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Entrevista - Marcelo Loss

Relacionado com: Concreto
Data da Entrevista: 02/08/2018
Autor: Mário Pescada

Acessos: 443

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Banda Concreto lança novo EP com Vinny Appice, baterista do Black Sabbath 
 
A banda mineira Concreto lança seu novo EP (LAMA) com baterias gravadas pelo lendário Vinny Appice (Black Sabbath, DIO e outros).

O novo trabalho foi gravado em Belo Horizonte em 2017 no Eminence Studio por Alan Wallace e mixado e masterizado em New Jersey (EUA) por Stephen DeAcutis (Nuclear Assault, Overkill, Cyndi Lauper, Vanilla Fudge, Gladys Knight).

O contato da banda com Vinny Appice começou em 2015 quando o Concreto foi a banda de apoio do baterista em workshop e show em BH. Na oportunidade uma forte química aconteceu no palco e surgiu a possibilidade da parceria em estúdio. A parceria amadureceu e deu origem ao EP LAMA – 2018, sendo as baterias gravadas em Los Angeles.

O primeiro single do EP se chama Marco da Lama e é dedicada às vitimas e aos atingidos pelo desastre ambiental de Mariana – MG (2016). A música já está disponível no site da banda e nas principais plataformas de música digital.

A banda Concreto estreou em 1994 com um Picture Disc lançado em Los Angeles. Na sequência vieram os álbuns A Calma da Alma (1998), Aquele Que Tem (2001), Volume III (2004) e Quanto Custa a Vida (2008). Em 2012 a banda lançou o DVD Ao Vivo e em 2015 o EP Bruto.
 
Confira a entrevista exclusiva de Marcelo Loss ao 80 Minutos.
 
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1. Oi Marcelo! Primeiro, obrigado pelo bate papo com o 80 Minutos. Esse ano a banda comemora 20 anos do lançamento do primeiro disco, “A Calma da Alma” (1998). Li que vocês estão preparando uma festa de comemoração com planos de tocarem o disco na íntegra. Como andam esses preparativos?

Pois é! Estamos tendo muito trabalho com isso... (rsrs). Precisamos reaprender músicas que não tocávamos há anos, mas tem sido uma viagem no tempo. Faremos um show em homenagem aos 20 anos do álbum tocando as músicas na íntegra.

2. Um ponto que a banda se manteve fiel nesses 20 anos de estrada é o fato de cantar em português. Isso veio naturalmente ou foi uma forma da banda se diferenciar das demais?

Veio naturalmente. É a forma que temos para nos expressar, compor nossas músicas e falar dos assuntos que nos interessam. Desde o primeiro álbum sempre temos uma ou outra faixa em inglês, mas nossa opção sempre foi pela língua portuguesa. E o interessante é que mesmo cantando na nossa língua, já fizemos shows várias vezes nos EUA e recentemente na Europa e Reino Unido. A língua não é uma barreira.

3. A banda investe no lançamento de EP`s, um formato pouco comum aqui no Brasil, mas ainda muito utilizado na gringa. O que faz a banda apostar nesse formato?

A forma como as pessoas consomem a música atualmente mudou. Com o avanço das tecnologias, a galera escuta as músicas no telefone, no pc e tudo é muito rápido. Os EP´s e singles são uma forma de manter a banda em evidência e sempre atualizada. O fã de hoje quer novidades, que saber o que a banda está fazendo agora. Claro que não nos esquecemos dos fãs de outras gerações que, como nós ainda curtimos ouvir o álbum inteiro, ler o encarte, ver as fotos. Por isso temos planos de transformar os dois últimos EP´s (“Bruto” 2015 e “Lama” 2018) em um full álbum em formato físico.

4. Falando em EP, esse ano a banda lançou “Lama” (2018), sucessor de outo EP, “Bruto” (2015). O EP foi gravado pelo Alan Wallace (EMINENCE) em Belo Horizonte e depois mixado e masterizado pelo Stephen DeAcutis (New Jersey/EUA). Como foi o processo de gravação e como foi trabalhar com o Stephen, experiente produtor que já trabalhou com nomes como NUCLEAR ASSAULT, OVERKILL e CYNDI LAUPER?

O Alan Wallace (EMINENCE) é um parceiro e amigo de longa data. Ficamos muito satisfeitos com o resultado que conseguimos no estúdio dele. No caso do “Bruto” a mixagem ficou a cargo do Tue Madsen, um dinamarquês apresentado pelo Alan e que já trabalhou com muita gente boa, como Rob Halford (JUDAS PRIEST). Já o Stephen foi uma indicação do próprio Vinny Appice, que gravou as bateras do EP “Lama”. Em ambos os casos ficamos muito felizes com o som das músicas!

5. O título “Lama” foi escolhido para simbolizar a situação do país com toda essa corrupção e a tragédia de Mariana (MG) naquele acidente do rompimento da barragem de rejeitos de mineração que devastou o distrito de Bento Rodrigues. Como mineiros, a gente está familiarizado com mineradoras por todo Estado, mas esse acidente nos fez pensar muito sobre nossa relação com essas empresas. Queria saber de você como esse acidente impactou a banda e qual a perspectiva da banda hoje com o país.

Esse acidente foi vergonhoso! É um tapa na cara do país. As mineradoras sempre agem da mesma forma, usam e abusam do meio ambiente e das pessoas por onde passam, e quando a fonte seca, simplesmente mudam pra outros cantos, como uma praga de gafanhotos. Não se preocupam muito em contribuir para que a comunidade aprenda a ser autossustentável, para sobreviver quando o minério acabar. Também não se preocupam tanto com os eventuais acidentes, que são mais do que previsíveis, mesmo quando deles resultam mortes e vidas inteiras destruídas.
A verdade é que estamos bem desanimados com os rumos do nosso país. Lama pra todo lado, intolerância e radicalismos... Mas não podemos desistir. Resistir e lutar sempre!

6. O EP “Lama” contou nada mais, nada menos com a participação de Vinny Appice (BLACK SABBATH, DIO e muitos outros) nas baquetas das 4 faixas. Eu estava no workshop de bateria dele aqui em Belo Horizonte em 2015 e posso afirmar que além de um baita baterista, o cara foi muito carismático e atencioso com as pessoas. Como que foi conhecer pessoalmente o cara que comandou as baquetas do grande BLACK SABBATH?

Ter Vinny Appice conduzindo as baquetas das músicas da banda é uma honra gigantesca e um sonho realizado. Sempre fomos fãs do cara. O vinil do HEAVEN AND HELL ao vivo, com Dio, Vinny, Iommi e Geezer rolava até quase furar. Sabíamos cada nota daquele solo do Vinny. Aquele show com ele em BH vai ficar marcado pra sempre em nossas vidas. É dessas coisas que fazem todo esforço valer a pena...

7. E o processo de gravação das faixas, como que foi considerando que ele estava nos EUA e vocês aqui no Brasil? Vocês já enviaram as faixas prontas para o Vinny gravar as partes de bateria ou foi tendo troca de ideias entre vocês?

Nós gravamos as guias das músicas com vozes, baixo, guitarra e metrônomo em BH e enviamos pra ele. Deixamos o Vinny totalmente à vontade para criar suas linhas de bateria em cima da guia. Ele gravou suas baterias em Los Angeles e nos enviou de volta. Depois gravamos pra valer em cima das suas tracks. Quando ouvimos as bateras do cara foi muito emocionante. De chorar igual criança... (rsrsrs)

8. Parece que em cada cidade que ele se apresentou durante o workshop houve o convite para participação de uma banda local. Como que aconteceu de vocês serem chamados para dar uma canja com ele ao final do workshop?

Esse foi o formato daquela turnê do Vinny. Em cada cidade ele faria a primeira parte do show com seu Workshop, mostrando suas técnicas e depois faria um jam session com uma banda da cidade. A produção dele entrou em contato com a gente por indicação de produtores locais, uma vez que o CONCRETO sempre teve uma relação com o SABBATH, afinal somos fãs assumidos dos caras e muitas vezes tocamos covers deles no início da nossa carreira. E no show realmente rolou uma química muito especial com o Vinny, tanto que se ofereceu para gravar músicas nossas.

9. Rolou ensaio antes ou foi tudo feito na hora?

Não. Por email combinamos que tocaríamos duas ou três músicas, definimos as músicas e pronto!

10. É verdade que das quatro faixas do BLACK SABBATH tocadas, a última, “Paranoid” foi escolhida ali mesmo, na hora pelo próprio Vinny?

Sim! Na verdade, em BH foi o único local onde ele tocou quatro faixas. Em SP, Rio, Salvador, Recife e outras cidades onde ele esteve só rolaram duas músicas. Com a gente foram as três que preparamos (Mob Rules, Holy Diver e Heaven And Hell) e ainda rolou o Paranoid por pura empolgação do Vinny! (rsrs). Parece que ele curtiu mesmo. Quando acabamos a terceira música ele disse: “Vamos mais uma!” Aí dissemos: “Mas não preparamos outra”. E ele: “Ah! Toca Paranoid, todo mundo toca Paranoid!”. “Então tá!”. A gente não ia contrariar o mestre, né? (rsrsrs)

11. Ouvi a entrevista suas para o Vitão Bonesso (programa Backstage) e nela foi dito que para o segundo semestre havia planos de uma tour da banda pelos EUA com o Vinny Appice, é isso mesmo? Se sim, como andam esses planos?

Na verdade, o plano para esse semestre é fazer uma tour com ele aqui no Brasil. Estamos tentando acertar os detalhes e fechar umas datas. Tocar com ele em outros países seria uma segunda etapa. Estamos trabalhando pra isso. Em breve teremos novidades.

12. Em junho foi a primeira vez da banda na Europa. Como foram os shows, recepção do público, etc.

Foi muito legal! Fizemos dois show em Dublin, sendo um deles no Youbloom Festival, um importante festival independente, e um em Londres. É sempre muito bom tocar em locais diferentes, ver como os gringos trabalham, conhecer a cultura dos caras.

ImagemConcretoEuropa

13. Uma vez em Londres, não poderia faltar a foto clássica atravessando a Abbey Road...

De jeito nenhum! Ainda mais beatlemaníacos como nós somos. Ficamos menos de 48 horas em Londres, mas fora o show, era nossa prioridade conhecer Abbey Road.

ImagemConcretoAbbeyRoad

14. Vocês já fizeram alguns shows nos EUA. Quais as diferenças de público de lá, Brasil e Europa?

Pergunta difícil! Nos EUA já foram vários shows em Nova York e Los Angeles. E tocamos para públicos bem diferentes, festivais, pubs, inferninhos. A reação do público sempre foi positiva. Eles ficam curiosos e surpresos com o som dos “brazukas esquisitões” (rsrsrs). Na Europa foi a primeira vez, mas tivemos a impressão que eles são ainda mais abertos à novidade, ao diferente. Então a reação é ainda mais intensa. Nos EUA a galera curte, presta atenção no show, aplaude. Na Europa, além disso, os caras querem conversar, interagir, bater papo. Muito legal!

15. Obrigado pela entrevista ao 80 Minutos, Marcelo. Esse espaço é para vocês mandarem a mensagem que quiserem. 

Nós é que agradecemos. Muito obrigado pelo apoio. É essa força que vem do Underground e dos nossos fãs que nos mantém vivos e com força pra seguir em frente. Se quiserem saber mais sobre a banda acessem www.bandaconcreto.com.br ou procurem por banda CONCRETO nas redes sociais, Youtube e plataformas de streaming. Grande abraço a todos!


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