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Entrevista - Shammash

Relacionado com: Mythological Cold Towers
Data da Entrevista: 09/04/2018
Autor: Tarcisio Lucas

Acessos: 473

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Confira esta grande entrevista com Shammash, guitarrista do grupo brasileiro Mythological Cold Towers.
Exclusivo para o 80 Minutos.

Foto: Revista Roadie Crew

1. Olá, Shammash! Aqui quem fala é o Tarcisio Lucas, um dos colaboradores do site 80 Minutos. Primeiramente gostaria de dizer que é uma honra muito grande para mim estar entrevistando você. As perguntas não seguem uma ordem cronológica ou algo do tipo, sendo quase que um móbile; é mais um bate papo mesmo sobre sua carreira dentro da música e junto ao Mythological Cold Towers. Então vamos lá:
Como foi seu início no mundo da música? Como você se interessou pelo Heavy Metal, e como foi o início de seus estudos com um instrumento musical?

Olá, Tarcísio. Prazer imenso em responder suas perguntas, bem como agradecer pelo seu grande apoio ao Mythological Cold Towers. Minha aproximação com a música começou dentro de casa mesmo. Primeiramente, fui absorvendo o que os meus pais e parentes ouviam, por exemplo, MPB, música pop internacional, jovem e velha guarda, essas coisas que toda família brasileira nos anos 70 escutava. Já no início da década de 80, um primo me apresentou as músicas da banda KISS e acabei gostando e me identificando bastante com esta sonoridade. A partir daí, fui conhecendo outras bandas icônicas como Black Sabbath, AC/DC, Iron Maiden, Motörhead, etc. Então comecei a me aprofundar mais e acompanhar o surgimento de novas vertentes como o black, thrash, death, doom metal... Eu comprei minha primeira guitarra por volta de 1988/1989. Nunca fui um músico dedicado em termos de estudo, sempre fui mais autodidata. Comecei a tocar em bandas de death e grind. Minha primeira experiência com o Doom, foi quando eu formei uma antiga banda chamada Guehenom, em 1992, pois queria fazer algo próximo às bandas que estavam emergindo na cena underground la fora como Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema.

2. Qual é o artista/banda/cantor que você curte e que mais se distancia da proposta do Mythological Cold Towers?

Ouço bastante coisa distinta, tipo música erudita, medieval, jazz, blues, R&B, rock progressivo, gothic rock, dark ambient, darkwave, trip hop, etc ...Trilhas sonoras de filmes épicos e de ficção também são bem-vindas.

3. Se você tivesse que escolher um único álbum do Mythological Cold Towers para apresentar para alguém que não conhece a banda, qual álbum seria, e por quê?

Questão difícil rs ... Acho que apresentaria o primeiro álbum, Sphere Of Nebaddon, por ser um disco que marcou bastante numa época em que o doom estava em seu apogeu, obtendo bastante resenha positiva e por ter sido o primeiro registro em CD desse estilo, no Brasil.

4. O Mythological Cold Towers é considerado por muitos – inclusive por mim – como o maior nome do Doom Metal de todos os tempos em nosso país. Mas qual seria a definição de “Doom Metal”, em suas palavras? Seria o Doom Metal o estilo que melhor representa o mundo em que vivemos atualmente?

Difícil buscar uma definição exata, a não ser o trivial "lento, pesado e melancólico", tendo em vista que há muitas bandas e vertentes distintas dentro do próprio Doom (melodic, funeral, stoner, progressive, doom/death, etc), para todos os gostos. O próprio MCT tem uma identidade distinta, pois nós tocamos um doom/death épico, relativamente melódico, frio e monumental, proposta esta que faz parte desde os primórdios da banda.

5. Em um futuro “Mythological Cold Towers Festival”, quais seriam as bandas, nacionais e internacionais, que fariam parte do line-up, se você pudesse escolher quem quisesse?

Acho que precisaria de uns 05 dias de fest kkkkk... São tantas bandas legais que poderíamos tocar juntos... entre elas:  Pantheist, Solitude Aeturnus, HellLight, Dying Embrace, Abstract Spirt, Mourning Beloveth, Primordial, Jupiterian, Tenebrario, Fallen Idol, Swallow the Sun, Pentagram, Officium Triste, Paradise Lost, MDB, Lacrima Mortis, Abske Fides, ...Do Fundo...Abismo, Death By Starvation, Malefactor, The Obsessed, Thy Light...

6. Atualmente, em nosso país, a música que é vinculada nas grandes mídias é, de maneira geral, de baixíssima qualidade. Em sua opinião, qual é a importância da música em nossa sociedade?

Quando temos um monopólio nas indústrias fonográficas e do entretenimento aliado a um povo que tem pouca base educacional e desconhecimento de suas origens culturais, a tendência é sempre prevalecer uma arte e música massificada e pobre culturalmente. Uma música de fácil assimilação e repetitiva é bom para o consumo e lucro para esse monopólio. Em meio a tudo isso, a boa música não consegue sobreviver. Por isso, a importância de ter um estudo musical na base da educação na sociedade. O indivíduo tendo contato com a música de qualidade, aprimora seu nível cultural e o senso de raciocínio e interpretação em todos os aspectos de sua vida.

7. Quais os planos do Mythological Cold Towers para esse ano (2018)?

Nosso foco é esse ano é compor novas músicas e gravar um novo álbum. Já temos cerca de 5 hinos novos e esperamos terminar de compor mais algumas em breve. Adianto que será um álbum tão marcante quando os demais, com algumas peculiaridades que se distinguirá dos outros, sem perder a essência.

8. Você é o fundador e proprietário da empresa Nuktemeron Productions. Você poderia falar um pouco mais sobre ela? Aqui vão algumas perguntas.  Qual é principal proposta da Nuktemeron Productions?

A Nuktemeron Productions surgiu em 2005, com a proposta de difundir a música underground no Brasil e exterior. No início, lançamos materiais no formato tape e com o decorrer do tempo, nós passamos a lançar em formato CD. Atualmente nosso foco é no Doom Metal e lançamos vários materiais nessa linha, como por exemplo, CD das bandas Abske Fides, In Absenthia, Lelantos, Unholy Outlaw, Witching Altar, Dirty Grave, Pantaculo Místico, inclusive lançamos o nosso último álbum do Mythological Cold Towers, Monvmenta Antiqva e relançamentos nosso aclamado primeiro CD, Sphere Of Nebaddon.

9. “Nuktemeron” parece ser uma palavra oriunda de alguma Língua antiga. Qual é o seu significado?

O nome refere-se de um grimório antigo de mesmo nome, escrito no Século I A.C, atribuído ao ocultista Apolônio de Thiana. Refere-se também a uma música do Sodom, do album "Obsessed By Cruelty".

10. Quais são os planos e projetos para a Nuktemeron agora em 2018?

Continuar distribuindo e lançando materiais Doom. Nosso próximo lançamento será o novo álbum da banda paulista Fallen Idol que deverá sair entre Maio e Junho.

11. Quais são os maiores desafios em se manter uma empresa de distribuição de material original, ainda mais de gêneros específicos, o Doom e o Black Metal, em nosso país? E quais são as maiores recompensas?

O desafio é grande. Costumo falar que é como matar um leão por dia. Sobreviver de música, num momento de crise econômica mundial e relativa falência do mercado fonográfico, é algo muito difícil, quase impossível. Mesmo assim, tentamos vencer as adversidades, levando o Doom e Black Metal para quem realmente aprecia e, assim como nós, que gosta de ter o material físico em mãos e a nossa maior recompensa é essa mesmo, fazer a música se movimentar dessa forma.

12. Agora voltando para perguntas mais gerais.O que você mais gosta de fazer: compor, gravar em estúdio, ou apresentações ao vivo?

Tudo isso é bem legal mas, tocar ao vivo é sempre uma grande magia. Aquela interação entre banda e público, dentro de uma estrutura onde a música possa se reproduzir com qualidade, sempre é algo prazeroso e recompensador, além de eternizar em nossas memórias.

13. Qual foi o melhor show que você, enquanto fã, assistiu em sua vida?

Alguns shows que marcaram profundamente em minha vida: Black Sabbath com Dio (Pista de Atletismo do Ibirapuera, junho de 1992), Motorhead (Ginásio do Ibirapuera, 1989), Anathema (Aeroanta, São Paulo SP, 1993), Angel Witch (Barrocelas, Portugal, 2012) e Paradise Lost (Philip Monsters of Rock, São Paulo, 1995)

14. Qual a música do Mythological Cold Towers que você mais gosta de tocar ao vivo?

Sou suspeito pra falar, gosto de tocar todas rs... mas Contemplating The Brandish of the Torches tem um motivo especial, pois quando entrei na banda em 1998, esta música estava sendo composta. Então, sempre que toco ela em nossos shows, vem aquele sentimento de nostalgia emocionante.

15. O Mythological Cold Towers se destaca, além da qualidade dos músicos, por sua abordagem lírica, que aborda temas como civilizações antigas, culturas ancestrais e mistérios do passado da humanidade. Certamente, a concepção das letras e da estética da banda deve exigir muitas leituras sobre esses temas. Mas além desse tópico, sobre o que mais você, enquanto pessoa, gosta de ler, estudar e/ou se aprofundar?

Um dos fatores que nos une e nos mantem firmes com a proposta do Mythological é o nosso interesses por temas relativos aos mistérios e lendas de antigas civilizações. Esse interesse já vem desde a minha adolescência e influenciou na minha formação acadêmica em História. Sendo assim, sou fascinado por todo tema ligado tanto a História como Sociologia e Geografia, que são assuntos que estou constantemente lendo e me aprofundando.

16. Que recado você daria para a garotada que está começando agora e tem o desejo de, de alguma forma, trabalhar com Heavy Metal em nosso país (seja tocando, produzindo, distribuindo...)?

Persistência. Acreditar, ter força de vontade e tentar ser o mais profissional possível e buscar inspiração com quem trabalhou ou trabalha com profissionalismo, para evitar o amadorismo que é bem recorrente na cena, infelizmente.

17. Bom, estamos no fim de nossas perguntas. Gostaria de saber só mais uma coisa:  Qual pergunta que você sempre quis responder, enquanto músico, e que nunca lhe fizeram (sinta-se livre para respondê-la aqui!)?

Responder entrevistas sempre é uma grande surpresa. Nunca pensei em alguma pergunta específica, acredito que muitas questões levantada aqui para site 80 minutos foram bem elaboradas e diferenciadas (algumas, inclusive, nunca foram questionadas antes), tornando uma coisa mais dinâmica e espontânea.

18. Bom, é isso! Gostaria de agradecer novamente a disponibilidade e dizer que foi um prazer imenso. Sou fã desde os primórdios da banda, e continuarei acompanha sempre o trabalho maravilhoso que você sempre apresentou. Alguma consideração final?

Agradeço imensamente em nome do Mythological Cold Towers pelo espaço cedido e pela ótima entrevista. Tão logo, apresentaremos mais uma obra monumental para o deleite daqueles que apreciam nossa música. Keep in touch, stay Doom!


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