamente, então eu canto com mais precisão e minha voz dura por mais tempo.

12. Qual o processo utilizado pela banda para fazer música? Você cuida das letras e melodias vocais ou também participa da criação de riffs e outras ideias musicais?

A música sempre surge primeiro. Eu escrevo todas as letras, o que eu gosto muito de fazer, embora eu deva admitir que eu sou excelente em deixar esta parte atrasada até o último minuto! Eu me distraio muito facilmente. A maioria das ideias musicais é composta por Mike e ele geralmente tem uma ideia bastante clara de como ele imagina que a música deverá soar. Mas todos nós fazemos nossas contribuições, o que eu acho muito importante. Mike geralmente vem com uma ideia básica para uma melodia vocal, mas, obviamente isso pode mudar quando eu estiver com as letras e pronto para adicionar minhas contribuições.

13. Em algum momento você já pensou em lançar um projeto paralelo como um álbum solo?

Não, eu não acho que isso aconteceria. Ocasionalmente, penso em como um projeto solo poderia tomar forma, que tipo de música seria e com quem eu gostaria de trabalhar. Mas, no momento, não vejo isso acontecendo. Eu tenho tempo limitado e prefiro concentrar minhas energias no IQ.

14. Eu gostaria de elogiá-lo pelo seu trabalho como pintor para as capas de alguns álbuns do IQ. Pintar ainda é um hobby e um trabalho pra você? O que acha da ideia de pintar a capa do novo álbum?

Muito obrigado, é muito gentil de sua parte. Sempre foi uma grande emoção para mim, ver a minha obra na capa de um álbum IQ, mas devo admitir, eu faço muito pouco trabalho artístico hoje em dia. Eu trabalhei como ilustrador por vários anos, mas hoje não faço mais. Quando lançamos “Subterranea”, senti que precisava de um tipo diferente de abordagem para a capa, algo mais fotográfico. Eu não tenho planos de fazer o trabalho artístico para o próximo álbum, mas quem sabe...

15. O conceito do 80 Minutos é permitir aos usuários classificar e relatar sua experiência durante os 80 minutos de duração de um disco. Há alguma banda ou álbum que você tenha ouvido recentemente e que gostaria de recomendar?

Alguns dos meus favoritos atualmente:
1. Public Service Broadcasting: “The Race For Space”
2. David Bowie: “Blackstar”
3. Kristina Train: “Dark Black”
4. The Motels: “The Last Few Beautiful Days”
5. Imagine Dragons: “Origins”

16. E para encerrar, você poderia nos dizer quais os seus três álbuns favoritos do IQ?

Sem uma ordem específica:
1. “The Wake”
2. “Subterranea”
3. “The Road Of Bones”


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