Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

...

Entrevista - Arjen Anthony Lucassen

Relacionado com: Ambeon, Arjen Anthony Lucassen, Ayreon, Guilt Machine, Star One, The Gentle Storm
Data da Entrevista: 04/03/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

Acessos: 541

Compartilhar:

Facebook Twitter

Arjen Anthony Lucassen é um guitarrista, compositor e produtor holandês. Extremamente respeitado pelos diversos projetos criados por ele, seu mais recente lançamento é do projeto Ayreon, chamado "The Source", muito bem-recebido pela crítica. Além disso, é famoso também pelos músicos que participam de suas aventuras. Nomes conhecidos como: Bruce Dickinson, Andi Deris, Jorn Lande, James Labrie, Fish, Daniel Gildenlöw, e por aí vai... trazem um toque especial e servem como atrativo para os fãs de diversos gêneros musicais.
De mudança para uma nova casa, onde também está localizado seu estúdio particular, o famoso "Electric Castle", Arjen reservou um tempo para falar conosco e contar um pouco sobre a mudança, suas influências musicais, suas técnicas e projetos.

Você pode encontrar todos os produtos dos projetos de Arjen no site: arjenlucassen.com, disponíveis para o mundo todo.

Confira mais esta entrevista exclusiva para o site do 80 Minutos.

1. Olá Arjen, meu nome é André e falo em nome do 80 Minutos, um site colaborativo brasileiro criado para as pessoas que gostam de avaliar os seus álbuns favoritos.

Olá André.

2. Inicialmente, gostaria de elogiar o seu mais recente trabalho, "The Source", que é um álbum fantástico. É algo notável que você se mantém criativo e ainda inspirado a compôr sólidos álbuns. O que lhe mantém motivado a seguir criando música?

Obrigado pelo elogio. Bem, eu sempre tento criar a música que eu gostaria de ouvir. Compôr músicas e criar histórias é o meu sentido da vida. Eu morreria se não fizesse. Além disso, as reações adoráveis dos fãs me incentivam a seguir em frente.

3. Nós lhe acompanhamos pela internet e notamos que você está mudando sua casa e estúdio para um novo local, buscando por novas inspirações. Como estão as coisas? Está tudo saindo como planejado?

Sim, obrigado! Eu adquiri uma antiga escola, construída em 1921. É enorme! Além de estar localizada no meio do nada e rodeada por fazendas. Espero que me traga bastante inspiração =) 

4. "Ayreon Universe" e "The Theater Equation" são projetos ao vivo extremamente bem-sucedidos. Então, inevitavelmente preciso perguntar: é possível expandir as turnês a nível mundial? Os fãs brasileiros enlouqueceriam!

Desculpe, infelizmente não. Sou totalmente recluso e não viajo. Como disse anteriormente, tudo o que quero fazer é ficar em meu estúdio e criar novas músicas.

5. Ainda sobre o "The Theater Equation", há intenção de repetir o projeto com a execução completa de outros álbuns da discografia do projeto Ayreon? Acredito que o fantástico "The Theory Of Everything" se encaixaria perfeitamente.

É definitivamente uma opção! O "Ayreon Universe" foi extremamente bem-sucedido e fez tantas pessoas felizes que eu preciso repetir. E sim, na próxima vez eu pretendo fazer algo totalmente diferente.

6. Você costuma planejar como será o seu próximo lançamento ou é sempre uma reação natural ao trabalho anterior?

Certo! Sim, eu planejo... mas mudo constantemente de ideia. Eu considero isso positivo e tenho que me adaptar, com a mente aberta, pois mantém as coisas de uma forma mais flexível. E sim, cada álbum que crio é uma reação ao trabalho anterior. Eu odeio me repetir.

7. Um dos seus trabalhos que mais admiro é o "The Dream Sequencer", lançado no ano 2000. Como um álbum do projeto Ayreon, ele possui uma atmosfera mais leve e progressiva, com grandes temas espaciais. Que tal um novo álbum com estas características?

Eu adoraria, pois também é um dos meus álbuns favoritos. Aquele álbum foi muito influenciado por Pink Floyd, minha banda favorita de todos os tempos. Acho que o meu projeto Guilt Machine se encaixa um pouco dentro daquele estilo também. Estranhamente, é um dos álbuns que menos vendi. Acho que as pessoas preferem os trabalhos mais pesados.

8. No documentário "Behind The Scenes" do DVD "Star One - Live On Earth" há uma cena interessante, em que você divide o microfone com Russell Allen na execução de "The Boxer", de Simon And Garfunkel. Você pode nos falar um pouco sobre as suas influências fora do mundo metal e sobre outros artistas que você admira?

Meu gosto musical é extremamente eclético. Eu realmente amo Simon And Garfunkel. Amo também o psicodélico dos anos 60 (Beatles) e música folk. Gosto muito dos anos 70, dos sons eletrônicos do Tangerine Dream, progressivos como o Jethro Tull, e pop, como o Sparks. Do lado mais pesado, Rainbow (com Dio), Led Zeppelin, Alice Cooper, os primeiros do Queen, etc. Também gosto de Devin Townsend, Rammstein... é uma lista infinita!

9. Em 2012, você buscou por novos ares mais distantes dos sons mais pesados e progressivos com o lançamento de um álbum solo. "Lost In The New Real" também é um dos meus favoritos, pois é um álbum bastante introspectivo, além de ter sido muito bem-recebido.

Obrigado, fico contente por você gostar dele. A faixa-título é a minha favorita dentre todas as que já gravei. Sou muito orgulhoso dela. 

10. O que houve de diferente na produção deste trabalho em relação aos demais? Você decidiu que seria um trabalho solo após a composição de temas mais leves ou foi uma decisão planejada? 

Bem, é um pouco mais orientado pela música. Eu pego um violão e começo a cantar. Geralmente não é assim que componho as músicas do Ayreon, pois são mais baseadas em temas. Acho que estava bem claro desde o início que seria um álbum solo. Em outras ocasiões, sempre que tentava acabava mudando de ideia, pois ficava ouvindo outras pessoas cantando.

11. Outro fator interessante em seus projetos é a composição das letras. Também é um trabalho que você gosta de fazer? Com tantos temas complexos deve ser uma tarefa difícil, que pode levar a vários becos sem saída.

Assim que eu tenho a história e a música, as letras surgem sozinhas. A música me inspira a escrevê-las. Lembro que em "Human Equation" escrevi uma letra por dia, o que me deixava bastante curioso do que iria acontecer no dia seguinte. Eu nunca sei como a história terminará. É um processo bem natural.

12. Falando sobre novos projetos, há alguma novidade sobre projetos futuros que você pode compartilhar?

Como disse anteriormente, eu tenho alguns planos... mas provavelmente não seguirei o caminho e mudarei de ideia um milhão de vezes, como de costume. Mas, definitivamente buscarei por novos desafios e farei algo totalmente diferente de "The Source".

13. Você está constantemente em contato com vários músicos negociando participações em seus projetos. O oposto também ocorre? Você costuma ser convidado para participar em projetos de outros artistas?

Ah sim. Mas é necessário que a música me inspire. Além disso, preciso ter tempo disponível e encaixar dentro do meu planejamento. Recebo em torno de vinte propostas por ano e acabo aceitando umas cinco.

14. Alguns projetos criados por você tiveram somente um álbum lançado. Dois deles que gosto bastante são o "Ambeon" e "Guilt Machine". Há alguma chance de retomá-los em algum momento?

Ambeon não é possível, pois Astrid não está mais disponível. Vários músicos do Guilt Machine também não estão. Acho que vou reduzir um pouco dos projetos paralelos e focar em Ayreon e talvez em um álbum solo. São os meus trabalhos favoritos.

15. Vamos supor que eu comece a falar sobre a carreira de Arjen Lucassen para um novo fã. Qual álbum você me sugere para que eu indique a ele como ponto de partida?

Esta é uma pergunta bem difícil, pois meus trabalhos são bem diferentes uns dos outros. Acho que dependeria do tipo de música que a pessoa prefere. Se gostar de metal, indicaria o Star One ou "The Source", do Ayreon. Se preferir prog, "Electric Castle". Se gosta de música ambiente, indicaria "Ambeon", "Dream Sequencer" ou "Guilt Machine". Agora se for uma pessoa com a mente aberta, indicaria a minha estranha carreira solo.

16. O conceito do nosso site é permitir com que os usuários relatem a sua experiência durante a audição de um álbum de música. Você poderia nos dizer um álbum que você ouviu recentemente e que recomendaria?

Eu adorei o último álbum do Toehider, principalmente a faixa "How Do Ghosts Work". O refrão já está em minha cabeça por meses! Mike Mills é um gênio e sempre trabalharei com ele.

17. Arjen, nós agradecemos enormemente a atenção e gentileza. Para encerrar, temos um último pedido: por favor, nunca deixe de compôr e gravar álbuns!

(risos), eu prometo! Como disse anteriormente, eu pararei de respirar antes de parar de compôr. Obrigado pelo apoio e interesse em minha música. Parabéns pelo ótimo trabalho!


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Shammash

Relacionado com: Mythological Cold Towers
Data da Entrevista: 09/04/2018

Cadastro por: Tarcisio Lucas
Em: 20/06/2018

Guilherme Costa

Relacionado com: Guilherme Costa
Data da Entrevista: 30/11/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 02/12/2018

Pete Trewavas

Relacionado com: Edison's Children, Kino, Marillion, Transatlantic
Data da Entrevista: 25/03/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 02/04/2018

Clayson Gomes

Relacionado com: 80 Rock
Data da Entrevista: 28/05/2019

Cadastro por: Vitor Sobreira
Em: 30/05/2019

James LaBrie

Relacionado com: Ayreon, Dream Theater, Frameshift, James LaBrie, Last Union, Mullmuzzler, Winter Rose
Data da Entrevista: 10/12/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 21/12/2018

Eric Martin

Relacionado com: Eric Martin, Mr. Big
Data da Entrevista: 23/04/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 26/04/2018