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Entrevista - Dieter Hoffmann

Relacionado com: Starfish64
Data da Entrevista: 14/08/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

Acessos: 141

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Dieter Hoffmann é a mente criadora que conduz o grupo de Art Rock/Rock Progressivo alemão de nome Starfish64. Caso você ainda não conheça a sua sonoridade, trata-se daquele tipo de música em que você prepara a sua bebida favorita, escolhe um local confortável, coloca os fones e apaga a luz, pronto para embarcar em uma viagem extremamente agradável.
Dieter chegou até o 80 Minutos com a sugestão de nos apresentar o trabalho do seu grupo e em busca de uma oportunidade de propagar a música que fazem. Particularmente, posso dizer que foi uma ótima surpresa.

Além da resenha que fiz para o seu mais novo álbum "The Future In Reverse", solicitei a Dieter a gentileza de nos conceder uma entrevista para falar sobre o novo trabalho, suas influências e também sobre a produção e mixagem do álbum.

Confira! Aproveite para conhecer a página da banda no Bandcamp clicando aqui.

1. Olá Dieter. Meu nome é André e estou representando o 80 Minutos, um site colaborativo brasileiro

Olá Brasil. Não é espetacular como a música pode conectar pessoas ao redor do mundo nestes tempos de internet? É um prazer para nós, uma banda independente da Alemanha, saber que temos fãs e ouvintes por aí. Nós realmente apreciamos isso.

2. O Starfish64 está promovendo o lançamento do seu mais novo álbum “The Future In Reverse”. O que encontraremos nele?

“The Future In Reverse” é um álbum para sentar e realmente ouvir. Nós acreditamos que ele possui um fluxo constante, que atrai o ouvinte para mergulhar dentro dele. É uma abordagem melódica do rock progressivo com alguns momentos divertidos e outros cativantes. Seguimos a tradição de bandas como: Marillion, Supertramp ou talvez Alan Parsons, com partes de compositores como Al Stewart ou Gerry Rafferty. Gostamos de definir o nosso estilo como Dream-Prog.

3. “The Future In Reverse” pode ser considerado um álbum conceitual? As letras possuem alguma conexão?

Não, realmente não há uma história contínua dividida entre as faixas, embora todas lidem com a vida nos tempos atuais, com todas as loucuras, dúvidas e mudanças radicais. O título do álbum veio da ideia de que a humanidade não consegue aprender com os erros do passado, sempre cometendo as mesmas falhas. Então, em alguns casos, o nosso futuro pode ser considerado um replay do passado.

4. Com este lançamento, vocês estão chegando ao sexto álbum de estúdio. Como a experiência dos lançamentos anteriores contribuiu para as composições e para a produção de “The Future In Reverse”?

Esta é uma pergunta difícil de responder com poucas palavras. Cada álbum é um processo baseado em aprender coisas novas. Seja com a maneira de compor, cantar ou fazer arranjos. Então, cada álbum contribuirá para o próximo e adiante. Deixe-me dar um exemplo. Eu me tornei um pouco obcecado com o controle sobre a produção e gravação com o passar dos anos, pois não me conformava que um engenheiro de som e os demais músicos não tivessem o mesmo comprometimento que eu em relação ao trabalho. Assim, acabei decidindo por fazer tudo sozinho. Como algumas das minhas habilidades são limitadas, eu tive que encontrar pessoas que mostrassem esta dedicação e comprometimento para a música do Starfish64. Agora, com Henrik, Nick e Martin a bordo, as coisas estão melhores, pois podemos contar com um músico bom em cada posição. Eles captam o espírito da minha música e contribuem livremente, transformando as minhas faixas básicas em um playground das suas habilidades. E eles gostam disso. É isso que faz funcionar. Para o futuro, espero que o trabalho coletivo cresça ainda mais. 

5. Para os seus novos fãs, como você descreveria o som do Starfish64?

Pessoalmente, eu cresci com aquelas fantásticas bandas dos anos 70 como: Genesis, Yes, Pink Floyd, etc. Segui o movimento Neo-Prog dos anos 80 e 90, sendo que ainda acompanho os nomes da atualidade como: Steven Wilson, Big Big Train, etc. Então, este é o tipo de música que está no meu DNA. Martin é bem ligado ao som das bandas britânicas, assim como Nick. Já Henrik, assim como eu, é aficionado em prog. Ele adora Rush, Yes e é um grande fã do Magnum. Como eu disse anteriormente, o direcionamento do Starfish64 é uma abordagem melódica do progressivo. É aquele tipo de música para sentar, colocar os fones, apagar as luzes e curtir.

6. O Starfish64 é mais uma banda de estúdio, certo? Há a intenção de realizar apresentações ao vivo?

Nós recentemente começamos a montar e ensaiar um set ao vivo. Seria ótimo tocar em alguns clubes ou festivais de prog rock no futuro. Mas, primeiro precisamos de um tecladista. Nick e Martin conseguem facilmente cobrir baixo e guitarras, permitindo uma execução precisa dos arranjos originais. A bateria também não é problema. A minha posição no palco seria cantar e talvez tocar um violão acústico, então, precisamos mesmo resolver a questão dos teclados.

7. Além das bandas já citadas, há mais algum artista que tenha lhe influenciado a se tornar músico?

Eu poderia nomear vários. Sou fanático por música desde a juventude. Tenho pilhas de CDs e LPs, itens que ainda gosto de comprar. Como disse anteriormente, o rock progressivo clássico está no meu DNA. Fui apresentado ao som do Genesis ainda garoto, em 1975, o que realmente foi o maior impacto nos meus interesses musicais. Como letrista, eu admiro bastante o trabalho de Mike Scott, dos The Waterboys. Outro dos meus heróis é Steven Kilbey, do The Church.

8. Eu tive o prazer de ouvir “The Future In Reverse”, o que classifico como um álbum excelente. Podemos falar um pouco sobre as canções dele? Vamos começar com “Yesterdays Favourite Smile”.

Para citar novamente o Genesis, é sobre o rio constante da mudança, e também sobre ser verdadeiro com você mesmo. Hoje em dia, há muita pressão para que as pessoas se encaixem em esteriótipos. Às vezes, um ou outro acaba se perdendo.

9. “Tomorrow In Dark Water”

Esta é basicamente sobre a incerteza em nossas vidas, descrita através da imagem de um barco refugiado. Por aqui na Alemanha e em algumas outras sociedades ocidentais, temos um estilo de vida muito privilegiado em comparação com o resto do mundo. E não é só isso. Nós mantemos esse estilo de vida às custas de outras pessoas. Temos que chegar a um acordo que este é o planeta dos nossos filhos e também temos que ter certeza de que suas vidas e seu amanhã não estarão na água escura.

10. “Determination”

Esta é sobre o choque de filosofias. Ela simplesmente derrete as crenças de um criacionista religioso com a episteme de um cientista. Isso levanta a questão do porquê há a crença de que tudo é criado por alguma instância superior e outra parece ter uma resposta sobre cada questão através da ciência.

11. “Molehills”

Esta é uma declaração mais humorística sobre todos os tipos de conspiração.

12. “Charting An Abyss”

“Charting An Abyss” lida com vários assuntos e está cheia de metáforas. O abismo em si é o nosso interior. Traz a questão de que, até que ponto, descobriremos sobre o nosso subconsciente.
Outro assunto são as conseqüências das nossas atitudes em conexão com passado, presente e futuro.

13. O álbum foi mixado e masterizado por você. Devo dizer que o som é ótimo. Você poderia nos contar um pouco sobre o processo completo de fazer um álbum do Starfish64? Todas as etapas do processo – gravar, mixar e masterizar – foram feitas em seu home studio, certo?

Sim, conforme descrito no encarte, basicamente registramos as faixas em salas, galpões de jardim e adegas.
Os softwares de gravação atuais permitem muitas oportunidades e recursos. Você pode ter um estúdio quase totalmente equipado em um computador. Registramos cerca de 90 minutos de material nos últimos 18 meses. A maioria das faixas foi desenvolvida continuamente a partir de versões demo básicas. "Charting The Abyss", por exemplo, foi montada com base em três demos acústicas compostas e gravadas durante um feriado na Grécia, em maio de 2017. Eu costumo ouvir e trabalhar com demos e mixagens bem cruas, então eu sempre posso girar um botão aqui ou ali. As versões básicas são uma espécie de playground para meus colegas de banda e artistas convidados. É como construir uma casa. Eu forneço a estrutura para os meus companheiros de banda para que eles possam reforçar e polir a coisa toda. Nós nos esforçamos muito no mix final desta música e eu tive a chance de entrar em vários detalhes durante outra estadia na Grécia, em maio deste ano. Como não havia nenhum prazo, não havia razão para apressar as mixagens. Esse é o ponto em que produções de estúdio com um orçamento limitado muitas vezes se transformam em decepção, em que um álbum é mixado em poucos dias. Posso não ter as habilidades profissionais e as possibilidades técnicas de um engenheiro treinado em um estúdio de gravação, mas tentei compensar isso com perseverança e comprometimento com o projeto. O mesmo aconteceu com os outros membros da banda. Parece que valeu a pena.

14. Você pode nos dizer como os fãs brasileiros podem obter a sua cópia de “The Future In Reverse”?

Nós vendemos a nossa música através do Bandcamp. É lá que os fãs brasileiros poderão comprar ou fazer download dos álbuns. Nossas músicas também estão disponíveis no iTunes, Amazon, Spotify, etc. Mas, se você deseja nos apoiar, o local certo é o Bandcamp. Acesse https://starfish64.bandcamp.com. Para aqueles que desejam conhecer o nosso material mais antigo, há uma coleção gratuita de algumas faixas disponível em: https://starfish64.bandcamp.com/album/10x64-a-collection-of-odds. Lá você poderá conhecer um pouco mais.

15. Dieter, agradeço pela sua atenção e desejo sucesso com “The Future In Reverse” e projetos futuros. Este espaço final é todo seu. Obrigado!

Nós é quem agradecemos. Foi um prazer responder as suas perguntas. O 80 Minutos é um ótimo lugar para descobrir música de qualidade. Então, siga em frente.


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