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Entrevista - Fábio Caldeira

Relacionado com: Maestrick
Data da Entrevista: 06/10/2018
Autor: André Luiz Paiz

Acessos: 16

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"Espresso Della Vita: Solare", novo álbum do grupo de rock/metal progressivo Maestrick, foi lançado no dia 28 de Junho durante evento fechado para jornalistas no Central Panelaço em São Paulo. O disco já havia sido lançado no dia 23 de Maio em todo território asiático pela Marquee/Avalon, a maior gravadora do gênero no Japão e uma das mais importantes de todo mundo, com quem o Maestrick tem contrato naquele território.

Sucessor do aclamado álbum de estreia, "Unpuzzle!", e do EP "The Trick Side Of Some Songs", "Espresso Della Vita: Solare" é a primeira parte de um disco duplo conceitual e traz uma observação da vida humana pela perspectiva de uma viagem de trem. O disco tem a produção de Adair Daufembach (Project46, John Wayne, Hangar), que também é o encarregado de gravar todas as guitarras do álbum, e reúne 12 faixas: “Origami”, “I a.m. Living”, “Rooster Race”, “Daily View”, “Water Birds”, “Keep Trying”, “The Seed”, “Far West”, “Across The River”, “Penitência”, “Hijos De La Tierra” e “Trainsition”.

“Espresso Della Vita: Solare” tem sido super elogiado e já é considerado por alguns jornalistas como um dos melhores lançamentos do ano! A internacionalmente renomada revista BURRN! avaliou o disco com a nota 86/100. Para quem acompanha a publicação japonesa, sabe que essa é uma nota bastante alta. Na mesma edição, discos de artistas renomados como Anthrax, Angra, Don Airey, Spock’s Beard, Dimmi Borgir, entre vários outros, não atingiram essa marca. Aqui no Brasil sobram elogios como: "... um resultado final digno de ser chamado de arte." (Fabian Chacur - Mondo Pop); “... um dos melhores do ano.” (Rodrigo Monteiro - Rock Master); “Obra-Prima” (Gabriel Arruda – House Of Bootleg); "... um dos melhores álbuns da última década" (Rodrigo – Action Nerd).

Muito orgulhosos com o novo disco, Fabio Caldeira (vocal/piano), Heitor Matos (bateria), Renato Montanha (baixo), Neemias Teixeira (teclados) e Vitor Mancini (guitarra) embarcam na próxima semana para a Europa onde realizarão sua primeira turnê pelo velho mundo. Durante o mês de Outubro o grupo visita Suíça, Itália, Polônia e República Tcheca para fazer 10 shows.

As datas já confirmadas são:
11.10 - Moudon (Suíça) @ Sueno Latino
12.10 - Yverdon (Suíça) @ Citrons Masqués
14.10 - Rivergaro (Itália) @ Riff Raff
17.10 - Plzen (República Tcheca) @ Parlament
18.10 - Ostrava (República Tcheca) @ Rock Hill
19.10 - Krakow (Polônia) @ Cemetery Pub
20.10 - Gliwice (Polônia) @ Concept Pub
21.10 - As (República Tcheca) @ Cihellna

Autor do texto de divulgação: Eliton Tomasi

O grande Fábio Caldeira conversou com o 80 Minutos para uma entrevista exclusiva de divulgação do já consolidado álbum "Expresso Della Vita: Solare", sobre o seu sucessor "Lunare" e a turnê europeia do grupo.

Confira e aproveite para adquirir a sua cópia do novo álbum e se deliciar com o que o metal brasileiro tem de melhor.

1. Olá Fábio, meu nome é André e falo em nome do site 80 Minutos. Seja bem-vindo!

Muito obrigado, André!

2. Preciso lhe dizer que estou impressionado com a qualidade de Espresso Della Vita: Solare. Como vocês estão se sentindo com este excelente trabalho e como está sendo a reação das pessoas em relação a ele?

Poxa, muito obrigado mesmo! A gente está MUITO grato e feliz, porque fizemos o melhor que pudemos em cada detalhe do disco. A recepção está a melhor possível, tanto das resenhas como das pessoas que escutam e vem nos trazer suas impressões. 

3. Como surgiu a ideia de retratar a jornada da vida em uma viagem de trem? A sequência Espresso Della Vita: Lunare continuará a história até o desfecho?

Surgiu de uma conversa despretensiosa com a minha mãe, enquanto tomávamos um café. Nós estávamos falando sobre meu avô, que tinha falecido há uns anos, e trabalhava na antiga Fepasa, empresa ferroviária do estado de São Paulo. Aí ela disse algo assim: “A vida realmente é como uma viagem de trem. Quem a gente ama as vezes têm que descer na próxima estação, mas de repente novas pessoas entram também e a gente vai vivendo até o dia da nossa descida.” Nós estávamos procurando um conceito para o sucessor do “Unpuzzle!”, nosso primeiro disco, e na hora que ela fez essa analogia me deu um clique e fez todo sentido. Eu levei a ideia para os caras e eles toparam na hora. Depois veio a ideia de dividir o projeto em duas partes e a ideia do dia e da noite nos deu dois cenários muito diferentes e complementares para podermos “pintar o nosso quintal” e mostrar em um disco o lado mais “Maestro” da banda e no outro, o lado mais “Trick”. O Lunare portanto, vai continuar a história até o final, que será do momento que o Solare terminou, no começo da vida adulta do personagem (final do dia), até o final.

4. E por falar nele, há previsão para lançamento? Há algo sobre ele que você possa nos adiantar?

Sim, nós temos uma previsão, mas o que posso adiantar é que já começaremos a pré-produção do Lunare ainda esse ano. Depois que voltarmos da Europa, tiraremos umas semanas de férias e aí retomaremos em dezembro com a pré-produção a todo vapor. O que posso adiantar, é que os dois discos (Solare e Lunare) se complementam não só conceitualmente e liricamente, mas musicalmente também. Enquanto o Solare, por representar a primeira metade da vida do personagem, é mais “ingênuo”, feliz e emocional, o “Lunare” por sua vez, será mais “malicioso”, sarcástico, irônico e pesado. Como disse antes, o “Solare” é mais “Maestro” e o “Lunare” será mais “Trick”.

5. Fábio, você poderia nos contar um pouco do processo de composição para Espresso Della Vita: Solare? Ele foi concebido já ao redor do tema lírico? Ou somente após a criação das músicas é que a ideia surgiu? Como vocês dividiram os trabalhos de composição?

Claro. Olha, na verdade nós não temos uma ordem definida para compor. Quero dizer, as vezes uma música nos traz uma imagem, como o exemplo da imagem da viagem de trem, e a partir dela um conceito todo vem, e as coisas vão se encaixando. Acho que o principal é chegarmos a essa primeira imagem/direção, seja de onde ela venha, de um tema lírico, musical ou conceitual. Com ela, nós conseguimos ter uma referência e então compor algo como se fosse uma trilha sonora de um filme. Tudo de forma natural, ou seja, dentro do nosso vocabulário musical e do que faz sentido pra nós. 
A primeira ideia musical do “Solare” foi a “I a.m. Living”, que era acústica no início, mas que já tinha essa coisa forte do “Eu estou vivendo” e do “Eu sou”. Depois dela, as possibilidades musicais foram surgindo e nós fomos analisando o que encaixaria na história. No caso de um projeto duplo, como é o “Espresso Della Vita”, é importante você saber o que colocar de elemento e estilo, mas também o que não colocar, já que temos mais um disco com essa temática e que precisa fechar a conta no final. Sobre a composição, nós todos nos envolvemos em todas as partes e todos tem o mesmo peso e voz ativa para tudo. Não faria sentido se não fosse assim, pois somos uma banda, mas é evidente que cada um tem mais afinidade de criação e sugestão a partir do seu instrumento.

6. É diferente criar um álbum de Rock/Metal Progressivo conceitual e um álbum em que as músicas não possuem conexão entre elas? Digo, muda algo na forma de criar e executar?

Eu acho que mesmo que a ideia seja não criar conexão entre as músicas, elas sempre vão estar conectadas. Primeiro porque quando você compõe um disco, é como pintar um quadro, escrever um livro, tem que pensar na imagem toda. O disco precisa ter início, meio e fim. Então musicalmente, mesmo que as músicas não se complementem liricamente, a ordem das faixas precisa se complementar. Existe um motivo para cada faixa estar onde está e isso já é uma forma de conexão.
Por outro lado, quando se compõe um disco intencionalmente conceitual, onde as faixas se complementam, você deve se preocupar em fazer com que cada música, se ouvida individualmente, tenha vida própria também. Então são dois processos diferentes mas que, na minha opinião, não são discrepantes a ponto de ter mudanças significativas na criação e execução das músicas.

7. O som da banda traz um pouco do que fazem os grupos The Neal Morse Band e Dream Theater, além da combinação com a sonoridade brasileira, bem explorada por grupos como o Angra. São estas as principais influências do grupo?

O disco “Scenes From a Memory” do Dream Theater e o “Holy Land” do Angra, foram discos muitos marcantes para todos nós e continuam sendo. Mas como curiosos que somos, quando fomos compor o “Unpuzzle!”, queríamos sair um pouco da caixa e uma das coisas que fizemos e ainda fazemos, foi tentar entender de onde as bandas que gostávamos tiravam inspiração. Aí descobrimos no prog todo o universo que o Yes, o Genesis, o Gentle Giant, o Jethro Tull, o Camel, o Queen (no início dos anos 70) criaram, e isso nos ajudou e inspirou muito. Da minha parte, a música brasileira sempre foi muito presente na minha casa, através da minha mãe. Ivan lins, Milton Nascimento, Tom Jobim, o Raul Seixas e suas misturas, como com a música “Let Me Sing”, que mistura rock com baião, e o genial disco da “Sociedade Da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão Das 10”. “Acabou Chorare” dos Novos Baianos, “Da Lama Ao Caos” do Nação Zumbi, Raimundo Fagner, Zé Ramalho, Tunico e Tinoco, enfim, são trabalhos muito relevantes pra mim e que acabam influenciando o que fazemos no Maestrick também. Além do cinema, com o Tim Burton, e artes plásticas com Hieronymous Bosch e as influências pessoais de cada um, como por exemplo do Heitor, que gosta muito de música country, do Montanha que é fã de funk e música extrema e do Neemias que é fã de música experimental e sound design.

8. O álbum conta com a participação de diversos músicos e com diversos instrumentos. Temos banjo, corais, ukulele, viola e até mesmo a participação da sua avó em uma das músicas, é isso mesmo? Quais as participações que, na sua opinião, merecem mais destaque?

Exatamente! Nós somos muito gratos por termos pessoas próximas tão talentosas. Cada um contribuiu com o seu melhor e nós não imaginaríamos pessoas melhores pra participar do disco. Portanto eu não acho justo elencar a importância dessas participações. Todos que participaram foram escolhidos a dedo, por terem importância pessoal pra nós. Não foi algo estritamente profissional, pois precisávamos além da técnica, dos corações de todos nas execuções. Mas é claro que, pessoalmente para mim, ter a minha avó paterna Dona Rose cantando comigo e trazendo a sua verdade para música “Penitência” e o meu avô paterno, o “seu” Eduardo Caldeira, fazendo a narração na música “Hijos De La Tierra” antes do último refrão, foi extremamente emocionante. Então eu não teria como não falar disso.

9. Quem foi o responsável pela arte gráfica do CD? Estou com ele em mãos e encantado com a produção. É realmente importante incentivar a aquisição de um produto de qualidade na compra do CD físico, não é?

Foi a genial Juh Leidl de Campinas. Ela é uma grande artista plástica e sua formação acadêmica, seu conhecimento, versatilidade, sensibilidade e bom gosto a levou a fazer um trabalho emocionante em cada detalhe do encarte. É muito importante que o encarte seja a extensão exata do que se faz musicalmente e liricamente. Então afirmo que o talento dela, somado ao do fotógrafo Erick Mem, fizeram do encarte um show à parte. Sem dúvidas isso justifica o investimento de quem compra a mídia física, além do fato de poder se inteirar mais de todo o contexto. Já adianto que tanto ela e o Erick já estão confirmados para o Lunare. 

10. O Maestrick embarca agora em outubro para uma turnê europeia. Como estão os ensaios e a pré-produção? Estão empolgados em mostrar a qualidade da música brasileira lá fora?

Nós estamos a exatamente uma semana do embarque e eu posso dizer que estamos MUITO empolgados, felizes, ansiosos, focados e confiantes de que faremos nosso melhor. Esse é um dos momentos mais importantes da nossa carreira, então caprichamos muito nos ensaios e na preparação para que tudo saia da melhor forma possível.

11. O conceito do nosso site é permitir aos usuários que eles relatem a sua experiência durante os 80 Minutos da audição de um álbum. Você poderia nos dizer qual o último CD que lhe impressionou e que vale a recomendação?

O último que eu ouvi é o recém-lançado “Motordrunk”, disco de estreia da banda Motordrunk, que faz um hard/heavy sensacional. Vale a audição nas plataformas digitais, porque eu creio que ainda não lançaram a mídia física. 

12. Você poderia nos indicar qual o caminho mais fácil para que os fãs possam adquirir a sua cópia de Espresso Della Vita: Solare e dos demais álbuns e EP’s do Maestrick?

Com muito prazer! Você pode entrar em contato conosco na nossa página do facebook: www.facebook.com/maestrick - ou fazer o pedido na loja virtual da Die Hard Records www.diehard.com.br – Se você for de fora do Brasil, pode pedir pela Laser CD, nesse link: https://www.lasercd.com/cd/espresso-della-vita-solare.

13. Fábio, nós do 80 Minutos agradecemos a sua atenção. Devo lhe dizer mais uma vez que estou impressionado com a qualidade deste novo álbum. Desejo sucesso com a turnê e não vejo a hora de ouvir Espresso Della Vita: Lunare. Este último espaço é seu! Obrigado!

Eu é que agradeço, em nome dos meus irmãos, pela gentileza, atenção, pelas excelentes perguntas e pelos votos a respeito da turnê. Estamos aprendendo muito com tudo o que está acontecendo e podem ter certeza de que continuaremos fazendo o nosso melhor sempre, com muito amor e dedicação. Eu desejo o melhor para a vida de cada um de vocês do 80 Minutos e cada um que está lendo essa entrevista. Que todos vocês possam fazer o que amam sempre e que conquistem tudo o que almejam! Nos encontraremos mais vezes nessa viagem, com certeza! Luz, paz e arte!


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