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Entrevista - Drannath

Relacionado com: Gosotsa
Data da Entrevista: 20/08/2018
Autor: André Luiz Paiz

Acessos: 252

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O Gosotsa é um projeto artístico idealizado por Drannath, que traz junto à música uma proposta de integração sonora e visual, combinando artes plásticas, poesia e música.
O grupo está promovendo o seu novo álbum “O Sol Tá Maior III”, que mostra uma evolução do seu trabalho e a ousadia do grupo em trazer algo totalmente diferente dos padrões atuais.

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Confira a entrevista de Drannath ao 80 Minutos. Saiba mais sobre o grupo em: https://www.facebook.com/gosotsa/

1. Considerando os novos fãs, você poderia nos falar um pouco sobre quem é o Gosotsa? Como a banda se formou e em que momento surgiu a ideia de apresentar uma proposta mais completa e inovadora?

o Gosotsa é um trabalho de quase dez anos, sem contar os três que ele ficou sendo exaustivamente discutido. Desde o seu embrião, foi criado com a proposta de ter uma estética absolutamente única e original, com requintes de crueldade. E, como a música é completamente disruptiva, as demais manifestações artísticas como literatura, artes plásticas, quadrinhos e teatro surgiram pela necessidade de maior respaldo artístico à música, porém acabaram ganhando vida própria e hoje todas estas manifestações tem igual relevância dentro do universo gosotseano. A música tem a mesma estética das artes plásticas, que tem da literatura, e assim por diante. Todas se complementam, mas também funcionam de maneira completamente independente.

2. O nome do grupo é intencionalmente um anagrama ou é uma coincidência?

Passamos uns quase 4 anos procurando o nome ideal, criamos mil nomes, alguns muito bons, outros engraçados, mas acabava que nenhum acertava na veia. Então um dia, teclando com minha namorada da época, fui chamá-la de gostosa e digitei errado. Na hora, exclamei: taí o nome da banda! E desde então aqui estamos nós.

3. O grupo possui uma proposta inovadora de não seguir os padrões da música, sendo que o propósito principal é entregar a sua mensagem, seja com música, pintura ou poesias. É possível transportar todos estes elementos para o palco? O que os fãs encontrarão em um show da banda?

Transportar todos os elementos é complicado porque ainda somos uma banda independente que toca em locais com menor estrutura. Mas conseguimos levar alguns destes elementos, já fizemos shows com nossos quadros espalhados pelo local, já recitamos poesia bruta durante o show entre uma música e outra, vendemos nossos quadrinhos, mas fica uma coisa um pouco dispersa, pois acaba virando um show de rock. Para uma imersão completa e absoluta, temos a peça de teatro, que é uma adaptação do nosso livro (ainda não publicado) onde a personagem vive sua apoteose e nós vamos tocando as músicas durante a peça. Também ainda não está em cartaz, pelas dificuldades que enfrentam todos os independentes, mas já está pronto para o público.

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4. A mídia de hoje está saturada com bandas que produzem músicas fabricadas e sem qualquer mensagem artística. Em contrapartida, a maior parte do público alimenta estas fontes, gerando rios de dinheiros aos artistas mais populares do Brasil. Ou seja, parece que, para ser rico, deve-se seguir a tendência. Como a Gosotsa lida com isso e o desafio de propor uma mudança?

Com toda a alegria no coração! Sabemos que o processo de massificação é brutal. Quem não entra no jogo acaba ficando pra trás, pelo menos no imediatismo que vivemos em nosso período histórico. Ser a vanguarda é lindo e maravilho só depois que a consagração é conquistada, se é que será conquistada um dia.  Até lá, tem muita grama pra comer. Mas, por outro lado, a saturação é mais que evidente e os processos da música popular estão no final da sua fase de esgotamento e, assim, será natural a busca por novas sonoridades por parte do público. O punk surgiu em oposição ao progressivo e aos solos de um lado inteiro do disco, que eram o mainstream da época. Sabemos que o avanço que estamos propondo na música é tamanho que assusta em alguns momentos, mas temos a convicção de que o reconhecimento chegará, nem que seja após a nossa morte.

5. Você poderia nos contar um pouco sobre as influências artísticas do grupo em termos de poesia, pintura e composições musicais?

Na música, temos muita influência de música erudita, desde o barroco com Bach até os mais modernos do século XX com Charles Ives e Schoenberg, passando por Chopin, Strauss, Beethoven, Mozart e muitos outros figurões por aí. Claro que também temos nossa influência no Rock, minha escola é o glam dos anos 80 com Bon Jovi, Guns, Poison, etc, mas também muita coisa no Metal (praticamente todas as vertentes) além do rock dos anos 60 e 70. Muddy Waters também nos influencia, além de outros estilos além do rock. Eu ouço música de 8 a 12 horas por dia, e qualquer coisa que eu goste pode me influenciar. Para poesia, gosto muito de Paulo Henriques Britto e Fernando Pessoa, além de outros por aí, como Renato Russo e Raul Seixas. Nas pinturas, assim como na música, gosto de tudo desde o Renascimento até o período moderno, com artistas como Anish Kappor. Também gosto muito da pichação paulistana. Vivemos uma época gloriosa em termos de acesso a tudo que já existiu no mundo, e procuramos usufruir de tudo isso.

6. O grupo está promovendo o seu mais novo lançamento, “O Sol Está Maior III”, você pode nos falar um pouco sobre ele? Qual o método de composição da banda e como decidem os temas que irão explorar?  Por que “O Sol Tá Maior II” saiu antes do I e como será?

“O Sol Tá Maior III” é o disco mais coletivo da banda e seu método de composição foi o mais variado que já fizemos até hoje. Eu costumo compor em partitura, já escrevendo de uma vez o baixo, guitarra e voz, mas este tem músicas que surgiram de um improviso entre bateria e baixo, como “Caminhão de Salto Alto” e “Que Babe” (esta com letra de Élitra, nosso batera). Malu compôs estas guitarras sozinha, e também tem a releitura de duas músicas antigas compostas numa época que eu não sabia ler partitura, então foram criadas no instrumento, que são “Tocar de Luas” e “Peito Aberto, Absorto”. “O Sol Tá Maior I” (que inclusive contém as versões originais destas duas músicas) foi gravado inteiramente por mim em 2011 e ainda não foi lançado porque sua estética é completamente de outro planeta e eu julguei que seria necessário maior respaldo artístico com outras vertentes artísticas, conforme explicado acima. Enquanto pintava e escrevia, compus novas músicas e encontrei integrantes fixos para a banda, e música nova é um fogo no cu que vocês não imaginam (risos)! Então ensaiamos, gravamos e lançamos, enquanto a literatura, quadrinhos, teatro e artes plásticas iam sendo concluídas. Mas lançamos alguns singles que podem ser vistos no YouTube, porém o disco ainda contém músicas inéditas. Os temas são definidos de acordo com o tema central de “O Sol Tá Maior”, que é um movimento de subida e progresso que apresenta três fases: o Astral Térreo (extremamente magnetizado, vazio), Atral Inferior (que percebe o certo e errado, mas ainda muito teórico – estaria no plano das filosofias e religiões) até o Astral Superior, que já é o vívido e pleno, vasto e quadridimensional, numa plenitude e absolutismo sem precedentes. Estas divisões ficam mais claras no livro, mas também aparecem nas músicas.

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7. Quais os canais de acesso para aquisição de material do grupo? Os fãs poderão comprar pinturas e livros além dos álbuns?

Nosso site está em construção, então os canais de acesso são nossas redes sociais e plataformas de streaming. Estamos adaptando a arte do livro para iPad, celular e Kindle, já que é bem difícil imprimir livros de maneira independente. Em breve estará disponível para compra a preços módicos! As pinturas estão sendo catalogadas, mas por enquanto só algumas estarão disponíveis para vendas. Os quadrinhos já estão impressos e podem ser adquiridos contatando-nos em nossas redes sociais. 

8. Nós do 80 Minutos agradecemos a atenção e desejamos sucesso ao grupo.

Nós que agradecemos!!! Desejamos também muito sucesso a vocês, que produzem conteúdo de qualidade e que são vitais para a engrenagem da Arte. Sem vocês, ficaríamos no mundinho do nosso quarto para sempre. Obrigado!


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