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Entrevista - Toby Jepson

Relacionado com: Wayward Sons
Data da Entrevista: 09/06/2018
Autor: Mário Pescada
Traduzido por: Mário Pescada

Acessos: 359

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Toby Matthew Jepson é um conceituado e talentoso vocalista, guitarrista e compositor. Participou de grupos de sucesso como: Little Angels e Dio Disciples, além de possuir uma interessante carreira solo.
Em uma exclusiva para o 80 Minutos, Toby apresenta a sua nova banda, o Wayward Sons, que lançou em 2017 o seu primeiro álbum, o ótimo "Ghosts Of Yet To Come". Para quem gosta de hard rock com influências punk e o som das guitarras nas alturas, é um prato cheio.

Autor: Mário Pescada
Colaboração: André Luiz Paiz

1. Para começar, quero parabenizar vocês da banda pelo excelente trabalho com “Ghosts Of Yet To Come”. O álbum foi classificaco pela Planet Rock como “melhor single britânico”, “melhor álbum britânico” e levou o prêmio de “melhor banda nova”, competindo contra GRETA VAN FLEET e SONS OF APOLLO! Ele está definitivamente nos meus discos favoritos do ano. Top 10 com certeza. Como foi para você, logo no primeiro disco, receber estes importantes prêmios?

Tem sido um ano extraordinário desde o lançamento do álbum e é difícil resumir como nos sentimos, mas “sortudos”, “felizes” e “energizados” seria um bom começo! Fazer discos tem sido parte da minha vida por 30 anos e o principal aspecto que aprendi é que tudo que importa são as músicas; nós vivemos ou morremos pela qualidade da música e então nós concentramos todos os nossos esforços em compor e gravar as melhores músicas possíveis. Isso é tudo que temos como banda, nada mais importa, e ter alguma forma de validação dos fãs e a indústria (musical) em geral é o teste decisivo, então, receber o nível de reação que nós temos recebido tem nos dado toda confiança que precisamos para acreditar que banda tem algo de verdade a oferecer. Nos sentimos fortemente comprometidos com o futuro do WAYWARD SONS por causa dessa reação. É verdadeiramente incrível...

2. Na minha resenha do álbum para os sites Whiplash.net e 80 Minutos, usei o título “Grata revelação vinda de veteranos”, afinal, a formação tem músicos experientes, com envolvimento em outras bandas e anos de estrada. Como você chegou a Nic Wastell (baixo), Phil Martini (bateria), Sam Wood (guitarra) e Dave Kemp (teclado) para formar o grupo?

Sim, os caras na banda têm grande experiência - fora Sam - mas chegarei nele adiante - e era importante para mim que essa banda tivesse uma combinação de experiência, paixão, excitação, inspiração, foco, comprometimento, amor e ambição, e a todos os caras que perguntei senti essas qualidades implícitas. Depois de tudo, não sou mais um “frangote” - eu completei meu 50º aniversário enquanto estava em turnê com INGLORIOUS ano passado - e então foi muito importante para mim que a música refletisse minha vida, sem que eu tentasse parecer algo diferente de mim. Nic Wastell (baixo) foi a chave para formação da banda, isso porque ele me encorajou a voltar a escrever e tocar antes da (gravadora italiana) Frontiers Music SRL se envolver. Eu passei muito tempo excursionando como um “vocalista contratado” em outros projetos (FASTWAY, GUN, DIO’S DISCIPLES), o que se distanciou da razão original de estar em uma banda, que é escrever e tocar meu próprio material, então o envolvimento dele de tornou a chave do motivo do porque eu decidi fazer isso. Então quando o Serafino da Frontiers Music  bateu à porta, Nick foi a primeira pessoa que chamei. Dave Kemp (teclados) e eu temos trabalhado juntos por anos como parceiros, então foi uma decisão fácil em convidá-lo a se juntar. Phil Martini (bateria) eu tinha visto tocar com JOE ELLIOT no festival “High Voltage” e pensei que ele era um grande baterista que possuía claro entendimento para as músicas, um músico cujas influências não eram obviamente apenas hard rock. As sutilezas na sua performance mostraram isso e eu estava a fim de criar um álbum que moldasse meu amor não apenas pelo rock, mas pelo punk e música alternativa, então, ele era a escolha perfeita. Felizmente para mim ele disse “sim”! Sam Wood (guitarra) é um tipo único, eu encontrei Sam enquanto produzia sua banda TREASON KINGS e imediatamente me dei conta do quão fantástico ele era. Um jovem com uma excepcional e bem trabalhada habilidade em fazer o melhor da antiga escola e trazer novidades no jeito de tocar guitarra. Não é exagero dizer que ele é o guitarrista mais empolgante que cruzei em 20 anos, certamente desde eu ter tocado com Bruce (John Dickinson) do LITTLE ANGELS. Estou muito feliz com todos eles, nos sentimos como um grupo de amigos e é exatamente assim que deveria ser.

3. Quem sugeriu a ideia para a sequência de videoclipes com “Until The End”, “Alive”, “Crush” e “Ghost”?

O conceito dos vídeos foi todo meu. Eu sei que não é particularmente original o conceito de zumbis, mas eu sou um fã de longa data de George Romero (famoso diretor de filmes de zumbis como “A Noite dos Mortos-Vivos”, “Despertar dos Mortos” e “Dia dos Mortos”, entre outros) e o subgênero “morto-vivo”, além do que ele representa como uma declaração do mundo, sobretudo porque o álbum é uma declaração preocupada com o estado atual das coisas ao redor do mundo, especificamente a queda dos líderes políticos ao fazer as coisas do jeito certo, em relação ao crescimento populacional, mudança de clima, fome, terrorismo, etc., então, essa ideia pareceu se encaixar perfeitamente. Além disso, esse tipo de arte reflete meu amor pelos gibis dos anos 50 e a natureza subversiva desse período na história da humanidade, então tudo pareceu certo para mim. E mais, foi muito divertido escrever (o roteiro) e filmar!

4. Quais são as maiores diferenças entre o WAYWARD SONS e seu trabalho com FASTWAY, LITTLE ANGELS e DIO DISCIPLES?

As diferenças podem ser realmente grandes, no FASTWAY, GUN e DIO’S DISCIPLES, eu era um vocalista contratado para manter em continuidade estas bandas já estabelecidas. Eu amei trabalhar em cada uma delas, de fato não tenho nada a não ser grandes memórias de todas, mas, fazer as minhas próprias músicas, meus próprios termos, correr esse risco novamente, sentindo a energia gerada é algo completamente diferente. É um sentimento real, honesto e, para mim, a coisa certa a fazer.

5. Algumas postagens da banda no Facebook mostram que você está muito satisfeito com tudo que está acontecendo nesse momento. Mesmo tendo uma carreira respeitável, esses posts parecem mostrar que é algo completamente novo e recente para você. Estou correto?

Sim, isso é algo completamente novo! Não é como se eu estivesse refazendo velhos passos! Eu me sinto animado como quando era adolescente. É como uma banda jovem, o que eu sei que soa louco, mas eu genuinamente não consigo explicar de outra forma. É algo que tem a ver com seguir em frente, renunciando meu passado, com um novo foco, uma atitude regozijante e qualquer coisa a ver com a necessidade de fazer algo verdadeiro sobre quem eu sou e o que eu sinto sobre a condição humana.

6. Ainda sobre o Facebook, a banda constantemente posta vídeos, transmissões ao vivo, datas de turnês, etc. Como você lida com essas ferramentas da mídia nos dias de hoje? Você já imaginou como teria sido se essas mesmas ferramentas de promoção/interação estivessem disponíveis nos anos 80/90?

Eu amo mídias sociais! Nunca pensei que amaria, mas é uma forma incrível de se conectar com os fãs e gerar entendimento sobre música e a paixão envolvida em fazer esse tipo de trabalho. Não é tudo e com certeza NÂO É a resposta completa, mas é parte do que nós temos hoje para manter a música viva e vibrante. Eu não tenho o recurso de uma gravadora para gastar fortunas em marketing e divulgação como a maioria das bandas indies de hoje, então isso se tornou o centro da operação para levar a palavra adiante. Se eu gostaria que tivéssemos isso nos anos 80/90? De verdade não, pois aquela época era muito diferente, é realmente difícil imaginar como teria sido. Uma coisa que é prejudicial na internet é que ela conduz implacavelmente ao lançamento de novas músicas, não importa se é boa ou não. Eu não acredito que isso seja algo bom, pois criou uma situação que agora é confusa. Então, pode ser muito difícil para as bandas que são boas de verdade alcançarem um lugar de destaque.

7. Eu vi que a turnê de divulgação começou muito bem para vocês, incluindo aí algumas datas sold out e o mês de abril foi muito agitado. Há datas fora da Inglaterra nos meses seguintes? A banda irá abrir para o SAXON em outubro, certo?

Sim, a turnê tem sido imensa! Eu não esperava tanto tão rapidamente. Excursionamos com UFO, INGLORIOUS, STEEL PANTHER e tocamos em alguns festivais, incluindo Ramblin Man e Download enquanto encabeçávamos nossa própria turnê em abril. Não acreditava que isso seria possível quando juntei a banda. Na segunda metade do ano, nós temos alguns shows com o SAXON e alguns festivais fora do Reino Unido. Então está sendo bem ativo. Claro que nós pensamos em dar passos maiores e devemos começar a tocar pela Europa ano que vem. Demora um pouco para os promotores terem interesse suficiente em uma nova banda e você tem que provar a eles que está ganhando espaço no seu próprio território primeiro antes que mudem de opinião! Felizmente, nós temos muitas esperanças para o próximo ano e além.

8. Falando sobre shows, eu vi alguns vídeos de shows em lugares pequenos, mas o público estava cantando junto e interagindo para valer com a banda. Você prefere esse tipo de lugar ou você acha que lugares maiores são melhores para a banda tocar?

Clubes são sempre fantásticos quando você está inciando um novo projeto e é lá que a energia crua atinge a audiência do jeito mais próximo possível. É onde formamos um contrato de longo prazo ao formar uma banda. Grandes palcos são ótimos, claro, mas nenhuma banda deveria subir lá antes de poder caminhar, você tem que construir sua vibe, aprender o seu lugar no palco, se tornar um pelo outro e então progredir para lugares maiores. Cada um tem seus méritos. O público na nossa turnê foi maravilhoso. Foi evidente que a banda tocou em um nervo e os fãs estão conosco o tempo todo. Nós fomos sold out a maior parte da turnê e então estou muito feliz. É uma grande curva ascendente.

9. Dia 21 de abril, você fez alguns posts muito legais para o Record Store Day (nota: espécie de dia mundial de celebração da cultura do vinil) onde foram publicadas dicas como IGGY & THE STOOGES “Raw Power” (1973), FOCUS “Moving Waves” (1970), IAN HUNTER “Welcome To The Club” (1980), SLADE “Alive!” (1972) e BLONDIE “Parallel Lines” (1978). Eu achei que foi uma atitude muito bacana, uma forma de reconhecimento da importância deles, já que há sempre uma geração vindo e ela precisa conhecer os precursores. 

A banda toda tem gosto variado para música. Eu, por exemplo, fui influenciado pelo punk britânico e a nova onda de bandas dos anos 70, mas sou mais do hard rock para ser honesto, então as escolhas do Record Store Day refletiram isso. Música é música em todas as suas formas e indiscutivelmente em minha opinião, algumas das melhores foram criadas nesse incrível período fértil, então ela precisa ser lembrada e celebrada. Há muita música sendo produzida agora que muito da geração mais nova está completamente inconsciente do que foi feito antes, então eu celebro os grandes sempre que posso.

10. Eu se que vocês estão promovendo o primeiro álbum, mas já conversaram a respeito do próximo?

Minha mente nunca para, estou sempre criando música nova e tenho tido muitas ideias para o próximo álbum. Eu tenho muito a dizer e a fazer que considero isso um processo sempre constante. Eu sei que os outros caras também têm ideias e pretendemos entrar em estúdio logo e começar a tocar com o que temos. Esta é a parte principal de ser um músico para mim, o processo criativo de escrever músicas.

11. Se eu for falar sobre a carreira do Toby com um novo fã, quais álbuns você indicaria para sugerir a ele como ponto de partida?

Eu diria para começar com o LITTLE ANGELS, provavelmente o comecinho com o EP “Big Dad” (1989) e então os três discos de estúdio. Então diria para dar uma ouvida nos meus EP´s solo, provavelmente “Guitar, Bass And Drums 3” (2010), mas de longe o mais focado e mais “álbum Toby” que você ouvirá será “Ghosts Of Yet To Come”.

12. O conceito do 80 Minutos é permitir aos usuários classificar e relatar sua experiência durante os 80 minutos de duração de um disco. Poderia nos dizer os últimos discos que você ouviu recentemente e que valem a pena recomendar?

“Hard Wired To Self Destruct” (2016) - METALLICA - foi o último álbum que verdadeiramente me deixou impressionado. Eu tenho sido um fã de longa data da banda e preso aos seus altos e baixos. Eles são únicos, invetivos e sempre tentam ir além, com cuidado sobre as expectativas. Em uma banda, grande parte do tempo é sobre tentar sobreviver com sua música, nós somos todos pessoas tentando sobreviver ao incomum, tentando fazer sentido a nós mesmos e aos eventos que nos cercam, e como músico, você tenta refletir essa experiência. É a mesma coisa para mim ou James Hetfield. Eu sempre admirei James e seu modo de escrever, e nesse álbum ele e a banda se superaram. É uma volta as origens e é brutalmente honesto, desde a primeira música até “Lords Of Summer”. É um disco muito completo, com belíssima gravação em toda sua glória visceral eles se encontraram reenergizados e focados. Minha escolha como favorita é “Moth Into Flame”. É o melhor disco deles desde “Maste Of Puppets” (1986) eu diria, e vem para lembrar que não importa quanto tempo você gasta nesse negócio louco, não importa o quão grande você se torna, não importa quantos erros você cometeu, você sempre pode se redimir ao fazer grandes músicas.

13. Toby, nós agradecemos sua atenção, desejamos sucesso com o WAYWARD SONS e com seus projetos futuros. Esperamos que vocês venham ao Brasil o mais breve possível. Esse espaço é seu. Muito obrigado!

Apenas um grande muito obrigado a todos que demonstraram o menor interesse em mim e na minha música. É um privilégio de verdade a qualquer um gastar seu dinheiro e tempo nos discos ou turnês que faço. Eu aprecio cada momento que posso em continuar fazendo isso e é muito raro poder estar apto a seguir em frente. Espero ir ao Brasil e tocar um dia! Dependerá, como sempre, dos fãs e da demanda que criarem, então como sempre, estarei sempre em débito com vocês. Espero vê-los logo!


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